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POCAHONTOS

Capítulo 6: Duas Visões do Mundo

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🟡 Em breve

A clareira permanece silenciosa.

O vento continua girando ao redor de Pocahontos e John Smith.

As folhas dançam pelo ar.

O rio canta suavemente ao fundo.

Por um instante, tudo parece mágico.

Como se a própria natureza estivesse observando aquele encontro.

John tenta dizer alguma coisa.

Mas Pocahontos não entende.

Pocahontos responde.

Mas John também não entende.

Os dois riem da situação.

Então o vento sopra mais forte.

Muito mais forte.

As folhas douradas giram ao redor deles como uma espiral.

Pocahontos fecha os olhos.

Ele sente a floresta.

Sente os espíritos.

Sente algo extraordinário acontecendo.

Quando abre os olhos novamente…

As palavras de John finalmente fazem sentido.

Como se uma barreira tivesse desaparecido.

Como se seus corações agora falassem a mesma língua.

John também percebe.

Seu olhar se enche de surpresa.

John Smith: — Você… consegue me entender?

Pocahontos pisca algumas vezes.

Pocahontos: — Sim.

John fica impressionado.

John Smith: — Isso é impossível.

Pocahontos: — Talvez não para o vento.

Os dois sorriem.

Eles começam a caminhar pela clareira.

Lado a lado.

Agora finalmente podem conversar.

Pocahontos: — Então você veio do outro lado do oceano?

John Smith: — Sim.

Pocahontos: — Como é?

John sorri.

Ele adora falar sobre viagens.

John Smith: — É muito diferente daqui.

Pocahontos: — Diferente como?

John Smith: — Existem grandes cidades.

Pocahontos: — Cidades?

John Smith: — Muitas casas juntas. Ruas. Mercados. Castelos.

Os olhos de Pocahontos se arregalam.

Pocahontos: — Castelos?

John Smith: — São construções enormes onde vivem reis e nobres.

Pocahontos tenta imaginar.

Parece algo saído de uma lenda.

Pocahontos: — Deve ser incrível.

John Smith: — É.

John continua.

John Smith: — Existem navios maiores que qualquer árvore desta floresta.

Pocahontos: — Maiores que as árvores?

John Smith: — Alguns parecem cidades flutuantes.

Pocahontos ri.

Pocahontos: — Acho que você está exagerando.

John Smith: — Talvez um pouco.

Os dois riem juntos.

Eles chegam à margem do rio.

Pocahontos observa a água.

Pensativo.

Pocahontos: — Eu gostaria de conhecer sua casa.

John o observa.

Por um momento imagina Pocahontos caminhando pelas ruas da Inglaterra.

Conhecendo castelos.

Conhecendo o mundo além da floresta.

John Smith: — Talvez você conheça.

Pocahontos se vira.

Pocahontos: — Sério?

John Smith: — Claro.

O sorriso de Pocahontos cresce.

Mas John continua.

Sem perceber o que está prestes a dizer.

John Smith: — Nós vamos construir muitas coisas aqui.

Pocahontos continua ouvindo.

John Smith: — Casas.

John Smith: — Estradas.

John Smith: — Cidades.

John Smith: — Então vocês selvagens poderão ter contato com o nosso mundo.

O sorriso desaparece imediatamente do rosto de Pocahontos.

Como uma chama apagada pelo vento.

O silêncio cai entre eles.

John percebe a mudança.

Mas não entende por quê.

John Smith: — O que houve?

Pocahontos o encara.

Seus olhos agora estão cheios de decepção.

Pocahontos: — Selvagens?

John hesita.

John Smith: — Eu…

Pocahontos: — Foi isso que você disse.

John Smith: — É como meu povo chama…

Pocahontos: — Meu povo?

A expressão de Pocahontos endurece.

Pela primeira vez desde que se conheceram.

Pocahontos: — Você acredita que somos selvagens?

John tenta responder.

Mas percebe que nunca havia questionado aquilo antes.

Era simplesmente o que sempre ouviu.

O que sempre acreditou.

John Smith: — Eu não quis ofender você.

Pocahontos: — Mas ofendeu.

O vento sopra entre eles.

Agora frio.

Pesado.

Pocahontos: — Você fala de construir coisas.

Pocahontos: — Como se não existisse nada aqui.

Pocahontos: — Como se nós não tivéssemos uma casa.

John permanece em silêncio.

Pela primeira vez, não sabe o que dizer.

Pocahontos: — Você vê árvores.

Pocahontos: — Eu vejo meu povo.

Pocahontos: — Você vê terra.

Pocahontos: — Eu vejo vida.

John abaixa o olhar.

As palavras atingem seu coração.

Pocahontos dá um passo para trás.

Depois outro.

John Smith: — Espere.

Mas o jovem indígena balança a cabeça.

Pocahontos: — Você não me conhece.

John Smith: — Eu quero conhecer.

Pocahontos: — Então primeiro aprenda a enxergar.

Sem dizer mais nada…

Pocahontos se vira.

E corre para dentro da floresta.

Desaparecendo entre as árvores.

John permanece sozinho na clareira.

O vento volta a soprar.

Mas agora ele não parece tão gentil.

Ele observa o caminho por onde Pocahontos desapareceu.

Pensativo.

Confuso.

Arrependido.

Pela primeira vez em sua vida…

Ele começa a se perguntar se tudo o que aprendeu sobre aquele povo estava errado.

E bem no fundo…

Ele espera ter a chance de vê-lo novamente.

Capítulo 6: Duas Visões do Mundo
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POCAHONTOS

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No ano de 1607, quando navios ingleses chegam às terras da Tribo Powhatan em busca de riquezas, dois jovens de mundos completamente diferentes têm suas vidas transformadas para sempre.

...

Chapters

  • Capítulo 16: Entre a Vida e a Morte
  • Capítulo 15: O Sacrifício
  • Capítulo 14: O Homem Que Eu Amo
  • Capítulo 13: O Vento da Escolha
  • Capítulo 12: A Notícia no Acampamento
  • Capítulo 11: A Última Noite
  • Capítulo 10: O Julgamento
  • Capítulo 9: Sombras Entre os Dois Mundos
  • Capítulo 8: Mais Perto do Que Nunca
  • Capítulo 7: O Lugar Secreto
  • Capítulo 6: Duas Visões do Mundo
  • Capítulo 5: Escute Seu Coração
  • Capítulo 4: Estranhos na Costa
  • Capítulo 3: Planos para o Futuro
  • Capítulo 2: O Caminho Escolhido
  • Capítulo 1: Os Ventos da Mudança
  • Capítulo Final: Onde o Vento Nos Levar
 

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