Capítulo 4: Estranhos na Costa
O sol está alto quando os navios ingleses finalmente chegam à costa.
Grandes embarcações de madeira repousam sobre as águas calmas.
Os marinheiros observam a terra desconhecida com curiosidade.
Alguns sentem entusiasmo.
Outros, medo.
Mas ninguém está mais animado que o governador Ratcliffe.
Ele desce do navio usando suas roupas luxuosas, como se estivesse chegando a um reino que já lhe pertencesse.
Ratcliffe: — Finalmente! Nossa nova colônia!
Os homens comemoram.
Ratcliffe: — Em breve encontraremos ouro!
Mais aplausos ecoam pela praia.
John Smith observa tudo em silêncio.
Seu olhar está voltado para a floresta.
Aquele lugar parece vivo.
Misterioso.
Quase mágico.
Um vento suave sopra vindo das árvores.
Por um instante, ele sente uma estranha paz.
Como se a própria terra estivesse respirando.
Marinheiro: — No que está pensando?
John Smith: — Que este lugar é diferente.
Marinheiro: — Parece apenas uma floresta.
John continua olhando.
John Smith: — Não. Parece algo mais.
Enquanto isso…
Na aldeia Powhatan, os preparativos para o casamento continuam.
Algumas mulheres já trabalham em tecidos cerimoniais.
Outras decoram objetos para a celebração.
A notícia se espalha rapidamente.
Mas a única pessoa que não parece feliz é justamente o noivo.
Pocahontos caminha entre as cabanas observando tudo.
Cada adorno.
Cada preparação.
Cada sorriso.
Tudo aquilo parece estar acontecendo sem que ele tenha escolhido.
Nakoma se aproxima.
Nakoma: — Estão trabalhando desde cedo.
Pocahontos: — Eu percebi.
Nakoma: — Seu pai está levando isso muito a sério.
Pocahontos: — Esse é o problema.
Nakoma olha para ele com preocupação.
Nakoma: — Você ainda não falou tudo o que sente para ele, não é?
Pocahontos suspira.
Pocahontos: — Não.
Nakoma: — Por quê?
O jovem observa o céu.
Pocahontos: — Porque não sei como explicar.
Nakoma permanece em silêncio.
Pocahontos: — Meu pai acredita que encontrou o caminho certo para mim.
Nakoma: — E você acredita?
Pocahontos balança a cabeça.
Pocahontos: — Não.
Na cabana do líder…
Chefe Powhatan conversa com alguns anciãos.
O assunto é o futuro da tribo.
De repente, um guerreiro entra apressado.
Seu rosto demonstra preocupação.
Guerreiro: — Chefe Powhatan!
Todos se voltam para ele.
Chefe Powhatan: — O que aconteceu?
Guerreiro: — Estranhas embarcações foram vistas perto da costa.
O silêncio toma conta da cabana.
Powhatan se levanta imediatamente.
Chefe Powhatan: — Tem certeza?
Guerreiro: — Sim.
Ancião: — Os espíritos nos avisaram…
Powhatan caminha lentamente.
Seu olhar fica sério.
Muito sério.
Chefe Powhatan: — Reúna os guerreiros.
Guerreiro: — Sim, chefe.
O mensageiro sai correndo.
Os anciãos trocam olhares preocupados.
A mudança que Powhatan sentia nos ventos finalmente chegou.
Mais tarde…
Os guerreiros se reúnem no centro da aldeia.
Entre eles está Kocoum.
Forte e atento.
Pronto para defender seu povo.
Powhatan fala para todos.
Chefe Powhatan: — Estrangeiros chegaram às nossas terras.
Murmúrios surgem entre os presentes.
Chefe Powhatan: — Ainda não sabemos quem são.
Kocoum: — Devemos observá-los.
Chefe Powhatan: — Exatamente.
Kocoum faz um sinal de respeito.
Kocoum: — Eu liderarei os exploradores.
Chefe Powhatan: — Vá com cautela.
Kocoum: — Sempre.
Pocahontos observa tudo ao lado de Nakoma.
Seu coração acelera.
Estrangeiros.
Era isso que o vento tentava lhe mostrar?
Naquela noite…
A lua ilumina a floresta.
Pocahontos está sozinho próximo ao rio.
As águas refletem as estrelas.
O jovem fecha os olhos.
O vento passa por seus cabelos.
Então…
Ele escuta algo.
Não uma voz.
Mas um som distante.
Um pressentimento.
Como se seu destino estivesse cada vez mais próximo.
Muito próximo.
Do outro lado da floresta…
John Smith também observa o céu noturno.
Sentado próximo ao acampamento inglês.
As estrelas brilham acima dele.
Por algum motivo, ele não consegue parar de pensar naquelas terras.
Nem no sentimento estranho que sentiu desde que chegou.
John Smith: — O que há de tão especial neste lugar?
A floresta permanece silenciosa.
Mas o destino já conhece a resposta.
E em breve…
Os caminhos de John Smith e Pocahontos finalmente irão se cruzar.
Capítulo 4: Estranhos na Costa
Fonts
Text size
Background
POCAHONTOS
No ano de 1607, quando navios ingleses chegam às terras da Tribo Powhatan em busca de riquezas, dois jovens de mundos completamente diferentes têm suas vidas transformadas para sempre.
...