Capítulo 13: O Vento da Escolha
O primeiro brilho do amanhecer surge no horizonte.
A escuridão da noite lentamente dá lugar à luz dourada do novo dia.
Mas naquela manhã, não há alegria na aldeia Powhatan.
Apenas tristeza.
E tensão.
O povo começa a se reunir no centro da aldeia.
Homens.
Mulheres.
Anciãos.
Guerreiros.
Todos sabem o que acontecerá quando o sol estiver completamente acima das árvores.
No centro da clareira principal…
Uma grande pedra foi preparada.
Ao seu redor, os guerreiros permanecem em silêncio.
O clima é pesado.
Até mesmo aqueles que desejam justiça pela morte de Kocoum sentem o peso daquele momento.
Em uma cabana próxima…
John Smith é retirado de sua cela.
Os guerreiros o cercam.
Suas mãos continuam amarradas.
Mas ele caminha sem resistência.
Seu rosto está cansado.
Porém sereno.
Ele sabe o que o espera.
Enquanto atravessa a aldeia, muitos o observam.
Alguns com raiva.
Outros com tristeza.
Alguns apenas com curiosidade.
Enquanto isso…
Longe dali…
Próximo ao grande penhasco onde costuma refletir…
Pocahontos está sozinho.
O vento sopra ao seu redor.
Mas pela primeira vez em sua vida…
Ele não encontra respostas.
Seu coração está dividido.
Kocoum está morto.
Seu povo sofre.
Seu pai está sofrendo.
E John Smith está prestes a morrer.
Pocahontos fecha os olhos.
As lágrimas escorrem lentamente.
Pocahontos: — Grande Espírito…
O vento sopra entre as árvores.
Pocahontos: — Eu sempre ouvi sua voz.
Mais uma rajada atravessa o penhasco.
Fazendo as folhas dançarem ao redor dele.
Pocahontos: — Sempre segui os caminhos que o vento me mostrava.
Sua voz falha.
Pocahontos: — Mas agora eu não sei qual caminho seguir.
O silêncio responde.
Na aldeia…
John é levado para a clareira principal.
Os guerreiros o posicionam diante da grande pedra.
O povo observa.
O Chefe Powhatan surge entre a multidão.
Seu rosto permanece sério.
Mas seus olhos revelam uma profunda tristeza.
Ele também não desejava que as coisas chegassem àquele ponto.
John procura alguém entre a multidão.
Um rosto.
Um sorriso.
Um par de olhos escuros.
Mas não o encontra.
John Smith: (pensando) — Pocahontos…
No penhasco…
O vento começa a soprar mais forte.
Muito mais forte.
As folhas giram ao redor de Pocahontos.
Como fizeram no dia em que conheceu John.
Como fizeram quando os dois passaram a compreender as palavras um do outro.
Pocahontos abre os olhos.
Observando o horizonte.
Então sua atenção é atraída para algo simples.
Duas águias voam pelo céu.
Lado a lado.
Apesar de serem diferentes.
Apesar dos ventos contrários.
Elas continuam voando juntas.
Livremente.
Sem medo.
O coração de Pocahontos dispara.
As palavras de John voltam à sua memória.
“Eu não me arrependo de ter conhecido você.”
As palavras de seu pai também.
“Por sua causa…”
E então ele compreende algo.
Se John morrer…
A dor não acabará.
Kocoum não voltará.
A paz não será restaurada.
Apenas mais ódio nascerá.
Mais sofrimento.
Mais guerra.
Os olhos de Pocahontos se arregalam.
Como se finalmente tivesse encontrado a resposta que procurava.
Pocahontos: — O vento…
Uma lágrima escorre.
Mas desta vez acompanhada de determinação.
Pocahontos: — Obrigado.
Então ele se vira.
E começa a correr.
Na aldeia…
O sol finalmente ultrapassa as árvores.
O momento chegou.
Os guerreiros se posicionam.
O povo permanece em silêncio.
John ergue os olhos para o céu.
Aceitando seu destino.
Powhatan dá um passo à frente.
Preparando-se para anunciar a sentença.
Mas, ao longe…
Uma voz ecoa pela floresta.
Forte.
Urgente.
Desesperada.
Pocahontos: — PAI!!
Todos se viram imediatamente.
E veem Pocahontos correndo em direção à aldeia.
O vento sopra atrás dele.
Mais forte do que nunca.
Capítulo 13: O Vento da Escolha
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POCAHONTOS
No ano de 1607, quando navios ingleses chegam às terras da Tribo Powhatan em busca de riquezas, dois jovens de mundos completamente diferentes têm suas vidas transformadas para sempre.
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