Capítulo 3: Planos para o Futuro
A lua já desapareceu do céu quando uma nova manhã nasce sobre a aldeia Powhatan.
A vida segue seu ritmo habitual.
Os pescadores retornam dos rios.
As mulheres trabalham no preparo dos alimentos.
As crianças brincam entre as cabanas.
Mas, para algumas pessoas, aquele dia tem um significado especial.
Na cabana do líder, o Chefe Powhatan observa a aldeia através da entrada.
Ele está pensativo.
Seu amor por Pocahontos é imenso.
E justamente por isso acredita estar tomando a decisão correta.
Em sua mente, o casamento trará estabilidade ao futuro do filho e fortalecerá a tribo.
Pouco depois, um guerreiro se aproxima da cabana.
É Kocoum.
Ele para diante do líder e inclina a cabeça respeitosamente.
Kocoum: — Chefe Powhatan.
Chefe Powhatan: — Entre, Kocoum.
O guerreiro entra.
O ambiente fica em silêncio por alguns instantes.
Powhatan o observa atentamente.
Kocoum é tudo o que um líder espera de um guerreiro.
Corajoso.
Disciplinado.
Leal.
E, acima de tudo, honrado.
Chefe Powhatan: — Você tem servido nossa tribo com grande honra.
Kocoum: — Apenas cumpro meu dever.
Chefe Powhatan: — Sua humildade é uma de suas maiores qualidades.
Kocoum abaixa a cabeça em respeito.
Chefe Powhatan: — Quero falar sobre Pocahontos.
O guerreiro ergue os olhos.
Seu semblante permanece sério, mas há um brilho especial quando escuta aquele nome.
Kocoum: — Sim, chefe.
Chefe Powhatan: — Eu conversei com ele.
Kocoum espera.
Chefe Powhatan: — Ele ainda tem dúvidas.
O guerreiro fica em silêncio.
Ele já imaginava isso.
Pocahontos nunca foi alguém que gostasse de seguir caminhos impostos.
Kocoum: — Ele sempre seguiu o próprio coração.
Powhatan suspira.
Chefe Powhatan: — Às vezes, o coração precisa de orientação.
Kocoum não responde.
Ele entende o ponto de vista do líder.
Mas também conhece Pocahontos.
Talvez melhor do que muitos imaginem.
Chefe Powhatan: — Mesmo assim, acredito que este casamento é o melhor para ele.
Kocoum: — Se essa for a vontade dele.
Powhatan observa o jovem guerreiro.
Chefe Powhatan: — E se não for?
Kocoum demora alguns segundos para responder.
Kocoum: — Então eu não desejaria vê-lo infeliz.
As palavras surpreendem o líder.
Por um momento, Powhatan enxerga não apenas um guerreiro.
Mas um homem que realmente se importa com seu filho.
Chefe Powhatan: — Você gosta muito dele.
Kocoum: — Sim.
O silêncio volta a preencher a cabana.
Kocoum: — Desde que éramos mais jovens.
Powhatan sorri discretamente.
Chefe Powhatan: — Eu percebi.
Enquanto isso…
Do lado de fora da aldeia…
Pocahontos caminha sozinho pela floresta.
Ele tenta organizar seus pensamentos.
Mas cada vez que pensa no casamento, seu coração fica mais pesado.
Ele para diante de uma árvore enorme.
O vento sopra suavemente.
As folhas dançam acima de sua cabeça.
Pocahontos: — O que devo fazer?
Naturalmente, nenhuma resposta vem.
Apenas o som do vento.
Mesmo assim, ele fecha os olhos.
Como se esperasse ouvir alguma coisa.
Alguma orientação.
Algum sinal.
Mas tudo o que sente é uma estranha inquietação.
Como se algo estivesse prestes a acontecer.
Na aldeia…
As conversas sobre o casamento começam a se espalhar.
Algumas mulheres sorriem enquanto costuram novas vestes.
Alguns guerreiros comentam animadamente.
Outros já falam sobre uma grande celebração.
Nakoma escuta tudo.
E não parece muito convencida.
Pouco depois, ela encontra Pocahontos perto do rio.
Nakoma: — Então é verdade.
Pocahontos: — O quê?
Nakoma: — Estão falando dos preparativos do seu casamento.
Pocahontos quase tropeça.
Pocahontos: — Já começaram?
Nakoma: — Começaram.
Ele passa a mão pelo rosto.
Pocahontos: — Ótimo.
Nakoma: — Isso foi sarcasmo.
Pocahontos: — Muito sarcasmo.
Nakoma não consegue evitar uma risada.
Mas logo fica séria.
Nakoma: — Você precisa conversar com seu pai.
Pocahontos: — Eu tentei.
Nakoma: — Então tente novamente.
Pocahontos observa o rio.
Pocahontos: — Ele já decidiu.
Nakoma: — E você?
O príncipe permanece em silêncio.
Porque essa é justamente a pergunta que o atormenta.
O que ele realmente quer?
Naquele mesmo instante…
Muito longe dali…
Os navios ingleses finalmente lançam suas âncoras perto da costa.
Os marinheiros comemoram.
Ratcliffe abre os braços com entusiasmo.
Ratcliffe: — Nossa nova vida começa hoje!
Os homens vibram.
Mas John Smith apenas observa a floresta.
As árvores parecem infinitas.
Misteriosas.
Belas.
Um vento suave sopra da terra em direção ao mar.
Tocando seu rosto.
Por algum motivo, ele sorri.
Sem saber que, em algum lugar daquela imensa floresta, existe alguém que em breve mudará sua vida para sempre.
E, enquanto os preparativos de um casamento avançam na aldeia…
O destino prepara um caminho completamente diferente para Pocahontos.
Capítulo 3: Planos para o Futuro
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POCAHONTOS
No ano de 1607, quando navios ingleses chegam às terras da Tribo Powhatan em busca de riquezas, dois jovens de mundos completamente diferentes têm suas vidas transformadas para sempre.
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