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WU: UM DESTINO NÃO REVELADO

CAPÍTULO 20

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🟡 Em breve

Niran estava inconsciente no hospital havia dois dias. Pete sentia que sua condição era quase idêntica à de Ploy e das outras vítimas cujas almas haviam sido devoradas por Qi Rong. No entanto, Fei apontou que existiam diferenças importantes.

“A alma humana é dividida em duas partes. A parte chamada espírito Yang, que está ligada ao eu, à inteligência e à vontade de viver…”

Fei fez uma breve pausa antes de continuar:

“Agora, o espírito Yang se afastou, deixando apenas o espírito Yin controlando as funções do corpo, exatamente como aconteceu com sua irmã.”

Pete ouviu por alguns instantes antes de dar sua opinião.

“Se Ploy conseguiu voltar, então Niran também deveria conseguir voltar, certo?”

“Não é a mesma coisa, Pete…”

“Por quê?”

“Sua irmã teve a alma consumida por Qi Rong. Quando o demônio enfraqueceu, a alma aprisionada foi libertada e retornou instantaneamente ao corpo dela. Mas Niran… foi atingido por um ritual de separação de almas.”

“Separação de almas?”

“Sim. Uma vez separada, a alma de Niran não fica mais ligada ao corpo. Ela vagueia sem rumo… pelo mundo espiritual.”

“Mas não é possível realizar um ritual para trazê-la de volta?”, perguntou Tong, lembrando-se dos princípios do folclore popular.

Muitas tradições envolviam invocar uma alma de volta ao corpo, mas Fei continuava preocupado.

“É possível invocá-la, mas as chances de ela retornar são pequenas. O mundo espiritual é vasto e ilimitado, muito maior do que o mundo comum… Invocar uma alma não garante que ela encontre o caminho de volta.”

Pete não conseguiu mais se conter.

“Então realmente não existe um jeito? Vamos deixar Niran nesse estado para sempre? Tem que haver uma solução. Tem que existir uma forma de fazê-lo voltar.”

“Existe uma maneira…”, interrompeu Jia Hao.

Pete e os outros se viraram imediatamente para encará-lo.

Então Jia Hao olhou diretamente para Pete.

“A única pessoa que pode ajudar Niran… é você.”

Pete se endireitou imediatamente, atento a cada palavra.

“O lado positivo dessa situação é que Niran realizou um ritual de união de almas com você. Por causa disso, o vínculo entre vocês funciona como um rastro que podemos usar para encontrar sua alma. Mas…”

Jia Hao fez uma pausa.

“Você terá que ir procurá-lo no mundo espiritual.”

“Isso é muito perigoso!”, rebateu Fei imediatamente.

Mas Jia Hao o ignorou e continuou encarando Pete com seriedade.

“É por isso que preciso perguntar. Pete… você está disposto a correr esse risco?”

Pete respondeu sem a menor hesitação.

“Estou.”

“Pete, pense primeiro. Você não sabe quais perigos encontrará.”

Fei tentou interrompê-lo, mas ao olhar para seu melhor amigo, deitado na cama como um vegetal, percebeu que nada seria capaz de fazê-lo mudar de ideia naquele momento.

“Niran está nesse estado porque ajudou Ploy. Eu tenho uma dívida com ele. Então não importa o que eu tenha que enfrentar ou quantos riscos eu precise correr. Se houver uma maneira de trazê-lo de volta, eu farei isso.”

Pete falou com determinação.


Pete entrou em seu quarto e olhou para a cama de Niran. Tirou do bolso uma folha de papel contendo o diagrama do ritual desenhado por Jia Hao.

A primeira coisa que precisava fazer era posicionar um grande espelho aos pés da cama para servir como portal dimensional.

Também precisava pendurar algo no espelho para funcionar como médium.

Pete decidiu usar os dois bonecos que Niran havia utilizado no ritual de união de almas.

Enquanto organizava tudo, lembrou-se das explicações de Jia Hao sobre o ritual de extração da alma.

“Ninguém extrai a alma de outra pessoa porque isso é considerado um ato maligno. Para garantir segurança e que o ritual seja executado corretamente, você deve fazê-lo em si mesmo. E não deixe ninguém saber exatamente quando irá realizá-lo, nem mesmo seus amigos mais próximos.”

Jia Hao havia explicado tudo cuidadosamente para que Pete compreendesse.

“O mundo espiritual… é um reino que não está nem sob o céu nem sobre a terra. Ninguém conhece sua localização exata. Mas, para usar uma comparação simples, é como o outro lado de um espelho. Um mundo onde você pode ver tudo, exceto a verdade.”

Pete trancou a porta do quarto.

Em uma pequena mesa próxima à janela, montou um altar para venerar o céu e a terra, mantendo cada uma das instruções de Jia Hao em mente.

“Se você entrar naquele mundo, existem três coisas que precisa fazer. Primeiro: o mundo espiritual é vasto e se move tão rápido quanto o pensamento. Você deve se lembrar constantemente do motivo pelo qual está indo até lá. Não hesite nem por um instante.”

Jia Hao havia continuado:

“Segundo: Niran entrou naquele mundo sem saber o que aconteceu. Quando encontrá-lo, você precisará fazer todo o possível para ganhar sua confiança e convencê-lo a segui-lo.”

Jia Hao enfatizou especialmente esse ponto.

“E terceiro: sua alma não pode permanecer fora do corpo por mais de um mês. Se o tempo naquele lugar ultrapassar oito horas do nosso mundo, você precisa retornar imediatamente… caso contrário, ficará preso no mundo espiritual para sempre, aguardando ser devorado por ‘Aquilo’.”

Pete queimou lentamente o talismã que Jia Hao havia escrito. Em seguida, apagou as chamas em um copo de água antes de recitar o mantra necessário para ativar o feitiço.

“Que o poder do céu e da terra me guie até o reino espiritual… para encontrar Niran!”

Pete ergueu o copo para beber a água.

De repente, a luz da lua que entrava pela janela e iluminava seu rosto tornou-se muito mais intensa.

Então alguém bateu à porta.

Pete congelou.

Colocou o copo sobre a mesa e virou-se assustado em direção ao som.

“P’Pete… P’Pete…”

Era a voz de Ploy do lado de fora.

Pete caminhou até a porta e a abriu, surpreso ao encontrar a irmã parada ali, com uma expressão preocupada.

“Oh, Ploy… quando você recebeu alta do hospital?”

“Hospital?… Quem recebeu alta do hospital?… Ah… tanto faz.”

Ploy parecia não prestar atenção à confusão dele e falou imediatamente:

“Desça para jantar. Mamãe pediu para eu vir te chamar.”

“Mamãe…?”

Ploy terminou de falar e desceu as escadas sem esperar resposta, deixando Pete parado no mesmo lugar, completamente perplexo.

Enquanto isso, Pete voltou lentamente o olhar para dentro do quarto.

Algo estava errado.

A luz que atravessava a janela parecia luz do sol, quando deveria ser noite.

Então ele olhou para o espelho onde os dois bonecos estavam pendurados.

O reflexo era estranhamente perturbador.

No espelho, ele não aparecia onde realmente estava.

Em vez disso, a imagem mostrava Pete parado diante da janela, completamente imóvel, exatamente como estava poucos instantes antes de Ploy bater à porta.

Ou será que o reflexo no espelho era a realidade, enquanto ele já havia viajado para o mundo espiritual?

Pete imediatamente se animou e desceu as escadas, mas parou no mesmo instante ao ver seus pais e Ploy reunidos. Seu pai estava sentado à mesa lendo notícias em um iPad, enquanto Ploy ajudava a mãe a colocar os pratos e levar a comida para a mesa. Sua mãe se virou e sorriu para ele.

“Pete… venha comer logo, filho, ou você vai se atrasar.”

“Pai… Mãe…” A voz de Pete saiu embargada, como se algo estivesse preso em sua garganta. Naquele momento, seu pai percebeu seu comportamento estranho e perguntou: “O que houve, filho? Não está se sentindo bem?”

“N-Não, não é nada.”

Pete tentou agir normalmente antes de se aproximar e sentar-se à mesa. Sua mãe colocou o café da manhã diante dele e serviu um copo de leite, exatamente como fazia quando ele era criança.

“Que horas são? Não sei se vamos chegar a tempo”, disse sua mãe ao pai.

“Eu disse para você acordar o Pete mais cedo, mas você não me ouviu”, respondeu ele.

Ploy interrompeu a conversa. “Ei… ele acabou de terminar uma competição. Deixe-o descansar um pouco.”

“Bem, se houver trânsito, vamos dirigir devagar. Estamos indo viajar, é melhor ir relaxados, não é, Pete?”

“S-Sim.”

Pete não fazia ideia do que estava acontecendo diante de seus olhos, mas sua família estava reunida mais uma vez naquele ambiente caloroso e familiar. Seja qual fosse a resposta, ele continuou tomando café da manhã feliz ao lado deles.


Pete se aproximou das estantes da sala e encontrou inúmeros recortes de jornal emoldurados contando suas conquistas. Entre eles estavam sua medalha de ouro nos Jogos do Sudeste Asiático, sua ascensão ao estrelato como atleta e uma fotografia sua com a família no dia de sua formatura.

Nada daquilo havia acontecido no mundo real.

Mas tudo indicava que, naquele mundo, ele havia levado uma vida plena e bem-sucedida, cercado por uma família que o amava.

Os olhos de Pete se encheram de lágrimas. Nesse momento, a voz de sua mãe ecoou da entrada da casa.

“Pete… terminou, filho?”

Logo depois, sua mãe entrou na sala.

“Vamos. Seu pai e sua irmã estão esperando. Quero fazer o check-in cedo para poder escolher o quarto.”

Pete baixou a cabeça por um instante antes de responder: “Desculpe, mãe… mas eu não posso ir.”

Sua mãe parou imediatamente, olhando para ele com total surpresa.

“Por que, filho?”

Antes que Pete pudesse responder, seu pai entrou e perguntou: “O que está acontecendo?”

“Pete disse que não vai mais viajar com a gente.”

“Por quê, Pete?”, perguntou seu pai, surpreso. “Faz tanto tempo que não temos a oportunidade de passar um tempo juntos assim.”

“É verdade… faz muito tempo que não estou com vocês.” A voz de Pete voltou a falhar. “E eu sempre esperei poder vê-los novamente algum dia… passar um tempo juntos, viajar juntos e ser feliz assim.”

Pete enxugou rapidamente as lágrimas e continuou com firmeza: “Mas não agora. Hoje eu tenho algo importante para fazer. Por favor, mãe, pai… não fiquem bravos comigo.”

Os dois ficaram em silêncio por alguns instantes. Trocaram olhares e então sorriram lentamente. Seu pai se aproximou e deu um tapinha em seu ombro, enquanto sua mãe acariciava suas costas com carinho.

“Tudo bem, filho… tudo bem. Como poderíamos ficar bravos com você… por tentar continuar vivendo?”

As lágrimas que haviam secado voltaram a cair. Desta vez, como se seu coração tivesse se partido. Pete correu para abraçar os pais. Sabia que aquilo não era real. Mas, pelo menos por um momento, aquele contato era algo que desejava há tanto tempo.

“Eu amo muito vocês, mãe e pai.”

“Nós também amamos você, Pete.”

Pete chorou nos braços da família, tomado pela nostalgia e por uma saudade profunda.


Seus pais partiram de carro, enquanto Pete os observava desaparecer ao longe. Após hesitar por um momento, decidiu voltar ao seu objetivo original, lembrando-se do aviso de Jia Hao.

“Você deve se lembrar do motivo pelo qual veio para cá. Não se distraia.”

Isso mesmo. Ele não podia se distrair. Não havia vindo ali para encontrar a felicidade que lhe faltava. Tinha vindo para encontrar Niran. E precisava encontrá-lo.

Onde você está, Niran?

Pete concentrou sua mente em Niran e fez a pergunta. Naquele instante, o fio espiritual amarrado ao seu pulso voltou a brilhar. Um fio dourado se estendeu à frente e o ambiente ao redor começou a mudar. O fio se retesou, puxando Pete para algum lugar desconhecido, enquanto o cenário ao redor se transformava rapidamente.

Pouco depois, Pete se encontrou no meio de uma estrada rural. Olhou para o fio espiritual em seu pulso e percebeu que ele se estendia pela estrada. Seguiu o rastro até ver o fio se conectar a um garoto que caminhava em sua direção. O menino parou e o encarou com uma expressão confusa.

“Por que você está parado no meio da estrada? Não tem medo de ser atropelado?”

Pete ficou imóvel por um momento. O rosto e o olhar do garoto pareciam vagamente familiares. Mas o que realmente confirmou suas suspeitas foi o pingente de jade pendurado em seu pescoço. Era exatamente o mesmo que ele usava naquele momento. O mesmo que Niran havia lhe dado.

“Niran… é você…?”

“Nós nos conhecemos?” O garoto franziu a testa. “Não. Nós não nos conhecemos.”

O menino balançou a cabeça e imediatamente voltou a caminhar. Pete correu atrás dele e bloqueou seu caminho.

“Ei, espere… tudo bem… Niran… me escute. Você não está no mundo real agora. Você está no mundo espiritual.”

“No mundo do quê…?”

“Do mundo espiritual…” Pete suspirou. “Esquece. Você não vai entender mesmo que eu explique. O importante é que você precisa voltar comigo.”

Niran imediatamente se afastou dele.

“Voltar para onde?”

“Para casa…”

“Não! Eu não vou voltar!”

“Por quê?”

“Kung disse que eu nunca vou me tornar um Wu.”

Niran falou aquilo e voltou a se afastar rapidamente. Pete permaneceu parado por alguns segundos, completamente confuso, antes de correr atrás dele.

“Ei! Aonde você está indo?”

O garoto parou mais uma vez. Então se virou para Pete e respondeu:

“Para a escola Chu Ming.”

“Hã?”

“Eu vou treinar para me tornar um Wu.”

Depois de dizer isso, continuou caminhando.

Pete ficou parado no meio da estrada, completamente atordoado.

Que tipo de mundo era aquele?!

CAPÍTULO 20
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WU: UM DESTINO NÃO REVELADO

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Pete é um jovem azarado que carrega consigo um fragmento de uma alma demoníaca e possui a capacidade de sentir Yao:...

Chapters

  • CAPÍTULO 22
  • CAPÍTULO 21
  • CAPÍTULO 20
  • CAPÍTULO 19
  • CAPÍTULO 18
  • CAPÍTULO 17
  • CAPÍTULO 17 - ESPECIAL
  • CAPÍTULO 16
  • CAPÍTULO 15
  • CAPÍTULO 14
  • CAPÍTULO 13
  • CAPÍTULO 12
  • CAPÍTULO 11
  • CAPÍTULO 10
  • CAPÍTULO 10 - ESPECIAL
  • CAPÍTULO 9
  • CAPÍTULO 8
  • CAPÍTULO 7
  • CAPÍTULO 6
  • CAPÍTULO 5
  • CAPÍTULO 4
  • CAPÍTULO 3
  • CAPÍTULO 2
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