Capítulo 1 — O Menino que Aprendeu a Odiar a Pobreza
Seul, Coreia do Sul.
Antes de se tornar alguém frio e ambicioso, Rubi Han era apenas um menino que sorria com facilidade.
Quando tinha seis anos, a pequena casa em que morava parecia enorme aos seus olhos. Era velha, com paredes desgastadas e móveis simples, mas sempre estava cheia de risadas.
Sua mãe, Han Mi-Sook, era uma ômega que trabalhava em uma lavanderia.
Sua irmã mais velha, Yuna, tinha apenas onze anos e já ajudava nos serviços da casa.
Mesmo sem dinheiro, Rubi era feliz.
— Mamãe, olha! — disse o pequeno Rubi, correndo até a cozinha com um desenho nas mãos.
Mi-Sook sorriu.
— O que você desenhou, meu amor?
— Nós três!
A mulher se emocionou.
No desenho mal feito, havia três bonecos de mãos dadas.
— Esse é você. Essa é a Yuna. E esse sou eu! — falou Rubi, sorrindo.
Mi-Sook abraçou o filho.
— Promete que sempre vai continuar sorrindo assim?
— Prometo!
Yuna riu.
— Quando crescer, vou trabalhar muito e comprar uma casa grande para nós.
— E eu vou comprar roupas bonitas para a mamãe! — disse Rubi.
Mi-Sook segurou as lágrimas.
— Não preciso de nada. Só quero ver vocês felizes.
Mas a felicidade durou pouco.
Quando Rubi tinha oito anos, sua mãe sofreu um acidente no trabalho.
As despesas médicas se acumularam.
As contas começaram a atrasar.
A comida ficou cada vez mais escassa.
Yuna, ainda adolescente, precisou abandonar vários sonhos para trabalhar meio período.
Mesmo doente, Mi-Sook continuava sorrindo.
— Está tudo bem, meu amor. Vamos superar isso.
Mas Rubi começou a perceber algo que nunca tinha entendido.
Pobreza.
E as pessoas tratavam os pobres de maneira diferente.
Na escola, seus colegas começaram a rir de suas roupas velhas.
— Credo, esse uniforme está rasgado.
— Você não toma banho?
— Ele cheira a sabão porque a mãe trabalha em lavanderia!
Rubi abaixava a cabeça.
Um dia, durante o almoço, um menino derrubou sua bandeja.
— Foi sem querer — mentiu o garoto.
Os outros começaram a rir.
Rubi ficou em silêncio.
Naquele dia, voltou para casa chorando.
Mi-Sook o abraçou.
— Não ligue para isso, meu filho.
— Mãe… por que somos pobres?
A mulher ficou em silêncio.
— Porque a vida é difícil.
— Então eu odeio a vida.
— Não diga isso.
— Eu odeio ser pobre!
Mi-Sook acariciou seus cabelos.
— O dinheiro ajuda, mas não compra felicidade.
Rubi enxugou as lágrimas.
— Quem inventou essa mentira nunca passou fome.
Aquelas palavras fizeram Mi-Sook sentir um aperto no peito.
Os anos passaram.
Aos quinze anos, Rubi já era um jovem extremamente bonito.
Muitos alfas se interessavam por ele.
Mas sua personalidade havia mudado.
Já não sorria como antes.
Já não acreditava em amor.
Já não sonhava.
Em vez disso, observava os colegas ricos chegando em carros luxuosos enquanto ele precisava andar quilômetros para voltar para casa.
Uma tarde, encontrou Yuna trabalhando até tarde em uma loja de conveniência.
— Unnie, você ainda está aqui?
Yuna sorriu cansada.
— Precisamos pagar as contas.
— Você trabalha demais.
— E você precisa estudar.
Rubi viu as mãos da irmã cheias de pequenos cortes.
— Você merece uma vida melhor.
Yuna sorriu.
— Nós dois merecemos.
— Eu vou ficar rico.
— Não precisa ser rico. Só seja feliz.
Rubi deu uma risada amarga.
— Felicidade é para quem tem dinheiro.
— Não fala assim.
— É verdade.
— Rubi…
— Se tivéssemos dinheiro, mamãe não teria trabalhado até ficar doente.
— Não é assim.
— É exatamente assim.
Naquele dia, Yuna percebeu que o irmão estava mudando.
Aos dezessete anos, Rubi começou a trabalhar em cafés e restaurantes.
Lidava com clientes arrogantes.
Recebia insultos.
Humilhações.
Certa noite, um homem rico jogou dinheiro sobre a mesa.
— Pegue. Deve ser mais do que você ganha em uma semana.
Rubi ficou parado.
Todos riram.
Seu rosto permaneceu inexpressivo.
Mas seus olhos mudaram.
Naquela noite, sozinho em seu quarto, ele ficou olhando para as notas.
E chorou.
Não por orgulho ferido.
Mas por perceber que aquele dinheiro realmente pagaria comida para sua família.
Ele se levantou lentamente.
As lágrimas desapareceram.
— Nunca mais.
Seu olhar ficou frio.
— Nunca mais vou ser humilhado.
— Nunca mais vou ser pobre.
— Não importa o que eu tenha que fazer.
— Não importa quem eu tenha que machucar.
— Eu vou conseguir dinheiro.
Na sala ao lado, sua mãe tossia enquanto dormia.
Yuna chegava cansada do trabalho.
E o menino que um dia prometeu comprar roupas bonitas para a mãe…
Começava a desaparecer.
Em seu lugar, nascia alguém diferente.
Alguém que aprenderia a amar o dinheiro acima de qualquer coisa.
E que, no futuro, pisaria em corações sem hesitar.
Sem imaginar que um dia o próprio coração seria destruído.
Capítulo 1 — O Menino que Aprendeu a Odiar a Pobreza
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RUBI🌹
Rubi, um jovem Ômega de 19 anos, aceita uma proposta milionária do poderoso empresário Alfa Arthur Kang: gerar seu herdeiro e desaparecer após o nascimento da criança.
Para Rubi, é...