Capítulo 19 – O Retorno ao Castelo
A floresta voltou a ficar em silêncio.
Os lobos haviam desaparecido entre as árvores, deixando para trás apenas marcas da batalha espalhadas pelo chão: galhos quebrados, folhas amassadas e rastros profundos na terra.
Belo permanecia ajoelhado ao lado da Fera.
A enorme criatura estava desacordada.
Seu braço apresentava um corte profundo causado pela mordida de um lobo, e sua perna estava ferida pelas garras de outro animal. Sua respiração era lenta, mas constante.
Belo aproximou-se com cuidado.
Belo:
— Você consegue me ouvir?
Nenhuma resposta.
Ele estendeu a mão e apoiou-a delicadamente sobre o ombro da Fera.
Belo:
— Por favor… acorde.
Ainda assim, a criatura permaneceu imóvel.
Belo abaixou a cabeça por um instante.
Horas antes, havia fugido do castelo convencido de que nunca mais voltaria. Agora, era justamente a Fera — aquela mesma que o assustara — quem havia colocado a própria vida em risco para protegê-lo.
O jovem respirou fundo.
Belo:
— Eu não vou abandonar você.
Com muito esforço, conseguiu erguer parte do peso da criatura e ajudá-la a ficar apoiada contra seu cavalo, que havia retornado ao ouvir seus chamados.
Belo:
— Vamos devagar. Precisamos voltar.
O caminho até o castelo foi lento.
Belo caminhava ao lado do cavalo o tempo todo, segurando a Fera para que ela não caísse. Sempre que percebia que a criatura escorregava, ajustava sua posição e verificava seus ferimentos.
Durante todo o percurso, a Fera permaneceu inconsciente.
Ao longe, as torres do castelo finalmente surgiram entre a neblina.
Lumière, que observava pela janela, arregalou os olhos.
Lumière:
— Eles voltaram!
Horloge aproximou-se rapidamente.
Horloge:
— E o mestre está ferido!
Madame Samovar levou as mãos à tampa, preocupada.
Madame Samovar:
— Abram os portões imediatamente!
Os criados encantados correram para recebê-los.
Quando Belo entrou no pátio, estava exausto, com as roupas cobertas de terra e folhas.
Lumière aproximou-se primeiro.
Lumière:
— O que aconteceu?
Belo respondeu enquanto ajudava a sustentar a Fera.
Belo:
— Uma alcateia de lobos nos atacou. Ele ficou na minha frente o tempo inteiro… não deixou que nenhum deles me alcançasse.
Horloge observou os ferimentos e ficou apreensivo.
Horloge:
— Precisamos cuidar dele imediatamente.
Madame Samovar falou com firmeza.
Madame Samovar:
— Levem o mestre para seus aposentos. Busquem água limpa, panos e tudo o que possa ajudar.
Belo não saiu do lado da Fera nem por um instante.
Mesmo cansado, continuou segurando um de seus braços para ajudá-la a atravessar o grande salão.
Ao ver aquela cena, Lumière sorriu discretamente.
Lumière (baixinho para Horloge):
— Veja só… ele voltou.
Horloge:
— E voltou trazendo o mestre para casa.
Enquanto subiam as escadas rumo ao quarto da Fera, as primeiras luzes do amanhecer começavam a iluminar o castelo.
Sem perceber, Belo havia tomado uma decisão que mudaria o rumo de sua história: em vez de fugir daquele lugar para sempre, escolheu permanecer ao lado de quem arriscara a própria vida para salvá-lo.
Capítulo 19 – O Retorno ao Castelo
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A Rosa E A Fera
No ano de 1750, o orgulhoso príncipe Adrien é amaldiçoado por uma misteriosa feiticeira após negar ajuda a uma velha mendiga durante uma tempestade. Transformado em uma criatura monstruosa de...