Capítulo 20 – Cuidando da Fera
Os criados encantados levam a Fera até seu quarto e a deitam cuidadosamente sobre a enorme cama de madeira.
Ela continua desacordada.
Belo permanece ao seu lado o tempo todo, sem desgrudar o olhar dos ferimentos.
Madame Samovar chega com uma bacia de água morna e panos limpos.
Madame Samovar:
— Precisamos limpar esses machucados antes que piorem.
Lumière acende mais velas para iluminar o aposento.
Lumière:
— Assim ficará mais fácil enxergar os cortes.
Horloge observa a cena com preocupação.
Horloge:
— Nunca vi o mestre voltar tão ferido de uma luta.
Belo pega um pano úmido e, com movimentos delicados, começa a limpar o braço da Fera.
O sangue é retirado aos poucos, revelando a profundidade da mordida deixada por um dos lobos.
Belo:
— Isso deve ter doído muito…
Em seguida, ele passa para o ferimento na perna, tomando cuidado para não causar mais sofrimento.
Mesmo inconsciente, a Fera franze levemente a testa, como se ainda sentisse a dor.
Madame Samovar entrega um frasco com ervas medicinais.
Madame Samovar:
— Aplique isto sobre os cortes. Deve ajudar na recuperação.
Belo faz exatamente como ela orienta.
Depois, enrola cuidadosamente faixas limpas ao redor do braço e da perna da criatura.
Lumière acompanha tudo em silêncio.
Então comenta baixinho:
Lumière:
— Poucas pessoas fariam isso por alguém que conheceram há tão pouco tempo.
Belo continua trabalhando sem interromper os cuidados.
Belo:
— Ele podia ter fugido e me deixado sozinho na floresta.
Horloge concorda.
Horloge:
— Em vez disso, enfrentou toda a alcateia.
Belo abaixa a cabeça por um instante.
Belo:
— E ficou entre mim e os lobos o tempo inteiro.
Quando termina de cuidar dos ferimentos, coloca um cobertor sobre a Fera.
Em seguida, aproxima uma cadeira da cama e senta-se ao lado dela.
As horas passam lentamente.
Do lado de fora, a chuva começa a cair sobre o castelo.
Mesmo cansado da longa noite, Belo decide permanecer ali.
Sempre que percebe a respiração pesada da Fera, verifica se as faixas continuam firmes e troca o pano úmido sobre sua testa.
Madame Samovar observa a cena da porta.
Madame Samovar:
— Você também precisa descansar.
Belo sorri de leve, mas não se levanta.
Belo:
— Vou descansar depois. Agora quero ter certeza de que ele vai ficar bem.
Lumière e Horloge trocam um olhar silencioso.
Pela primeira vez desde o início da maldição, veem alguém cuidar da Fera não por obrigação ou medo, mas por genuína preocupação.
Enquanto a chuva continua caindo lá fora, a criatura permanece adormecida, e Belo vigia seu leito pacientemente, esperando o momento em que ela abrirá os olhos novamente.
Capítulo 20 – Cuidando da Fera
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A Rosa E A Fera
No ano de 1750, o orgulhoso príncipe Adrien é amaldiçoado por uma misteriosa feiticeira após negar ajuda a uma velha mendiga durante uma tempestade. Transformado em uma criatura monstruosa de...