Capítulo 3 – A Torre da Rosa
A noite caía sobre o castelo encantado. O vento atravessava as janelas antigas e fazia ecoar um assobio melancólico pelos corredores vazios.
No ponto mais alto da fortaleza ficava uma pequena torre, protegida por grossas paredes de pedra. Ali repousava a rosa mágica, coberta por uma redoma de vidro. Restavam cada vez menos pétalas.
A Fera, outrora o príncipe Adrien, subiu lentamente a escadaria em espiral e parou diante da flor.
Por alguns instantes, apenas observou o movimento delicado de uma pétala que se desprendeu e caiu.
Fera (Adrien):
— Dez anos… e ainda esperam que eu acredite nessa história de amor verdadeiro.
Atrás dele, Lumière entrou silenciosamente.
Lumière:
— Mestre, enquanto houver uma única pétala, ainda existe uma chance.
A Fera soltou uma breve risada, amarga.
Fera:
— Chance? Olhe para mim. Quem escolheria viver ao lado de uma criatura como eu?
Horloge também chegou à torre.
Horloge:
— Talvez alguém que enxergue além da aparência.
A Fera virou-se de forma brusca.
Fera:
— Não preciso de piedade. Se a maldição existe, ela falhou. Apenas não encontrei a mulher certa: bela, rica, poderosa… alguém digna de um príncipe.
Madame Samovar aproximou-se logo depois, carregando uma bandeja com chá.
Madame Samovar:
— Ou talvez você esteja procurando no lugar errado.
Fera:
— Não. O problema é que ninguém está à minha altura.
O silêncio voltou a tomar conta da torre.
A Fera fitou seu próprio reflexo no vidro que protegia a rosa. Os enormes chifres, as garras afiadas e as longas presas faziam sua imagem parecer ainda mais intimidadora.
Por um instante, seu olhar endurecido vacilou.
Fera (em voz baixa):
— Talvez a feiticeira estivesse errada… ou talvez eu esteja destinado a permanecer sozinho para sempre.
Lumière colocou uma de suas pequenas chamas diante da redoma.
Lumière:
— Eu ainda acredito que o senhor pode mudar.
Horloge concordou com um leve movimento do pêndulo.
Horloge:
— E, se mudar, talvez descubra que o amor não segue os planos que fazemos.
A Fera desviou o olhar.
Fera:
— Chega. Não quero mais ouvir falar disso.
Ela deixou a torre e desceu pelos corredores escuros do castelo, convencida de que jamais quebraria a maldição.
Sem que soubesse, na floresta que cercava aquelas muralhas, o destino já conduzia Maurice para um encontro que mudaria a vida de todos os habitantes do castelo.
Capítulo 3 – A Torre da Rosa
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A Rosa E A Fera
No ano de 1750, o orgulhoso príncipe Adrien é amaldiçoado por uma misteriosa feiticeira após negar ajuda a uma velha mendiga durante uma tempestade. Transformado em uma criatura monstruosa de...