Capítulo 9 – O Acordo
Seguindo o som da tosse, Belo desceu uma escadaria estreita até chegar a um corredor escuro, iluminado apenas por tochas presas às paredes.
No fim do corredor havia uma pesada porta de ferro.
Atrás das grades, estava Maurice.
Belo:
— Pai!
Maurice:
— Belo! Você veio…
Os dois se aproximaram o máximo que puderam.
Belo:
— Eu estava preocupado. Vamos dar um jeito de tirar você daqui.
Maurice segurou as mãos do filho entre as grades.
Maurice:
— Não! Você precisa ir embora. Este castelo é muito perigoso.
Antes que Belo pudesse responder, um rugido ecoou pelo corredor.
Passos pesados se aproximaram lentamente.
Lumière, Horloge e Madame Samovar observavam escondidos atrás de uma coluna.
Lumière (sussurrando):
— O mestre encontrou o rapaz…
Horloge:
— Que Deus nos ajude.
Madame Samovar:
— Espero que tudo termine em paz.
Das sombras surgiu a Fera.
Sua figura imponente ocupava quase toda a passagem. Os grandes chifres, as garras afiadas e as longas presas faziam qualquer pessoa recuar de medo.
Mas Belo permaneceu firme.
A Fera encarou o jovem por alguns instantes, surpresa por ele não fugir.
Fera (Adrien):
— Então você é o filho desse prisioneiro.
Belo:
— Sou. E vim levá-lo para casa.
A criatura soltou um som de desdém.
Fera:
— Ele invadiu meu castelo e colheu uma de minhas rosas. A punição permanece.
Maurice tentou intervir.
Maurice:
— Belo, não discuta. Vá embora enquanto ainda pode.
Belo deu um passo à frente.
Belo:
— Se alguém precisa ficar preso, que seja eu.
O corredor inteiro ficou em silêncio.
Lumière arregalou os olhos.
Lumière:
— Que coragem…
Horloge balançou o pêndulo, incrédulo.
Horloge:
— Nunca vi alguém fazer tamanho sacrifício.
Madame Samovar levou a mão ao peito.
Madame Samovar:
— Ele está disposto a trocar a própria liberdade pelo pai.
A Fera olhou atentamente para Belo, tentando entender aquela decisão.
Fera:
— Você aceitaria viver neste castelo e nunca mais sair?
Belo:
— Se isso significar salvar meu pai, sim.
Maurice protestou imediatamente.
Maurice:
— Não! Eu jamais permitiria!
A Fera permaneceu em silêncio por um instante, refletindo sobre a proposta.
Então respondeu em tom firme:
Fera:
— Muito bem. Seu pai será libertado… mas você ficará em seu lugar.
Belo fechou os olhos por um segundo e assentiu.
Belo:
— Eu aceito.
Enquanto Maurice era retirado da cela, ele olhava para o filho com tristeza e gratidão.
Naquele momento, sem perceber, a Fera fitou Belo por mais alguns segundos do que pretendia. Havia algo naquele jovem corajoso que despertava uma curiosidade inesperada — embora ela mesma ainda não compreendesse por quê.
Capítulo 9 – O Acordo
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A Rosa E A Fera
No ano de 1750, o orgulhoso príncipe Adrien é amaldiçoado por uma misteriosa feiticeira após negar ajuda a uma velha mendiga durante uma tempestade. Transformado em uma criatura monstruosa de...