Capítulo 31 – A Escolha da Fera
Alguns dias se passam desde o baile.
A rotina no castelo continua tranquila. Belo passa horas na biblioteca, ajuda os criados encantados com pequenas tarefas e faz companhia à Fera durante as refeições e os passeios pelos jardins.
No entanto, algo muda.
A alegria espontânea de Belo dá lugar a momentos de silêncio.
Ele sorri menos e, várias vezes ao dia, fica olhando pela janela na direção da floresta, como se pensasse em alguém distante.
Na Ala Oeste, a rosa encantada continua perdendo suas pétalas.
Agora, restam apenas cinco.
A Fera permanece diante da redoma de vidro por alguns instantes, observando a delicada flor.
Fera (Adrien):
— O tempo está acabando…
Ela fecha a redoma cuidadosamente e deixa o aposento.
Ao passar pela biblioteca, encontra Belo sentado perto da janela com um livro aberto sobre o colo.
Mas o jovem não está lendo.
Seu olhar está perdido no horizonte.
A Fera se aproxima.
Fera:
— Belo… aconteceu alguma coisa?
O rapaz demora um instante para responder.
Belo:
— Não é nada.
A criatura senta-se ao lado dele.
Fera:
— Você pode me contar.
Belo suspira.
Belo:
— Faz semanas que não vejo meu pai. Fico imaginando como ele está, se está bem… ou se sente minha falta.
As palavras enchem o ambiente de silêncio.
A Fera abaixa a cabeça.
Ela sabe que manter Belo no castelo significa tê-lo por perto, mas também percebe a saudade sincera que o jovem sente da família.
Mais tarde, reúne-se com Lumière, Horloge e Madame Samovar.
Lumière:
— Mestre, o senhor parece preocupado.
Fera:
— Estou.
Horloge:
— É por causa da rosa?
Fera:
— Também. Restam apenas cinco pétalas.
Madame Samovar observa atentamente.
Madame Samovar:
— Mas há outra coisa.
A Fera confirma.
Fera:
— Belo sente falta do pai.
Lumière permanece em silêncio por alguns segundos antes de dizer:
Lumière:
— Às vezes, amar alguém também significa permitir que essa pessoa faça o que considera importante.
Essas palavras fazem a Fera refletir profundamente.
Naquela mesma tarde, ela procura Belo nos jardins.
O jovem está sentado próximo ao lago.
Ao vê-la chegar, levanta-se.
Belo:
— Aconteceu alguma coisa?
A Fera respira fundo antes de responder.
Fera:
— Sim.
Ela faz uma breve pausa.
Fera:
— Você está livre para voltar ao vilarejo e visitar seu pai.
Belo fica completamente surpreso.
Belo:
— Está falando sério?
A criatura faz um gesto afirmativo.
Fera:
— Seu pai precisa saber que você está bem. E você merece vê-lo novamente.
Belo permanece alguns instantes sem palavras.
Então abre um sorriso emocionado.
Belo:
— Obrigado, Adrien.
Ao ouvir o próprio nome pronunciado com tanta naturalidade, a Fera sorri discretamente.
Fera:
— Só peço que tenha cuidado na viagem.
Belo dá um passo à frente.
Belo:
— Prometo.
Os dois permanecem em silêncio por alguns segundos.
No alto de uma torre, Lumière, Horloge e Madame Samovar observam a cena.
Lumière:
— O mestre tomou uma decisão difícil.
Horloge:
— Sim. Ele escolheu colocar a felicidade de Belo acima da própria.
Madame Samovar olha para a Ala Oeste, onde a rosa encantada continua protegida pela redoma de vidro.
Cinco pétalas ainda permanecem presas ao caule.
E, embora o tempo esteja se esgotando, um gesto de generosidade acaba de mostrar o quanto o coração da Fera mudou desde o início daquela história.
Capítulo 31 – A Escolha da Fera
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A Rosa E A Fera
No ano de 1750, o orgulhoso príncipe Adrien é amaldiçoado por uma misteriosa feiticeira após negar ajuda a uma velha mendiga durante uma tempestade. Transformado em uma criatura monstruosa de...