Capítulo 22 – O Presente Inesperado
Uma semana se passa desde o ataque dos lobos.
Graças aos cuidados de Belo e aos remédios preparados por Madame Samovar, a Fera se recupera dos ferimentos no braço e na perna. Ainda restam algumas cicatrizes, mas ela já consegue caminhar pelos corredores do castelo sem dificuldade.
Durante esses dias, algo também muda entre os dois.
Todas as manhãs, Belo toma café com a Fera. À tarde, caminham pelos jardins ou conversam perto da lareira. As discussões dão lugar a longos diálogos sobre livros, viagens e sonhos.
Lumière observa a mudança com entusiasmo.
Lumière:
— O mestre está até sorrindo mais.
Horloge ajeita o próprio mostrador.
Horloge:
— Quem diria que um simples visitante transformaria tanto este castelo?
Madame Samovar sorri.
Madame Samovar:
— Às vezes, a amizade começa com pequenos gestos.
Naquela tarde, a Fera convida Belo para acompanhá-la por um corredor que ele ainda não conhece.
Belo:
— Para onde estamos indo?
A criatura mantém um leve mistério.
Fera (Adrien):
— Você verá em instantes.
Eles sobem uma longa escadaria, atravessam uma galeria repleta de pinturas antigas e finalmente param diante de duas enormes portas de madeira entalhada.
A Fera segura as maçanetas e as abre lentamente.
Belo fica completamente imóvel.
À sua frente está uma biblioteca gigantesca.
Prateleiras alcançam o teto, repletas de milhares de livros cuidadosamente organizados. Escadas deslizantes percorrem as estantes, enquanto grandes janelas deixam a luz do sol iluminar o salão.
O aroma de pergaminhos antigos e madeira encerada preenche o ambiente.
Os olhos de Belo brilham de emoção.
Belo:
— Eu… nunca vi tantos livros reunidos em um só lugar.
A Fera observa a reação do jovem.
Depois de alguns segundos, fala com sinceridade.
Fera:
— Quero me desculpar por tê-lo assustado na Ala Oeste.
Belo volta-se para ela.
Fera:
— Eu estava dominado pelo medo e pela raiva. Não deveria ter gritado daquela forma.
O jovem sorri gentilmente.
Belo:
— Todos erram às vezes.
A Fera faz um gesto indicando toda a biblioteca.
Fera:
— Como pedido de desculpas… este lugar está à sua disposição. Considere esta biblioteca um presente para você. Pode ler qualquer livro que desejar, sempre que quiser.
Belo mal consegue acreditar no que ouve.
Ele percorre lentamente uma das estantes, passando os dedos pelas lombadas dos livros.
Belo:
— Este é um dos presentes mais incríveis que alguém poderia me dar.
Lumière, que acompanha a cena à distância, aproxima-se discretamente de Horloge.
Lumière (baixinho):
— Acho que o mestre escolheu exatamente o presente certo.
Horloge:
— E veja a felicidade no rosto de Belo.
Madame Samovar completa:
Madame Samovar:
— Presentes podem demonstrar carinho, mas este revela que o mestre finalmente está aprendendo a enxergar o que realmente importa.
Belo escolhe um livro antigo e senta-se em uma confortável poltrona próxima à janela.
A Fera permanece por perto, observando o entusiasmo do rapaz.
Pela primeira vez em muitos anos, a grande biblioteca do castelo não parece apenas um depósito silencioso de histórias esquecidas.
Ela volta a ser um lugar cheio de vida, compartilhado por duas pessoas que, pouco a pouco, aprendem a confiar uma na outra.
Capítulo 22 – O Presente Inesperado
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A Rosa E A Fera
No ano de 1750, o orgulhoso príncipe Adrien é amaldiçoado por uma misteriosa feiticeira após negar ajuda a uma velha mendiga durante uma tempestade. Transformado em uma criatura monstruosa de...