Capítulo 21 – O Segredo da Rosa
A chuva continua caindo do lado de fora do castelo, enquanto o quarto da Fera permanece iluminado apenas pela luz suave da lareira e de algumas velas.
Belo fica sentado ao lado da cama, observando a criatura dormir profundamente.
Seu olhar se detém nas faixas que envolvem o braço e a perna feridos.
Com delicadeza, ele percebe que a Fera está deitada em uma posição desconfortável.
Então se levanta.
Sem fazer barulho, ajeita cuidadosamente os grandes travesseiros atrás das costas e da cabeça da criatura, erguendo-os um pouco para que ela descanse melhor.
A Fera permanece inconsciente, respirando de forma tranquila.
Belo:
— Assim deve ficar mais confortável.
Em seguida, ele arruma o cobertor sobre o corpo da criatura e volta a se sentar na beira da cama.
Lumière, Horloge e Madame Samovar acompanham tudo em silêncio.
Lumière sorri discretamente.
Lumière:
— Você cuida muito bem dele.
Belo mantém os olhos voltados para a Fera.
Belo:
— Depois do que aconteceu na floresta, é o mínimo que posso fazer.
Por alguns instantes, o quarto fica silencioso.
Então Belo se vira para os criados encantados.
Belo:
— Posso fazer uma pergunta?
Madame Samovar:
— Claro.
Belo:
— O que realmente aconteceu neste castelo?
Os três objetos trocam olhares.
Horloge suspira antes de responder.
Horloge:
— Há muitos anos, quando ainda era um jovem príncipe, nosso mestre era conhecido por seu orgulho e sua arrogância.
Lumière continua a história.
Lumière:
— Em uma noite de tempestade, uma velha mendiga pediu abrigo. Em troca, ofereceu apenas uma simples rosa.
Belo:
— E ele recusou?
Madame Samovar abaixa a voz.
Madame Samovar:
— Sim. Ele a julgou pela aparência e a expulsou do castelo.
Lumière completa:
Lumière:
— A mendiga revelou ser uma poderosa feiticeira. Como castigo, transformou o príncipe nesta forma de Fera e lançou uma maldição sobre todos nós.
Belo escuta atentamente.
Belo:
— Então vocês também foram enfeitiçados…
Horloge:
— Exatamente. Cada criado foi transformado em um objeto do castelo.
Belo permanece em silêncio por alguns segundos e então faz outra pergunta.
Belo:
— E a rosa que está na Ala Oeste? Por que ela é tão importante?
Madame Samovar olha para a janela antes de responder.
Madame Samovar:
— Aquela é a rosa encantada criada pela feiticeira.
Lumière fala em tom sereno.
Lumière:
— A cada certo tempo, uma de suas pétalas cai. Quando a última tocar o chão, a maldição se tornará permanente.
Belo volta seu olhar para a Fera adormecida.
Belo:
— Então foi por isso que ele ficou tão furioso quando me viu perto dela…
Horloge confirma com um leve movimento.
Horloge:
— Ele protege aquela rosa porque ela representa sua última esperança.
O quarto volta a ficar em silêncio.
Belo observa a criatura descansando na cama, agora com os travesseiros cuidadosamente arrumados sob sua cabeça.
Pela primeira vez, ele começa a compreender que, por trás da aparência assustadora e do temperamento difícil da Fera, existe alguém que carrega o peso de um antigo erro e o medo constante de perder a única chance de mudar o próprio destino.
Capítulo 21 – O Segredo da Rosa
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A Rosa E A Fera
No ano de 1750, o orgulhoso príncipe Adrien é amaldiçoado por uma misteriosa feiticeira após negar ajuda a uma velha mendiga durante uma tempestade. Transformado em uma criatura monstruosa de...