Capítulo 29 — Tarde demais
Luís Fernando:
A viagem de volta pareceu interminável.
Pela primeira vez…
Eu não conseguia pensar em trabalho.
Nem em contratos.
Nem em reuniões.
Minha mente estava presa em uma única pessoa.
Henry.
Assim que o avião pousou, fui direto para a mansão.
Desci do carro antes mesmo que ele parasse completamente.
Entrei correndo.
Luís Fernando: — Henry!
Silêncio.
Subi as escadas rapidamente.
Abri a porta do nosso quarto.
Vazio.
O banheiro.
Vazio.
O closet.
Vazio.
Corri por toda a casa.
Nada.
Meu coração começou a acelerar.
Desci novamente.
Minha mãe ainda estava na sala.
Ela me olhou com preocupação.
Vitória: — Encontrou alguma coisa?
Balancei a cabeça negativamente.
Passei as mãos pelos cabelos.
Pela primeira vez em muitos anos…
Eu estava completamente perdido.
Luís Fernando: — Não…
Ele realmente foi embora.
Comecei a lembrar dos últimos dias.
Da ligação que ele fez.
“Eu só queria escutar a sua voz.”
Naquele dia…
Eu disse que estava ocupado.
Fechei os olhos.
Outra lembrança surgiu.
“As dores aumentaram.”
Minha mãe havia me contado que ele estava sofrendo.
Mesmo assim…
Continuei viajando.
Continuei trabalhando.
Olhei para a cama onde Henry dormia.
Ela continuava perfeitamente arrumada.
Era como se ele tivesse desaparecido sem deixar nenhuma pista.
Senti um peso enorme no peito.
Luís Fernando: — Eu devia ter voltado…
Passei a mão pelo rosto.
A culpa começou a me consumir.
Eu sabia que não o amava como marido.
Mas ele carregava meu filho.
E eu o deixei enfrentar tudo sozinho.
Vitória: — Luís…
Você não tem culpa.
Ele respirou fundo.
Pela primeira vez, respondeu com a voz embargada.
Luís Fernando: — Tenho, sim.
Se eu tivesse voltado…
Se eu tivesse ficado ao lado dele…
Talvez ele não tivesse ido embora.
Talvez ele não estivesse sozinho agora.
Talvez…
Nada disso tivesse acontecido.
Vitória permaneceu em silêncio.
Não havia palavras que diminuíssem aquele sofrimento.
Luís Fernando caminhou até o quarto mais uma vez.
Sobre o criado-mudo, encontrou uma pequena peça de roupa de bebê que Henry havia comprado.
Pegou-a com as mãos trêmulas.
Ficou olhando para ela por longos segundos.
As lembranças invadiram sua mente.
Henry sorrindo ao falar do bebê.
Henry perguntando qual nome eles escolheriam.
E sua própria resposta.
“Escolhe você.”
Naquele momento…
Luís Fernando percebeu que, durante toda a gravidez, Henry tentou construir uma família praticamente sozinho.
E ele nunca esteve presente.
Segurando a pequena roupa contra o peito, fechou os olhos.
Luís Fernando: — Henry…
Por favor…
Onde quer que você esteja…
Fique bem.
As lágrimas começaram a escorrer.
Era a primeira vez que Luís Fernando chorava por Henry.
Mas ele tinha a sensação de que…
Talvez já fosse tarde demais.
Capítulo 29 — Tarde demais
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Amar Sem Ser amado
No mundo omegaverso, onde o destino parece ser definido antes mesmo do nascimento, Henry, um ômega de apenas 18 anos, sempre acreditou que seu futuro estaria ao lado do homem que amava desde a...