Capítulo 2 — A verdade
Henry:
Passei a noite inteira acordado.
Depois da reação da minha mãe, não consegui dormir.
Eu ficava olhando para o teto enquanto acariciava minha barriga.
Ainda era estranho pensar que existia uma vida dentro de mim.
Mas uma coisa era certa.
Eu já amava aquele bebê mais do que tudo.
Na manhã seguinte, meu pai pediu que eu descesse até o escritório.
Quando entrei, ele estava de pé, olhando pela janela.
Minha mãe permanecia sentada em silêncio.
O ambiente parecia pesado.
Eduardo: — Feche a porta.
Obedeci.
Meu coração acelerou.
Eduardo: — Sente-se.
Sentei-me lentamente.
Meu pai se virou para mim.
Seu rosto era sério.
Eduardo: — Quero ouvir a verdade.
Assenti.
Henry: — Eu não vou mentir.
Ele respirou fundo.
Eduardo: — Quem é o pai dessa criança?
Olhei para minhas mãos.
Mesmo sabendo que aquela resposta mudaria tudo…
Eu precisava dizê-la.
Henry: — Luís Fernando Albuquerque.
O silêncio tomou conta do escritório.
Minha mãe fechou os olhos.
Meu pai permaneceu imóvel.
Depois de alguns segundos…
Ele pegou o telefone sobre a mesa.
Eduardo: — Então chegou a hora de conversar com a família Albuquerque.
Meu peito apertou.
Agora não havia mais volta.
…
Menos de uma hora depois…
Nós estávamos na Mansão Albuquerque.
Era uma casa enorme.
Luxuosa.
Imponente.
Mas, naquele momento, tudo o que eu sentia era medo.
Fomos recebidos por um empregado, que nos conduziu até a sala principal.
Lá estavam Augusto Albuquerque, Vitória, Rafael…
E Luís Fernando.
Assim que nossos olhares se encontraram, meu coração disparou.
Ele continuava lindo.
Mas seu rosto permanecia frio.
Sem sorriso.
Sem surpresa.
Sem felicidade.
Como se minha presença não significasse absolutamente nada.
Augusto quebrou o silêncio.
Augusto: — Eduardo… por que essa reunião tão repentina?
Meu pai colocou os exames sobre a mesa.
Eduardo: — Leiam.
Augusto abriu o envelope.
Vitória aproximou-se.
Os dois leram o resultado.
O clima mudou imediatamente.
Augusto levantou os olhos e encarou o filho.
Augusto: — Luís Fernando…
Isso é verdade?
Luís Fernando respondeu sem hesitar.
Luís Fernando: — Sim.
Vitória levou a mão à testa.
Vitória: — Meu Deus…
Meu pai olhou diretamente para Luís Fernando.
Sua voz era firme.
Eduardo: — Você confirma que é o pai?
Luís Fernando: — Confirmo.
Meu pai respirou fundo.
Então deu mais um passo à frente.
Eduardo: — Como você pôde engravidar o meu filho?
A sala inteira ficou em silêncio.
Luís Fernando sustentou o olhar dele.
Sem alterar a expressão.
Luís Fernando: — Eu assumo a responsabilidade pela criança.
Aquelas palavras doeram.
Responsabilidade.
Era só isso.
Nem uma palavra sobre mim.
Nem um pedido de desculpas.
Nem um sorriso.
Meu pai continuou.
Eduardo: — Responsabilidade não apaga o que aconteceu.
Luís Fernando respondeu no mesmo tom calmo.
Luís Fernando: — Eu sei.
Augusto cruzou os braços.
Augusto: — Existe apenas uma forma de evitar que isso destrua o nome das nossas famílias.
Olhei para ele.
Meu coração parecia parar.
Augusto: — Vocês dois vão se casar.
Meu sonho estava diante de mim.
Mas, pela primeira vez…
Ele parecia mais uma sentença do que um conto de fadas.
Fim do Capítulo 2
Capítulo 2 — A verdade
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