Capítulo 6 — Escolhe você
Henry:
Uma semana.
Fazia apenas uma semana que estávamos casados.
E, mesmo assim, parecia que eu vivia sozinho havia muito mais tempo.
Luís Fernando saía cedo.
Voltava tarde.
Às vezes, nem jantava em casa.
Nossa rotina se resumia a “bom dia” e “boa noite”.
Mesmo morando sob o mesmo teto, quase não nos víamos.
Ainda assim…
Eu insistia em fazer pequenas coisas por ele.
Talvez por amor.
Talvez por hábito.
Ou talvez porque eu ainda não soubesse como deixar de amá-lo.
Naquela manhã, acordei antes do amanhecer.
Preparei café fresco.
Fiz torradas.
Cortei frutas.
Também preparei um sanduíche para que ele levasse para a empresa.
Enquanto colocava tudo na lancheira térmica, sorri sozinho.
Meu bebê ainda era muito pequeno.
Mas eu já imaginava nós três sentados à mesa.
Como uma família.
Ouvi passos atrás de mim.
Luís Fernando entrou na cozinha.
Vestia um terno escuro impecável.
Seu perfume de cedro tomou conta do ambiente.
Ele apenas lançou um rápido olhar para a mesa.
Luís Fernando: — Bom dia.
Sorri.
Henry: — Bom dia.
Entreguei a lancheira.
Henry: — Preparei seu café da manhã… e também o almoço para levar.
Ele pegou a lancheira.
Luís Fernando: — Obrigado.
Era sempre assim.
Curto.
Educado.
Distante.
Respirei fundo.
Não queria perder aquela oportunidade.
Henry: — Luís Fernando…
Ele levantou os olhos.
Luís Fernando: — Sim?
Segurei minha xícara com as duas mãos.
Meu coração acelerou.
Henry: — Eu estava pensando…
Ele esperou que eu continuasse.
Henry: — Acho que já podemos começar a escolher o nome do bebê.
Por um breve instante…
Imaginei nós dois pesquisando nomes.
Discutindo possibilidades.
Rindo.
Como qualquer casal que espera um filho.
Mas Luís Fernando respondeu sem sequer pensar.
Luís Fernando: — Escolhe você.
Senti meu sorriso desaparecer.
Henry: — Você… não quer participar?
Ele colocou a chave do carro sobre a bancada enquanto ajustava o relógio.
Luís Fernando: — Você tem bom gosto.
Escolha o nome que achar melhor.
Olhei para minha barriga.
Depois voltei a encará-lo.
Henry: — Mas… ele também é seu filho.
Luís Fernando permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Então respondeu no mesmo tom calmo.
Luís Fernando: — Eu confio na sua decisão.
Pegou a pasta de documentos.
Vestiu o paletó.
Luís Fernando: — Estou indo.
Caminhou até a porta.
Henry: — Tenha um bom dia.
Ele apenas assentiu.
Luís Fernando: — Você também.
A porta se fechou.
O silêncio voltou a tomar conta da casa.
Henry:
Olhei para a cadeira vazia à minha frente.
O café que preparei para mim já havia esfriado.
Passei a mão sobre minha barriga.
Sorri, mas meus olhos estavam cheios de lágrimas.
Henry: — Parece que vamos escolher o seu nome juntos… só nós dois.
Acariciei meu ventre com delicadeza.
Naquele momento, percebi que eu continuava esperando que Luís Fernando participasse da nossa vida.
Mas ele parecia estar presente apenas no papel.
Porque, na prática…
Éramos apenas eu e o nosso bebê tentando transformar uma casa silenciosa em um lar.
Capítulo 6 — Escolhe você
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