Capítulo 5 — Duas camas
Henry:
Naquela madrugada, depois de esperar Luís Fernando até o amanhecer, subi lentamente para o quarto.
Cada degrau parecia mais pesado do que o anterior.
Talvez eu ainda esperasse encontrar algum gesto de carinho.
Alguma explicação.
Qualquer coisa.
Quando abri a porta…
Fiquei parado.
O quarto era enorme.
Elegante.
Mas o que realmente chamou minha atenção foram as duas camas de casal.
Uma de cada lado do quarto.
Separadas por uma mesa de cabeceira.
Meu coração apertou.
Não havia apenas duas camas.
Havia uma distância planejada entre nós.
Como se alguém já soubesse que nunca dividiríamos a mesma.
Antes que eu pudesse pensar em alguma coisa, ouvi o barulho da porta do banheiro.
Luís Fernando saiu vestindo apenas uma calça de moletom e uma camiseta branca.
Os cabelos ainda estavam molhados.
Ele me olhou por alguns segundos.
Depois apontou para a cama mais próxima da janela.
Luís Fernando: — Aquela será a sua.
Olhei para a outra cama.
Henry: — E a outra…
Luís Fernando: — É minha.
Assenti em silêncio.
Ele pegou uma toalha e começou a secar os cabelos.
Como se estivéssemos falando sobre algo completamente comum.
Então voltou a falar.
Luís Fernando: — Vamos morar aqui.
Levantei a cabeça.
Henry: — Aqui?
Luís Fernando: — Sim.
Sua voz permanecia calma.
Sem emoção.
Luís Fernando: — Depois da lua de mel, voltaremos apenas para buscar nossas coisas. Esta casa será nossa residência.
Olhei ao redor novamente.
Era uma casa linda.
Qualquer pessoa ficaria feliz em morar ali.
Mas, naquele instante…
Ela parecia grande demais.
Silenciosa demais.
Vazia demais.
Porque uma casa só se torna um lar quando existe afeto.
E entre nós…
Só existia obrigação.
Respirei fundo.
Henry: — Entendi.
Luís Fernando assentiu.
Pegou alguns documentos sobre a mesa.
Luís Fernando: — Amanhã vou passar o dia na empresa.
Olhei para ele.
Henry: — Mas… ainda estamos na lua de mel.
Ele nem levantou os olhos.
Luís Fernando: — Isso não muda meus compromissos.
Sorri de forma triste.
Já começava a entender que, para Luís Fernando, nosso casamento nunca seria prioridade.
Ele caminhou até sua cama.
Apagou o abajur ao lado.
Luís Fernando: — Boa noite.
Henry: — Boa noite…
Apaguei a luz da minha cama também.
Fiquei deitado olhando para o teto.
O quarto estava completamente escuro.
Mas eu sabia exatamente onde Luís Fernando estava.
A poucos metros de mim.
E, ao mesmo tempo…
Tão distante que parecia impossível alcançá-lo.
Henry:
Naquela noite, percebi que a distância entre duas pessoas não é medida em metros.
Às vezes…
Ela cabe inteira no espaço entre duas camas.
Fim do Capítulo 5
Capítulo 5 — Duas camas
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