Capítulo 8 — Parando de esperar
Henry:
Dizem que a gravidez deixa os ômegas mais sensíveis.
Comigo, isso era verdade.
Eu chorava por qualquer coisa.
Uma música.
Um filme.
O cheiro de um perfume.
Mas, acima de tudo…
Eu chorava porque continuava esperando que Luís Fernando me amasse.
E essa espera estava me destruindo.
Naquela manhã, acordei antes dele.
Preparei o café, como fazia todos os dias.
Coloquei sua xícara favorita sobre a mesa.
Enquanto esperava, acariciava minha barriga.
Henry: — Bom dia, meu amor…
Sorri para o bebê.
Henry: — Hoje você completa dois meses. Está crescendo tão rápido…
Ouvi passos.
Luís Fernando entrou na cozinha já vestido para o trabalho.
Pegou uma fatia de pão e uma xícara de café.
Sentou-se em silêncio.
Olhei para ele.
Durante alguns segundos, pensei em perguntar se havia dormido bem.
Mas desisti.
Ele dificilmente responderia além do necessário.
O silêncio entre nós já havia se tornado um hábito.
Enquanto ele terminava o café, senti uma forte tontura.
Segurei a bancada.
Respirei fundo.
Meu estômago embrulhava.
Corri até a pia.
Vomitei.
Meu corpo tremia.
Passei alguns minutos tentando recuperar o fôlego.
Quando consegui me levantar…
Luís Fernando já estava colocando o paletó.
Ele apenas olhou rapidamente para mim.
Luís Fernando: — Está passando mal?
Assenti.
Henry: — São os enjoos…
Ele respondeu calmamente.
Luís Fernando: — Se piorar, ligue para a doutora.
Pegou a pasta.
As chaves.
E caminhou até a porta.
Henry: — Tenha um bom trabalho.
Luís Fernando: — Obrigado.
A porta se fechou.
Mais uma vez.
Henry:
Antigamente…
Eu correria até a janela para vê-lo sair.
Esperaria uma mensagem.
Contaria as horas para ele voltar.
Naquele dia…
Não fiz nada disso.
Apenas limpei a cozinha.
Lavei a minha xícara.
E subi para descansar.
Pela primeira vez…
Eu não esperei.
À tarde, sentei-me na varanda.
O vento era agradável.
Passei a mão sobre minha barriga.
Henry: — Acho que preciso parar de esperar pelo seu papai…
As palavras doeram.
Muito.
Mas eram verdade.
Respirei fundo.
Henry: — Eu passei anos acreditando que, se eu fosse bom o suficiente, ele me amaria.
Sorri com tristeza.
Henry: — Mas amor não se implora.
Amor é uma escolha.
E ele nunca me escolheu.
As lágrimas escorreram.
Mas, dessa vez…
Não eram lágrimas de esperança.
Eram lágrimas de despedida.
Não de Luís Fernando.
Mas da ilusão que eu criei sobre nós.
Naquela noite, Luís Fernando voltou para casa depois das dez.
Encontrou a mesa posta.
O jantar servido.
Como sempre.
Mas havia uma diferença.
Eu não estava esperando por ele.
Já tinha jantado.
Já havia tomado meus remédios.
E dormia profundamente.
Luís Fernando olhou para a mesa.
Depois para a porta do quarto.
Ficou em silêncio por alguns instantes.
Sem dizer nada, jantou sozinho.
Henry:
Naquela noite…
Percebi que a independência emocional não acontece de uma vez.
Ela nasce aos poucos.
Cada decepção leva embora um pedaço da esperança.
Até que um dia…
Você acorda e percebe que já não está esperando ser amado.
Está apenas aprendendo a viver sem esse amor.
Capítulo 8 — Parando de esperar
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Amar Sem Ser amado
No mundo omegaverso, onde o destino parece ser definido antes mesmo do nascimento, Henry, um ômega de apenas 18 anos, sempre acreditou que seu futuro estaria ao lado do homem que amava desde a...