Capítulo 17 — Os últimos dias
Henry:
Os médicos disseram que faltava pouco.
Meu bebê poderia nascer a qualquer momento.
Eu deveria estar vivendo os dias mais felizes da minha vida.
Mas…
Meu corpo já não encontrava descanso.
A barriga estava enorme.
Eu mal conseguia enxergar meus próprios pés.
Levantar da cama era um desafio.
Sentar também.
Dormir havia se tornado quase impossível.
Todas as noites eu acordava várias vezes.
As dores nas costas pareciam nunca ir embora.
Minha lombar queimava.
Minhas pernas estavam inchadas.
Até respirar parecia exigir mais esforço.
Naquela manhã, tentei preparar o café.
Enquanto colocava a chaleira sobre o fogão, uma forte contração de treinamento fez meu corpo enrijecer.
Segurei a bancada com força.
Fechei os olhos.
Respirei lentamente, como o obstetra havia ensinado.
Depois de alguns segundos…
A dor diminuiu.
Passei a mão sobre a barriga.
Henry: — Ainda não, meu amor…
Só mais um pouquinho.
A casa continuava silenciosa.
Luís Fernando ainda estava viajando.
Fazia dias que ele havia partido.
Às vezes enviava uma mensagem perguntando se estava tudo bem.
Eu sempre respondia da mesma forma.
“Está tudo bem.”
Era mentira.
Mas eu não queria preocupá-lo.
Nem fazê-lo sentir que tinha a obrigação de voltar.
No fim da tarde, outra dor veio.
Mais forte.
Mais longa.
Caminhei lentamente até o sofá.
Sentei com dificuldade.
Respirava fundo enquanto acariciava a barriga.
Meu filho se mexia bastante.
Sorri, apesar do desconforto.
Henry: — Você está ansioso para conhecer o mundo, não é?
Uma lágrima escorreu pelo meu rosto.
Não era apenas por causa da dor.
Era porque eu tinha medo.
Medo de enfrentar o parto sozinho.
Medo de que Luís Fernando não chegasse a tempo.
Medo de que meu filho nascesse sem o pai ao seu lado.
Naquela noite, peguei o celular.
Olhei a conversa com Luís Fernando.
Havia várias mensagens curtas.
“Cheguei ao hotel.”
“Como você está?”
“Boa noite.”
Sorri com tristeza.
Ele se preocupava à sua maneira.
Mas a distância entre nós continuava enorme.
Escrevi uma mensagem.
“As dores aumentaram hoje. Acho que nosso bebê está chegando.”
Fiquei olhando para a tela.
Por alguns segundos.
Depois…
Apaguei tudo.
Guardei o celular.
Henry:
Eu não queria que ele voltasse por obrigação.
Se Luís Fernando estivesse presente no nascimento do nosso filho…
Eu queria que fosse porque ele escolheu estar ali.
Não porque eu implorei.
Acariciei minha barriga mais uma vez.
Henry: — Nós conseguimos chegar até aqui…
Só mais um pouco.
Logo vou poder olhar para o seu rostinho.
E isso fará toda essa dor valer a pena.
Fim do Capítulo 17
Capítulo 17 — Os últimos dias
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Amar Sem Ser amado
No mundo omegaverso, onde o destino parece ser definido antes mesmo do nascimento, Henry, um ômega de apenas 18 anos, sempre acreditou que seu futuro estaria ao lado do homem que amava desde a...