Capítulo 21 — O nascimento
Henry:
As contrações estavam cada vez mais fortes.
Meu corpo tremia.
Eu apertava os lençóis da maca com toda a força que ainda tinha.
O quarto simples do hospital estava cheio de enfermeiros e médicos.
Todos falavam ao mesmo tempo.
Mas eu já não conseguia prestar atenção.
A dor era intensa.
Médico: — Henry, respire fundo.
Você está indo muito bem.
Olhei para o teto.
As lágrimas escorriam sem parar.
Respirei como conseguia.
Outra contração veio.
Mais forte.
Meu corpo inteiro estremeceu.
Henry: — Ah…!
Foi então que as palavras de Rafael voltaram à minha mente.
“Meu irmão nunca amou você.”
“Quando essa criança nascer, você vai ficar sozinho.”
Fechei os olhos.
Meu coração apertou.
Logo depois…
Outra voz tomou conta dos meus pensamentos.
A voz de Luís Fernando.
“Quando o bebê nascer… vou pedir o divórcio.”
“Não existe amor mesmo.”
Senti como se meu peito estivesse sendo esmagado.
Henry:
Talvez eles estivessem certos…
Talvez eu realmente fosse ficar sozinho.
Meu filho teria um pai…
Mas nunca teria uma família de verdade.
As lágrimas continuavam caindo.
A dor física parecia pequena diante da dor que existia dentro do meu coração.
Tudo ficou pesado.
Escuro.
Vazio.
Naquele momento…
Foi como se toda a esperança que eu carregava durante a gravidez desaparecesse.
Enfermeira: — Henry! Olhe para mim!
Você precisa continuar!
Respire!
Ouvi a voz dela bem distante.
Como se estivesse debaixo d’água.
Eu obedecia apenas porque meu corpo ainda respondia.
Minha mente…
Já não estava ali.
Henry:
Eu não conseguia sentir alegria.
Nem ansiedade.
Nem esperança.
Só existia um vazio enorme dentro de mim.
Era como se eu tivesse perdido todas as minhas forças para continuar sonhando.
Médico: — Só mais um pouco!
Você consegue!
Outra contração veio.
Henry reuniu as últimas forças que tinha.
O quarto permaneceu em silêncio por um segundo.
Então…
O choro forte de um recém-nascido ecoou pelo hospital.
Um menino havia nascido.
Os médicos respiraram aliviados.
A enfermeira sorriu.
Enfermeira: — É um menino saudável!
Ela se aproximou da cama.
Segurava o bebê cuidadosamente nos braços.
Enfermeira: — Quer segurá-lo?
Henry olhou para o pequeno rosto.
Os olhos estavam cheios de lágrimas.
Mas sua expressão permanecia vazia.
Sem conseguir reagir.
Sem conseguir sorrir.
Apenas assentiu lentamente.
A enfermeira colocou o bebê em seus braços.
Henry o segurou com cuidado.
Permaneceu olhando para o filho em silêncio.
Nenhuma palavra saiu.
Nenhum sorriso apareceu.
Apenas lágrimas escorriam pelo seu rosto.
Henry:
Meu filho era lindo.
Mas naquele momento…
Meu coração estava tão quebrado…
Que eu já não conseguia encontrar forças nem para sentir a felicidade que sempre imaginei viver quando ele nascesse.
E isso…
Foi o que mais me assustou.
Capítulo 21 — O nascimento
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Amar Sem Ser amado
No mundo omegaverso, onde o destino parece ser definido antes mesmo do nascimento, Henry, um ômega de apenas 18 anos, sempre acreditou que seu futuro estaria ao lado do homem que amava desde a...