Capítulo 16 — A culpa
Luís Fernando:
Eu nunca vou esquecer aquele telefonema.
Estava no escritório da empresa revisando alguns contratos quando meu celular tocou.
Na tela apareceu o nome de meu pai.
Atendi imediatamente.
Luís Fernando: — Pai.
A voz dele era séria.
Augusto: — Venha para casa agora.
Franzi a testa.
Luís Fernando: — Aconteceu alguma coisa?
Houve alguns segundos de silêncio.
Então ele respondeu.
Augusto: — Henry está grávido.
Fiquei imóvel.
Por alguns instantes…
Achei que tinha ouvido errado.
Luís Fernando: — O quê?
Augusto: — Venha para casa. Conversaremos pessoalmente.
A ligação terminou.
Continuei segurando o celular.
Meu coração parecia pesado.
A única noite.
Bastou uma única noite.
Quando cheguei à mansão, as duas famílias já estavam reunidas.
Henry permanecia em silêncio.
Com os olhos baixos.
Parecia assustado.
Naquele instante…
Ele parecia muito jovem.
Mais jovem do que eu me lembrava.
Olhei para ele por alguns segundos.
Foi impossível não pensar…
“Ele tem apenas dezoito anos.”
Ainda estava começando a vida.
E agora…
Carregava um filho meu.
Meu pai colocou os exames sobre a mesa.
Augusto: — É seu?
Olhei para Henry.
Depois para os exames.
Respirei fundo.
Mentir não mudaria nada.
Luís Fernando: — Sim.
A sala inteira mergulhou em silêncio.
Vi o pai de Henry me encarar com indignação.
Vi a mãe dele tentando conter as lágrimas.
E Henry…
Continuava sem dizer uma palavra.
Naquele momento…
Eu não pensei na empresa.
Nem na reputação da família.
Pensei apenas em Henry.
Um ômega de dezoito anos.
Grávido.
Obrigando-se a enfrentar uma responsabilidade enorme quando ainda era tão jovem.
Uma culpa tomou conta de mim.
Eu era mais velho.
Deveria ter sido mais responsável.
Deveria ter impedido que tudo aquilo acontecesse.
Mas não impedi.
Quando meu pai anunciou o casamento…
Eu aceitei.
Não porque amava Henry.
Mas porque acreditava que era o mínimo que podia fazer.
Assumir minha responsabilidade.
Mesmo sabendo que nunca conseguiria oferecer o amor que ele merecia.
Luís Fernando:
Muitas pessoas acreditavam que eu era frio.
Talvez eu realmente fosse.
Mas havia uma coisa que ninguém sabia.
Toda vez que eu olhava para Henry…
Eu lembrava que fui eu quem mudou completamente o destino dele.
E essa culpa…
Era um peso que eu carregava em silêncio todos os dias.
Fim do Capítulo 16
Capítulo 16 — A culpa
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Amar Sem Ser amado
No mundo omegaverso, onde o destino parece ser definido antes mesmo do nascimento, Henry, um ômega de apenas 18 anos, sempre acreditou que seu futuro estaria ao lado do homem que amava desde a...