Capítulo 3 — O dia que eu mais esperei
Henry:
Desde criança, eu imaginava como seria o dia do meu casamento.
Eu me via entrando em uma igreja cheia de flores.
Minha família sorrindo.
Os amigos comemorando.
E, no altar…
Luís Fernando me esperando com um sorriso.
Sempre imaginei que ele seguraria minha mão porque queria.
Nunca porque foi obrigado.
A realidade foi muito diferente.
O casamento aconteceu apenas duas semanas depois.
Foi reservado.
Sem imprensa.
Sem convidados importantes.
Apenas as duas famílias, algumas testemunhas e o juiz.
A cerimônia aconteceu na pequena capela particular da família Albuquerque.
Tudo era bonito.
As flores brancas.
As velas.
A música.
Era exatamente como eu sempre sonhei.
Só havia um detalhe diferente.
O noivo nunca olhou para mim.
Enquanto um funcionário ajustava minha roupa, eu me observava diante do espelho.
A roupa branca parecia feita sob medida.
Passei a mão, quase sem perceber, sobre minha barriga.
Ainda não havia nenhuma mudança visível.
Mesmo assim…
Meu bebê estava ali.
Sorri.
Henry: Meu amor… hoje seus pais vão se casar.
As lágrimas encheram meus olhos.
Não eram de tristeza.
Ainda não.
Eu ainda alimentava uma pequena esperança.
Talvez…
Depois do casamento…
Luís Fernando me desse uma chance.
Talvez ele pudesse gostar de mim algum dia.
Talvez eu estivesse sonhando alto demais.
As portas da capela se abriram.
Todos se levantaram.
Respirei fundo.
Cada passo parecia mais pesado que o anterior.
Meu coração batia tão forte que eu podia ouvi-lo.
Então…
Eu o vi.
Luís Fernando estava diante do altar.
Elegante.
Impecável.
Bonito como sempre.
Mas completamente frio.
Ele não sorriu quando me viu.
Nem sequer demonstrou emoção.
Ainda assim…
Eu sorri para ele.
Mesmo sem receber um sorriso de volta.
Cheguei ao altar.
Fiquei ao seu lado.
O silêncio entre nós era quase doloroso.
O celebrante iniciou a cerimônia.
As palavras passaram diante dos meus ouvidos como um sussurro.
Eu só conseguia olhar para Luís Fernando.
Durante anos…
Foi esse rosto que apareceu em todos os meus sonhos.
Finalmente estávamos lado a lado.
Mas parecia existir um oceano entre nós.
Chegou o momento dos votos.
Como era uma cerimônia simples, o juiz fez apenas as perguntas formais.
Juiz: — Luís Fernando Albuquerque, aceita Henry Monteiro como seu legítimo esposo?
Luís Fernando respondeu sem hesitar.
Luís Fernando: — Aceito.
Sua voz era firme.
Fria.
Como quem assinava um contrato.
Meu peito apertou.
O juiz voltou-se para mim.
Juiz: — Henry Monteiro, aceita Luís Fernando Albuquerque como seu legítimo esposo?
Olhei para Luís Fernando.
Meu coração transbordava sentimentos.
Eu o amava havia tantos anos…
Mais da metade da minha vida.
Minha voz tremeu.
Henry: — Aceito.
E, diferente dele…
Eu sorri.
As alianças foram entregues.
Quando Luís Fernando segurou minha mão, senti um arrepio percorrer meu corpo.
Eu esperei.
Esperei que ele apertasse meus dedos.
Que acariciasse minha mão.
Qualquer gesto.
Mas ele apenas colocou a aliança.
Nada mais.
Quando foi minha vez…
Segurei sua mão com todo o cuidado do mundo.
Como se fosse algo precioso.
Coloquei a aliança lentamente.
Sem querer…
Passei o polegar sobre seus dedos.
Ele retirou a mão logo em seguida.
Foi um gesto discreto.
Mas suficiente para partir um pedacinho do meu coração.
Juiz: — Declaro-os oficialmente casados.
Algumas palmas tímidas ecoaram pela capela.
Minha mãe apenas observava.
O pai de Luís Fernando conversava com alguns familiares.
Ninguém parecia realmente feliz.
Era apenas um casamento necessário.
Ao sairmos da capela, caminhei ao lado do meu marido.
Meu marido…
Eu havia esperado tantos anos para chamá-lo assim.
Olhei para ele.
Sorri mais uma vez.
Henry: — Obrigado por ter vindo.
Ele continuou olhando para frente.
Luís Fernando: — Era minha obrigação.
Aquela única frase destruiu o resto da esperança que eu ainda tentava guardar.
Henry:
Naquele dia…
Eu me casei com o homem que amava desde criança.
E descobri que existe uma dor muito maior do que não ser escolhido.
É ser escolhido apenas porque não havia outra opção.
Fim do Capítulo 3
Capítulo 3 — O dia que eu mais esperei
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Amar Sem Ser amado
No mundo omegaverso, onde o destino parece ser definido antes mesmo do nascimento, Henry, um ômega de apenas 18 anos, sempre acreditou que seu futuro estaria ao lado do homem que amava desde a...