Capítulo 22 — Um olhar vazio
Henry:
Depois do parto…
Os médicos diziam que meu filho estava saudável.
As enfermeiras sorriam sempre que o pegavam no colo.
Mas eu…
Não conseguia sentir nada.
Era como se alguma coisa tivesse se quebrado dentro de mim.
Meu olhar estava vazio.
Eu respondia quando falavam comigo.
Comia quando insistiam.
Dormia quando o cansaço me vencia.
Mas meu coração…
Parecia não existir mais.
Dois dias depois, recebi alta.
Uma enfermeira colocou meu filho cuidadosamente em meus braços.
Enfermeira: — Cuide bem dele.
Ele é um menino muito forte.
Olhei para o rosto do meu bebê.
Era tão pequeno.
Tão frágil.
Assenti em silêncio.
Sem conseguir sorrir.
Saí do hospital.
O sol brilhava.
As pessoas seguiam suas vidas normalmente.
Enquanto isso…
Eu caminhava sem destino.
Meu filho estava em meu colo.
Depois de alguns minutos, ele começou a chorar.
Seu choro era alto.
Insistente.
Eu o segurava com cuidado.
Mas continuava andando.
Meu olhar permanecia perdido.
Como se eu nem soubesse para onde estava indo.
Depois de muito caminhar…
Cheguei a uma praça.
Sentei-me em um banco de madeira.
Fernando continuava chorando.
Olhei para frente.
Sem expressão.
Sem lágrimas.
Sem reação.
Alguns minutos depois, uma senhora que passeava pela praça se aproximou devagar.
Ela sorriu ao ver o bebê.
Mulher: — Que bebê mais lindo…
Posso ver?
Henry apenas fez um pequeno movimento com a cabeça.
A mulher olhou para o menino com carinho.
Mulher: — Qual é o nome dele?
Henry respondeu em voz baixa.
Henry: — Fernando…
Como o pai dele.
A mulher sorriu.
Mulher: — É um nome bonito.
E ele é muito lindo.
Henry permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Depois levantou lentamente os olhos para ela.
Seu olhar continuava completamente vazio.
Henry: — Você gostou dele?
A mulher sorriu.
Mulher: — Sim.
Ele é um anjinho.
Henry respondeu no mesmo tom calmo, quase sem emoção.
Henry: — Então…
Se quiser…
Eu dou ele para você.
O sorriso da mulher desapareceu imediatamente.
Ela olhou para Henry com preocupação.
Depois voltou o olhar para o bebê.
Percebeu que havia algo profundamente errado.
Mulher: — Meu filho…
Você está bem?
Henry não respondeu.
Continuou olhando para o vazio.
Fernando voltou a chorar.
A mulher se ajoelhou diante dele.
Falou com delicadeza.
Mulher: — Você não precisa enfrentar isso sozinho.
Vamos procurar ajuda, está bem?
Henry permaneceu em silêncio.
Seu corpo estava ali.
Mas sua mente parecia muito distante.
E aquela mulher compreendeu que não estava diante de um pai que não amava o filho.
Estava diante de alguém que sofria profundamente e precisava de ajuda urgente.
Capítulo 22 — Um olhar vazio
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Amar Sem Ser amado
No mundo omegaverso, onde o destino parece ser definido antes mesmo do nascimento, Henry, um ômega de apenas 18 anos, sempre acreditou que seu futuro estaria ao lado do homem que amava desde a...