Capítulo 1 — Duas linhas
Henry:
Sempre imaginei que o dia mais feliz da minha vida seria quando eu descobrisse que estava esperando um filho de Luís Fernando.
Na minha cabeça, ele sorriria.
Me abraçaria.
Colocaria a mão sobre a minha barriga e diria que tudo ficaria bem.
Eu era um idiota por acreditar nisso.
Naquele momento… eu ainda não sabia.
O consultório da Dra. Isabela era silencioso.
Eu apertava minhas mãos com força enquanto aguardava o resultado dos exames.
Meu coração batia tão rápido que parecia querer sair do peito.
A porta se abriu.
A doutora entrou segurando uma pasta.
Ela sorriu com delicadeza.
Dra. Isabela: — Henry… já temos o resultado.
Respirei fundo.
Henry: — Estou doente?
Ela balançou a cabeça.
Dra. Isabela: — Não.
Fez uma pequena pausa antes de continuar.
Dra. Isabela: — Você está grávido.
Por alguns segundos…
Eu não consegui dizer absolutamente nada.
As palavras pareciam distantes.
Grávido…
Eu estava grávido.
Meus olhos começaram a marejar.
Sem perceber, levei a mão até minha barriga.
Ali…
Existia uma nova vida.
Um pequeno bebê.
Nosso bebê.
Meu e de Luís Fernando.
As lágrimas escorreram pelo meu rosto.
Mas, pela primeira vez em muito tempo…
Eram lágrimas de felicidade.
Henry: — Eu… vou ser pai…
A Dra. Isabela sorriu.
Dra. Isabela: — Vai. Mas sua gestação exigirá cuidados. Você ainda é muito jovem.
Assenti diversas vezes.
Mal consegui prestar atenção nas outras recomendações.
Minha mente já imaginava um futuro.
Talvez aquela criança pudesse unir nossa família.
Talvez Luís Fernando finalmente olhasse para mim.
Talvez…
Quando cheguei à Mansão Monteiro, encontrei minha mãe na sala principal.
Ela organizava alguns documentos.
Assim que me viu, levantou os olhos.
Helena: — Como foi a consulta?
Sorri, ainda emocionado.
Henry: — Mãe… eu preciso contar uma coisa.
Ela percebeu meu nervosismo.
Fechou a pasta lentamente.
Helena: — O que aconteceu?
Entreguei o envelope em suas mãos.
Ela retirou o exame.
Começou a ler.
Seu rosto ficou completamente pálido.
Logo depois…
A expressão mudou para pura raiva.
Sem qualquer aviso…
— PÁ!
O tapa acertou meu rosto com força.
Cambaleei para trás.
Levei a mão à bochecha ardendo.
Meus olhos se encheram de lágrimas.
Helena: — Como você não se cuidou?
Minha voz saiu quase como um sussurro.
Henry: — Mãe…
Ela me interrompeu.
Helena: — Você é só um garoto ainda!
Seu grito ecoou por toda a mansão.
Helena: — Tem apenas dezoito anos!
Helena: — Sua vida nem começou!
Abaixei a cabeça.
Meu corpo tremia.
Instintivamente, coloquei a mão sobre minha barriga.
Não para me proteger.
Para proteger meu bebê.
Helena: — Você faz ideia da vergonha que trouxe para esta família?
As lágrimas continuavam caindo.
Mesmo assim…
Olhei para ela.
Henry: — Eu sei que foi um erro…
Respirei fundo.
Henry: — Mas… esse bebê não tem culpa de nada.
Minha mãe me encarou com frieza.
Helena: — Você ainda consegue defendê-lo?
Segurei o choro.
Acariciei minha barriga mais uma vez.
Henry: — Ele é meu filho.
E eu já o amo.
Naquele instante…
Percebi que eu seria o único disposto a proteger aquela pequena vida.
E, sem saber, também estava começando a perder a ilusão de que tudo terminaria bem.
Fim do Capítulo 1
Capítulo 1 — Duas linhas
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Amar Sem Ser amado
No mundo omegaverso, onde o destino parece ser definido antes mesmo do nascimento, Henry, um ômega de apenas 18 anos, sempre acreditou que seu futuro estaria ao lado do homem que amava desde a...