Capítulo 18 — Crueldade
Henry:
Os últimos dias da gravidez estavam sendo os mais difíceis.
Minha barriga já estava enorme.
As dores nas costas não me davam descanso.
Dormir era quase impossível.
Mesmo assim…
Eu fazia o possível para continuar em pé.
Por mim.
E pelo meu filho.
Naquela tarde, a campainha tocou.
Caminhei devagar até a porta.
Quando a abri…
Encontrei Rafael.
O irmão de Luís Fernando.
Ele me olhou da cabeça aos pés.
Depois, sorriu com desprezo.
Rafael: — Então… ainda está aqui.
Respirei fundo.
Henry: — Boa tarde.
Sem esperar convite, Rafael entrou na casa.
Olhou ao redor.
Rafael: — Meu irmão continua viajando?
Henry: — Sim.
Ele soltou uma risada.
Rafael: — Nem imaginei que ele voltaria correndo para brincar de marido.
Abaixei os olhos.
Não respondi.
Rafael caminhou lentamente pela sala.
Depois voltou a me encarar.
Rafael: — Você realmente acreditou que um bebê faria Luís Fernando se apaixonar por você?
As palavras machucaram.
Mas mantive a calma.
Henry: — Eu nunca usei meu filho para isso.
Ele cruzou os braços.
Rafael: — Não?
Então por que ainda continua usando a aliança?
Meu coração apertou.
Olhei para a aliança em minha mão.
Ela era a lembrança de um sonho que nunca existiu.
Rafael: — Você sabe o que meu irmão sente por você?
Permaneci em silêncio.
Ele respondeu antes mesmo que eu pudesse falar.
Rafael: — Pena.
Só isso.
Pena.
Nunca foi amor.
Nunca será.
Senti meus olhos se encherem de lágrimas.
Mas não queria chorar na frente dele.
Rafael: — Assim que essa criança nascer…
Meu irmão vai pedir o divórcio.
Vai reconstruir a vida dele.
E você…
Vai voltar para a casa dos seus pais.
Sozinho.
Com um filho nos braços.
Respirei profundamente.
As costas voltaram a doer.
Levei uma das mãos até a barriga.
Meu bebê se mexeu.
Henry: — Já terminou?
Rafael arqueou uma sobrancelha.
Rafael: — Ficou bravo?
Olhei diretamente para ele.
Pela primeira vez…
Sem abaixar a cabeça.
Henry: — Você pode me humilhar o quanto quiser.
Pode dizer que Luís Fernando nunca me amou.
Porque isso eu já sei.
Mas não fale do meu filho.
Ele não tem culpa de nada.
Rafael permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Depois deu um sorriso debochado.
Rafael: — Continua sendo ingênuo.
Pegou a chave do carro.
Antes de sair, disse a última frase.
Rafael: — Acostume-se com a solidão, Henry.
Ela será sua companhia pelo resto da vida.
A porta bateu.
O silêncio voltou.
Henry:
Sentei lentamente no sofá.
As lágrimas caíram sem que eu conseguisse impedir.
Passei as mãos sobre minha barriga.
Henry: — Não escuta essas palavras, meu amor…
Você é a melhor coisa que já aconteceu na minha vida.
Nunca vou deixar ninguém fazer você acreditar que não é amado.
Mesmo que eu tenha que enfrentar tudo sozinho.
Porque, desde o momento em que descobri que você existia…
Você se tornou a minha força para continuar vivendo.
Fim do Capítulo 18
Capítulo 18 — Crueldade
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Amar Sem Ser amado
No mundo omegaverso, onde o destino parece ser definido antes mesmo do nascimento, Henry, um ômega de apenas 18 anos, sempre acreditou que seu futuro estaria ao lado do homem que amava desde a...