Capítulo 4 — A primeira noite
Henry:
Quando eu era criança, imaginava que a lua de mel seria o começo da nossa história.
Pensei que seria nela que Luís Fernando me conheceria de verdade.
Que conversaríamos até tarde.
Que riríamos juntos.
Que eu finalmente deixaria de ser apenas “o garoto apaixonado”.
Eu ainda insistia em criar expectativas.
E elas continuavam sendo destruídas.
Nossa lua de mel aconteceu em uma luxuosa casa à beira-mar.
Era um lugar lindo.
Varandas enormes.
Janelas de vidro voltadas para o oceano.
O som das ondas era tranquilo.
Qualquer casal ficaria feliz ali.
Mas nós não parecíamos um casal.
Parecíamos dois estranhos dividindo o mesmo teto.
Assim que entramos, Luís Fernando deixou a mala ao lado da porta.
Olhou rapidamente para o relógio.
Luís Fernando: — Tenho um compromisso.
Fiquei confuso.
Henry: — Um… compromisso?
Ele pegou a chave do carro.
Luís Fernando: — Volto mais tarde.
Meu coração apertou.
Henry: — Nós… acabamos de chegar.
Ele apenas assentiu.
Luís Fernando: — Eu sei.
Respirei fundo.
Não queria implorar.
Mas precisava tentar.
Henry: — Achei que… passaríamos esse tempo juntos.
Luís Fernando me olhou pela primeira vez desde que chegamos.
Seu rosto continuava sem expressão.
Luís Fernando: — Não crie expectativas, Henry.
Foram apenas seis palavras.
Seis palavras que fizeram o silêncio daquela casa parecer ainda maior.
Ele saiu.
A porta se fechou.
E eu fiquei sozinho.
Olhei ao redor.
A mesa estava preparada para um jantar romântico.
Velas.
Flores.
Duas taças.
Tudo organizado.
Sorri sem vontade.
Aproximei-me da mesa.
Passei os dedos pela toalha.
Eu havia imaginado tantas vezes um momento como aquele…
Mas nunca pensei que o viveria sozinho.
Sentei-me.
O jantar esfriou.
As velas queimaram até o fim.
O relógio continuava avançando.
Dez da noite.
Onze.
Meia-noite.
Uma da manhã.
Duas.
Cada hora parecia durar uma eternidade.
Acariciei minha barriga.
Sorri com tristeza.
Henry: — Parece que hoje somos só nós dois…
Fechei os olhos.
As lágrimas começaram a cair.
Henry:
Dizem que a solidão machuca.
Mas existe algo pior.
É esperar alguém.
Olhar para a porta.
Ouvir qualquer barulho.
E acreditar que, dessa vez…
A pessoa vai entrar sorrindo.
O relógio marcava quase cinco da manhã quando ouvi a porta se abrir.
Levantei rapidamente do sofá.
Luís Fernando entrou.
Tirou o paletó.
Parecia cansado.
Olhou para mim por alguns segundos.
Luís Fernando: — Você ainda está acordado?
Sorri, mesmo exausto.
Henry: — Eu esperei você.
Ele desviou o olhar.
Luís Fernando: — Não precisava.
Respirei fundo.
Henry: — Pensei que jantaríamos juntos.
Ele caminhou em direção à escada.
Luís Fernando: — Você deveria dormir.
Fiquei parado.
Observando-o subir os degraus.
Nem sequer perguntou se eu havia comido.
Se eu estava bem.
Se o bebê estava bem.
Nada.
Henry:
Naquela madrugada…
Eu entendi que não bastava dividir uma casa.
Nem uma aliança.
Nem um sobrenome.
Porque um casamento não acontece quando duas pessoas assinam um papel.
Um casamento acontece quando duas pessoas escolhem caminhar juntas.
E, naquela noite…
Luís Fernando escolheu caminhar sozinho.
Enquanto eu permanecia parado…
Esperando por alguém que nunca olhava para trás.
Fim do Capítulo 4
Capítulo 4 — A primeira noite
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