Capítulo 30 — O jardim
Henry:
Dois dias haviam se passado desde que fui internado.
Os médicos continuavam fazendo perguntas.
Mas eu quase nunca sabia responder.
Meu nome…
Minha família…
Minha casa…
Tudo parecia ter desaparecido da minha memória.
A única palavra que ainda permanecia era…
Fernando.
Não sabia quem era Fernando.
Mas, sempre que esse nome vinha à minha mente…
Meu peito doía.
Naquela tarde, um enfermeiro me levou até o jardim do hospital psiquiátrico.
Era um lugar simples.
Havia árvores, bancos de madeira e algumas flores.
Sentei-me em silêncio.
Olhando para o vazio.
Alguns minutos depois…
Uma senhora de cabelos grisalhos caminhou lentamente até o banco.
Ela usava o uniforme dos pacientes.
Sorriu e sentou ao meu lado.
Ficou alguns segundos em silêncio.
Depois perguntou:
Senhora: — Qual é o seu nome?
Olhei para ela.
Respirei fundo.
Henry: — Eu… não sei.
A senhora arregalou os olhos.
Depois começou a rir baixinho.
Senhora: — Então somos dois.
Também não sei o meu.
Olhei para ela sem entender.
Ela levantou o rosto para o céu.
Continuava sorrindo.
Então voltou a falar.
Senhora: — Você sabe por que estamos aqui?
Balancei a cabeça.
Henry: — Não.
Ela deu uma pequena risada.
Senhora: — Porque somos loucos.
Fiquei em silêncio.
A palavra “louco” ecoou na minha mente.
Baixei a cabeça.
Henry: — Eu sou… louco?
A senhora deu de ombros.
Senhora: — Foi o que me disseram.
Então acho que sou.
Olhei novamente para o jardim.
Minha cabeça começou a doer.
Levei a mão à testa.
Algumas imagens passaram rapidamente pela minha mente.
Um bebê.
Um choro.
Lágrimas.
Depois…
Tudo desapareceu.
A senhora percebeu minha expressão.
Falou com a voz mais calma.
Senhora: — Às vezes, a cabeça da gente machuca tanto…
Que ela esconde as lembranças.
Fiquei olhando para ela.
Sem saber por quê…
Aquelas palavras fizeram sentido.
Mesmo sem entender quem eu era.
Os dois permaneceram sentados em silêncio.
O vento balançava as árvores do jardim.
Enquanto isso…
Do lado de fora dos muros do hospital…
Alguém ainda procurava desesperadamente por Henry.
Capítulo 30 — O jardim
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Amar Sem Ser amado
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