Capítulo 7 — Nunca é o suficiente
Henry:
Existe um tipo de dor que não deixa marcas no corpo.
Ela machuca por dentro.
É quando você percebe que, não importa o quanto tente agradar…
Nunca será suficiente.
Foi assim que eu comecei a me sentir.
Naquele domingo, Luís Fernando me avisou que almoçaríamos na mansão dos Albuquerque.
Passei a manhã inteira ajudando os empregados a preparar uma sobremesa.
Queria causar uma boa impressão.
Ou, pelo menos…
Evitar mais críticas.
Quando chegamos, Vitória nos recebeu com um sorriso discreto.
Mas aquele sorriso nunca era para mim.
Vitória: — Luís Fernando, meu filho.
Ela o abraçou.
Depois olhou para mim.
Seu sorriso desapareceu.
Vitória: — Henry.
Assenti educadamente.
Henry: — Boa tarde, dona Vitória.
Ela apenas virou as costas.
Entrei em silêncio.
Durante o almoço, todos conversavam sobre negócios.
Eu permaneci quieto.
Não queria atrapalhar.
De repente, Vitória olhou para minha barriga.
Ainda era pequena.
Mas ela sabia da gravidez.
Vitória: — Espero que essa criança não atrapalhe a carreira do meu filho.
Meu coração apertou.
Olhei para o prato.
Henry: — Eu nunca faria isso.
Ela soltou uma risada baixa.
Vitória: — Você já fez.
A mesa ficou em silêncio.
Rafael apoiou os cotovelos na mesa.
Rafael: — Convenhamos… meu irmão nunca quis casar.
Olhei discretamente para Luís Fernando.
Ele continuava almoçando.
Como se aquelas palavras não existissem.
Rafael: — Você conseguiu prender um alfa importante com uma gravidez.
Respirei fundo.
Henry: — Eu nunca quis prender ninguém.
Rafael deu de ombros.
Rafael: — É o que todos dizem.
Olhei novamente para Luís Fernando.
Esperando…
Qualquer coisa.
Uma palavra.
Um “chega”.
Mas ele permaneceu em silêncio.
Henry:
Acho que foi naquele momento que percebi.
Às vezes…
O silêncio machuca mais do que um insulto.
Depois do almoço, voltamos para a mansão dos Monteiro.
Pensei que, ao menos ali…
Encontraria um pouco de paz.
Eu estava errado.
Minha mãe me esperava na sala.
Ela olhou para mim de cima a baixo.
Helena: — Está com uma aparência horrível.
Sorri sem graça.
Henry: — A gravidez tem me deixado cansado.
Ela cruzou os braços.
Helena: — Gravidez não é desculpa para abandonar a própria aparência.
Abaixei os olhos.
Meu pai entrou logo depois.
Eduardo: — Como foi o almoço?
Antes que eu respondesse, Helena falou.
Helena: — Como você acha?
Ela apontou para mim.
Helena: — Desde que engravidou, só nos causa problemas.
Meu peito apertou.
Henry: — Eu nunca quis decepcionar vocês…
Meu pai respondeu friamente.
Eduardo: — Querer não muda o que aconteceu.
Voltamos para casa no fim da tarde.
Assim que entrei, subi para o quarto.
Fechei a porta.
Sentei-me na cama.
As lágrimas finalmente vieram.
Coloquei as duas mãos sobre a barriga.
Henry: — Me desculpa…
Minha voz falhou.
Henry: — Eu queria que você chegasse a uma família feliz.
As lágrimas caíam sem parar.
Henry:
Naquele dia…
Fui humilhado pelas duas famílias.
E o que mais doeu…
Não foi ouvir que eu era um problema.
Foi perceber que o homem que eu mais amava estava ao meu lado…
E escolheu não dizer uma única palavra para me defender.
Capítulo 7 — Nunca é o suficiente
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Amar Sem Ser amado
No mundo omegaverso, onde o destino parece ser definido antes mesmo do nascimento, Henry, um ômega de apenas 18 anos, sempre acreditou que seu futuro estaria ao lado do homem que amava desde a...