A habilidade do herói salvador da beleza na zombaria
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As premonições humanas eram mistérios dentro de mistérios, difíceis de descrever até mesmo em palavras. Pouco antes, ele havia sentido um desconforto que percorria todo o corpo — e, como se sua intuição fosse confirmada, o perigo se aproximou de repente. Pelo aperto em seu pescoço, parecia que o outro estava prestes a transformá-lo naquele o lugar onde morreria!
Com os olhos arregalados, ele viu diante de si uma silhueta coberta de branco. Embora estivessem a poucos passos de distância, ele não conseguia distinguir o rosto da figura, pois esta usava uma máscara branca.
Junto à dor aguda que lhe atravessava o pescoço, uma voz lamuriosa e ressentida soava em seus ouvidos; entrecortada, como se alguém estivesse chamando por sua alma, mas indistinta. Apenas palavras como “espíritos injustiçados” e “raposa divina” podiam ser vagamente ouvidas.
Desde a infância, ele estudara os livros dos sábios e sempre mantivera respeito distante por qualquer coisa relacionada ao sobrenatural. Naquela situação, uma expressão surgiu em sua mente: “um fantasma vestido de deus!”
Independentemente de ser um espírito verdadeiro ou falso, o atacante havia vindo preparado — e era incrivelmente forte. Tang Fan, pego de surpresa com a emboscada repentina, logo se viu sem ar.
Em questão de poucos instantes, todo o seu esforço para se libertar foi inútil. Seus olhos começaram a revirar, e ele estava prestes a desmaiar.
Mas então, o som de uma espada sendo desembainhada cortou o ar vazio.
A pressão em seu pescoço diminuiu. Com uma mão apoiada na parede e a outra tocando o local ferido, ele começou a tossir violentamente.
A figura branca recuou, balançando, e começou a lutar corpo a corpo com uma figura vestida de preto.
Alguém agarrou o braço de Tang Fan e o puxou para cima.
— Você tem uma armadilha bem ágil, Senhor Tang, mas suas habilidades físicas são terríveis — disse a voz fria.
Tang Fan levantou o olhar e reconheceu o rosto — era alguém conhecido!
Nada menos que o Gonfalone do Escritório da Fortaleza do Norte, que ele havia conhecido dias atrás no Salão da Rejuvenescência: Sui Zhou.
O tom do homem era tão frio quanto sua expressão, sem emoção alguma, mas Tang Fan ainda conseguiu captar um leve toque de ironia em suas palavras gélidas. Ele apenas forçou um sorriso.
O motivo de Sui Zhou não querer cooperar com ele não era apenas por causa do caso da Mansão do Marquês.
Os Guardas de Brocado nunca haviam tido boa relação com o Departamento de Shuntian — e essa rixa remontava a velhos tempos.
Em resumo, era uma história longa demais para ser contada naquele momento. Tang Fan tossiu algumas vezes e, sem fôlego para discutir, perguntou com voz rouca:
— Quem é ele? Por que me atacou? E o que o trouxe aqui, Senhor Sui?
— Apenas um remanescente do caso da raposa demoníaca. Um grupo fingindo ser espíritos — respondeu Sui Zhou friamente.
Enquanto conversavam, o homem vestido de branco já havia sido capturado por um dos guardas subordinados de Sui Zhou. Sua máscara também fora retirada, revelando um rosto comum e desfigurado pelo cansaço.
À luz das lanternas, Tang Fan percebeu que havia uma flor de lótus pálida desenhada entre as sobrancelhas da máscara.
— A Sociedade do Lótus Branco? — exclamou ele, surpreso, juntando as peças ditas por Sui Zhou. — O caso da raposa demoníaca de dois anos atrás estava ligado a eles?
— Você já viu o emblema dessa sociedade antes? — perguntou Sui Zhou.
— Sim. Quando eu era jovem e fui estudar em Qinzhou, vi as autoridades prenderem um seguidor do Lótus Branco. O símbolo em seu corpo era exatamente o mesmo que o dessa máscara. Mas por que esse me atacaria?
Sui Zhou permaneceu em silêncio, mas o guarda ao lado, segurando a lanterna, respondeu:
— Desde aquele caso, os restos do feiticeiro Li Zilong têm aparecido por toda parte. Ultimamente, eles têm atacado estudiosos, tentando espalhar rumores de rebelião através de falsas profecias. No mês passado, um candidato aos exames imperiais foi atacado por eles após sair bêbado à noite. Talvez, por o senhor não estar usando seu manto oficial, eles o tenham confundido com outro estudioso. A partir de agora, seria melhor não sair tão tarde.
Tang Fan sorriu fracamente.
— Agradeço pelo aviso… cof, cof, cof!
Mesmo que o estrangulamento tivesse durado pouco, seu pescoço ardia de dor devido à força usada pelo agressor, tornando difícil falar.
Ao ver que ele estava bem, Sui Zhou deu ordens para que seus subordinados levassem o seguidor do Lótus Branco. Virou-se para sair.
Ignorando a dor na garganta, Tang Fan o chamou rapidamente:
— Espere, Gonfalone Sui!
Sui Zhou olhou para trás, impassível.
— O que mais há, Senhor Tang? Não deveria estar descansando?
— O caso de homicídio da Mansão do Marquês — uma colaboração entre nós seria benéfica para ambos! Pense bem, Gonfalone Sui!
O outro manteve-se frio.
— Onde está o benefício?
Tang Fan tossiu.
— Seu departamento tem o corpo de Zheng Cheng… e eu sei o que realmente havia nas pílulas que ele tomou antes de morrer!
Sui Zhou finalmente se virou completamente.
— Os compostos nas pílulas diferem da prescrição tradicional de “primavera rica em yang” — continuou Tang Fan, rouco. — Pedi a alguém habilidoso que reconstruísse a composição, e há algo muito errado com ela. Se quiser cooperar, eu lhe direi o que descobri.
Sui Zhou o observou por alguns segundos antes de dizer:
— Irei procurá-lo amanhã.
Tang Fan soltou um suspiro de alívio.
— Amanhã estou de folga. Pode ir até minha casa — a primeira do setor norte, Rua Dingfu, Travessa Liuye.
Sui Zhou assentiu levemente e saiu, dizendo o mínimo possível — ele realmente economizava palavras.
Enquanto via as silhuetas desaparecerem na escuridão, Tang Fan levou a mão ao pescoço e pensou, com um sorriso dolorido:
“Acho que amanhã não vou conseguir falar direito.”
De fato, ao acordar no dia seguinte, sua garganta doía ainda mais. No espelho de bronze, ele viu as marcas roxas dos dedos em seu pescoço — bastava tocá-las para doer.
Como tinha encontro marcado com Sui Zhou, não saiu para comprar pomada. Cozinhou um pouco de mingau de arroz e comeu com conservas de legumes enviadas por sua irmã — crocantes e saborosas.
Depois de se tornar oficial na capital, alugara aquele pequeno pátio na Rua Dingfu.
A casa pertencera à família Li, que tinha um eunuco entre seus ancestrais e possuía uma grande mansão na Travessa Liuye. Contudo, uma concubina havia se enforcado em um dos pátios. Considerando o lugar amaldiçoado, os Li ergueram um muro, separando a parte “infortunada” e alugando-a por preço baixo — foi assim que Tang Fan conseguiu o imóvel.
Apesar dos rumores de “casa mal-assombrada”, ele morava ali há dois anos e jamais presenciara nada estranho. Apenas a iluminação era fraca durante o dia, o que dava um ar sombrio ao local. O boato do “assassinato” acabou sendo vantajoso para ele.
A família Li ainda morava nas proximidades, e após dois anos de convivência, tinham boa relação.
Tang Fan estava no meio da refeição quando bateram à porta.
Imaginando ser Sui Zhou, foi abrir — mas encontrou uma jovem criada.
— Ah-Xia?
Ao falar, sua voz rouca e áspera assustou a moça. Quando ela notou as manchas escuras no pescoço dele, exclamou:
— Senhor Tang, o que aconteceu?! Não me diga que algo maligno aconteceu ontem à noite…?
Sua imaginação correu solta, pensando logo na “casa do assassinato”. Tang Fan balançou a cabeça e perguntou o motivo da visita.
Ah-Xia, ainda nervosa, ergueu o cesto que trazia.
— A Senhora mandou entregar algumas frutas. São do nosso pomar, recém-colhidas.
Tang Fan assentiu e sorriu, sussurrando com dificuldade:
— Agradeça à sua Senhora por mim…
Falar puxava os músculos da garganta, e ele franziu o cenho. A moça, que nutria certa afeição secreta por aquele vizinho elegante, ficou aflita.
— Se está difícil falar, por favor, descanse. Senhor Tang, se esta casa lhe traz desconforto, posso avisar minha Senhora. Assim o senhor rescinde o aluguel e se livra desse tormento… ou de acabar… assim…
Ela olhava com pena para as marcas no pescoço.
— Você se enganou — disse ele, sorrindo levemente. — Isso não tem nada a ver com a casa. Fui atacado por um assaltante ontem à noite…
Ah-Xia tapou a boca, chocada.
— Que tipo de assaltante ousaria levantar a mão contra um oficial do Império?!
Tang Fan balançou a cabeça, sem querer prolongar o assunto.
— Enfim, não comente sobre isso, para que sua Senhora não se preocupe à toa. Não é nada sério… cof, cof…
Vendo sua dificuldade em falar, Ah-Xia apenas perguntou se ele queria que o jantar fosse entregue mais tarde. Diante da recusa, ela se despediu.
Mas, ao virar-se, deu de cara com alguém atrás dela —
e quase gritou.
Aquele traje era inconfundível: um Guarda de Brocado.
Diante do olhar frio dele, Ah-Xia abaixou a cabeça e saiu rapidamente.
Tang Fan sorriu de leve, fazendo um gesto para que o visitante entrasse.
Sui Zhou atravessou o portão.
— Se tiver pistas concretas, Senhor Tang, diga-as diretamente. Se forem valiosas, poderemos discutir colaboração — disse ele, sentando-se no banco de pedra do pátio, sem rodeios.
Tang Fan levou o cesto de frutas para dentro e o colocou sobre a mesa. Eram peras amarelas brilhantes — se cozidas com açúcar, poderiam aliviar o calor e suavizar a garganta, perfeito para sua condição.
— Não sei o que os três do Salão da Rejuvenescência disseram após serem levados ao seu escritório — começou ele, falando pausadamente, a voz áspera.
— Após o interrogatório, constatou-se que não estavam envolvidos. Já foram liberados — respondeu Sui Zhou.
Tang Fan tirou um papel do peito do robe e o colocou sobre a mesa de pedra.
— Nos últimos dias, pesquisei textos antigos em busca da origem da “Primavera Rica em Yang” que Zheng Cheng tomou antes de morrer — e finalmente encontrei a fonte da prescrição.
Sui Zhou pegou o papel e viu duas linhas de ingredientes, com muitas repetições.
Sem entender, olhou para Tang Fan.
— A linha de cima é a fórmula original — explicou ele. — Igual à que o criado de Zheng Cheng descreveu. A de baixo é o resultado da análise que fiz das pílulas. Consegue perceber a diferença, Senhor Gonfalone?
Sui Zhou analisou com atenção e percebeu um ingrediente extra na segunda linha.
— Raiz de Bupleurum? (Raiz de Thorowax?) — disse ele.
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The Fourteenth Year of Chenghua
No décimo quarto ano de Chenghua, o harém imperial tinha uma Consorte Wan, assim como o Depósito Ocidental tinha um Eunuco Chefe chamado Wang Zhi. O Príncipe Herdeiro Zhu Youcheng tinha apenas...