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The Fourteenth Year of Chenghua

Um Medo Terrível

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🟡 Em breve

A Mansão do Marquês Wu’an estava tomada por uma névoa de luto nos últimos dias.

Zheng Cheng era o filho mais velho, nascido da esposa legítima. Embora sua reputação duvidosa tivesse chegado aos ouvidos da corte, o Império vinha adiando o reconhecimento oficial de seu título. Essa demora, no entanto, era uma tática comum: uma forma de manter os súditos sob controle. Mesmo que Zheng Cheng não recebesse o título de nobre, a incerteza fazia com que o Marquês Wu’an se mantivesse em constante cautela, temendo cometer o menor erro.

Essa postura não se aplicava apenas às famílias influentes dos oficiais meritórios — até mesmo os próprios descendentes da Casa Imperial Zhu sofriam com isso. Desde a fundação do império, o sobrenome Zhu havia se espalhado por todo o país, tornando o clã imperial inchado e inútil aos olhos do imperador e da corte. Para eles, eram apenas parasitas, desperdiçando recursos sem trazer benefícios. Ainda assim, as antigas regras da dinastia não podiam ser abolidas — e por isso, suportavam.

Mas para Zheng Ying, o Marquês Wu’an, nada disso importava. Por mais problemático que Zheng Cheng tivesse sido, ele ainda era seu primogênito. Nenhum pai poderia se manter sereno diante da morte do próprio filho. A marquesa, Lady Liu, chorara até desfalecer, tomada por uma dor profunda que a deixara acamada.

Quando Sui Zhou e Tang Fan chegaram à mansão, encontraram um ambiente tomado por tristeza. O corpo de Zheng Cheng ainda estava sob custódia no Escritório da Bastilha do Norte, mas a morte já se espalhara pela casa. Tecidos brancos pendiam de todas as partes — símbolo de luto —, e até os servos trajavam roupas fúnebres.

Ao vê-los, o semblante do Marquês Wu’an se fechou. A presença da Guarda Brocada não lhe era agradável, mas ele não podia se dar ao luxo de desrespeitá-los.
— O que traz vossas senhorias à minha humilde residência? — perguntou com frieza.

Sui Zhou foi direto:
— Viemos falar com a Srta. Hui, Marquês.

O homem se sobressaltou.
— Ela tem alguma relação com a morte de meu filho?

— Estamos apenas conduzindo a investigação — respondeu Sui Zhou, calmo. — Ainda é cedo para tirar conclusões.

Sem discutir, o Marquês ordenou que chamassem Miss Hui.

Tang Fan já havia visto as esposas e concubinas de Zheng Cheng na noite do assassinato, quando acompanhara Pan Bin à mansão.

A esposa legítima, Lady Sun, era uma mulher virtuosa, mas de aparência comum, e por isso nunca conquistara o afeto do marido. Quase nunca dividiam o mesmo quarto.
A concubina mais velha, Miss Wan, havia entrado na casa primeiro. Era honesta e simples, mas sua beleza desvanecera com o tempo, e Zheng Cheng há muito deixara de procurá-la.
A mais nova, Miss Yu, era deslumbrante — jovem, delicada e graciosa. Era a favorita recente de Zheng Cheng, mas mesmo assim, ele nunca se contentava apenas com as flores de casa.

Miss Hui, por sua vez, fora a preferida por um bom tempo. Zheng Cheng a cobria de joias e roupas finas, mas com a chegada de uma nova concubina, sua posição vacilara. Tang Fan recordou que, na noite da tragédia, ela fora quem mais chorara — tão desesperadamente que, agora ao lembrar, ele percebeu algo artificial naquele pranto.

Ela chegou rapidamente.

Diziam que a beleza de uma mulher em luto era ainda mais tocante — e de fato, Miss Hui estava deslumbrante em seu vestido branco. Mas nem Sui Zhou nem Tang Fan tinham tempo para apreciar tal visão.

Sui Zhou apenas mandou que Xue Ling exibisse um retrato.
— Reconhece este homem?

Ela olhou e assentiu.
— Sim. É meu primo.

— Onde ele está? — perguntou Xue Ling.

Miss Hui deixou escorrer uma lágrima.
— Três dias atrás, ele saiu de casa e… foi atropelado por uma carruagem. Morreu na hora. Já foi enterrado.

Xue Ling soltou uma risada seca.
— Que coincidência conveniente. Procuramos por ele, e justo agora ele morre?

— É a verdade, senhor — ela respondeu, aflita. — Meu primo era servo aqui na mansão. Não quis incomodar o Marquês, então apenas o mordomo sabe. Se não acredita em mim, pode chamá-lo!

— Não é necessário — retrucou Sui Zhou. — Por ora, quem queremos é você. Os donos das farmácias Três Eras e Benevolência já confirmaram: esse seu “primo” comprou grandes quantidades de thorowax para você, certo?

— Isso não faz sentido, senhor! Se ele comprou algum remédio, por que me contaria? E o que isso teria a ver comigo?

Tang Fan interveio:
— O “tônico yang” que Zheng Cheng tomava é uma receita antiga. Não é benéfico, mas tampouco mortal. Entretanto, você convenceu seu primo a acrescentar thorowax à fórmula — e foi isso que matou Zheng Cheng, disfarçando o envenenamento como uma doença de esgotamento de yang.

— Isso é calúnia! — gritou ela.

Mas antes que pudesse continuar, um estalo cortou o ar — Lady Liu, a marquesa, avançara furiosa e lhe dera um tapa violento.

— Ainda ousa negar, sua desgraçada?! — rugiu. — Seu primo nunca teve desavença com meu filho! Por que o mataria?! Se não foi você, quem mais seria?! Sempre vi seu comportamento suspeito! Jamais imaginei que teria coragem de matar meu Cheng’r!

A marquesa perdera toda a compostura. Quando Tang Fan a vira pela primeira vez, ela ainda tentava se manter digna apesar da dor. Agora, tomada pela fúria, atirava-se sobre Miss Hui com unhas e lágrimas.

— Marquês, ajude-me! — chorava Miss Hui, tentando se esquivar.
Lady Liu ficou ainda mais enfurecida e tentou atacá-la novamente, transformando o salão em um caos.

Sui Zhou falou com voz fria:
— Marquês, pretende que assistamos a este teatro de loucos?

Sabendo que seria indecoroso intervir fisicamente entre mulheres, o Marquês respirou fundo e gritou:
— Parem! Alguém segure a Madam e prendam Miss Hui!

As criadas correram para separá-las. Lady Liu, arfando, olhava para Miss Hui com ódio tão intenso que a concubina estremeceu e cessou o choro.

Sui Zhou manteve-se impassível.
— Vai confessar por vontade própria, ou prefere fazê-lo na Bastilha do Norte?

Antes que ela respondesse, Tang Fan falou:
— Você é uma mulher da casa, sem instrução nem conhecimento de medicina. Jamais teria coragem de agir sozinha. Alguém te instigou. Se confessar, pode escapar da pena de morte. Mas se proteger quem te usou, morrerá sozinha. E morrerá mal. — Ele fez uma pausa. — Na Bastilha, há açoites, fogo, lâminas, e torturas que te farão desejar a morte — sem poder tê-la.

A voz dele era serena, mas Miss Hui começou a tremer. Todos sabiam da reputação da Guarda Brocada.

Sui Zhou lançou-lhe um olhar, sem interromper.

Tang Fan então disse, num tom quase casual:
— Ouvi falar de uma punição chamada “Regando as Flores de Ameixeira”. Amarra-se o prisioneiro e cobre-se o rosto dele com folhas úmidas de papel, uma sobre a outra, até que ele não consiga mais respirar. É uma morte lenta e horrível… — Olhou para Sui Zhou. — Estou certo?

— Está — respondeu ele, impassível.

Xue Ling desviou o olhar, surpreso.
(Quando foi que nosso escritório inventou isso? Isso é coisa dos eunuco da Seção Leste!)

Miss Hui empalideceu. Só de imaginar, sentiu o ar sumir de seus pulmões.
— Eu confesso! — gritou. — Não fui eu quem o matei! Foi Zheng Zhi! Zheng Zhi mandou que eu fizesse isso!

— Cale-se! — berrou o Marquês. — Sabe o que está dizendo, sua louca?!

— Eu não fiz nada! — ela chorava. — Zheng Cheng foi morto por ele! Zheng Zhi me deu a receita e mandou meu primo comprar o thorowax! Depois o mandou matar o farmacêutico pra silenciá-lo! Eu não sei de nada!

Lady Liu gelou o marido com o olhar.
— Interessante. Por que tanto medo de deixá-la falar, Marquês? Está preocupado que ela diga algo… inconveniente?

Ele ficou vermelho.
— Está me acusando de quê? Você só quer espalhar mais confusão!

Sui Zhou ignorou o casal.
— Tragam o Segundo Jovem Mestre Zheng Zhi.

Zheng Zhi apareceu pouco depois, acompanhado de uma bela mulher de meia-idade — uma das concubinas do Marquês. Tinha feições delicadas, semelhantes às dela, e uma postura refinada, contrastando com a rudeza do irmão morto.

O Marquês anunciou, frio:
— Estes são o Senhor Tang, da Prefeitura de Shuntian, e o Senhor Sui, da Bastilha do Norte. Eles investigam a morte de seu irmão. Diga-me: tem algo a ver com isso?

Zheng Zhi empalideceu.
— Pai! Como pode pensar tamanha atrocidade? Eu jamais faria mal ao meu próprio irmão!

Mas Tang Fan notou o olhar fugaz que ele lançou a Miss Hui.

Sui Zhou então disse:
— A Srta. Hui afirma que você a instigou a envenenar Zheng Cheng, e mandou matar seu primo. É verdade?

— Mentira absurda! — retrucou Zheng Zhi, indignado.

— Mentira? — gritou Miss Hui. — Você me obrigou! Disse que, quando aquele demônio morresse, tudo ficaria bem pra nós dois!

— Mulher louca! Você era concubina do meu irmão! Como ousa insinuar que eu… — Antes que terminasse, a concubina que viera com ele avançou para esbofetear Miss Hui.

Mas Xue Ling se interpôs e a empurrou.
— A Guarda Brocada está presente! Como ousa tamanha insolência?!

A mulher caiu no chão, pálida, e agarrou-se ao Marquês, chorando:
— Marquês, faça justiça por nós!

Ele, confuso e envergonhado, tentou acalmá-la.
Lady Liu, porém, apenas observava em silêncio, o olhar frio.

Tang Fan então perguntou:
— Miss Hui, você o acusou. Tem provas?

Ela hesitou, trêmula. A outra mulher zombava dela, até que Miss Hui gritou:
— Tenho provas! Tenho sim!

— Fale — ordenou Sui Zhou.

Ela respirou fundo.
— Zheng Zhi tem uma marca de nascença vermelha… nas nádegas! Do tamanho de uma palma, em forma de flor de ameixeira!

O salão inteiro silenciou.

Como uma concubina poderia saber disso de seu cunhado, se não houvesse intimidade?

Sui Zhou olhou para Zheng Zhi, cujo rosto se deformou em pânico.
— É verdade?

Ele não respondeu.
Sui Zhou apenas fez um gesto.
— Levem-no à Bastilha.

Depois apontou para Miss Hui.
— Você também virá. Já que cooperou, poderá levar uma criada.

A concubina mais velha gritou, agarrando o filho, impedindo os guardas de se aproximarem, enquanto Lady Liu observava, impassível.

O Marquês interveio:
— Isto é minha casa! Como ousam levar meu filho?!
— Se ele for inocente, será libertado — respondeu Sui Zhou. — Caso contrário, a lei decidirá.

— Isso é abuso de autoridade! — rugiu o Marquês. — Irei denunciar vocês ao imperador!

— Faça o que achar melhor, — disse Sui Zhou, sereno. — Estou apenas cumprindo meu dever.

Lady Liu então se adiantou:
— Sir Sui, conduza a investigação como julgar necessário. Eu cuidarei do restante.

— Você… ousa?! — o Marquês gaguejou, furioso.

Ela o fitou com desprezo.
— Sou sua esposa legítima, reconhecida pela corte. Tenho tanto direito nesta casa quanto você. Se não é capaz de buscar justiça ao próprio filho, eu buscarei!

E dizendo isso, lançou-se sobre a concubina que implorava aos prantos, arranhando-lhe o rosto até sangrar.

— Aguentei você por tempo demais, desgraçada! Agora vai pagar com a vida do meu filho!

O salão virou um pandemônio.

Zheng Zhi berrava, tentando se soltar:
— Pai! Pai, me salve! Eu não quero ir!

Mas os guardas o arrastaram. Miss Hui foi levada também — com mais cuidado, mas ainda sob vigilância feroz.

Quando Tang Fan e Sui Zhou deixaram a mansão, o som de gritos e prantos ainda ecoava atrás deles.

Zheng Zhi tentou avançar sobre Miss Hui:
— Sua vadia! Queime no inferno!

Sui Zhou suspirou.
— Shaobing.
Xue Ling entendeu na hora — e empurrou um lenço dentro da boca do prisioneiro.
O silêncio voltou.

As confissões vieram rapidamente. Zheng Zhi admitiu tudo, sem precisar de tortura. Sua versão coincidia com a de Miss Hui: movido pela inveja, tramara contra o irmão, pretendendo apenas arruinar sua saúde e impedir que tivesse filhos, para herdar o título. Mas o veneno fora mais forte do que esperava — e a morte, inevitável.

Com provas e confissão, o veredito foi rápido. Zheng Zhi foi condenado à morte, mas o Marquês implorou clemência ao imperador. Por intervenção, a pena foi comutada para exílio perpétuo — banido da capital para sempre.

O caso estava encerrado.

Sui Zhou, em seu relatório, fez questão de mencionar a colaboração da Prefeitura de Shuntian, elogiando a conduta de Tang Fan. Essa simples menção valia ouro na corte — especialmente vinda de alguém com laços com a Imperatriz Viúva Zhou e uma linhagem militar poderosa. Graças a isso, a responsabilidade da Prefeitura foi minimizada.

Pan Bin, o prefeito, quase explodiu de alegria.
— Runqing, foi graças a você que escapamos da punição! — exclamou.

Tang Fan respondeu humildemente:
— Foi a benevolência de Sua Majestade e a lealdade do Senhor Sui. Eu só cumpri meu dever.

O prefeito sorriu, satisfeito.
— Modesto como sempre. Mas mérito é mérito! Quer uma recompensa? Diga o que deseja!

Wei Yu, o magistrado, brincou:
— Depois de tanto correr pra resolver o caso, ele merece algo!

Tang Fan riu.
— Não desejo nada, senhores. Fiz apenas o que devia.

Pan Bin bateu na perna.
— Pois bem! Da última vez, fizemos uma aposta, lembra? Eu te devo uma tigela de macarrão com carne de porco. Que tal agora?

Tang Fan conteve o riso.
Wei Yu fingiu tossir.
— E será que eu também tenho o privilégio de provar esse banquete?

Pan Bin olhou para ele.
— Xuanzhang, você ainda nem nos ofereceu o jantar de promoção! Não reclame!
Wei Yu suspirou, derrotado.
— Tudo bem, tudo bem! Hoje pago o jantar. Mas nada de noodles — vamos ao Hóspede Imortal!

Tang Fan gargalhou.
— Caso encerrado. Vamos comemorar.

Um Medo Terrível
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The Fourteenth Year of Chenghua

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No décimo quarto ano de Chenghua, o harém imperial tinha uma Consorte Wan, assim como o Depósito Ocidental tinha um Eunuco Chefe chamado Wang Zhi. O Príncipe Herdeiro Zhu Youcheng tinha apenas...

Chapters

  • Casar é Terrível
  • A Partir de Agora
  • Sem Vergonha
  • Encontrou-se com Duas Mães
  • Um Pouco Empolgado
  • Como um Porco
  • Incapaz de Deixar Ir
  • Você ainda é humano?!
  • Como Ele Elogiaria Alguém
  • Um Evento Chocante na Família Li
  • Que história interna!
  • Sorte Florescendo com as Flores de Pêssego
  • Considere as Ações, Não o Núcleo
  • O Culpado
  • Uma Noite Inteira
  • Feng
  • Você Está Interessada Nele?
  • O Último Pedaço de Bolo
  • Um Medo Terrível
  • Homem Respeitável
  • Pego em Flagrante
  • Um Amor por Ler Melodrama
  • Minando o Território de Pan Bin
  • A habilidade do herói salvador da beleza na zombaria
  • Disparidade no tratamento
  • Senhor Tang ficou chocado e sem palavras
  • Um oficial menor de sexta patente
  • Conhecido em Todo o Reino
  • Reviravoltas, Surpresas e uma Morte Estranha
  • Flutuando Como Uma Nuvem Errante

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