tumblr_310c10cae6143934fbc36616cd50ff33_6816ec5e_2048 (1)

The Fourteenth Year of Chenghua

O Último Pedaço de Bolo

  1. Home
  2. All Mangas
  3. The Fourteenth Year of Chenghua
  4. O Último Pedaço de Bolo
Anterior
🟡 Em breve

Os três trocaram suas roupas de trabalho no gabinete e, quando o expediente terminou, vestiram-se com trajes comuns e saíram juntos em direção ao Hóspede Imortal.

Pan Bin, Wei Yu e Tang Fan eram todos oficiais promovidos por meio dos exames imperiais. Pan Bin fora o veterano da academia onde Tang Fan estudara, enquanto Wei Yu era um graduado distinto do oitavo ano de Chenghua. Por isso, quando começaram a conversar mais a fundo, rapidamente encontraram muito em comum.
Apesar de Pan Bin gostar de bancar o importante — e ser um tanto mesquinho e implicante —, ele era não apenas o superior de Wei Yu e Tang Fan, mas também um funcionário mais velho e experiente. Tinha muitos conselhos a dar, o que fez da refeição um momento descontraído e animado, com todos se divertindo, tanto o anfitrião quanto os convidados.

Quando deixaram o Hóspede Imortal, ainda era cedo — por volta do meio do período do Galo (aproximadamente seis da tarde). O toque de recolher ainda não havia começado.

Pan Bin e Wei Yu tinham criados esperando do lado de fora, e estes os acompanharam de volta para casa. Tang Fan, por outro lado, vivia sozinho: não tinha guarda particular nem precisava de serviçal. Como ainda não estava tarde, decidiu caminhar sozinho de volta após se despedir dos colegas.

Os preços das casas na capital eram altíssimos — terreno ali valia ouro. Além disso, o imperador era notoriamente avarento: desde os tempos do Grande Ancestral, os salários anuais dos oficiais raramente eram pagos integralmente. Muitos que vinham de outras províncias para servir em Pequim não conseguiam comprar uma casa, e seus cargos nem sempre lhes garantiam residência oficial. Assim, a única saída era alugar um espaço, como fazia Tang Fan.
Havia casos ainda piores: alguns funcionários sem recursos precisavam morar temporariamente na casa de colegas — motivo de vergonha e lamento.

A casa alugada por Tang Fan tinha boa localização e ficava perto do gabinete. O motivo de o aluguel ser acessível era curioso: o pátio havia sido dividido pela família Li, seus proprietários, que temiam assombrações no local. Como o espaço era pequeno demais para uma família, acabou perfeito para um solteiro como ele.

O pôr do sol tingia o céu da capital com tons alaranjados. Pelas ruas, vendedores chamavam clientes para experimentar bolinhos e petiscos, pais chamavam as crianças para jantar, vizinhos conversavam animadamente. O ambiente era cheio de vida e sons familiares — típico de um bairro movimentado.

Quando entrou no Beco Liuye, Tang Fan avistou a criada Ah-Xia saindo da casa dos Li, prestes a bater à sua porta.

— Ah-Xia? — chamou ele.

Ela se virou, surpresa e contente.
— O senhor acabou de voltar, Mestre Tang?

Ele sorriu. — Sim. Aconteceu algo?

— Hoje é o festival do Grande Calor — explicou ela. — A Senhora mandou preparar alguns bolos e pediu que eu os trouxesse para o senhor.

— Não precisava de tanta formalidade. Eu acabei de jantar, pode levar de volta, senhorita Ah-Xia. Agradeça à sua patroa por mim.

A moça franziu o cenho, aflita. — Se eu voltar sem entregar, como vou explicar isso à Senhora? Se quiser recusar, o senhor mesmo deve lhe dizer!

Ela sempre usava esse truque — e Tang Fan nunca conseguia recusar. Mesmo que tivesse certa amizade com a família Li, não seria apropriado para um homem ir visitar a dona de casa na ausência do marido. No lar, além de um garoto de cerca de doze anos, só havia mulheres idosas ou servas, e qualquer mal-entendido seria motivo de comentários.
Ah-Xia, por ser criada, estava livre dessas convenções, então ele apenas abriu a porta e a convidou a entrar.

Ao notar a expressão abatida da moça, Tang Fan perguntou gentilmente:
— Aconteceu alguma coisa, senhorita Ah-Xia?

Ela suspirou, hesitante. Depois de algumas visitas, já tinham certa familiaridade, e talvez precisasse mesmo desabafar.
— Estes dias… a Senhora recebeu uma carta do Mestre, que está viajando a negócios. Descobriu que ele tomou uma concubina… e que a mulher já está grávida. Desde então, a Senhora anda muito triste. Nós, os criados, também ficamos apreensivos, e só esperamos que ela não adoeça de preocupação.

Tang Fan não se interessava muito por fofocas domésticas, mas respondeu com calma:
— O melhor que você pode fazer é tentar confortá-la. A vida continua, senhorita.

Ela assentiu, um pouco mais animada, e olhou para o cesto que carregava. As bochechas ficaram coradas.
— Está muito quente, e os bolos não duram muito. Peço que coma logo. Eu… já vou indo.

— Senhorita Ah-Xia! — chamou ele quando ela se virou.

— Sim, Mestre Tang?

— Essa cesta… foi sua Senhora quem mandou trazer, certo?

— Por que pergunta isso? Se ela não tivesse mandado, eu ousaria agir por conta própria?

Tang Fan sorriu levemente. — Agradeço o gesto, mas, por favor, leve o cesto de volta com você.

Ela ficou nervosa e quase chorou. — O senhor está enganado! Os bolos foram mesmo mandados pela Senhora! Eu só… coloquei uma coisinha a mais!

Tang Fan enfiou a mão no cesto e logo encontrou, sob os bolos, um saquinho cor-de-rosa bordado com peônias.
Ele não sabia se ria ou suspirava.

O significado era claro: quando uma moça oferecia um saquinho bordado a um homem, era um gesto de afeto.
E Ah-Xia, embora desajeitada, não percebia o quanto isso era comprometedor. Ele, juiz da Prefeitura de Shuntian, não deixaria de notar seu olhar nervoso e evasivo.

Com a cabeça baixa, ela murmurou:
— Eu coloquei sem permissão… Mas, se o senhor não se incomodar, eu gostaria de servir à sua casa — varrendo a neve e servindo-lhe chá, todos os dias.

Por fim, reunira coragem para confessar seus sentimentos. Estava vermelha até as orelhas, sem coragem de erguer os olhos.

Tang Fan ficou em silêncio por um momento antes de responder:
— Agradeço sua consideração, senhorita Ah-Xia. Aceitarei os bolos, mas peço que leve de volta o saquinho — e que não venha mais.

Ela ergueu o olhar, com os olhos marejados.
— O senhor me acha sem vergonha, por me oferecer? É isso? Não consegue olhar para mim?

Tang Fan balançou a cabeça. — Não é isso. Sou apenas um funcionário pobre, sem propriedades, com um salário que mal me sustenta. Não mereço tamanha sinceridade. Com sua beleza e gentileza, encontrará alguém melhor.

Ela sorriu tristemente. — Não precisa me consolar. Com a origem que tenho, nunca terei um bom destino. Mas, se o senhor me aceitasse, eu ficaria feliz em ser apenas uma criada que limpa e cozinha! Meu carinho por você é tão verdadeiro quanto o sol e a lua!

Ah-Xia era de fato uma moça bonita. Qualquer outro homem aceitaria de bom grado uma oferta dessas. Além disso, se ele falasse com a Senhora Li, provavelmente ela não se oporia — afinal, uma criada a menos em troca de estreitar laços com um jovem oficial promissor era um bom negócio.

Mas Tang Fan simplesmente não tinha interesse em mulheres dessa forma.
E, por isso, o melhor seria ser direto.

— Senhorita Ah-Xia — disse ele calmamente —, não direi a ninguém sobre o que aconteceu hoje. Mas peço que leve o saquinho de volta. Preciso descansar.

Ela entendeu que era inútil insistir. Limpou as lágrimas e fez uma reverência.
— Fui muito indelicada ao incomodá-lo. Peço perdão, senhor.

— Não se preocupe, não há o que perdoar.

Com o rosto queimando de vergonha, Ah-Xia apertou o saquinho nas mãos, fez uma última reverência e saiu rapidamente — humilhada e triste.

Desde os tempos de Yingzhong, a importância da Academia Imperial vinha diminuindo, mas ainda havia uma regra não escrita: “quem não é de Hanlin, não chega ao Gabinete”. Tang Fan, além de erudito de Hanlin, era jovem, elegante e promissor. Mesmo sendo um simples juiz na capital, seu futuro era brilhante — quem sabia até onde poderia subir?
Naturalmente, ele era um “bolo quente” disputado entre casamenteiras.

Ah-Xia também sabia disso. Com sua origem humilde, jamais seria esposa legítima, mas sonhava ao menos em ser uma criada de confiança, alguém que pudesse servi-lo de perto — bastava um pouco de carinho.
Ainda assim, nem isso ele lhe concedera.

Com o coração despedaçado, ela abriu a porta e saiu às pressas — e, de repente, quase colidiu com alguém.

Levantou os olhos assustada, e reconheceu o homem: era o Guarda Brocado que certa vez viera procurar por Tang Fan.

Ela congelou por um instante, em choque.
O homem, no entanto, nem lhe lançou um olhar. Apenas ergueu a mão e bateu à porta.

Ah-Xia sentiu o rosto arder de vergonha, temendo que ele tivesse ouvido tudo. Saiu depressa, quase fugindo de volta para a casa dos Li.

Tang Fan, já sozinho, olhou para o cesto sobre a mesa.
Enquanto Ah-Xia estivera ali, manteve-se contido, mas agora relaxou.

Já havia provado antes os quitutes feitos pelo cozinheiro dos Li. Vendo os bolinhos de fu-ling e os pedacinhos de inhame gelado com calda de ameixa, ele pegou um e colocou na boca.

O inhame fora cortado em tiras, gelado e coberto com suco de ameixa azedo e doce.
Crocante, refrescante e perfeito para a digestão.

Tang Fan comeu um pedaço, depois outro, satisfeito. Pegou o cesto para levá-lo ao quarto e continuar saboreando.

Mas, antes que pudesse sair, alguém bateu à porta.

Achando que Ah-Xia havia voltado, ele franziu o cenho.
Não queria dar esperanças à moça, então se levantou para trancar a porta antes que houvesse mal-entendido.

Entretanto, do lado de fora, quem esperava pareceu perder a paciência — e empurrou a porta, entrando direto.

Tang Fan ainda estava com um pedaço de inhame na boca.
— …

Era Sui Zhou.

Tang Fan soltou um suspiro de alívio. — Ah, é você, Gonfalão Sui! Entre, por favor!

Olhou por cima do ombro do visitante — ninguém o acompanhava.

— Já jantou? Quer comer um pouco? — ofereceu Tang Fan generosamente, com os quitutes que, na verdade, vinham da família Li.

A noite estava fresca, o aroma suave do inhame ainda pairava no ar. Sui Zhou pegou um pedaço e experimentou.
Assentiu. — Nada mal.

Tang Fan riu. — O cozinheiro dos Li faz sobremesas melhores que as do Hóspede Imortal. Sente-se, Gonfalão Sui — isso combina bem com chá!

Na última visita, Sui Zhou ficara apenas no pátio. Dessa vez, observou o ambiente e perguntou:
— Você mora sozinho, Mestre Tang?

Enquanto esquentava a água, Tang Fan respondeu com bom humor:
— Sim. Moro só. Quando cozinho, basta para um — bem econômico. Não tenho um jogo de chá refinado, mas o chá em si é bom. É colhido de árvores silvestres nas montanhas. Prove!

Sui Zhou tomou um gole e comentou:
— Amargo, mas não ácido. Um bom chá.

Tang Fan sorriu. — Graças ao seu memorial, o Gabinete aliviou a punição sobre a Prefeitura de Shuntian. Ainda não o agradeci devidamente. Um dia, permita-me retribuir com um jantar.

— Guangchuan — disse Sui Zhou de repente.

Tang Fan piscou. — Hm?

— É o meu nome de cortesia.

— Entendido — respondeu Tang Fan. — Nesse caso, também não precisa me chamar de “Mestre Tang”. Pode me chamar de Runqing.

Sui Zhou assentiu.

— Embora eu tenha meio posto acima de você agora — comentou Tang Fan —, com sua habilidade, é questão de tempo até subir rápido. A Prefeitura escapou de punição graças a você. O próprio Pan Bin pediu que eu lhe transmitisse agradecimentos.

— Sem você, Pan Bin seria apenas mais um oficial qualquer — respondeu Sui Zhou, impassível. — Já teria sido rebaixado e expulso da Corte.

Tang Fan riu. — Ele não é tão ruim assim, só está há muito tempo no serviço público e ficou mais cauteloso. Talvez eu acabe igual, daqui a uns anos.

Ele então mudou o assunto:
— Mas, voltando ao caso… tenho a impressão de que ainda não acabou.

— O ponto baihui — disse Sui Zhou.

Tang Fan assentiu. — Exato. Zheng Zhi e a senhorita Hui confessaram, mas ainda há uma dúvida: a marca no baihui de Zheng Cheng. Não há explicação lógica para aquilo.

— Interroguei a senhorita Hui. Ela não sabe de nada sobre o ferimento. Segundo ela, Zheng Cheng não entrava em seu quarto havia tempos — e outras pessoas confirmam isso.

— Já discutimos que é impossível alguém ser atingido num ponto vital sem perceber, estando consciente. Portanto, quem o atacou devia ter intimidade com ele — ou pelo menos ter dormido com ele. Nesse caso, nem Hui nem Zheng Zhi se encaixam.

— E tem algum suspeito em mente? — perguntou Sui Zhou.

— Alguns. A concubina do falecido, senhorita Yu, é uma. Além disso, Zheng Fu mencionou que ele tinha concubinas fora da mansão e frequentava bordéis. Todos possíveis suspeitos.

Sui Zhou franziu o cenho. — Nenhum deles parece ter motivo suficiente. A senhorita Yu é a mais suspeita, mas… a Guarda Brocada já retirou seus homens da mansão. Se quiser, posso mandar alguém segui-la.

Tang Fan sorriu. — Não precisa. A Prefeitura de Shuntian não tem tantos recursos quanto a sua Guarda, mas também tem seus meios. Já deixei pessoas de olho nisso desde que reabrimos a investigação. Em breve teremos notícias.

Vendo a confiança do outro, Sui Zhou nada disse, apenas continuou bebendo o chá e comendo os bolos.

Apesar de ser um homem reservado, Sui Zhou sabia conversar. Tinha mais tempo de serviço e experiência em investigações que Tang Fan, e este aproveitava para aprender com ele. Assim, a conversa fluiu, e o tempo passou sem que percebessem.

Quando deram por si, o prato de bolinhos de fu-ling e a tigela de inhame estavam praticamente vazios.

Ambos estenderam a mão ao mesmo tempo para pegar o último pedaço de bolo.

Como bom anfitrião, Tang Fan recuou, resignado, mas lançou um olhar quase melancólico para o docinho.

O brilho em seus olhos era o mesmo que Ah-Xia havia lhe dirigido minutos antes.

Sui Zhou: “…”

O Último Pedaço de Bolo
Fonts
Text size
AA
Background

The Fourteenth Year of Chenghua

87 Views 0 Subscribers

No décimo quarto ano de Chenghua, o harém imperial tinha uma Consorte Wan, assim como o Depósito Ocidental tinha um Eunuco Chefe chamado Wang Zhi. O Príncipe Herdeiro Zhu Youcheng tinha apenas...

Chapters

  • Casar é Terrível
  • A Partir de Agora
  • Sem Vergonha
  • Encontrou-se com Duas Mães
  • Um Pouco Empolgado
  • Como um Porco
  • Incapaz de Deixar Ir
  • Você ainda é humano?!
  • Como Ele Elogiaria Alguém
  • Um Evento Chocante na Família Li
  • Que história interna!
  • Sorte Florescendo com as Flores de Pêssego
  • Considere as Ações, Não o Núcleo
  • O Culpado
  • Uma Noite Inteira
  • Feng
  • Você Está Interessada Nele?
  • O Último Pedaço de Bolo
  • Um Medo Terrível
  • Homem Respeitável
  • Pego em Flagrante
  • Um Amor por Ler Melodrama
  • Minando o Território de Pan Bin
  • A habilidade do herói salvador da beleza na zombaria
  • Disparidade no tratamento
  • Senhor Tang ficou chocado e sem palavras
  • Um oficial menor de sexta patente
  • Conhecido em Todo o Reino
  • Reviravoltas, Surpresas e uma Morte Estranha
  • Flutuando Como Uma Nuvem Errante

Login

Perdeu sua senha?

← Voltar BL Novels

Assinar

Registre-Se Para Este Site.

Leave the field below empty!

De registo em | Perdeu sua senha?

← Voltar BL Novels

Perdeu sua senha?

Por favor, digite seu nome de usuário ou endereço de e-mail. Você receberá um link para criar uma nova senha via e-mail.

← VoltarBL Novels