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The Fourteenth Year of Chenghua

Homem Respeitável

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🟡 Em breve

Xue Ling resmungava por dentro. Quando saíra, Sui Zhou havia sido chamado para uma conversa com o Senhor Milarch, e, de forma displicente, mandara que ele fosse buscar Tang Fan.
Como já seguia o Gonfalão havia bastante tempo, Xue Ling sabia bem que esse tipo de ordem nunca era urgente.
Mas quem diria que o Chefe Sui estaria ali… sentado, esperando?

— Senhor, o Senhor Tang chegou — anunciou depressa. — Se não houver mais nada, eu já vou me retirando.

Sui Zhou apenas respondeu com um “mn”.
Xue Ling, como se tivesse recebido anistia, tratou de se esgueirar para fora o mais rápido possível — não sem antes lançar a Tang Fan um olhar claro como o dia: “Boa sorte.”

Tang Fan tossiu de leve.
— Ainda não lhe agradeci pela pomada que me deu, Gonfalão Sui. Apliquei três vezes, e as marcas sumiram completamente. Foi realmente eficaz.

O olhar de Sui Zhou passou pela região clara logo acima da gola do outro, onde antes havia hematomas.
— Venha comigo — disse apenas, levantando-se e saindo do salão.

Tang Fan o seguiu.
Atravessaram um pátio silencioso até chegarem a outro prédio. Depois de entrarem, desceram uma longa escada. Quanto mais avançavam, mais fria ficava a temperatura em comparação à superfície.

Aquele lugar não via a luz do sol o ano todo. O ambiente era sombrio, mas seco. As velas nas laterais tremeluziam, ameaçando se apagar a qualquer momento.

O silêncio era absoluto.
Não havia guardas. Cada passo ecoava nas escadas, reverberando nas paredes vazias — um som que deixava qualquer um tenso sem perceber.

Aquele espaço servia, em tempos passados, para guardar instrumentos de tortura e armas do Escritório. Agora, porém, havia algo a mais: um corpo.

Para conservá-lo, Sui Zhou mandara trazer grandes blocos de gelo, empilhados em volta do cadáver.

O gelo feito com salitre já era conhecido desde o fim da dinastia Tang, e na era Ming a técnica havia se aprimorado bastante. No verão, vendedores ambulantes já ofereciam bebidas e comidas frias nas ruas, enquanto as famílias ricas usavam cubos de gelo para se refrescar.
E quanto ao poderoso Escritório da Bastilha do Norte… bem, não havia necessidade de comentários.

— Zheng Cheng?! — Tang Fan não escondeu o espanto ao ver o corpo, nem o leve alívio que veio junto.

Não era que tivesse alguma fascinação mórbida pelo cadáver de um libertino, mas porque acreditara que o corpo havia sido totalmente queimado no incêndio do Depósito do Leste.
Não imaginava que Sui Zhou já tivesse tomado precauções, removendo o verdadeiro antes que fosse tarde demais.

— Este Tang realmente admira sua perspicácia, Gonfalão Sui.

Muitos poderiam ter pensado nessa manobra; poucos teriam coragem de executá-la.
Se o Depósito do Leste descobrisse que havia levado embora um “falso Zheng Cheng”, certamente viriam perturbar Sui Zhou — embora, com seu histórico, ele talvez não tivesse de se preocupar com isso.

Mesmo assim, o Gonfalão não demonstrou orgulho algum.
— Não encontramos nada no corpo — disse, frio.

Tang Fan pousou o olhar sobre o cadáver.
O libertino vaidoso e devasso de outrora agora jazia ali, mudo e imóvel.
Estava completamente despido, e, por causa do frio, sua pele adquirira um tom azulado, quase branco.
Apesar disso, estava bem conservado, sem sinais de decomposição.

Na noite em que o homem morrera, Tang Fan já havia feito um exame minucioso, e o legista dissera o mesmo: nada de anormal.
Sui Zhou e os demais não terem descoberto nada depois disso era natural.
Não fosse pelas muitas dúvidas, a causa oficial de morte — “esgotamento do yang por excesso de prazer” — teria sido plenamente aceita.

Tang Fan começou outro exame, ainda mais detalhado que o primeiro, revisando cada parte, sem nojo nem hesitação.

Vendo-o agir assim, Sui Zhou não pôde deixar de se surpreender.

Com a estabilização da dinastia Ming, os militares haviam perdido importância, e o país era governado por uma elite civil.
A maioria dos oficiais, como Tang Fan — formados pelos exames imperiais —, carregava um senso de superioridade inato.
Estudavam por décadas, e, ao assumirem cargos, consideravam-se bons oficiais se simplesmente não explorassem o povo.
Poucos realmente se dedicavam de corpo e alma ao trabalho.

Por isso, Sui Zhou já vira muitos como Tang Fan — estudiosos que jamais tocariam em um cadáver.
Apenas dariam ordens de longe, deixando tudo nas mãos dos subordinados.
Mas quando quem está no topo não entende o que vê, qualquer relatório vira verdade — e assim, a mentira se perpetua.

Tang Fan, por outro lado, era diferente.
Mesmo que não fosse um especialista, tinha o zelo e a coragem de fazer o trabalho com as próprias mãos.
E isso já o fazia ganhar outro tipo de respeito.

O juiz examinou novamente cada detalhe, nem mesmo as palmas e solas escaparam.
Seus olhos percorreram o corpo de Zheng Cheng cun a cun — do umbigo, subindo pelo peito, pescoço, queixo, nariz, testa — até parar no topo da cabeça.

Os cabelos de Zheng Cheng estavam presos num coque, como em vida.

Não havia ferimentos visíveis no rosto, e por isso a atenção até então se concentrava no pescoço e abaixo dele — nunca acima.

— Quem amarrou o cabelo dele? — perguntou Tang Fan.

— Já estava assim quando o trouxeram da mansão — respondeu Sui Zhou.

Tang Fan não disse nada. Aproximou-se, desfez o coque e passou os dedos pelos cabelos, apalpando o couro cabeludo.

De repente, parou — e sua expressão mudou.

Sui Zhou percebeu na hora.
— O que foi?

— Toque aqui. No topo da cabeça — o ponto baihui.

Sui Zhou obedeceu. Após alguns segundos tateando, franziu as sobrancelhas.
— Está levemente afundado.

Tang Fan murmurou, pensativo:
— Se bem me lembro, o ponto baihui… quando perfurado, tem efeito calmante e purificador da mente.

Sui Zhou assentiu.
— É o ponto onde se cruzam os meridianos extraordinários, os três grupos yang e os cem canais — por isso o nome baihui, “Cem Encontros”.
Um golpe forte ali pode causar coma, lesão grave… ou morte.

Tang Fan refletiu.
— Mas naquela noite, só a criada Ah-Lin estava presente. Ela é uma mulher frágil, e ele estava desperto.
Não teria como deixá-la atingi-lo assim. Além disso, ela tentou seduzi-lo — o que mostra que o contato foi consentido.
Não havia razão para resistência.

Sui Zhou respondeu:
— Há uma possibilidade. Se alguém conhece bem o ponto, pode golpeá-lo de forma sutil e repetida.
Não é preciso força extrema. Se o local for pressionado ou batido com regularidade, o fluxo dos canais se desorganiza — e, com o tempo, ocorre ruptura fatal.

Ou seja: o assassino mais provável era alguém que convivia intimamente com Zheng Cheng.

— Agora faz sentido por que ninguém percebeu — disse Tang Fan. — O cabelo cobria o local, e o modo da morte não levava a pensar nisso.

— Você já conheceu o harém dele, não? — perguntou Sui Zhou.

— Sim. E, a propósito, descobri algo a caminho daqui. — Tang Fan olhou-o com seriedade.

— …?

— Esbarrei no comprador do retrato, aquele que adquiriu o thorowax. E lembrei onde já o tinha visto.

O olhar de Sui Zhou se aguçou.
— Onde?

— Ele é da Mansão do Marquês Wu’an.

— Tem certeza?

— Absoluta. Da primeira vez, durante o tumulto na mansão, achei o rosto familiar, mas não consegui lembrar de onde.
Hoje, ao vê-lo de novo, reconheci: ele estava entre os criados do Marquês.

Essa era uma descoberta importante.

Deixaram o porão gelado, e Sui Zhou mandou que trouxessem Zheng Fu, o criado de Zheng Cheng.
Enquanto isso, Tang Fan lavava as mãos — esfregando-as tanto que parecia querer arrancar uma camada de pele.
Era um homem limpo demais para gostar de tocar cadáveres, mesmo por necessidade.

Logo trouxeram Zheng Fu.
O jovem, preso desde a morte do amo, parecia abatido.
Quando Tang Fan o vira pela primeira vez, tinha um ar vivo e esperto; agora, era uma sombra de si mesmo.

Ao mostrar-lhe o retrato, ele nada lembrou de imediato.
Mas quando Tang Fan mencionou que o homem era da Mansão do Marquês, ele exclamou:
— Ah! Agora me lembro! Sim, ele é de lá!

O rosto de Sui Zhou se fechou.
— E por que não disse isso antes?

Zheng Fu se prostrou.
— Senhor, há muita gente naquela mansão! Mesmo servindo o Jovem Mestre, eu não conheço todos.
Além disso, esse homem não é um criado oficial — é parente distante da Senhora Hui, por parte da mãe.
Veio pedir abrigo e ficou no pátio externo. Só o vi uma ou duas vezes…

— E há quanto tempo vive lá? — perguntou Sui Zhou.

— Uns seis meses. O Jovem Mestre disse que ele era realmente parente dela.
A Senhora Hui pediu que o aceitasse, pois era o único sobrevivente da família.
O Jovem Mestre concordou e o colocou nos estábulos.
Mas o Senhor raramente montava a cavalo, preferindo a liteira, então quase não o via.
Ouvi dizer que o homem era tranquilo e não causava problemas.
Se o senhor não tivesse mencionado, eu nem teria lembrado!

Sui Zhou fez sinal para que o retirassem e ordenou a Xue Ling que preparasse a partida para a Mansão do Marquês.

Tang Fan, que até então observava em silêncio, falou de repente:
— Espere!

Todos pararam. Até Sui Zhou virou o rosto.

— O senhor pensou nas consequências dessa visita, Gonfalão Sui?

Sui Zhou franziu o cenho.
— O que quer dizer?

— Segundo Zheng Fu, sabemos que o parente da Senhora Hui comprou o thorowax que matou Zheng Cheng.
Logo, ela está envolvida.
Mas é uma mulher casada, sem instrução, que vive reclusa.
Como poderia saber que misturar thorowax em uma infusão de energia yang seria letal?
Alguém a guiou — alguém com influência dentro da mansão.
E isso pode tocar em segredos da família.
O Marquês Zheng Ying não tem poder político, mas ainda é descendente de um herói militar.
Um escândalo assim não trará ganhos a ninguém.

O olhar de Sui Zhou gelou.
— Se o senhor tem medo, fique. Eu não o obrigo.

Xue Ling exclamou:
— Já chegamos tão longe e vamos desistir agora, quando o assassino está ao alcance?
Francamente, Senhor Tang! Se for tão covarde assim, vai acabar vivendo como aquele covarde do Senhor Pan!

Tang Fan balançou a cabeça.
— Não é medo. Só quero que pensem com clareza antes de agir.
O erro inicial foi da Prefeitura de Shuntian, que não investigou como devia.
Se houver mérito no fim, não reivindicarei crédito algum — deixarei para a Guarda.
Mas se houver culpa… considerem-me igualmente responsável.

Xue Ling, que a princípio ficou boquiaberto, logo riu e levantou o polegar.
— Agora sim! O senhor é um homem de respeito, Senhor Tang. Gosto de você!

Aquela tigela de wontons havia sido o começo de uma camaradagem, mas frágil.
Depois dessas palavras, porém, Xue Ling passou a realmente respeitá-lo.

Hoje em dia, muitos disputavam méritos; poucos aceitavam culpas.

Sui Zhou também relaxou o semblante.
— Tenho um plano. Não se preocupe.

Sabendo da influência do Gonfalão, Tang Fan sabia que podia confiar.
A Guarda Brocada tinha poder absoluto — não precisava temer nobres sem autoridade.

Pensando nisso, Tang Fan apenas assentiu.
Dissera o que precisava dizer; se os outros não valorizassem, paciência.

Mas, na verdade, seu senso de responsabilidade apenas aumentara o respeito que Sui Zhou e Xue Ling tinham por ele.

Sui Zhou se levantou.
— Vamos. À Mansão do Marquês.

Homem Respeitável
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The Fourteenth Year of Chenghua

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No décimo quarto ano de Chenghua, o harém imperial tinha uma Consorte Wan, assim como o Depósito Ocidental tinha um Eunuco Chefe chamado Wang Zhi. O Príncipe Herdeiro Zhu Youcheng tinha apenas...

Chapters

  • Casar é Terrível
  • A Partir de Agora
  • Sem Vergonha
  • Encontrou-se com Duas Mães
  • Um Pouco Empolgado
  • Como um Porco
  • Incapaz de Deixar Ir
  • Você ainda é humano?!
  • Como Ele Elogiaria Alguém
  • Um Evento Chocante na Família Li
  • Que história interna!
  • Sorte Florescendo com as Flores de Pêssego
  • Considere as Ações, Não o Núcleo
  • O Culpado
  • Uma Noite Inteira
  • Feng
  • Você Está Interessada Nele?
  • O Último Pedaço de Bolo
  • Um Medo Terrível
  • Homem Respeitável
  • Pego em Flagrante
  • Um Amor por Ler Melodrama
  • Minando o Território de Pan Bin
  • A habilidade do herói salvador da beleza na zombaria
  • Disparidade no tratamento
  • Senhor Tang ficou chocado e sem palavras
  • Um oficial menor de sexta patente
  • Conhecido em Todo o Reino
  • Reviravoltas, Surpresas e uma Morte Estranha
  • Flutuando Como Uma Nuvem Errante

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