Capítulo 72 — Feridas que nunca cicatrizaram
A tristeza de Henry continuava a mesma.
Sete anos haviam passado.
Mas a dor nunca diminuiu.
Luís Fernando observava aquilo todos os dias.
Henry já sorria para Clara.
Conversava mais.
Já não tinha as crises intensas de antes.
Mas seus olhos…
Continuavam vazios.
Sempre que via uma criança da idade de Fernando…
Seu olhar mudava.
Seu coração parecia parar por alguns segundos.
Naquela manhã…
Luís Fernando tomou uma decisão.
Queria fazer Henry esquecer um pouco a tristeza.
Mesmo que fosse apenas por algumas horas.
Depois do café…
Luís Fernando entrou no quarto.
Henry estava sentado perto da janela.
Olhando a chuva cair.
Sem dizer uma palavra.
Luís Fernando aproximou-se.
Sentou ao lado dele.
Luís Fernando: — Vamos sair hoje.
Henry continuou olhando pela janela.
Henry: — Para onde?
Luís Fernando: — É surpresa.
Faz muito tempo que não fazemos nada juntos.
Henry olhou para ele.
Sorriu bem de leve.
Um sorriso cansado.
Henry: — Tudo bem…
Se isso vai deixar você feliz.
Luís Fernando segurou sua mão.
Luís Fernando: — Eu só quero ver você sorrindo outra vez.
Henry abaixou a cabeça.
Henry: — Eu também queria…
Mas eu não consigo.
No começo da noite…
Os dois chegaram ao teatro.
O prédio era bonito.
Cheio de luzes.
Casais entravam sorrindo.
Famílias tiravam fotografias.
Henry observava tudo em silêncio.
Luís Fernando segurou sua mão.
Luís Fernando: — Vamos?
Henry apenas assentiu.
As luzes se apagaram.
A cortina se abriu.
A peça começou.
No início…
Era uma história comum.
Uma família.
Uma mãe.
Um pai.
Um menino pequeno.
Henry até conseguiu sorrir em alguns momentos.
Pensou que finalmente conseguiria distrair a mente.
Mas…
Tudo mudou.
No palco…
O pai da história morreu em um acidente.
A mãe ficou completamente sozinha.
Sem dinheiro.
Sem ninguém para ajudá-la.
Até que apareceu uma cena.
A mulher segurava seu bebê nos braços.
Chorava desesperadamente.
Falava olhando para o filho.
Atriz: — Meu amor…
Mamãe não consegue cuidar de você…
Mas eu prometo…
Que um dia vou voltar.
Vou encontrar você.
Henry congelou.
Seu coração disparou.
Sua respiração começou a falhar.
As palavras da atriz pareciam sair da sua própria boca.
As lembranças começaram a voltar.
A maternidade.
O corredor.
A praça.
A mulher desconhecida.
Fernando nos braços dela.
Henry levou lentamente a mão ao peito.
Começou a tremer.
No palco…
A atriz entregou o bebê para outra mulher.
Depois caiu de joelhos.
Gritando.
Atriz: — Me perdoa!
Me perdoa, meu filho!
Henry não conseguiu mais suportar.
Uma lágrima caiu.
Depois outra.
E outra.
Sua respiração ficou completamente descontrolada.
Henry: — Não…
Não…
Meu filho…
Luís Fernando virou rapidamente para ele.
Assustou-se.
Henry estava chorando como nunca.
Seu corpo inteiro tremia.
Luís Fernando: — Henry…
Vamos sair daqui.
Henry nem respondeu.
Continuava olhando para o palco.
Como se estivesse vendo a própria vida.
De repente…
Levantou-se.
Saiu quase correndo do teatro.
Assim que chegou do lado de fora…
Parou na calçada.
Levou as duas mãos à cabeça.
Começou a chorar desesperadamente.
Seu corpo inteiro tremia.
As pessoas que passavam olhavam assustadas.
Mas Henry não percebia ninguém.
Só conseguia ouvir, dentro da própria mente…
O choro de um bebê.
Henry: — Filho…
Meu filho…
Me perdoa…
Me perdoa…
Caindo de joelhos na calçada, Henry apertou a própria camisa sobre o peito.
Henry: — Eu prometi que voltava…
Eu prometi…
Mas eu nunca consegui encontrar você…
Meu Deus…
Onde ele está?
Será que ele pensa que eu abandonei ele?
Será que ele acha que eu nunca amei ele?
Não…
Não…
Eu amo meu filho…
Eu sempre amei…
Eu daria minha vida por ele…
Luís Fernando ajoelhou-se ao seu lado.
Abraçou Henry com toda a força.
Também chorava.
Luís Fernando: — Henry…
Olha para mim.
Você não abandonou nosso filho porque quis.
Você estava doente.
Você precisava de ajuda.
Henry balançava a cabeça sem parar.
Henry: — Mas ele não sabe disso…
Ele deve me odiar…
Deve achar que eu joguei ele fora…
Meu Deus…
Como eu vou explicar isso para ele se um dia eu encontrar meu filho?
Como?
Luís Fernando sentiu o coração se partir.
Nunca tinha visto Henry sofrer daquela maneira.
Segurou seu rosto com delicadeza.
Luís Fernando: — Escuta o que eu vou dizer.
Se nós encontrarmos o Fernando…
E nós vamos encontrar…
Eu mesmo vou contar toda a verdade para ele.
Ele vai saber o quanto você sofreu.
O quanto você chorou.
O quanto procurou por ele durante todos esses anos.
Henry fechou os olhos.
As lágrimas continuavam caindo sem parar.
Sua voz saiu quase sem forças.
Henry: — Eu só queria abraçar ele uma vez…
Só uma vez…
Dizer que o papai nunca deixou de amar ele…
Nunca…
Luís Fernando abraçou Henry novamente.
Os dois permaneceram ali…
No meio da calçada.
Chorando juntos.
Enquanto as luzes do teatro continuavam acesas…
A maior tragédia daquela noite não estava sendo encenada no palco.
Estava acontecendo na vida de um pai que, mesmo depois de sete anos, ainda carregava a mesma dor do dia em que perdeu o próprio filho.
Capítulo 72 — Feridas que nunca cicatrizaram
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Amar Sem Ser amado
No mundo omegaverso, onde o destino parece ser definido antes mesmo do nascimento, Henry, um ômega de apenas 18 anos, sempre acreditou que seu futuro estaria ao lado do homem que amava...