004.
Notes:
Pai = Ashley Miller
Papai = Connor Niles (Koi)
“Entendi. Vá para o carro primeiro. Seu papai e eu vamos buscar o Bliss e logo iremos.”
“Sim.”
Grayson respondeu quase como se estivesse cantarolando e se afastou com passos leves. Ashley, observando as costas do filho enquanto ele partia, murmurou.
“Ele não deve ter dito nada de estranho para o Bliss, certo?”
“Não veja o Grayson apenas pelo lado ruim, Ash.”
Koi não deixou de notar o murmúrio de tom grave, logo o repreendendo gentilmente.
“Aquela criança apenas tem um pouco de dificuldade com empatia e é alguém muito curioso. Além disso, ele não causou nenhum grande incidente desde aquela época.”
Mesmo com a observação de Koi, Ashley continuou olhando na direção em que o filho desapareceu, com o rosto inexpressivo, ele continuou:
“É verdade. Mas foi porque eu o controlei rigidamente.”
Koi não conseguiu rebater e simplesmente ficou quieto. A característica mais marcante que diferencia os Alfas Dominantes dos outros gêneros são os feromônios. Os feromônios dos Dominantes lhes conferem uma imunidade e capacidade de regeneração extraordinárias, tornando-os resistentes a doenças comuns e impedindo que se viciem em álcool ou drogas. Além disso, eles envelhecem devagar e possuem uma vida mais longa do que as demais pessoas, o que os torna objeto de inveja e, ao mesmo tempo, de temor para a maioria das outras pessoas.
No entanto, esses mesmos feromônios que os tornam “especiais” também podem se tornar um veneno. Se os feromônios acumulados no corpo não forem liberados regularmente, eles podem atacar o cérebro e causar deficiências. Se isso persistir por muito tempo, os feromônios tornam-se tóxicos, levando-os à loucura ou à morte.
Para evitar esse pior cenário, os Dominantes precisam liberar seus feromônios periodicamente, e o método mais fácil e eficaz é o ato sexual. Portanto, o fato de que “precisavam liberar feromônios para não enlouquecerem e morrerem” era justificativa suficiente para a vida devassa que muitos Alfas Dominantes levavam.
E isso não era diferente para os filhos de Ashley. Infelizmente, com exceção de Bliss, todos os filhos eram Alfas Dominantes; Grayson, Stacy e Larien já haviam nascido com olhos roxos. Por isso, Ashley precisava ser ainda mais rigoroso no controle dos feromônios deles, esforçando-se constantemente para garantir que aquelas crianças, que não sentiam emoções devido à influência dos feromônios, não acabassem ferindo os outros.
Apesar disso, parece que existem coisas que não podem ser resolvidas apenas pela vontade humana. Ashley soltou um suspiro profundo ao lembrar-se de um incidente de muito tempo atrás, quando os filhos eram pequenos e quase mataram Koi. Fechando os olhos e levando a mão à testa, ele murmurou para Connor, que o observava com preocupação.
“Vou buscar o Bliss, espere aqui.”
“Hum.”
Deixando Koi para trás, que apenas assentiu com a cabeça, ele começou a caminhar rapidamente. Conforme a meia-noite se aproximava, o salão onde a festa acontecia ainda estava barulhento, com o som da música e das vozes altas misturando-se de forma caótica. Logo, Ashley, que havia ido buscar por Bliss, entrou no carro com o restante da família e seguiu para casa.
Bliss, que havia tomado todo o sorvete que queria, caiu em um sono profundo rapidamente, mas na manhã seguinte acordou explodindo em prantos.
“Buááá! Eu não consigo abrir meu olho!”
Diante da imagem de Bliss gritando e chorando compulsivamente de soluçar, Koi ficou desnorteado, sem saber o que fazer, enquanto os outros irmãos observavam o rosto dele com curiosidade. Um dos olhos de Bliss, que ele mesmo havia batido com força no dia anterior, estava com um enorme hematoma arroxeado.
“Oh, não, não… não chore.”
“Não chore, Bee. Se chorar, o olho vai inchar ainda mais.”
“Buáááááá!”
Koi tentou acalmá-lo de todas as formas, mas Bliss apenas chorava ainda mais alto. Explicando a situação para Ashley, o Alfa tentou consolar Bliss, trocou sua roupa e até tomaram café da manhã juntos, mas, até aquele momento, a criança não parava de chorar.
“Ugh, hic, hic…”
Finalmente, de volta ao quarto, Koi soltou um suspiro de frustração ao ver o filho caçula ainda fungando e esfregando a pálpebra machucada com o punho.
“Está tudo bem, Bliss. Eu já disse que vai melhorar se você parar de chorar.”
“Hic, hic, hic.”
Com as palavras de Koi, a criança prendeu a respiração como se tentasse conter o soluço, mas nada mudou de fato. Koi, sabendo muito bem que Bliss estava realmente se esforçando para parar de chorar já faz um tempo, apenas o observava com o coração apertado de pena.
“Olha, Bee. É um caramelo.”
Ao oferecer o doce que trouxe propositalmente para atrair a atenção da criança, Bliss deu uma olhada rápida, mas logo desviou o rosto novamente.
“Bee, não seja assim, coma um pouquinho. Tá bom?”
Bliss não se mexeu com a voz que o tentava persuadir gentilmente, mas Koi sentiu algo. Ao contrário do rosto que permanecia virado obstinadamente, os olhos da criança rolaram sorrateiramente para o lado.
Koi mal conseguiu conter o riso e, em vez disso, perguntou novamente de forma carinhosa, tentando o tranquilizar ainda mais.
“É o caramelo doce que você tanto gosta, não quer comer um pouquinho?”
Bliss engoliu em seco. A dor, o medo e a tristeza desapareceram num instante, e sua mente foi preenchida apenas pelo caramelo. Bliss rolou os olhos de mansinho e deu mais uma espiada no doce. Quando Koi abriu a embalagem e estendeu a mão com o caramelo na palma, ele ficou em silêncio por um momento, como se estivesse imerso em seus próprios pensamentos.
Claro, a hesitação do menino durou pouquíssimo tempo. Bliss estendeu a mão devagar e seu corpo naturalmente se virou para o lado de Koi. Um pouco de saliva escapou de sua boca, que se abriu naturalmente. Bliss limpou o canto com baba rapidamente com o braço, pegou o caramelo que estava na palma da mão de Koi e o colocou rapidamente na boca.
“Tá uma delícia!”
Assim que o sabor doce se espalhou por sua boca, o humor de Bliss melhorou instantaneamente. Ao ver a criança feliz, ele pressionou as mãos nas próprias bochechas, Koi também se sentiu aliviado e acabou não conseguindo conter um sorriso.
“Fez bem em comer, não é?”
À pergunta de Koi, Bliss assentiu com um “uhum” e o pequeno logo se pronunciou de novo.
“Papai, posso comer mais um?”
Olhando para aqueles olhos cheios de expectativa, Koi sorriu.
“Não, não pode.”
Bliss imediatamente baixou a cabeça com o rosto decepcionado. “Como eu esperava, não pode”, pensou ele.
Como Koi costumava se preocupar com os dentes dele, ele raramente dava doces para as crianças, então o caramelo de hoje era um caso especial. Como Bliss já tinha tomado muito sorvete em uma situação parecida no dia anterior, as chances de não ganhar nenhum mimo hoje eram bem altas. Embora seu olho estivesse parecendo o de um sapo, Bliss pensou que não era como se não tivesse tido nenhum lucro e saboreou o caramelo aos poucos, tentando fazê-lo durar.
“Ah…” Ele achou que estava comendo bem devagar, mas o caramelo derreteu e sumiu da boca num piscar de olhos. Rapidamente, Bliss murchou os ombros novamente. “Minha vida é tão deprimente.”
“O quê?”
Koi, confuso, estava prestes a dizer algo quando, de repente, ouviu-se uma batida na porta. Ao olhar para trás, a porta abriu-se e Ashley apareceu.
“O tempo acabou, Koi.”
“Ah, sim.”
Koi levantou-se desajeitadamente da cadeira. Havia apenas uma razão para Ashley estar ali agora, quando já deveria ter ido trabalhar: a chegada de um visitante estava prevista. Pensando que precisava trocar de roupa e preparar-se rapidamente, Koi mudou de assunto inevitavelmente.
“Bee, hoje virá um convidado importante a casa. Consegue ficar quietinho no teu quarto?”
“Um convidado?”
Perante a pergunta estranha de Bliss, Koi assentiu com a cabeça.
“Como o Bee não está se sentindo bem hoje, vamos deixar que você descanse no quarto. Se precisares de alguma coisa, avisa a April e…”
Depois de acrescentar mais algumas recomendações, ele acariciou o cabelo da criança e saiu do quarto.
“Ufa.”
Assim que Koi fechou a porta atrás de si, ele soltou um suspiro inconsciente, uma pergunta veio imediatamente em sua direção.
“Então? Como está o Bliss?”
“Ah, sim. Ele se acalmou um pouco. Acho que vai ficar tudo bem.” Em seguida, ele franziu a testa e continuou: “O Bliss disse que a vida dele é muito deprimente.”
“O quê?” Ao ouvir as palavras inesperadas, Ashley também franziu o cenho e perguntou.
“Eu também não entendi. Onde será que ele tem aprendido a dizer uma coisa dessas?”
Ashley pareceu pensar por um momento enquanto Koi negava inconscientemente com a cabeça enquanto suspirava de cansaço, mas logo mudou de assunto.
“Vamos primeiro, estamos atrasados.”
“Ah, sim.”
Koi segurou a mão estendida por Ashley e quase correu para acompanhar o seu passo.
“O convidado que vem hoje, é muito importante, não é?”
Ashley respondeu de forma simples: “Sim, sem dúvida.”
“Entendo”, pensou Koi, assentindo enquanto recordava a informação que Ashley lhe dera no dia anterior.
Disseram-lhe que os visitantes de hoje seriam três nobres vindos da Inglaterra: o atual casal de Duques e o filho mais velho, que herdaria a família. Como isso era tudo o que Ashley lhe tinha contado, ele estava consideravelmente nervoso.
004.
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Deflower Me If You Can
Bliss, como de costume, assistia a um drama de vingança clichê preso no tédio do cotidiano, quando ao entrar casualmente em um canal de notícias, no instante em...