009.
“Este é o nosso caçula, Bliss. Bee, cumprimente-os.”
Mesmo após os ‘primeiros socorros’, Bliss, com o rosto ainda apresentando vestígios escuros de chocolate aqui e ali, fez uma saudação vigorosa.
“Olá. Eu sou Bliss Miller.”
“Oh, mas que gracinha!” A reação da Duquesa foi imediata. Ela abriu um largo sorriso e olhou atentamente para o rosto da criança. “Olá, eu sou Elizabeth Strickland. Prazer em conhecê-lo.”
Em seguida, ela observou o olho ainda inchado de Bliss e perguntou com um tom preocupado: “Seu olho está bem? O hematoma está feio, deve ter doído muito.”
Diante das palavras gentis, Bliss estufou o peito com orgulho e respondeu: “Está tudo bem, afinal, eu sou um homem grande!”
A Duquesa piscou, surpresa, mas logo assentiu com um sorriso.
“Que admirável. Então, é claro que algo assim não é nada. Já que você é um homem grande.”
O Duque e Ashley também riram alto com o comentário. Naquele ambiente familiar e harmonioso, Koi tinha pensamentos completamente diferentes: ele planejava dar uma bela bronca em Bliss assim que os convidados fossem embora.
Ashley, é claro, pensava o mesmo.
Sem ter a menor ideia do que eles estavam tramando, Bliss olhava radiante para Cassian, que retribuiu o sorriso sem pensar muito, e claro, sem sequer imaginar o destino que o aguardava.
“Com licença, Duquesa.”
Bliss abriu a boca com a voz cheia de animação. Mantendo o olhar fixo em Cassian, ele soltou uma declaração bombástica: “Posso brincar mais um pouco com o Cassian? Eu queria ir nos brinquedos com ele!”
Com as palavras repentinas da criança, os olhos de todos se arregalaram. O mais surpreso e confuso de todos era, naturalmente, o próprio Cassian.
O que esse amendoinzinho está dizendo?
“Brincar com o Cassian? O que você quer dizer com isso?”
Diante da situação absurda e inesperada que deixou Cassian sem fala, o Duque perguntou. Bliss olhou para o Duque e respondeu com toda a naturalidade do mundo.
“É que eu e o Cassian ficamos amigos. Por isso, quero ir nos meus brinquedos favoritos com ele. Tudo bem?”
“Ha…”
Um suspiro de descrença escapou da boca de Cassian. O que é isso, afinal? Só então ele entendeu por que Bliss o seguiu com tanto afinco até ali. Em suma, ele veio pedir permissão aos pais para brincar com o novo amigo.
Como se o fato de Cassian estar prestes a se tornar um adulto não importasse nem um pouco.
Apesar de ter percebido as artimanhas do garotinho audacioso, já era tarde demais. Ao ver o casal de Duques rindo abertamente, completamente encantados pelo rosto adorável da criança, Cassian teve certeza de que seu futuro seria desastroso.
“Sério? Fico feliz que tenha se tornado amigo do meu filho. Você tem brinquedos?”
“Sim, lá no jardim. São todos meus.”
Diante da pergunta gentil do Duque, Bliss assentiu e acrescentou com orgulho: “Como o Cassian é meu amigo, vou abrir uma exceção e deixar ele brincar em todos. Por favor, deixe-nos brincar juntos.”
Isso era um problema. Diante do pedido reiterado, Cassian interveio apressadamente, embora tarde demais.
“Esperem um pouco. Não disseram que estavam me procurando? Não tinham algum assunto comigo?”
Mantendo o tom educado e um sorriso no rosto, ele fingia que nada estava errado, mas internamente gritava para o Duque:
Diga que temos um assunto pendente, agora mesmo!
Ter brincado com a criança foi apenas um capricho momentâneo. Se ele soubesse que seria escalado como babá, teria ignorado o pote de vidro caindo na cabeça da criança ou qualquer outra coisa.
Bem, na verdade isso era impossível… eu teria impedido o acidente de qualquer maneira.
Cassian corrigiu seu pensamento, mas a conclusão não mudou: ele definitivamente não queria estar naquela situação.
No entanto, sem notar o desespero no coração do filho, desta vez foi a Duquesa quem tomou a palavra: “Não, eu só chamei porque estava preocupada que você pudesse estar perdido pela casa. Vá brincar à vontade.”
Cassian ia recusar educadamente, dizendo que já não era mais criança, mas antes que pudesse falar, o Duque soltou uma gargalhada e assentiu.
“Sim, faça isso. Ouviu, Cassian? Pode ir.”
“Eu só queria descansar aqui…” Cassian tentou resistir com um sorriso forçado. Ele expressou sua recusa educadamente, mas o Duque não cedeu.
“Você não está entediado de qualquer forma? Já que não tem nada para fazer e está entediado, vá brincar com seu novo amigo.”
Eu não estou nada bem com isso, pensou Cassian consigo mesmo enquanto recusava novamente.
“É que eu não gosto muito de brinquedos que…”
“Está tudo bem, Cassian. Você vai passar a gostar quando andar neles!”
O “tampinha” que mais se parecia com um amendoim ao lado dele, sem entender nada do clima, intrometeu-se. Quando Cassian sentiu um impulso de simplesmente lhe dar um cascudo, a Duquesa falou: “Sim, Cassian. Vá. Nós podemos esperar tranquilamente, então não se preocupe.”
“Eu…”
Ele quis dizer “não”, mas não havia clima para isso. Ao ver quatro pares de olhos fixos nele, Cassian apenas forçou um sorriso e acabou respondendo: “Sim”. No fim, ele teve que sair para o corredor quase sendo expulso, acompanhado pelo garotinho que saltitava de alegria.
“Certo, vamos lá, Cassian!”
Bliss falou esticando o braço com entusiasmo. Por mais que ele esticasse o braço, não fazia diferença, já que a mão de Cassian estava muito acima. Mesmo assim, ao ver a criança se esforçando para tentar segurar sua mão enquanto saltitava, Cassian sentiu uma explosão de irritação.
“Quantos anos você tem?”
Bliss respondeu com a maior naturalidade do mundo à pergunta feita com dentes cerrados: “Seis anos. E você?”
“Eu estou quase fazendo dezoito, Bliss.” Cassian acrescentou em voz baixa, tomando cuidado para que os adultos do outro lado da porta não ouvissem. “Isso significa que vou me tornar um adulto. Um homem feito.”
Ele quis dizer que não tinha idade para andar em brinquedos infantis, mas é claro que isso não funcionou com Bliss.
“Tudo bem, mesmo que você seja um pouco velho, eu não me importo.”
Não, MAS EU ME IMPORTO. E muito!
Cassian pensou isso ao ver Bliss batendo levemente em sua perna como se o encorajasse com um sorriso radiante. Bliss continuou falando o que queria, sem se importar com a careta no rosto de Cassian.
“No meu parque de diversões, o Pai e o Papai também costumam ir comigo. Se eles vão, você também pode.”
Cassian ficou sem palavras diante de tanto absurdo, mas a criança ainda foi além: “Tá tudo bem porque você já tem a permissão do seu Papai e da sua Mamãe. Vamos rápido!”
Escuta aqui, eu já passei da idade de precisar de permissão dos pais para andar em brinquedos há muito tempo!
Cassian quis gritar, mas era impossível. Bliss, que não aguentava mais esperar, deu um pulo e agarrou a mão de Cassian. Por causa disso, Cassian acabou se desequilibrando e sendo puxado para frente, sendo arrastado pelo corredor por aquela criaturinha que tinha apenas metade do seu tamanho.
“Confia em mim. Vai ser muito divertido!”
E então ele começou a correr. No fim, Cassian não teve escolha a não ser ser arrastado pelo corredor por um pirralho, com a mão presa na dele.
O parque de diversões instalado atrás da mansão era, honestamente, colossal. Parecia ter de tudo: desde montanha-russa a Splash (tronco na água), carrossel, barco pirata e até torre de queda livre.
O problema era que tudo aquilo era claramente de tamanho infantil.
“Certo, Cassian. Sobe logo.”
Antes mesmo de encontrar a resposta para a pergunta fundamental — “Por que diabos alguém construiria isso em uma propriedade privada?” —, Bliss já havia pulado para dentro de um barco pirata, que não chegava nem na altura da cintura de Cassian, e o pequeno gesticulava freneticamente para o lado oposto.
Cassian ficou ainda mais incrédulo ao ver que a criança, sentada em um barco pirata ridiculamente pequeno e sem graça, estava até colocando o cinto de segurança com todo o cuidado.
“Eu passo.”
“Não precisa ter vergonha! Senta logo, rápido!”
Embora Cassian fizesse sinal de negação com a mão, Bliss continuava gritando e apontando para o assento à frente. Cassian, porém, resistiu com todas as suas forças.
“Bliss, olha só. Eu sou grande assim. Como eu vou caber em um brinquedo tão pequeno?”
Era um argumento que qualquer pessoa normal aceitaria. Infelizmente, Bliss não fazia parte desse grupo de pessoas.
“Está tudo bem! O Pai é maior que você e ele cabe aqui direitinho!”
Cassian olhou para o assento vazio reservado para ele e sentiu seu rosto ficar pálido de horror.
009.
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Deflower Me If You Can
Bliss, como de costume, assistia a um drama de vingança clichê preso no tédio do cotidiano, quando ao entrar casualmente em um canal de notícias, no instante em...