012.
O Beta não estava particularmente bem com isso, mas Ashley não estava errado.
De qualquer forma, ele tinha conseguido o resultado que queria, não é? Crianças daquela idade esqueciam completamente do que acontecia no dia anterior depois de apenas uma noite de sono. Para elas, um ano provavelmente se parecia como uma eternidade.
Com certeza será o suficiente para ele esquecer o que aconteceu hoje e também esquecer totalmente de mim.
Além disso, a terra natal deles era a Inglaterra. Assim que terminassem a agenda, eles deixariam este país imediatamente. Sendo assim, as chances de cruzar com aquele pirralho de novo eram mínimas. Ele fechou os olhos sentindo-se bem com esse pensamento. Em breve, Cassian se tornaria um adulto e seria independente. Uma vida universitária livre o esperava. Não era hora de ficar lidando com um pirralho bobo e que mal sabia limpar o próprio nariz.
Lembrando-se do flat em Londres onde passaria a viver, ele deu um sorriso satisfeito. Adeus, amendoim. Que a gente nunca mais se veja.
***
“Hwaaa…” Bliss soltou um grande bocejo assim que encostou a cabeça no travesseiro.
Enquanto tomava banho, ela quase cochilou várias vezes. Ashley, com sua mão grande, acariciou suavemente a testa da criança, afastando o seu cabelo.
“Parece que você se divertiu muito hoje. O Cassian foi tão legal assim com você?”
“Sim.”
Bliss assentiu com força, mas não conseguia controlar as pálpebras que insistiam em cair. Ele bocejou profundamente de novo e abriu a boca com uma voz sonolenta.
“Pai, eu definitivamente vou me encontrar com o Cassian…”
“Sim, eu sei.” Ashley respondeu prontamente e acariciou a bochecha da criança. “Vou garantir que vocês se encontrem daqui a um ano. Agora, durma.”
“Promete…?”
“Sim, prometo.”
Quando ele prometeu novamente, os olhos de Bliss já estavam fechados. Ashley observou a criança que adormeceu profundamente em um instante, respirando baixinho. Ele então se inclinou, deu um beijo suave em sua testa e saiu do quarto.
“A Bliss já dormiu?”
Koi, que acabara de sair do banho, perguntou ao ver Ashley entrando no quarto. Ele assentiu e respondeu,
“Apagou completamente. Até o momento antes de dormir, ele continuou falando do filho do Duque Strickland.”
“Sério?”
Quando Koi pareceu surpreso, Ashley assentiu brevemente com a cabeça e disse como se não fosse nada demais.
“Ele provavelmente vai esquecer quando acordar. Crianças perdem o interesse rápido nas coisas.”
Ashley deu um beijo leve nos lábios de Koi e foi para o banheiro. Agora sozinho, o ômega murmurou enquanto o observava ao seu redor.
“Quem me dera se fosse assim…”
Não é possível que ele vá pedir para ir à Inglaterra depois de um ano, né?
Com esse pensamento repentino, Koi balançou a cabeça rapidamente. Não tinha como, era impossível. Ashley estava certo. Bliss ainda era pequeno, então esqueceria daquilo rapidamente. Um ano é muito tempo…
“Vou me casar com o Cassian!” Ele lembrou de repente da declaração de Bliss. Uma risada incrédula escapou de seus lábios.
O que uma criança de apenas seis anos saberia? Rindo e balançando a cabeça, ele se deitou na cama e pegou o livro que estava lendo. Era uma noite pacífica como qualquer outra.
E um ano se passou.
***
“Pai, papai! Paiêee.”
Logo cedo pela manhã, Ashley, que estava se preparando para ir trabalhar, arregalou os olhos ao ver seu filho mais novo correndo para o quarto e chamando-o apressadamente.
“Bee, o que foi? O que está fazendo acordado tão cedo assim?” Ashley se abaixou, pegando a criança no colo.
O menino, com o rosto corado de empolgação, gritou com uma voz cheia de expectativa: “Eu quero ir para a Inglaterra!”
“Inglaterra?”
“Como assim, Inglaterra?”
Ashley perguntou, e Koi, que estava de pé logo atrás, também repetiu as palavras do filho, surpreso. Enquanto olhava para os dois, que pareciam estar entre o choque e a confusão, Bliss disse com total confiança: “É amanhã. O ‘daqui a 1 ano’ que o Cassian disse é exatamente amanhã!”
“O quê?”
“Ah.” Desta vez, Koi soltou uma exclamação logo após a de Ashley, acrescentando uma explicação: “Aquele momento em que o filho do Duque veio e estava indo embora…”
“Ah, entendi.” Só então Ashley também se lembrou do ocorrido na época.
Nesse momento, Bliss gritou imediatamente.
“Como nós prometemos, eu tenho que encontrar o Cassian. Eu vou para a Inglaterra!”
“Espere um pouco, Bliss. Isso não é algo tão simples assim…” Ashley tentou acalmar a criança, mas Bliss não ouvia nada.
Era natural estar animado, ele esperou exatamente um ano inteiro por este dia.
“Eu quero ir ver o Cassian!” Bliss começou a se debater e a gritar.
Lá estava ela: a arma mortal de Bliss. Koi ficou com uma expressão sombria, apenas observando a criança. No fim, sem aguentar nem cinco minutos, eles acabaram levantando as mãos em sinal de rendição.
“Tudo bem, Bliss. Já entendi.”
Ashley soltou um longo suspiro em sinal de derrota, pegou Bliss, que agora estava quieto, no colo e continuou: “Mas não podemos partir assim, do nada. Primeiro temos que verificar como as coisas estão por lá, entendeu?”
“Que? Não, por que?”
Ao ver Bliss inclinar a cabeça sem entender, Koi explicou ao lado: “Significa que precisamos receber permissão para saber se podemos ir, Bee.”
Com essa fala, Bliss inclinou a cabeça para o outro lado desta vez.
“Mas o Cassian já tinha dito para eu ir.”
“Mesmo assim, precisamos pedir permissão novamente.” Koi, que repetia a mesma coisa para Bliss, que claramente ainda não tinha entendido, olhou para Ashley.
“Devo tentar entrar em contato com a Duquesa?”
“Eu farei isso, então espere por enquanto.”
Após a breve conversa, Ashley entregou a criança que estava em seu colo para Koi e começou a dar o nó na própria gravata.
“Já vou indo, não saiam. Koi, deixe a Bliss com o mordomo. E não fiquem sozinhos.”
Ele terminou de se preparar num instante, dando um beijo em Koi e em Bliss antes de sair do quarto. Em outras ocasiões, Koi teria ido atrás dele para vê-lo entrar no carro, mas hoje não fez isso. Seguindo as palavras de Ashley, ele permaneceu no quarto e, assim que ficou a sós com Bliss, voltou sua atenção para a criança.
Normalmente, ele não deveria passar muito tempo sozinho com a criança, mas hoje tinha uma pergunta especial que precisava fazer.
Se eu tomar cuidado, deve ficar tudo bem.
“Bliss, por que de repente você sentiu que precisava ir para a Inglaterra?”
Depois de sentar a criança no sofá da sala que era conectada ao quarto, Bliss respondeu sem hesitar: “Não é de repente! Eu esperei por um ano inteiro!”
“Então você ficou lembrando disso o tempo todo….”
Koi sentiu-se estranho ao perceber que essa criança pequena estava pensando naquilo sem parar, enquanto ele próprio já tinha esquecido. E não parava por aí. Bliss continuou a falar com uma voz cheia de animação: “O Cassian disse que mora na Inglaterra, né? Dizem que chove muito na Inglaterra. Por isso, eu até já preparei minha capa de chuva. Já está tudo pronto!”
Ao ver o rosto dele tão animado, as palavras de que ele não poderia ir simplesmente não saíam da boca de Koi. Em vez disso, ele decidiu fazer outra pergunta.
“O que quer dizer com ‘está tudo pronto’? Você já arrumou alguma coisa?”
Bliss assentiu com um “Sim”.
“Espera um pouco, papai.” Bliss pulou do sofá e saiu correndo.
Koi esperou um pouco, imaginando que ele estivesse indo para o próprio quarto, e logo a criança voltou carregando uma mochila enorme. Com um baque, Bliss colocou a mochila na frente do pai ômega, abriu o zíper e começou a tirar os itens um por um. Primeiro, tirou a capa de chuva amarela que havia mencionado; em seguida, tirou um boné de beisebol todo amassado.
“Dizem que na hora de cumprimentar alguém, tem que tirar o chapéu e colocar assim em cima do peito. Para fazer isso, preciso de um chapéu, né? Por isso coloquei o meu favorito.”
Bastaria não usar chapéu, Bee.
Koi pensou por um momento, mas manteve a boca fechada e esperou pelo próximo item. Em seguida, Bliss tirou biscoitos de manteiga dizendo que eram um presente para o casal ducal; depois, tirou um tabuleiro de jogo para brincar com o Cassian; colocou também um lenço para o caso de ficar resfriada e o nariz escorrer; e até um relógio de mesa com seu personagem favorito para poder falar as horas caso alguém lhe perguntasse.
“…Isso é tudo?” Koi perguntou enquanto olhava para a bagunça espalhada pelo chão. A criança negou com a cabeça e respondeu em seguida.
“Não consegui pegar as galochas e o guarda-chuva para quando chover. E também tenho que levar o Sanchez comigo. E também….”
Bliss continuou a falar com entusiasmo, mas para Koi, mais da metade daquilo eram coisas inúteis. No entanto, ao pensar que a criança havia se preparado sozinha com tanto empenho durante um ano inteiro para ir à Inglaterra, ele sentiu orgulho, acariciando a cabeça dele e direcionando a fala para o mesmo.
012.
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Deflower Me If You Can
Bliss, como de costume, assistia a um drama de vingança clichê preso no tédio do cotidiano, quando ao entrar casualmente em um canal de notícias, no instante em...