006.
Como esperado, os arredores estavam em silêncio absoluto; não se sentia a presença de ninguém.
Ótimo.
Logo em seguida, ele escapou do quarto e começou a correr apressadamente. O destino era o snack bar, um lugar da casa onde os lanches eram preparados e guardados.
Biscoitos de chocolate, caramelos, geleias, balas, sorvete, pudim… todo tipo de guloseima voava por sua mente. Vou comer tudo!
Ele estava atravessando o corredor todo animado quando, de repente, uma porta se abriu com força e Ashley apareceu.
“Bliss, então você estava aqui. Te achei.”
Ashley olhou para Bliss, que vinha correndo em sua direção, e imediatamente se abaixou, levantando a criança com apenas um braço.
“Ah…!”
Diante da situação inesperada, Bliss ficou atordoado por um momento. Ashley, alheio a reação do menino, continuou.
“Talvez você também precise cumprimentá-los, então é melhor já deixá-lo pronto.”
O quêeee?
Bliss ficou pálido, mas já era tarde demais.
“Ah, não, não!”
Ele se debateu e tentou resistir, mas foi em vão. Seus passos, que corriam em direção aos doces, foram interrompidos e ele acabou sendo carregado pelo pai de volta para dentro do quarto.
***
“Obrigado por nos convidar desta forma.”
Ashley recebeu as palavras do Duque Strickland com cortesia.
“É uma honra recebê-los. Este é o meu parceiro, Connor Niles.”
Seguindo a apresentação de Ashley, Koi apresentou-se naturalmente.
“Olá. Continuo usando meu sobrenome de solteiro. É um prazer conhecê-los.”
Após trocar apertos de mão com o casal ducal, quando chegou a vez de encarar o filho que estava por último, Koi parou por um instante, surpreso.
…Ele não disse que eram todos Betas?
Geralmente, pessoas com aparência excepcionalmente bonita são Alfas ou Ômegas. Embora ocorra ocasionalmente com Betas, era muito raro; se não tivesse ouvido que o garoto era Beta, como Ashley disse antes, ele teria presumido que aquele homem também era um Alfa.
E não era para menos: ele era tão alto quanto o primogênito Nathaniel, seu olhar era afiado por trás das lentes dos óculos, aquilo de alguma forma o deixava um pouco tenso. Seu físico era esguio e imponente, mas seus ombros largos e mandíbula definida remetiam a uma muralha de força.
Ele parece ser alguém terrivelmente teimoso…!
Enquanto Koi pensava isso, Cassian estendeu a mão e o cumprimentou.
“Olá, sou Cassian Strickland. Obrigado pelo convite.”
Apesar da aparência intimidadora, o gesto de apertar a mão e o tom de voz ao cumprimentar Koi eram calmos e extremamente elegantes. Koi sentiu-se envergonhado por seu pensamento anterior e percebeu, pela primeira vez: “Ah, então é isso que chamam de nobreza”.
“Koi.”
“Ah, sim.”
Ao ouvir a voz baixa de Ashley, Koi voltou a si e percebeu que ele o observava. Ashley tinha um sorriso no rosto, mas seus olhos não sorriam nem um pouco. O ômega apressou-se em reorganizar os pensamentos e disse a primeira coisa que lhe veio à mente: “Ah, claro. Ouvi dizer que você está na faculdade, certo?”
Ao mencionar o fato que lembrou primeiro, Cassian corrigiu com um sorriso sereno: “Apenas recebi a notificação de aprovação. Ainda não me matriculei oficialmente.”
“Ele ainda é um estudante do ensino médio”, acrescentou a Duquesa com uma risadinha, e Koi assentiu.
“Aah… entendo.”
Koi fez um cálculo mental rápido: então ele tem uns dezessete… a dezoito anos? Ele comparou a idade com a de seus próprios filhos. Ele era mais novo que Nathaniel, mas com certeza mais velho que Grayson e Stacy.
Enquanto ele pensava nisso, a Duquesa, com um sorriso radiante no rosto, comentou: “Meu filho é um pouco diferente dos Betas comuns, não é? Costumam confundi-lo com frequência.”
A Duquesa Strickland tinha o rosto radiante, cheio de orgulho e carinho pelo filho. Koi retribuiu o sorriso, mas sentiu um alívio interno ao perceber que ela não parecia se ofender com a confusão sobre a natureza dele; algumas pessoas ficam seriamente aborrecidas quando são confundidas, mas a Duquesa não parecia ser alguém desse tipo.
“Por favor, sentem-se aqui”.
Após uma breve troca de cumprimentos, eles se acomodaram na sala de visitas para tomar chá e conversar sobre assuntos cotidianos. Antes de entrar em assuntos sérios, Ashley iniciou uma conversa casual para quebrar o gelo.
“Quanto tempo pretendem permanecer nos Estados Unidos? Já faz umas duas semanas que chegaram, certo?”.
“Sim, na verdade pretendemos retornar depois de amanhã. Ficamos felizes por poder visitá-los antes disso. É tudo graças ao Sr. Miller…”. O Duque respondeu com um sorriso relaxado.
Enquanto a conversa fluía, o filho único do casal ducal, Cassian Strickland, permanecia em silêncio, tomando seu chá. Koi o observava discretamente, notando como ele levava a xícara aos lábios com movimentos perfeitamente contidos e elegantes.
A impressão inicial de Koi não mudou: Cassian sentava-se com as costas e os ombros impecavelmente retos enquanto bebia o chá. Embora sentisse que o outro provavelmente estava entediado, ele não demonstrava o menor sinal disso; pelo contrário, mantinha uma postura tão calma e presente, mesmo calado, que chegava a ser estranho. Koi pensou se aquilo seria fruto de uma educação rigorosa desde a infância, típico de uma família aristocrática.
Comparando-o com meus próprios filhos….
Koi soltou um suspiro ao lembrar do seu caçula, que no dia anterior havia acertado o próprio punho no olho.
“Seu filho é muito calmo e educado”.
Koi recordou seus sentidos subitamente ao ouvir o que Ashley disse e, se virando para ele, viu a Duquesa sorrindo com as bochechas coradas de satisfação.
“Sim, felizmente ele cresceu muito bem. Gostaria de ter tido mais filhos. Embora Cassian tenha crescido maravilhosamente bem.” Ela sorriu graciosamente e continuou: “A família Miller tem seis filhos, não é? Ah, e falando nisso, o caçula ainda é bem pequeno, certo? Não o vejo por aqui”.
Ao notar o interesse da Duquesa, Koi olhou de soslaio para Ashley, como se perguntasse: “O que eu faço agora?”. Então, Ashley tomou a iniciativa de responder.
“Ele ainda é muito novo e não tem muito noção de boas maneiras. Como temíamos que ele pudesse cometer alguma indelicadeza, pedimos que ficasse no quarto.”
“Oh, céus, mas crianças crescem cometendo erros, é natural, crianças devem ser crianças afinal.” A Duquesa disse isso com um sorriso benevolente. “Isso faz parte do processo. Se não se importarem, adoraria conhecê-lo. Gostaria muito de cumprimentar seu filho”.
Koi olhou novamente para Ashley, sem saber o que dizer. A Duquesa não parecia estar apenas sendo educada; ela realmente parecia ansiosa para conhecer Bliss. Enquanto Koi hesitava, o Duque interveio.
“Como temos apenas um filho, ver uma casa cheia de crianças nos deixa encantados. Na verdade, ouvimos rumores de que o caçula dos Miller é extremamente fofo e adorável, então minha esposa estava com grandes expectativas de vê-lo.”
“O Bliss?” Os olhos de Koi brilharam instantaneamente.
Qualquer pai ficaria feliz ao ouvir que seu filho é amado e considerado adorável. Koi pensava que viam Bliss como alguém fora do “comum”, e por pouco não deixou escapar um sorriso de orelha a orelha.
No entanto, ele teve que conter o desejo de trazer Bliss imediatamente e gritar: “Vejam como nosso caçula é fofo!”.
“Bem, hum, na verdade… houve um pequeno acidente ontem”. Koi tentou escolher as palavras com cuidado para não assustar o casal ducal. “Ele se empolgou um pouco demais na festa de ontem… e bem, ele acabou machucando o olho.”
“O olho? Como aconteceu?”
A Duquesa perguntou surpresa, com os olhos arregalados. Koi, sentindo-se um pouco constrangido, respondeu: “Bem, parece que ele teve um pequeno desentendimento com as outras crianças ontem. Como sabem, todos os nossos filhos têm a mesma natureza do pai, mas o Bliss ainda não se manifestou, então a cor dos olhos dele é diferente dos irmãos. Talvez por causa de alguma provocação sobre isso…”
Koi fez uma pequena pausa e acrescentou, sem jeito: “O Bliss acabou acertando o próprio olho com o punho”.
Ao ouvir aquilo, o filho do casal ducal, que estava bebendo chá, parou por um breve instante. No entanto, foi um movimento tão sutil que ninguém notou, e a conversa continuou normalmente.
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Deflower Me If You Can
Bliss, como de costume, assistia a um drama de vingança clichê preso no tédio do cotidiano, quando ao entrar casualmente em um canal de notícias, no instante em...