Capítulo 107 — Perdão
A varanda continuava mergulhada no silêncio.
Henry permanecia olhando para o jardim.
As lágrimas escorriam lentamente por seu rosto.
Luís Fernando não conseguia mais sustentar aquele olhar.
Depois de tudo o que Henry havia dito…
Seu coração estava tomado pela culpa.
Sem pensar…
Deu um passo à frente.
E, diante de Henry…
Ajoelhou-se.
Henry arregalou os olhos.
Nunca imaginou ver Luís Fernando naquela posição.
Luís Fernando abaixou a cabeça.
As lágrimas começaram a cair.
Sua voz saiu embargada.
Luís Fernando: — Me perdoa…
Por favor, me perdoa.
Henry permaneceu em silêncio.
Luís Fernando continuou:
Luís Fernando: — Eu errei com você.
Errei quando escondi a verdade.
Errei quando procurei outra pessoa.
Errei quando ignorei a sua dor.
E errei quando fiz você acreditar que estava sozinho.
Ele levou as mãos ao rosto.
Chorava sem conseguir controlar as lágrimas.
Luís Fernando: — Você nunca mereceu passar por isso.
Nunca.
Henry observava tudo em silêncio.
Seu coração estava partido.
Mas ver Luís Fernando chorando também o fazia sofrer.
Luís Fernando: — Eu destruí a confiança que você tinha em mim.
Destruí o homem que mais me amou nessa vida.
E eu não sei se existe alguma coisa que eu possa fazer para consertar isso.
Henry respirou fundo.
Aproximou-se lentamente.
Parou diante dele.
Luís Fernando continuava ajoelhado.
Com a cabeça baixa.
Esperando qualquer resposta.
Henry falou com a voz trêmula.
Henry: — Levanta, Luís.
Luís Fernando balançou a cabeça.
Luís Fernando: — Não.
Enquanto você não me perdoar…
Eu não consigo levantar.
Henry fechou os olhos.
Uma lágrima caiu.
Henry: — Você está me pedindo uma coisa muito difícil.
Perdoar…
Não apaga a dor.
Não faz desaparecer a imagem que eu vi na sua empresa.
Não faz meu coração deixar de sofrer.
Luís Fernando chorava em silêncio.
Luís Fernando: — Eu sei.
E aceito qualquer decisão que você tomar.
Só… não duvide do meu arrependimento.
Henry ficou alguns segundos sem dizer nada.
Então estendeu a mão.
Luís Fernando olhou para ela.
Com hesitação, segurou-a.
Henry o ajudou a se levantar.
Os dois ficaram frente a frente.
Henry enxugou as próprias lágrimas.
Henry: — Eu ainda não consigo dizer que está tudo bem.
Porque não está.
Você me machucou profundamente.
Mas… eu também não consigo deixar de me importar com você.
Luís Fernando voltou a chorar.
Pela primeira vez em muitos anos…
Os dois se abraçaram.
Não era um abraço de felicidade.
Nem de reconciliação.
Era um abraço carregado de culpa, tristeza e de um amor que, apesar de todas as feridas, ainda existia de maneiras muito diferentes em cada um deles.
Naquela noite…
O perdão começava a nascer.
Mas reconstruir a confiança seria uma batalha muito mais longa.
Capítulo 107 — Perdão
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Amar Sem Ser amado
No mundo omegaverso, onde o destino parece ser definido antes mesmo do nascimento, Henry, um ômega de apenas 18 anos, sempre acreditou que seu futuro estaria ao lado do homem que amava...