CAPÍTULO 31 - Irritado com Tang Fan
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[Arco 3: O Caso do Palácio Oriental]
O grupo deles galopava rapidamente. O vento noturno cortava o rosto, fazendo os mantos baterem barulhentamente.
O portão do palácio já estava trancado nesse shichen, mas com a ordem imperial do Depósito Ocidental, ninguém ousava impedí-los. Um soldado conferiu os distintivos de identificação dos vigias e logo os deixou passar. Quanto a Tang Fan, ele foi interrogado por um instante, apenas para o vigia que o trouxe pronunciar com os lábios as palavras “ordens do eunuco Wang”. As faces daqueles guardas imperiais se transformaram drasticamente. Por fim, acenaram com as mãos, deixando-os entrar apressadamente.
Ao adentrar o palácio, era necessário desmontar do cavalo — lei rigorosa que ninguém podia violar. Conselheiros do Gabinete e Oficiais Guardiões[1] eram, no máximo, transportados em pequenas liteiras, assim como Wang Zhi, Shang Ming e outros eunucos poderosos. Não havia tratamento especial aqui; todos tinham de desmontar e andar, então Tang Fan e os demais obviamente não eram exceção.
Os vigias que o traziam estavam apressados, caminhando com passos extremamente rápidos, como artistas marciais. Tang Fan os seguiu por um tempo, mas teve dificuldade de acompanhar, arfando. Na pressa, o líder teve que fazer seus subordinados segurarem Tang Fan pelos ombros e braços, meio erguendo-o, forçando-o a andar rapidamente. Para ele, isso estava ótimo, pois não precisava se esforçar mais. Caminhou sobre os blocos de pedra azul apenas com as pontas dos pés, como se tivesse aprendido artes de leveza em um segundo.
Satisfeito com a leveza, palavras agradáveis escaparam de sua boca:
─ Este… humilde aqui… é fraco, e trouxe transtorno a vocês!
Havia uma faixa de escuridão dentro da Cidade Proibida. Ao longe, apenas algumas chamas de velas piscavam fracamente no palácio à frente, além das lanternas carregadas pelos soldados de plantão que passavam ocasionalmente, assim como as que o próprio grupo carregava para iluminação.
Mesmo que o Imperador fosse extremamente rico, se iluminasse todo esse enorme palácio, seria uma despesa colossal que até ele não poderia arcar. Tang Fan nunca havia visto a Cidade à noite; não precisando olhar para o caminho, usou aquele comentário como distração para observar à distância o imponente e vasto complexo palaciano por um instante. O que emergiu em seu coração não foi admiração nem reverência, mas sim o pensamento de que, sob a escuridão, em cada sala de cada pavilhão do palácio, uma quantidade desconhecida de gratidões, rancores, paixões, ódios, tristezas e prazeres humanos já havia se desenrolado.
Se não fosse pelo temor de violar tabus, tudo aquilo seria um ótimo material para livro!
À luz tremeluzente das chamas, o perfil de Tang Fan parecia anormalmente tranquilo. Ele não demonstrava pânico por ser convocado ao palácio à noite, nem receio de lidar com o Depósito Ocidental.
O líder dos vigias não sabia por que o eunuco Wang havia de repente mandado buscar esse oficial menor, mas a postura de Tang Fan fez-o olhar para ele de forma diferente.
Felizmente, ele não fazia ideia do que Tang Fan estava pensando, caso contrário teria se desmoronado.
Contando desta vez, Tang Fan estava ali pela segunda vez. A primeira fora há mais de três anos, quando os resultados dos exames palacianos foram anunciados, e ele entrou junto com muitos de sua turma. A atmosfera fora digna e solene, enquanto seguiam os oficiais para prestar respeito ao Filho do Céu.
Pensando bem, a elegância daquele Filho realmente estava… ahem, muito distante. Ele não a vira claramente.
Como não era uma pessoa de vários séculos à frente, não tinha como conhecer a disposição da Cidade Proibida. Aquela era a residência do Imperador, então o esquema imperial obviamente precisava ser mantido em sigilo para evitar espiões. Se, algum dia no futuro, ele se tornasse um alto funcionário dos Seis Ministérios, entraria frequentemente no palácio para participar da política, naturalmente se familiarizando com ele ao longo do tempo.
Portanto, ele não fazia ideia de para onde estavam levando-o e só podia acompanhar.
Caminharam por cerca de duas partes de hora, passando por um portão de palácio após outro, vendo uma muralha de palácio após outra. Eventualmente, seus passos diminuíram. Não muito longe, havia um salão com sombras humanas dançantes, luzes brilhantes, portas abertas, e ainda várias pessoas patrulhando os portões do salão, defendendo-o rigorosamente.
Tang Fan percebeu que aquele era o destino da viagem.
Os vigias finalmente o colocaram no chão. Seus calcanhares tocaram os blocos ligeiramente ásperos, e ele sentiu subitamente a sensação agradável de ter os pés firmemente plantados.
Ser uma espécie de liteira humana fora rápido, mas nada prazeroso. Seus braços agora doíam levemente.
─ Vá. — Até aquele momento, fora a única palavra que o líder dissera o tempo todo.
─ Posso perguntar, senhor, o que há lá dentro? — sussurrou ele.
─ Entre e verá. — O outro se recusou a explicar.
Tang Fan apenas queria se preparar mentalmente. Vendo que o outro levava tudo tão a sério, uma ideia surgiu em seu coração, e ele não perguntou mais. Subiu os degraus, passou por revista e interrogatório dos guardas na entrada e só entrou depois de muito tempo.
Quem o guiava agora não era o vigia do Depósito que o trouxera o caminho inteiro, mas sim um jovem eunuco de feições desconhecidas.
Presumivelmente, ele estava de serviço ali com frequência. A primeira coisa que disse a Tang Fan foi:
─ Espere aqui.
Depois entrou. Após bastante tempo, saiu novamente, disse:
─ Sigam-me.
Virou e voltou para dentro.
Tang Fan entrou e notou todas as decorações do salão. Nada demonstrava externamente, mas tinha uma intuição interna.
Quando foi conduzido ao salão principal, viu pessoas sentadas e em pé no meio do salão. No centro, um homem de meia-idade com manto de colarinho redondo de seda amarela. Tang Fan não ficou paralisado, ajoelhou-se imediatamente e prostrou-se.
─ Este súdito, Tang Fan, presta respeitos a Vossa Majestade.
─ Você está dispensado de cerimônia — disse o Imperador Chenghua. Sua voz tinha a preguiça que jamais mudara, mas não era fingimento; ele realmente estava assim.
Tang Fan levantou-se do cumprimento, mantendo postura firme. Não ergueu a cabeça para olhar ao redor, expressão estável como sempre.
Chenghua não se importava com a chegada daquele oficial menor, nem se lembrava de que antes havia elogiado o outro como “elegante e gracioso”. Ele estava cansado, mas o que ocorrera hoje era sério demais. Até os três Conselheiros do Gabinete ainda estavam ali, sem deixar o palácio; o Imperador, portanto, teve de reunir suas energias.
Olhou para Wang Zhi.
─ Súdito Wang, ele foi recomendado aqui por você, então faça o que achar necessário.
─ Sim — respondeu Wang Zhi respeitosamente, completamente alheio à postura arrogante que Tang Fan havia notado fora do palácio.
─ Tang Fan — disse o Imperador.
─ Súdito presente — respondeu Tang Fan, mantendo a cabeça levemente inclinada. Geralmente, sem permissão, um súdito não podia olhar diretamente para a face sagrada do Imperador, pois isso seria desrespeitoso. Mesmo assim, ao entrar, ele já havia observado rapidamente todos os presentes.
O Imperador e o Príncipe Herdeiro estavam ali.
Wan An, Liu Xu e Liu Ji — os três Conselheiros de destaque — também estavam presentes.
Essas figuras de alto escalão tinham controle equivalente do poder imperial.
Havia também outros servos, criadas, guarda-costas e soldados, autoexplicativos.
Apesar de tantas pessoas, todos permaneciam passivos, sem emitir som algum.
Apenas as chamas das velas no salão ocasionalmente crepitavam.
Dentro do alcance da visão de Tang Fan, viu que atrás do Imperador havia um biombo, e a silhueta de alguém era levemente visível por trás dele.
Parecia prestes a se revelar.
Do outro lado, Wang Zhi começou a explicar por que Tang Fan fora convocado.
Atualmente, o Príncipe Herdeiro do Palácio Oriental era Zhu Youcheng. Crescera no palácio, mas só três anos atrás fora estabelecido como Príncipe Herdeiro. Sua vida podia ser considerada “difícil”.
Agora que seu status havia sido definido, todos os livros que lia e os personagens que criava precisavam ser desenvolvidos de acordo com as especificações de um herdeiro aparente.
A trupe de professores do Príncipe Herdeiro era grande, mas ele precisava de companheiros de estudo além daqueles. Normalmente, esses seriam escolhidos entre os eunucos do palácio interno, mas às vezes eram selecionados entre os filhos e sobrinhos de oficiais importantes. Recentemente, um de seus parceiros de estudo era Han Zao. Seu pai, Han Fang, havia sido um dos professores de Chenghua quando este era Príncipe Herdeiro.
Devido à sua saúde frágil, Han Fang pretendia se aposentar dois anos antes. Entretanto, por se importar com a camaradagem com seu professor, o Imperador concedeu a Han Fang o título honorário de “Ministro Jovem do Príncipe Herdeiro” e enviou Han Zao ao palácio para ser seu parceiro de estudo.
Ele não deveria ser algum tipo de servo que recebia punições pelo Príncipe Herdeiro caso este não estudasse direito, mas sim um verdadeiro colega de classe e de brincadeiras. Han Zao tinha quase a mesma idade do Príncipe e estudava com ele o dia inteiro, tornando a amizade bastante próxima.
Porém, foi justamente naquele dia que, no meio das lições do Príncipe e de seu grupo, Han Zao gritou de repente que sua barriga doía e, antes que o médico imperial pudesse chegar, caiu no chão, morto.
Como isso poderia estar certo?!
O Palácio Oriental rapidamente entrou em tumulto. Médicos imperiais correram para examinar Han Zao, mas ainda assim não conseguiam descobrir como ele havia morrido.
Por sorte ou azar, pouco antes de Han Zao gritar sobre a dor no estômago, a Consorte Wan havia enviado alguém com duas tigelas de sopa de feijão-mungo com lírio.
O Príncipe Herdeiro não havia comido. Han Zao, sim.
Uma série de eventos se desenrolou como resultado.
Todos sabiam que a Consorte Wan já havia tido um filho. Ele fora o mais velho do Imperador, mas morreu logo após nascer. Mais tarde, a Nobre Consorte Lady Bai teve um, que foi estabelecido como Príncipe Herdeiro, e nem dois anos se passaram antes de ele também morrer. Desde então, nenhum sucessor nasceu no harém imperial. Todos afirmavam que era porque a Consorte Wan proibia qualquer mulher além dela de ter filhos.
Com seu poder feminino, Lady Wan submeteu o Príncipe Herdeiro a todos os tipos de provações agora que ele pôde novamente ver a luz do dia. Aqueles que ouviram sobre o que aconteceu ficaram de coração partido; os que viram, emocionaram-se às lágrimas.
Honestamente… considerando tudo isso, a causa da morte de Han Zao parecia extremamente óbvia, sem necessidade de investigação.
Como mulher mais favorecida pelo Imperador, mesmo que o Príncipe Herdeiro tivesse morrido, ela provavelmente não teria problemas por isso — sem falar que ele não havia morrido. A maneira mais inteligente de lidar com isso seria minimizar rapidamente o caso, encontrar uma desculpa casual para encobri-lo e manter todos com aparência de calma.
Ainda assim, surgiu um problema. Depois que a Consorte Wan soube disso, ficou extremamente chocada, chorando aos céus, e imediatamente correu para o Imperador. Jurou perante o próprio sol que não tinha nada a ver com o ocorrido e insistiu persistentemente para que ele investigasse e descobrisse a verdade, a fim de provar sua inocência.
Foi justamente porque isso envolvia o Príncipe Herdeiro, a Consorte Wan e o filho do professor de Chenghua que este ficou com uma dor de cabeça extrema, sem escolha senão convocar os Vizeiros ao palácio para discutir como lidar com a situação.
O trabalho de um Vizeiro era ajudar a governar o país. Os três Conselheiros que atualmente chefiavam o Gabinete mal conseguiam lidar com o dia a dia, e o país não estava sendo governado corretamente, o que de forma alguma indicava que eram competentes para resolver um caso.
O chefe do Gabinete, Wan An, considerando o ponto de vista político e a situação geral, sugeriu que o Imperador apenas levantasse levemente a tampa do caso. Felizmente, o Príncipe Herdeiro estava bem, e quanto a Han Zao, a Dinastia deveria compensar generosamente a família Han. Todos ficariam satisfeitos.
A Consorte Wan, no entanto, não deixou passar. Independentemente de alguém acreditar nela, ela sempre insistia repetidamente que era totalmente inocente.
Ela sabia que todos sabiam que desprezava o Príncipe Herdeiro e queria eliminá-lo o quanto antes, razão pela qual era a mais suspeita. Se o Imperador realmente fosse ser vago sobre o assunto, nem um mergulho no Rio Amarelo a lavaria.
Sob a insistência de sua amada, Chenghua teve de mandar alguém chamar os Conselheiros ao palácio e outro comunicar à família Han.
Duas tigelas de sopa de feijão-lírio. O Príncipe Herdeiro não havia comido; sua tigela foi dada a Han Zao, enquanto a restante foi entregue a um jovem criado, que bebeu normalmente.
O criado ficou bem, mas Han Zao morreu.
Antes de Tang Fan entrar no palácio, alguém já havia verificado a situação; a panela com a sopa doce estava vazia, impossível de ver se algo havia sido colocado, mas a tigela e a colher não estavam manchadas de veneno.
Se tivesse havido problema com a sopa, como o criado pôde beber e ficar bem?
Teriam colocado algo apenas na tigela de Han Zao?
A pessoa que trouxe a sopa foi uma criada do palácio da Consorte Wan, que jamais admitiria que havia envenenado a comida.
Além disso, Han Zao era apenas uma criança. Como poderia ter inimigos? Se quisessem matá-lo, o Príncipe Herdeiro também teria sido morto — e quem poderia tê-lo considerado indesejável?
Por todo o palácio, havia apenas uma pessoa que se encaixava.
Dizer isso em voz alta, porém, seria ruim e não podia ser feito de forma explícita. Por isso, após a sugestão de Wan An ser rejeitada pela Consorte Wan, ele simplesmente não falou mais para não ofendê-la.
Embora compartilhassem o sobrenome Wan, não tinham nenhum parentesco. Simplesmente, ele sabia que ela recebia considerável carinho de Chenghua, então, usando o prestigiado nome Wan, tomou todos os métodos para se conectar a ela, mantendo-se firme como Chefe do Gabinete.
Na opinião dos outros, isso era sem vergonha, e todos começaram a chamá-lo, em segredo, de “Conselheiro Longevo”. Além disso, surgiram todos os tipos de apelidos ridículos para os outros Vizeiros, como o terceiro, Liu Ji, chamado de Liu Flor de Algodão. Por ser cara de pau e temer ser repreendido, todos simplesmente o chamavam de Liu Flor de Algodão às costas.
Voltando ao assunto, não havia problema com a sopa nem com a tigela. O médico imperial não podia tirar o pulso de um morto, nem podia atestar se Han Zao havia adoecido anteriormente. Segundo os eunucos e o Príncipe Herdeiro, ele estava perfeitamente bem, sem qualquer enfermidade.
Se realmente houvesse um envenenador, ninguém acreditaria que ele visava apenas um parceiro de estudo. Todos estariam mais dispostos a crer que se tratava de um homicídio intencional por envenenamento, cujo alvo seria o Príncipe Herdeiro atual.
Se isso fosse investigado a fundo, quem sabia quantos problemas surgiriam no palácio, ou quantas pessoas morreriam injustamente? Chenghua amava o Príncipe, mas era um amor limitado, pois este não crescera ao seu lado desde a infância. Agora que ele havia sido designado pelo bem do país, Chenghua não poupava o que lhe devia, mas também não queria permitir que uma tempestade surgisse por causa disso; sem contar que, no íntimo, ele sentia que tudo isso tinha relação com sua preciosa Consorte Wan.
O próprio Príncipe era sensato. Embora lamentasse a morte de seu parceiro de estudo, não chorou nem gritou buscando vingança. Quando o Imperador o questionou, simplesmente disse que cumpriria a vontade do Pai Imperador.
Todos esperavam que o caso fosse varrido para debaixo do tapete, mas a Consorte Wan se recusou.
Sua Majestade estava tanto irritado quanto relutante em contrariar os desejos de sua favorita, o que colocou a situação em um impasse. Antes de Tang Fan chegar, ele já havia chamado seus dois eunucos de maior confiança: Shang Ming do Depósito Oriental e Wang Zhi do Depósito Ocidental.
Para monopolizar o mérito, Shang Ming prontamente solicitou que o Depósito Oriental investigasse de imediato, enquanto Wang Zhi compreendeu a intenção do Imperador. Eles queriam conhecer a verdade, mas também não desejavam que isso fosse divulgado aleatoriamente. Na visão do Imperador, isso deveria ser investigado discretamente, de modo que, caso se descobrisse ligação com a Consorte Wan, fosse fácil encobrir.
Foi por isso que ele recomendou uma pessoa a Sua Majestade — Tang Fan.
Ele fez isso pelos seguintes motivos: Tang Fan era inteligente, atualmente nomeado Juiz da Prefeitura de Shuntian, extraordinariamente apto para sua função e já havia se destacado no caso da Mansão do Marquês Wu’an. Poderiam, então, enviá-lo para investigar.
O Imperador aprovou, e Tang Fan entrou no palácio em seguida.
Os observadores ficaram curiosos sobre quando Tang Fan havia criado algum vínculo com Eunuco Wang. Após ouvir toda a sequência de eventos, Tang Fan só quis sorrir amargamente; não era exatamente Wang Zhi que o estava empurrando para um buraco em chamas? Quem gostaria de se sujar numa situação tão pegajosa?!
Esse eunuco imperial era, de fato, jovem, imprudente e teimoso ao extremo, fazendo qualquer coisa apenas com um pensamento. Não era uma situação urgente, e ainda assim arrastara Tang Fan para o fogo.
— Tang Fan, agora que sabe o que aconteceu, qual é sua opinião sobre o caso? — perguntou Wang Zhi.
Diante do comportamento arrogante de Wang Zhi, sempre agindo por conta própria e sem levá-lo a sério, Tang Fan sentiu igualmente repulsa.
No entanto, ele não era do tipo que guardava rancor. Agora que já estava sobre a fogueira e na presença do Imperador e do Gabinete, não tinha direito de recusar. Sua fúria passou rapidamente, sendo reprimida no fundo do coração, e então começou a ponderar como lidar com a situação.
— Este humilde oficial possui habilidades limitadas e não ousa falar qualquer tolice diante de Sua Majestade e de todos os Vizeiros — disse após refletir. — Até o momento, só ouvi uma ideia geral; como não vi o corpo de Han Zao, nem interroguei todas as pessoas envolvidas no caso, não há nada sobre o qual eu possa comentar por enquanto.
Chenghua ficou um pouco desapontado ao ouvir isso. Ele não esperava que Tang Fan fosse revelar a verdade imediatamente — se ele realmente tivesse tal capacidade, seria mais poderoso que os deuses —, mas ainda assim não pôde deixar de resmungar a Wang Zhi.
— Eunuco Wang, você dizia quão formidável é este homem. A nosso ver, ele é igual àqueles censores imperiais lá fora, cuja lábia é inigualável no reino!
Tang Fan observava seu próprio nariz, e seu nariz observava o próprio peito, em um pseudo-morte, como se o Imperador nem estivesse falando com ele.
Wang Zhi pensou interiormente que Tang Fan não sabia apreciar um favor, não corria para demonstrar boa vontade e apenas permanecia ali, como se fosse feito de madeira.
— Tolerai meu conselho, Vossa Majestade — respondeu apressadamente. — Muitas coisas estão emaranhadas, descobrir qualquer fato de imediato é um verdadeiro desafio. O melhor seria estender um pouco o período de espera e permitir que ele investigue com calma. Na verdade, durante as nomeações do Salão de Ouro no décimo primeiro ano de Chenghua, ele ficou em primeiro no segundo escalão, e foi até elogiado por Vossa Majestade na época!
Para confirmar sua própria visão, Wang Zhi trouxe um evento antigo. Chenghua levantou as pálpebras, lembrando vagamente que isso de fato acontecera antes. Sua impressão sobre Tang Fan melhorou um pouco.
— Sendo assim, este caso ficará sob seus cuidados, Tang Fan. Contudo… — o Imperador lançou um olhar a Wang Zhi.
Compreendendo tacitamente, Wang Zhi prontamente disse:
— Este caso é de imensa importância. Você absolutamente não pode falar casualmente sobre ele para o mundo exterior, ou será severamente punido.
Sob os olhares atentos da multidão, Tang Fan finalmente falou, mas suas palavras surpreenderam até os Céus:
— Este súdito não ousa aceitar esta ordem.
O quê?!
Este cara enlouqueceu?!
Ele sabia sequer o que estava dizendo?!
Como podia se indignar em uma situação dessas?!
Todos, incluindo os servos e guardas de fundo, não puderam deixar de encará-lo boquiabertos.
O Chefe do Gabinete, Wan An, gritou desesperadamente diante de todos:
— Você é impetuoso, Tang Fan! Como ousa não respeitar a vontade sagrada! Não há respeito algum aos seus olhos?!
Wang Zhi ficou ainda mais furioso. Sabia que Tang Fan provavelmente resmungava sobre a tarefa internamente, mas ele tinha seus próprios cálculos. Mesmo que não estivesse contente, Tang Fan não tinha escolha a não ser obedecer às ordens agora; como a voz do convidado poderia sobrepujar a do anfitrião? Que se achava esse juiz de sexta classe? As palavras do Imperador eram preciosas, e ele disse que não ousava aceitar a ordem? Isso era basicamente um tapa na cara de Sua Majestade!
— Tang Fan, você enlouqueceu? Onde pensa que está? Pode ser insolente aqui?! Se ousar objetar, que Xiang Zhong e Shang Lu sejam lições para você!
Xiang Zhong e Shang Lu; um fora Ministro da Guerra, outro Chefe do Gabinete. Ambos perderam seus cargos por se oporem ao Eunuco Wang; um foi demitido e retornou à vida civil, outro renunciou e fugiu. Mencionar esses nomes era claramente uma ameaça — se ousasse contestar mais, esse seria seu destino.
Wan An balançou a cabeça mentalmente, pensando que a raiva realmente tomava conta do coração de Eunco Wang para que ele falasse de forma tão irresponsável. Tang Fan era apenas um juiz de sexta classe, e ainda assim citou esses exemplos; isso não elevava Tang Fan, ao contrário?
Chenghua então franziu a testa, olhando Tang Fan com expressão irritada.
Ele não era um Imperador propenso a matar (esse era seu único bom aspecto), mas se não gostasse de alguém, ou o demitia com um simples gesto, ou o enviava a uma penalidade, o que já seria suficientemente terrível.
O Príncipe Herdeiro Zhu Youcheng não disse nada, mas olhou para Tang Fan com curiosidade.
Já havia passado muito tempo desde o incidente. Era seu horário de dormir, mas como o caso envolvia-o, não conseguia adormecer. Mesmo assim, não demonstrou impaciência, permanecendo ao lado do pai como sempre, respeitoso e solene.
Quando a tempestade de repreensões terminou, Tang Fan apenas juntou as mãos e começou a falar com calma:
— Vossa Majestade, perdoe as palavras deste súdito. Como Juiz, posso julgar os corações dos mortos, mas não os dos vivos. Pela visão superficial deste caso, temo que a complexidade dele supere a imaginação. Por isso, se me confiar esta grande responsabilidade, não ousarei recusar, mas há algumas coisas que preciso entender claramente. Por favor, absolva este súdito de culpa.
— Pergunte à vontade. Estás absolvido — respondeu Chenghua.
Tang Fan assentiu.
— Este ministro ousará perguntar, então; pode garantir que isso realmente não teve nada a ver com a Consorte Wan, Vossa Majestade?
Essa declaração foi ainda mais chocante que a anterior.
Todos ali acharam Tang Fan não apenas insano, mas sem cérebro.
Pensamentos assim podem ficar na mente de alguém, mas era algo a ser dito em voz alta?!
Até Wan An ficou estupefato, mas não pôde deixar de balançar a cabeça mentalmente. Ele pensou diferente dos outros — aquilo era maravilhoso, verdadeiramente maravilhoso. Tang Fan estava ciente de que alguém específico estava presente, e por isso fez a pergunta para obter a explicação completa do caso e se proteger de possíveis conspirações futuras.
Wan An lembrou que, três anos antes, suas próprias palavras haviam transformado este jovem, que originalmente deveria ter sido o Primeiro Classificado, em um pato completamente cozido, apenas para ele aparentemente escapar de qualquer forma.
Exatamente como esperado, enquanto Wan An pensava nisso, quem estava atrás da cortina rapidamente perdeu a paciência e saiu, furioso:
— Se foi obra minha, que os Céus me fulminem com raios e me destruam! Se não foi, que os Céus desçam e aniquilem toda a tua família!
–
[1] Oficiais específicos designados para assumir o comando do país caso o Imperador morresse e o Príncipe Herdeiro ainda fosse menor de idade. Enquanto isso, eles ocupam outras posições de poder.
CAPÍTULO 31 - Irritado com Tang Fan
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The Fourteenth Year of Chenghua
No décimo quarto ano de Chenghua, o harém imperial tinha uma Consorte Wan, assim como o Depósito Ocidental tinha um Eunuco Chefe chamado Wang Zhi. O Príncipe Herdeiro Zhu Youcheng tinha apenas...