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The Fourteenth Year of Chenghua

CAPÍTULO 49 - Dor

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Assim que chegaram e avistaram a placa do bordel, Wang Zhi riu friamente.
— Então é este. Vocês do Sul realmente estavam se escondendo à vista de todos!

Os dois que os conduziam estavam com muito medo de emitir qualquer som, ambos abaixando a cabeça e fingindo ser netos obedientes.

Por ordem de Wang Zhi e Sui Zhou, os homens do Depósito Ocidental e do Bastião do Norte já haviam cercado completamente o bordel, de ponta a ponta, garantindo que nem um mosquito pudesse escapar.

Ao ouvir o tom de familiaridade do eunuco Wang, percebeu-se que ele aparentemente conhecia aquele lugar melhor do que os “homens normais” presentes. Se não fosse pela seriedade da situação, Tang Fan provavelmente teria caído na risada de verdade.
— O que há de errado com este prédio? — perguntou ele com o rosto sério.

Na placa acima da entrada principal estava gravado o nome “Relaxamento”, com uma caligrafia elegante e de refinado gosto literário. Se não fossem as risadas abafadas e a luz duvidosa das velas que vinham de dentro, o local até poderia passar por um restaurante.

— Wan Tong tem parte nele — respondeu Wang Zhi.

Essa informação foi um tanto chocante de ouvir, mas, ao pensar bem, não era algo tão estranho. Se o Depósito Ocidental podia ser o patrono do Hóspede Imortal, por que não poderia haver um bordel sob o título da Guarda de Brocado? Além disso, o estabelecimento podia facilmente ser classificado sob o belo nome de “centro de coleta de informações”, já que bordéis, casas de jogos e restaurantes eram os lugares mais frequentados por pessoas em constante movimento. Onde há mais gente, há mais informação — o que combinava perfeitamente com as demandas desses órgãos de inteligência.

Pensando nisso, Tang Fan olhou para Sui Zhou.

O homem balançou levemente a cabeça, indicando que não fazia ideia do assunto. Aparentemente, Wang Zhi estava insinuando que Wan Tong tinha uma ligação pessoal com aquele bordel.

A irmã mais velha dele era a Concubina Imperial, o que o tornava uma figura ainda mais influente na capital do que o próprio Wang Zhi. Sob a proteção de um Comandante da Guarda de Brocado, o bordel prosperara ainda mais, sem precisar temer visitas constantes de oficiais exigindo subornos por qualquer motivo.

De qualquer forma, quando estavam prestes a entrar e causar confusão, alguém saiu para recebê-los. Era uma mulher de meia-idade, com um sorriso largo — claramente a dona do Relaxamento.
— Ora, senhores! Que vento os traz por aqui hoje? Se queriam se divertir, bastava avisar antes. Por que fazer tanto alarde?

Ela percebeu que eles eram numerosos e imponentes, e que não tinham vindo em paz, mas ainda assim não demonstrou pânico. Isso revelava sua autoconfiança.

Wang Zhi permaneceu em silêncio. Não havia necessidade de dizer nada. Atrás dele estava Ji Yang, um capitão do Depósito, que ordenou que os dois homens detidos fossem trazidos à frente.
— Chega de conversa. Você reconhece esses dois?

Ela lançou um olhar rápido para eles, mantendo o sorriso.
— Nunca os vi antes.

Ji Yang soltou uma risada curta.
— Entrem e revistem o lugar!

O rosto dela escureceu.
— Esperem!

Ao som da sua voz, mais de uma dúzia de homens grandes e fortes saíram do interior do prédio, todos empunhando porretes e lançando olhares ameaçadores.

Simplesmente impressionante.

Tang Fan decidiu não comentar nada por enquanto. Sui Zhou, Wang Zhi e o resto estavam todos em uniformes oficiais — suas vestes deixavam claro de qual repartição vinham. Gente comum fugiria ao vê-los, mas aquela mulher ousava confrontá-los abertamente. Isso não era o próprio significado de “excesso de confiança”?

— Você enlouqueceu, velha? — rugiu Ji Yang. — Sabe com quem está falando?

Ela manteve a calma.
— Claro que sei. Os senhores são do Depósito Ocidental, não é? Se tivessem dito que vieram buscar prazer, esta velha os receberia de braços abertos. Mas como deixaram claro que vieram causar confusão, não posso permitir a entrada — senão não terei mais como manter meu negócio. O Depósito Ocidental é poderoso, mas sabem de quem é este lugar?

— É um estabelecimento registrado em nome de Wan Tong, não é? — disse Wang Zhi, por fim.

Ela estreitou os olhos e o observou por um bom tempo. Ao ver que ele estava cercado por seus subordinados como a lua entre as estrelas, sorriu novamente.
— Então o senhor deve ser o Diretor Wang. Nossa casa o saúda. O Depósito Ocidental e a Guarda de Brocado são praticamente uma só família. Já que o senhor entende bem os ganhos e perdas dessa relação, peço que seja mais complacente em respeito à dignidade do Enviado Wan.

Wang Zhi era aliado da Concubina Wan, e Wan Tong era o irmão mais novo dela — algo bem conhecido na sociedade. No entanto, o fato de uma dona de bordel ousar usar o nome de Wan Tong para ameaçá-lo mostrava claramente que eles não eram aliados.

Ao dizer isso, ela fez um gesto, e alguém atrás trouxe uma bandeja. A mulher ergueu um canto do pano que a cobria, revelando o brilho ofuscante do ouro por baixo. Pelo peso, devia haver ali umas trezentas ou quatrocentas taéis.

Ao ver todos olhando para a bandeja, ela sorriu e cobriu novamente o ouro.
— Esta pequena demonstração de respeito é apenas para comprar bebidas para o senhor e seus homens, Diretor Wang. Não precisa ser modesto — aceite, por favor.

Wang Zhi riu friamente e estendeu a mão.

Todos ficaram atônitos quando ele virou a bandeja, fazendo o ouro girar várias vezes no ar antes de cair ao chão, espalhando-se em um brilho deslumbrante.

— Você acha que é digna de me subornar? — disse ele à dona, que ficou paralisada. — O simples fato de eu lhe dirigir a palavra já é mais honra do que merece! Não se ache tão importante!

Ela havia cometido um erro grave.

Sim, aquele bordel tinha investimento de Wan Tong. E, dada a relação entre ele e Wang Zhi, este até deveria dar-lhe certa consideração. Criar conflito seria inconveniente, especialmente se a notícia chegasse à Concubina Wan.

Mas o problema era que ele estava ali para procurar alguém, e aquele lugar já estava ligado à Gangue do Sul — talvez até fosse um dos seus esconderijos. Se o caso não fosse resolvido, ele seria o responsável. Por isso, independentemente de conexões ou favores, ele precisava encontrar as crianças desaparecidas.

Além disso, o bordel não pertencia diretamente a Wan Tong, então invadi-lo não seria considerado uma afronta. A mulher havia achado que usar o nome dele bastaria para acalmá-lo — mas como pôde imaginar que Wang Zhi seria tão fácil de lidar? Se ele tivesse medo de agir até contra um simples bordel, o que pensariam dele quando isso se espalhasse? Que seria uma “lança de prata feita de cera” — imponente por fora, inútil por dentro.

Após espalhar o ouro, ele ainda deu um chute na mulher, derrubando-a.
— Revistem! — ordenou a seus homens.

— Esperem! Não podem entrar! — o rosto dela finalmente se contorceu, já sem alternativas. Levou a pior no chute e não conseguiu se levantar, ficando sentada no chão, gritando: — Eu vou mandar chamar o Mestre Wan! Vocês não podem entrar!

— Seria inútil, mesmo que a própria mãe dele aparecesse — respondeu Wang Zhi friamente. — Estão esperando o quê? Entrem e revistem!

Com essa ordem, seus subordinados desembainharam as espadas. Os homens que guardavam o portão pareciam ferozes, mas não eram páreo para os implacáveis guardas do Depósito. Em poucas trocas de golpes, todos estavam caídos no chão.

Sui Zhou não havia trazido tantos homens naquela noite, e os poucos que vieram estavam guardando a entrada dos fundos. Ele não disputou autoridade com o Depósito, apenas entrou logo atrás deles, junto com Tang Fan.

Assim que a dona do bordel viu os homens do Depósito Ocidental chegarem, achou que mencionar o nome de Wan Tong faria com que o grande problema daquela noite se tornasse algo menor. Não esperava que o nome dele não surtisse nenhum efeito — nem que Wang Zhi simplesmente a ignorasse.

Tão confiante estava, que nem chegou a evacuar as pessoas que estavam dentro. Por isso, quando o grupo de Wang Zhi invadiu o local, o resultado foi um coro de gritos e pânico. Os clientes no saguão ficaram aterrorizados; muitos eram homens de posição e tentaram escapar pelos fundos, mas, sem saber, havia guardas esperando lá fora. Nem pelas janelas conseguiam pular, muito menos sair pelos fundos.

Ji Yang deu uma ordem, e os guardas se dividiram em várias direções para cercar o andar de cima, subindo rapidamente ao segundo e ao terceiro pisos. Todos os corredores e portas dos quartos particulares ficaram sob vigilância, e as portas foram arrombadas a pontapés. Não importava o que as pessoas estivessem fazendo lá dentro — todas foram arrastadas para fora, aumentando ainda mais o barulho dos gritos.

Todos foram levados ao saguão principal. Tang Fan lançou um olhar rápido sobre o grupo; havia até alguns funcionários do governo entre eles. Ah, céus.

Embora o tribunal imperial tivesse deixado claro que oficiais não podiam frequentar bordéis, que homem resistia a uma escapada dessas? Desde que ninguém descobrisse, não seriam denunciados pelos censores. Como Wan Tong tinha ligações com o lugar, a discrição de todos os frequentadores era garantida graças à influência do poderoso Enviado da Guarda de Brocado. Isso fazia do Relaxamento um estabelecimento popular tanto entre os nobres quanto entre o submundo, com negócios prosperando. Comerciantes comuns costumavam ser extorquidos por agentes do governo sob o pretexto de “cobrança de impostos”, mas ninguém se atrevia a incomodar o Relaxamento — sua influência era grande demais.

Por isso, ninguém esperava que, naquela noite, alguém tivesse coragem de criar confusão ali. Todos estavam boquiabertos, observando o Depósito Ocidental invadir o bordel.

— Não diga que esta velha não o avisou, Diretor Wang! — disse a dona, mancando enquanto se aproximava, o tom severo. — O senhor não deveria queimar suas próprias pontes dessa forma!

Wang Zhi olhou para ela sem qualquer emoção, como quem observa um cadáver.
— Você sabe de que família são as crianças desaparecidas esta noite?

Ela riu friamente. Amparada pela influência de seu protetor, manteve o olhar altivo e desafiador.
— Como eu saberia? Está sendo ridículo! Se alguma criança se perdeu, vá procurá-la! O que isso tem a ver com o meu bordel?!

— Entre as crianças desaparecidas — respondeu Wang Zhi, com voz gelada — há a filha mais nova do Tutor do Príncipe Herdeiro, Zhu Yong, e o neto do Vice-Ministro de Nomeações. Você tem coragem, hein? Acobertando criminosos e ajudando no desaparecimento de crianças! Esqueça um Wan Tong — nem dez Wan Tongs poderiam salvá-la!

O rosto dela estava coberto por uma grossa camada de maquiagem; era impossível dizer se havia empalidecido, mas em seus olhos se via hesitação e descrença, bem diferente da arrogância que exibira antes.

Nesse momento, os guardas já haviam revirado todo o bordel, e Ji Yang saiu de um depósito perto das cozinhas.
— Chefe Eunuco, há um porão aqui, mas não tem ninguém dentro!

Wang Zhi lançou um olhar duro para a dona.
— Onde eles estão?

Ela forçou um sorriso.
— Se não encontraram ninguém, então significa que nos acusaram injustamente. Se não acredita, pode procurar de novo — verá que não estou mentindo!

Sui Zhou e Tang Fan entraram imediatamente no depósito. O chão, bagunçado, tinha uma parte limpa, revelando a entrada de um buraco escuro.

— Não há ninguém lá embaixo? — perguntou Tang Fan.

Ji Yang assentiu.
— Eu mesmo desci e verifiquei. O espaço lá embaixo não é grande, e não há passagens secretas. Mesmo que alguém tivesse sido escondido ali, não teria como escapar.

Havia muitos itens no depósito — mantimentos variados, cordas e outros objetos. Parecia um armazém comum. A existência de um porão tampouco era incomum; muitas casas e comércios tinham um, usado para armazenar alimentos perecíveis.

Tang Fan, no entanto, não deixou o assunto morrer. Ele olhou para Sui Zhou, que imediatamente entendeu o recado e retirou uma vela da parede. Os dois desceram um após o outro.

Ji Yang ficou visivelmente contrariado ao ver isso. Pensou consigo mesmo: Eu já disse que verifiquei. Estão duvidando de mim?

Ele não desceu — cruzou os braços e esperou, certo de que os dois voltariam frustrados.

Mas não demorou muito e eles voltaram, com Tang Fan exibindo uma expressão séria.
— Havia pessoas lá embaixo — afirmou ele.

Ji Yang franziu o cenho, desconfiado.
— Como pode ter certeza?

— O porão foi construído há algum tempo, dá pra ver pelas paredes — explicou Tang Fan. — Não há como ter ficado completamente vazio desde então. E se tivesse sido usado para guardar comida, como vegetais em conserva, ainda haveria algum cheiro ou resquício disso. Mas o chão está limpo demais, sem vestígios de nada — o que significa que ele não era usado para armazenar objetos.

Ji Yang pareceu ter uma epifania. Também achara o porão estranho, mas não sabia o motivo. Agora entendeu: havia esquecido de analisar o cheiro.
— Então como eles saíram? Será que souberam da nossa chegada antes?

Tang Fan balançou a cabeça.
— Desde o momento em que capturamos aqueles dois membros da gangue, conseguimos a confissão e viemos para cá, o tempo decorrido e as pessoas com quem tivemos contato tornam quase impossível que alguém tenha avisado o bordel. Eles devem ter fugido assim que nos viram chegar.

— Mas não há outras saídas por aqui — observou Ji Yang. — E há guardas em volta. Se alguém tivesse tentado sair, teríamos visto.

Sui Zhou já estava examinando o depósito. Usando o cabo do sabre, cutucava os mantimentos empilhados nos cantos e também batia nas paredes ao redor. Ji Yang percebeu que ele procurava uma passagem oculta.

Infelizmente, nada parecia surgir. Ji Yang, um pouco frustrado, estava prestes a ir para outro cômodo quando ouviu Sui Zhou dizer:
— Tem algo estranho aqui.

Virando a cabeça, ele viu que Sui Zhou estava cutucando um enorme saco de cânhamo encostado na parede — mas o dito saco não se mexeu nem um pouco. Tang Fan se aproximou e desamarrou a abertura, revelando pedaços de pedra que, à primeira vista, pareciam pesar alguns milhares de jin. Não era de se admirar que Sui Zhou não tivesse conseguido movê-lo — provavelmente seriam necessárias duas ou três pessoas para arrastá-lo.
Por que um monte de pedras apareceria em um depósito de comida?

Tang Fan não precisou explicar nada; Ji Yang percebeu que havia algo estranho. Ele e Sui Zhou uniram forças e empurraram o saco um pouco para o lado.
Espalhada embaixo dele havia uma fina camada de palha. Ao varrê-la, uma grossa laje de piso pôde ser vista cobrindo o chão. Embora tentasse se misturar ao piso ao redor o máximo possível, ainda deixava alguns indícios de sua presença. Sui Zhou e Ji Yang levantaram a laje e, de fato, viram uma entrada secreta abaixo — parecia descer ainda mais fundo que o porão, levando a um local desconhecido.

Ji Yang percebeu que aqueles que haviam cavado o túnel eram extremamente astutos. Haviam feito um porão fácil de encontrar, de modo que, quando alguém visse que não havia ninguém dentro, subconscientemente procuraria em outros lugares — sem imaginar que haveria outra passagem oculta no mesmo cômodo. Além disso, o saco cheio em cima parecia exatamente igual aos demais sacos ao redor, que continham comida. Somente cutucando um por um, como Sui Zhou fizera, e ainda tendo o trabalho de desamarrar e verificar, seria possível descobrir algo.

Agora, aquela cafetina não poderia mais gritar sobre falsas acusações. Ji Yang imediatamente saiu e contou a Wang Zhi o que haviam descoberto.
Este olhou para a mulher.
— Quer dizer alguma coisa? — perguntou.

Seu rosto era ilegível, os lábios rígidos como sempre.
— Esse túnel foi escavado durante o período de construção do prédio para ser usado como vala, mas depois foi abandonado e não é mais usado. O que há de tão estranho nisso?

— Essa sua “vala” foi cavada exatamente do tamanho para uma pessoa passar — zombou Ji Yang. — Realmente capricharam nisso. Que artesão fez essa obra? Vou contratá-lo depois!

Wang Zhi tinha provas substanciais, mas manteve a calma ao falar com ela.
— Você continua dizendo que este lugar tem o apoio de Wan Tong, mas ele ainda não apareceu. Sabe por quê? Você não passa de uma cafetina; sempre que algo acontece, é empurrada para ser o bode expiatório. Você afirma estar do lado dele, mas se houver alguém que não reconheça isso, o que vai fazer? De qualquer forma, temos tempo, então vamos interrogá-la aqui mesmo. Se se recusar a falar, continuaremos perguntando até que fale. Wei Mao!

Um homem de meia-idade e expressão severa apareceu. Era o chefe de esquadrão do Departamento do Oeste — e o melhor em arrancar confissões. Agora que essa tarefa lhe fora entregue, ele estava em seu elemento.
Assim que fez um sinal com a mão, dois subordinados avançaram e seguraram firmemente a cafetina.

— Vamos proceder com os “Dez Dedos Imaculados” — disse ele, aproximando-se. Os outros pressionaram as mãos dela contra o chão. Tirando de algum lugar um alicate de formato estranho, ele se agachou, prendeu-o em uma das unhas da mulher e arrancou-a sem piedade.

— AAAAAAAAA———!

Seu grito subiu e pareceu atravessar as nuvens.

Todos os clientes e mulheres do bordel haviam sido reunidos no primeiro andar pelo Departamento. Eles observavam impotentes aquela cena, os rostos empalidecendo de medo. Sempre tinham ouvido falar do poder do Departamento, mas era a primeira vez que presenciavam uma tortura real. Por muito tempo depois disso, provavelmente tremeriam só de ouvir o nome do órgão.

O nome “Dez Dedos Imaculados” soava bonito, mas, na realidade, tratava-se de arrancar todas as dez unhas das mãos de uma pessoa. Como os dedos estão conectados ao coração, podia-se imaginar a dor.

Todos ficaram pálidos ao ver a cafetina urrar de agonia — pareciam até sentir suas próprias unhas doerem.

Quando Tang Fan saiu da sala, ouviu Wang Zhi dizer:
— Você tem dez unhas. Vai demorar até acabarmos com as mãos. Ainda tem os pés, sabia? Se arrancarmos todas e você ainda aguentar firme, aceitarei suas palavras.

Com os braços firmemente imobilizados, ela não podia se mover; lágrimas e ranho escorriam juntos. Não era preciso mencionar quão miserável estava agora o rosto daquela velha outrora arrogante.

Mesmo assim, Tang Fan jamais sentiria pena de alguém como ela. Para falar de forma feia, seu coração era completamente negro; mesmo que nada tivesse a ver com o desaparecimento das crianças, já havia cometido inúmeros atos imorais. Mesmo que experimentasse todas as torturas do Departamento, provavelmente ainda não pagaria por todos os seus pecados.

Vendo que ela ainda se recusava a falar, Wei Mao usou o alicate para agarrar a unha do dedo indicador dela. No momento em que ia se mover, ouviu-a gritar como um porco sendo abatido:
— Não! Eu falo, eu falo! Não faça isso! Me solta! Me solta!

Os observadores talvez não soubessem por experiência própria como era ter uma unha arrancada, mas a cafetina, naquele instante, queria morrer. Desejava poder cortar o próprio dedo — talvez doesse menos. Gritava com toda a força, o corpo se contorcendo sem parar — e, ainda assim, não conseguia escapar da dor lancinante que lhe atravessava os ossos. Já incapaz de pensar em qualquer outra coisa, todos os segredos que guardava sumiram, restando apenas um pensamento: fazer a dor parar!

Wang Zhi acenou, e ela foi levantada e levada de volta ao depósito. A porta se fechou, restando apenas quatro pessoas com ela.

— Fale — ordenou ele.

— As crianças… não estão aqui… — soluçou.

Ele arqueou uma sobrancelha, achando que ela ia começar a inventar desculpas outra vez.
— Wei Mao, traga água salgada e jogue no dedo dela.

Ela gritou:
— Não, não! Eu não menti! Elas realmente não estão aqui! Saíram há mais de meia shichen! Eu só negocio carne! Se a Gangue do Sul sequestra crianças, às vezes as esconde aqui temporariamente, mas sempre as leva embora rápido!

— Você nos viu chegando e os avisou para fugirem? Quantas pessoas estavam no grupo? Quantas eram crianças? Para onde fugiram? Para onde leva esse túnel secreto? — ele disparou as perguntas.

Ela olhou assustada para o alicate próximo e respondeu sem hesitar:
— Eu não avisei ninguém! Eles saíram antes de vocês chegarem, porque alguém voltou antes do tempo e disse que tinha visto o seu Departamento interrogando perto das torres da cidade. Achando que as coisas poderiam ser descobertas, ele correu de volta, levou todas as crianças do porão e saiu pelo túnel. Eram três adultos e umas oito crianças. A maioria tinha menos de dez anos… o túnel vai dar fora da cidade. É tudo o que sei! O meu lugar é só um ponto de passagem, eu não sei pra onde elas realmente vão!

— Qual é o seu cargo na Gangue? — perguntou Tang Fan. — Quem são os outros?

— Eu sou só uma cafetina! Como posso ter algum cargo?! — chorou ela. — Sou apenas uma insignificante na Gangue! O tráfico de pessoas é todo comandado pelo segundo em comando, eu jamais ousaria perguntar! Às vezes, eles mandam umas crianças de pele clara, dizem que as trouxeram do Sul e mandam que eu as treine — e eu faço isso, mas realmente não sei mais nada!

Wang Zhi ficou em silêncio. Wei Mao despejou a água salgada sobre o dedo ensanguentado da mulher; ela gritou de dor, mas não revelou mais nada útil. Todos podiam perceber que ela não estava mentindo — seu conhecimento era, de fato, limitado.

— Entre essas crianças, havia uma menininha gordinha, de uns oito anos? — perguntou Tang Fan outra vez. — O cabelo preso em dois coques, com uma fita vermelha na cabeça.

Para não sofrer mais, a cafetina se esforçou em recordar.
— Parece que sim… não, com certeza sim! Tinha! Lembro de uma garota assim. Havia uma menininha menor que chorava o tempo todo, e o adulto que liderava o grupo ficou irritado e quis bater nela. A mais velha protegeu a menor e acabou levando um tapa forte!

O rosto de Tang Fan empalideceu. Ah-Dong havia nascido escrava, mas desde que estava com ele, ele sempre fora afetuoso. Como poderia alguém ter levantado a mão contra ela? Ao ouvir que ela fora agredida, ficou tomado pela raiva.

Wang Zhi fez mais algumas perguntas — sobre outros esconderijos da Gangue, quem era o chefe, a identidade dos que levaram as crianças —, mas ela sempre respondia que não sabia. Nenhuma tortura surtiu efeito.

— Não há tempo a perder. Vou ver agora mesmo! — disse Tang Fan.
Sui Zhou assentiu. — Vamos juntos.

Ele chamou Xue Ling e os outros. Ao todo, cinco pessoas, incluindo Tang Fan, levaram velas e se abaixaram para entrar no túnel.

Era relativamente estreito — só passava uma pessoa de cada vez, e ainda assim era preciso se curvar para seguir adiante.

De acordo com a cafetina, o túnel secreto fora escavado de forma bem rústica. Não havia escadas iluminadas nem mecanismos, apenas um caminho que levava para fora da cidade. Era conveniente para mover pessoas e coisas que não podiam ser vistas.

Como os Guardas de Brocado eram fisicamente habilidosos, seguiram na frente, enquanto Tang Fan ficou atrás. Caminharam por um bom tempo; como o caminho era irregular e acidentado, Tang Fan estava concentrado em se adaptar ao terreno e, por isso, distraído. Quando já tinham andado certa distância, percebeu que alguém o seguia. Virando-se, viu que era Wang Zhi, acompanhado de alguns guardas.

— Um lugar como este é escuro e difícil de atravessar. Realmente é um sacrifício, Eunuco Wang. Com o seu status, por que fazer tudo pessoalmente? — não pôde deixar de ironizar, ressentido por ter usado Ah-Dong como isca.

O eunuco Wang soltou um riso curto.
— Eles certamente têm alguém fora da cidade coordenando tudo. Tive receio de que, com tão poucas pessoas, vocês acabassem encontrando-os pelo caminho e se fazendo de tolos.

CAPÍTULO 49 - Dor
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The Fourteenth Year of Chenghua

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No décimo quarto ano de Chenghua, o harém imperial tinha uma Consorte Wan, assim como o Depósito Ocidental tinha um Eunuco Chefe chamado Wang Zhi. O Príncipe Herdeiro Zhu Youcheng tinha apenas...

Chapters

  • CAPÍTULO 72 - Velho Amigo
  • CAPÍTULO 71 - Outro é Enfurecido Até a Morte
  • CAPÍTULO 70 - O Conde Hegemônico
  • CAPÍTULO 69 - Retribuir Um ao Outro por Toda Uma Vida
  • CAPÍTULO 68 - Tigela Virada
  • CAPÍTULO 67 - Cabeça de Porco
  • CAPÍTULO 66 - Altamente Valorizado
  • CAPÍTULO 65 - Levando um Tapa
  • CAPÍTULO 64 - Bom Trabalho, Chefe
  • CAPÍTULO 63 - Compreensão Implícita
  • CAPÍTULO 62 - Falta de Juízo
  • CAPÍTULO 61 - Um Tamanho Nada Mau
  • CAPÍTULO 60 - Esta Viagem Foi uma Decisão Errada
  • CAPÍTULO 59 - Querendo Fugir de Casa
  • CAPÍTULO 58 - Com Outros Olhos
  • CAPÍTULO 57 - Ele ficou louco?
  • CAPÍTULO 56 - Irritar Alguém Até a Morte, Outra Vez
  • CAPÍTULO 55 - Visto a olho nu
  • CAPÍTULO 54 - Negócios de Outrem
  • CAPÍTULO 53 - Trabalhado até os Ossos
  • CAPÍTULO 52 -Um Novo Apelido
  • CAPÍTULO 51 - Covil de Ladrões
  • CAPÍTULO 50 - Desmaiados
  • CAPÍTULO 49 - Dor
  • CAPÍTULO 48 -Informações Internas
  • CAPÍTULO 47 - Vendo um Fantasma
  • CAPÍTULO 46 -Au! Au! Au!
  • CAPÍTULO 45 - Um Tanto Impotente
  • CAPÍTULO 44 - Popular
  • CAPÍTULO 43 - Sendo Provocado
  • CAPÍTULO 42 - Um Gênio Difícil
  • CAPÍTULO 41 - Um Glutão de Verdade
  • CAPÍTULO 40 - Ao Pequeno Príncipe
  • CAPÍTULO 39 - A Sorte Sorri aos Traidores
  • CAPÍTULO 38 - Não Coma Nuomici Com o Estômago Vazio
  • CAPÍTULO 37 - Cada Um por Si
  • CAPÍTULO 36 - A Família Han
  • CAPÍTULO 35 - O Tirano Louco, Eunuco Wang
  • CAPÍTULO 34 - Estão Perdidos
  • CAPÍTULO 33 - Senhor Tang Faz o Mal e Não Escapa Dele
  • CAPÍTULO 32 - O Sol Nasce no Oeste
  • CAPÍTULO 31 - Irritado com Tang Fan
  • CAPÍTULO 30 Casar é Terrível
  • CAPÍTULO 29 A Partir de Agora
  • CAPÍTULO 28 Sem Vergonha
  • CAPÍTULO 27 Encontrou-se com Duas Mães
  • CAPÍTULO 26 Um Pouco Empolgado
  • CAPÍTULO 25 Como um Porco
  • CAPÍTULO 24 Incapaz de Deixar Ir
  • CAPÍTULO 23 Você ainda é humano?!
  • CAPÍTULO 22 Como Ele Elogiaria Alguém
  • CAPÍTULO 21 Um Evento Chocante na Família Li
  • CAPÍTULO 20 Que história interna!
  • CAPÍTULO 19 Sorte Florescendo com as Flores de Pêssego
  • CAPÍTULO 18 Considere as Ações, Não o Núcleo
  • CAPÍTULO 17 O Culpado
  • CAPÍTULO 16 Uma Noite Inteira
  • CAPÍTULO 15 Feng
  • CAPÍTULO 14 Você Está Interessada Nele?
  • CAPÍTULO 13 O Último Pedaço de Bolo
  • CAPÍTULO 12 Um Medo Terrível
  • CAPÍTULO 11 Homem Respeitável
  • CAPÍTULO 10 Pego em Flagrante
  • CAPÍTULO 9 Um Amor por Ler Melodrama
  • CAPÍTULO 8 Minando o Território de Pan Bin
  • CAPÍTULO 7 A habilidade do herói salvador da beleza na zombaria
  • CAPÍTULO 6 Disparidade no tratamento
  • CAPÍTULO 5 Senhor Tang ficou chocado e sem palavras
  • CAPÍTULO 4 Um oficial menor de sexta patente
  • CAPÍTULO 3 Conhecido em Todo o Reino
  • CAPÍTULO 2 Reviravoltas, Surpresas e uma Morte Estranha
  • CAPÍTULO 1 Flutuando como uma nuvem errante

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