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The Fourteenth Year of Chenghua

CAPÍTULO 65 - Levando um Tapa

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🟡 Em breve

Yin Yuanhua segurou a testa ao se levantar, querendo xingar, mas sem ousar fazê-lo. Se aquela expressão de injustiça fosse pressionada contra o chão, ele só estaria incitando as gargalhadas estrondosas dos Guardas Brocado.

De qualquer forma, ninguém tinha cabeça para se importar com ele naquele momento.

— Este é o andar superior — disse o Chefe Liu. — É por aqui. Da última vez, descemos por aqui.

Enquanto ele guiava o caminho à frente, Pang Qi e os Guardas acenderam bastões de fogo, e o ambiente ao redor se iluminou instantaneamente, permitindo que todos enxergassem com clareza. O lugar onde estavam deveria ser uma câmara lateral esquerda de um portão dentro do complexo. Madeira apodrecida jazia espalhada pelo chão, junto de muitos baús, com porcelanas colocadas ao acaso, todas cobertas por uma espessa camada de poeira acumulada ao longo de muito tempo. Após anos de invasões, o Abismo Eterno — um túmulo imperial — havia sido praticamente saqueado até virar uma peneira; com apenas um olhar, quase não se via nenhum objeto intacto.

Como o palácio onde Yingzong de Song repousara após a morte, incontáveis tesouros de ouro, prata e porcelana haviam sido enterrados ali. Agora, porém, apenas os delicados padrões entalhados e os tijolos azulados próximos aos arcos e paredes de pedra podiam testemunhar a antiga glória daquele lugar.

O mais lamentável era que, quando tantos ladrões passaram por ali, geralmente roubavam apenas os tesouros de ouro e prata, jogando porcelanas e estatuetas de cerâmica de lado como sapatos velhos. A ponto de quase todas terem sido destruídas durante os saques, deixando o chão atual coberto por uma desolação ainda maior do que a visível na superfície.

Ainda assim, naquele momento, poucos estavam dispostos a se preocupar com tais detalhes. Tang Fan se abaixou para apanhar do chão um objeto branco e fino; ao retirar a poeira, descobriu que ainda havia sangue seco manchando sua superfície.

— O que é isso? — perguntou Sui Zhou, aproximando-se ao notar Tang Fan encarando o objeto em silêncio. Ele já havia ordenado ao Chefe Liu que não avançasse mais, além de instruir todos a observarem os arredores com cuidado.

— Um bicho-da-seda de jade. Isso não pertence a um túmulo da dinastia Song, e o sangue não parece tão antigo. Deve ser algo que o Mestre de Qian San’r deixou cair acidentalmente ao fugir com muita pressa.

Ao ouvirem isso, todos se reuniram ao redor para observar.

— Isso mesmo, isso mesmo! — disse Qian San’r apressado. — Meu Mestre e o Gordo Lu disseram que, depois de descer do segundo andar, dava pra ver muitos tesouros!

— Tenho algumas suspeitas minhas, mas preciso descer mais para ter certeza — murmurou Tang Fan. — Pode haver um segredo escondido sob este túmulo Song.

O grupo se entreolhou, completamente alheio a que “segredo” ele se referia.

Pang Qi soltou um “ah”.
— E os cadáveres? Se eles fugiram por aqui, deveria haver corpos deixados para trás!

Ele olhou para Qian San’r, como se esperasse uma explicação. O outro recuou alguns passos sob o olhar intenso, gaguejando:
— E-este humilde não sabe… Meu Mestre só disse que eles correram o caminho inteiro e foram largando os tesouros pelo chão. Talvez… talvez tenham largado isso?

— Vamos prosseguir — ordenou Tang Fan.

Sui Zhou assentiu.
— Todos, cuidado.

Quando o grupo deixou a câmara, havia apenas um caminho à frente. O ângulo escolhido pelo grupo de Qian San’r para abrir a caverna era realmente traiçoeiro. O fato de não haver vestígios de outros túneis de ladrões nas proximidades não significava que aquela área tivesse sido menos profanada; podia-se dizer que o túmulo inteiro agora não passava de paredes em ruínas, madeira podre e fragmentos de porcelana — quaisquer tesouros que um dia existiram haviam sido levados há mais de um século.

Assim, quando encontraram pelo caminho à frente pequenos objetos de ouro em forma de animais, brincos e afins espalhados pelo chão, todos ficaram chocados. Além disso, ocasionalmente pisavam em contas douradas redondas, ornamentos de coral fossilizado, pingentes de jade entalhados em forma de nuvem e coisas do tipo. Qian San’r, incapaz de resistir, se inclinava para apanhá-los sempre que podia; Tang Fan chegou até a ver Yin Yuanhua — normalmente tão altivo e distante — enfiar silenciosamente uma conta de ouro no bolso.

Em contraste, os Guardas Brocado ainda conseguiam se conter. Tang Fan segurava entre os dedos um objeto que acabara de encontrar sob seus pés — uma pulseira de prata incrustada com turquesa e conchas de mexilhão, coberta com folha de ouro — enquanto a suposição em sua mente começava a ganhar forma.

Eles deixaram a câmara lateral e seguiram o corredor até o pavilhão subterrâneo de estelas no salão principal, onde viram o Chefe Liu contornar até a parte de trás do pavilhão.

— É aqui! — gritou ele, surpreso e feliz. — Da última vez, descemos por aqui!

O pavilhão fora construído para ser uma visão deslumbrante, com o dobro do tamanho das estelas comuns da superfície. Três estelas de pedra erguiam-se em seu centro, registrando os feitos de Yingzong de Song durante sua vida — claro que, tendo reinado por apenas três anos, nenhuma de suas realizações podia se comparar às de Renzong ou Taizong, de modo que o texto precisou ser inflado com palavras vazias. As inscrições estavam excessivamente carregadas de frases floreadas e elogios exagerados. Tang Fan apenas lançou um olhar rápido por algumas colunas antes de desviar o olhar para a entrada indicada por Chefe Liu.

O andar inferior da cripta abrigava o caixão do Imperador e também era o coração do palácio subterrâneo. Aquela entrada havia sido aberta posteriormente, não sendo a original; dizia-se que, como a entrada original possuía muitas armadilhas para dissuadir ladrões, gerações posteriores de saqueadores haviam escavado rotas alternativas. Ao longo de cem anos de incursões sucessivas — e a julgar pelo caminho livre no andar superior — provavelmente não restavam muitos mecanismos ativos no nível inferior.

Sui Zhou advertiu todos a tomarem cuidado, após o que Chefe Liu desceu à frente. Não era que Sui Zhou quisesse usá-lo como bucha de canhão, mas sim que ele era o único que já estivera ali antes e, portanto, o mais familiarizado com o caminho.

Os Guardas haviam trazido bastões de fogo em abundância e não temiam que faltassem. Assim que todos pisaram nos tijolos azulados do nível inferior, a luz das chamas foi suficiente para iluminar todo o espaço vazio ao redor.

— Há manchas de sangue aqui — disse Yan Li em voz baixa.

Os corações de todos deram um salto. Ao olharem para onde ele apontava, viram uma poça de sangue vermelho-escuro, quase negro, já seco, além de várias folhas de ouro igualmente escurecidas pelo sangue.

Um Guarda se abaixou, pegou uma das folhas e a passou para Sui Zhou. Este a examinou.
— Deve ter havido uma luta feroz aqui, mas todos os corpos desapareceram. Podem ter sido devorados em pedaços pelo monstro. Todos precisam redobrar o cuidado e evitar se afastar. Ao menor som estranho, juntem-se e preparem os canhões de mão.

Era inevitável que todos sentissem o quão bizarro aquele lugar era — especialmente Qian San’r. Com os próprios olhos, ele vira o grupo de Li Kui descer, depois apenas seu Mestre e o Gordo Lu retornarem; e, na segunda descida, nem mesmo esses dois voltaram à superfície. Isso já dizia tudo: os perigos ali estavam muito além das expectativas e da imaginação de qualquer um. Nem Li Kui e os outros haviam escapado. Quanto a alguém como ele, um simples oportunista…

Ele não ousava pensar mais nisso. Nem mesmo os objetos de valor espalhados diante dele despertavam interesse agora; só queria correr de volta à superfície e se banhar na luz quente do sol em um único fôlego.

Infelizmente, ele não era quem mandava ali. Só podia cerrar os dentes e continuar descendo.

Tang Fan pegou a folha de ouro da mão de Sui Zhou e a examinou por um tempo.
— Há inscrições em escrita de bronze entalhadas aqui.

A atenção de todos se voltou para ele.
— O que é escrita de bronze? — perguntou Sui Zhou.

— Também é chamada de “escrita de sinos e caldeirões”. Antes do período das Primaveras e Outonos, era comum gravar inscrições em vasos rituais de bronze, embora às vezes também aparecessem em objetos funerários. Esta folha de ouro deve ter sido colada em algum objeto e depois arrancada.

A sintonia entre ele e Sui Zhou já havia alcançado um nível em que bastava ouvir a melodia para entender a intenção. Sui Zhou captou imediatamente.
— Quer dizer que esses tesouros que estamos vendo não pertencem a um túmulo Song, mas vêm de baixo do Abismo Eterno?

Tang Fan assentiu.
— Tanto o Mestre de Qian San’r quanto o Chefe Liu disseram que há outro nível abaixo. Se não me engano, isto deve ser uma câmara funerária. Por coincidência, a localização do Abismo Eterno foi escolhida exatamente acima de um túmulo menor. Os imperadores Song seguiam a política de sepultar os Filhos do Céu em julho, e a escolha do local só ocorria após a morte. Não se pode descartar que, por essa câmara inferior estar enterrada muito profundamente e o sepultamento de Yingzong ter sido apressado, a sobreposição não tenha sido descoberta.

Tendo dito isso, ele não manteve suspense.
— Durante o período das Primaveras e Outonos, o Condado de Gong foi um feudo concedido por um imperador Zhou, conhecido como Estado de Gong. Essas inscrições em escrita de bronze são um pouco difíceis de decifrar, mas, a julgar pela qualidade dos objetos funerários, o que há lá embaixo deve ser o túmulo de um nobre.

Qian San’r teve uma súbita iluminação.
— Não é à toa que meu Mestre disse que havia uma montanha de tesouros lá embaixo! Na época, ficamos confusos. Todo mundo dizia que os túmulos Song já tinham sido saqueados há muito tempo, então como ainda poderia haver tesouros? Até desconfiaram que tinham alucinado! Então era isso!

— Pode ser, ou pode não ser — respondeu Tang Fan. — Ainda precisamos descer para confirmar. Antes da dinastia Qin, os nobres costumavam ser enterrados com fossos de carruagens. Os padrões da época eram muito diferentes dos túmulos posteriores.

Enquanto conversavam, o grupo seguiu Chefe Liu através de um arco e parou numa depressão atrás do portão da cripta.

— Aqui. Encontramos a entrada aqui da última vez — disse Chefe Liu, apontando para a abertura escura da caverna. — Como nossos bastões de fogo estavam acabando e o buraco se aprofunda bastante, só avançamos um pouco e ficamos receosos de continuar descendo.

Tang Fan se agachou e olhou para dentro. Percebeu que aquela entrada devia ter começado como um pequeno buraco aberto quando um trecho da parede de pedra desabou. Mais tarde, um incêndio ocorrera ali, e depois soldados Jin haviam revirado tudo durante o saque; as camadas de tijolos azuis do chão haviam sido arrancadas há muito tempo. Quem sabe que ameaça à sociedade percebeu algo estranho ali embaixo e cavou, criando esse túnel que levava a um destino desconhecido.

Pelo ritmo frenético em que o grupo do Mestre de Qian San’r estivera, não havia como eles terem descoberto e escavado essa passagem em apenas dois shichen. O túnel já devia existir antes deles. Mas, sendo assim, se havia tesouros ali dentro, por que só apareceram depois que aquele grupo desceu?

Se fosse ilusão, não faria sentido, já que eles próprios haviam recolhido tesouros inestimáveis ao longo do caminho. Eles realmente existiam, e não faziam parte dos pertences originais do túmulo Song. Qual poderia ser a explicação?

Tang Fan expressou seu pensamento em voz alta.
— Independentemente do motivo, o objetivo da nossa expedição é eliminar o monstro que está trazendo danos a esta região — disse Sui Zhou. — Todo o resto é secundário. Não podemos nos deixar levar pela ganância e falhar na nossa missão principal.

Os Guardas Brocado concordaram, mas Yin Yuanhua sentiu resistência dentro de si. Em sua visão, se esses objetos de valor fossem encontrados e levados para fora, isso contaria como um grande mérito para a Dinastia — e, quando chegasse a hora, se alguém conseguisse esconder um pouco, teria conforto pelo resto da vida. Quanto àquele “monstro” ilusório, ele ainda não tinha visto nem sombra. Mesmo que fosse descrito de forma tão vívida, ainda acreditava que provavelmente se tratava de alguém fingindo o sobrenatural, usando os títulos de “deuses do rio” e “monstros” para assustar os aldeões e afastá-los, ocultando assim os tesouros.

Sui Zhou não se apressou em descer; em vez disso, levou todos a examinar cuidadosamente o nível inferior em um percurso circular.

O Abismo Eterno podia ser considerado o menor entre os túmulos da Song do Norte; somado às devastações de soldados, incêndios e ladrões, agora não passava de uma tumba vazia. Até mesmo o caixão de madeira opressivo que continha o corpo de Yingzong fora desmontado há muito tempo, restando apenas alguns fragmentos espalhados. Provavelmente, os que passaram antes só foram embora quando já havia coisas demais para levar. Até os ossos do Imperador haviam desaparecido, sem falar das vestes de dragão e joias que o adornavam.

Essa cena fora digna de suspiros no início, mas, por causa das palavras de Tang Fan, a curiosidade de todos em relação ao andar inferior só aumentou. Assim, eles percorreram a área rapidamente e, ao não encontrarem nada suspeito, se prepararam para descer.

Por causa da experiência de seu Mestre, Qian San’r sempre nutrira um medo indescritível daquele lugar. Depois de ver tantos ali sem entender nada, enquanto apenas Tang Fan conseguia explicar a origem do que havia abaixo, ele não pôde deixar de admirá-lo profundamente. Instintivamente, passou a segui-lo de perto, sem se afastar nem um fio de cabelo.

Ao ver que Tang Fan ainda estava agachado ao lado do caixão, não resistiu: aproximou-se, se inclinou e esticou o pescoço para espiar.

Tang Fan se assustou com a presença repentina, mas não o repreendeu; apenas continuou a limpar a poeira acumulada com as mãos.

Os olhos de Qian San’r se arregalaram. Ele viu que, depois que a serragem e a sujeira foram limpas, um grande acúmulo de algo escuro foi revelado por baixo.
— I-i-isso é… — começou, a voz falhando involuntariamente.

— Sangue — completou Tang Fan em voz baixa.

Os dentes de Qian San’r começaram a bater sem que ele conseguisse evitar. Tang Fan, no entanto, apenas riu.
— Não tenha medo.

Depois de rir, levantou-se e se afastou.

Qian San’r continuou encarando em transe a grande mancha de sangue. Sobre ela, pareciam haver restos de carne ou fragmentos de ossos misturados à poeira, algo que causava um terror profundo ao se pensar melhor.

Deixando de lado o fato de ter sido um andarilho sem-teto desde a infância, tudo o que ele já fizera fora pequenos furtos — nunca nada sombrio como assassinato ou incêndio criminoso. Na época em que acompanhara a escavação do túmulo imperial, fora impedido de entrar por falta de experiência, escapando assim do destino; mas agora, tinha a sensação de que aquele acerto de contas finalmente chegara.

Carregando esse presságio funesto no coração, levantou-se com expressão abatida e seguiu o grupo, descendo no buraco que, aos seus olhos, se tornava cada vez mais aterrador.

Ao entrarem nesse espaço, não havia qualquer luz natural. O ar parecia mais abafado do que na superfície. A câmara não era grande, mas tampouco pequena; além do grupo deles, não havia qualquer presença humana — suas vozes e passos ecoavam vazios, impregnados no silêncio de séculos.

Não se sabia se fora causado por algum incêndio antigo ou não, mas havia um leve cheiro de terra queimada no ar. Somado às manchas de sangue que apareciam e desapareciam, o peso nos corações de todos só aumentava.

Os Guardas estavam bem — cenas assim não os assustavam. Yin Yuanhua, apesar de ansioso por acumular méritos, ficou pálido ao chegar a um lugar como aquele. Se antes, no andar superior, ainda se abaixara para catar contas de ouro, agora estava nervoso demais até para baixar a cabeça e olhar melhor, ficando muito aquém de Tang Fan, que observava cada detalhe. Aos olhos dos outros, isso inevitavelmente rendia zombarias silenciosas.

Os Guardas Brocado já não simpatizavam com ele desde o início. Ao vê-lo tão tenso, Yan Li teve a ideia de assustá-lo: aproximou-se sorrateiramente por trás e bateu abruptamente em seu ombro.

— Ah! — Yin Yuanhua deu um pulo. Ao reconhecer Yan Li, lançou-lhe um olhar feroz. — Você tem coragem de assustar um oficial superior?!

— Eu só vi que o senhor estava pisando em algo que não deveria, senhor Yin — respondeu Yan Li com ar inocente. — Achei melhor avisar.

Yin Yuanhua baixou a cabeça às pressas para olhar, apenas para ver que o chão onde estivera estava limpo. Não havia nada ali.

Percebendo que fora enganado, enfureceu-se.
— Espere só! Que insolência! Quando voltarmos, vou denunciá-lo ao Imperador com certeza!

— Silêncio!

Quem falou não foi Yan Li, nem Sui Zhou, mas Tang Fan. Após dizer isso, seu rosto assumiu uma expressão concentrada, como se estivesse escutando algo.

Vendo-o tão sério, todos imediatamente aguçaram os ouvidos e escutaram por um bom tempo… apenas para não ouvir absolutamente nada.

— …

Yin Yuanhua tinha todos os motivos para acreditar que Tang Fan estava deliberadamente lhe dificultando as coisas para fazê-lo passar vergonha diante dos outros. Passou a odiá-lo ainda mais, mas sabia que, naquele momento, não tinha poder algum; o outro estava em vantagem. Só pôde engolir a irritação.

Espere só quando voltarmos, pensou com rancor.

Na verdade, Tang Fan não pretendia provocá-lo. Quando Yin Yuanhua falava alto, ele ouvira um som fraco e arrastado vindo de longe, como algo pesado sendo puxado pelo chão à frente. Contudo, após acalmar a mente e escutar com atenção, o som desapareceu — como se tivesse sido apenas imaginação.

Depois de vasculharem o andar inferior e confirmarem que não havia nada ali, Chefe Liu conduziu todos para dentro do buraco.

Exatamente como ele dissera, o túnel era um pouco longo, quase do mesmo comprimento daquele por onde haviam descido até o andar superior. Provavelmente era por isso que o túmulo do nobre pré-Qin, oculto nas profundezas, não fora descoberto durante a escolha do local do túmulo imperial.

— Chegamos — disse Chefe Liu.

O chão sob seus pés era irregular; ao pisar, era possível sentir claramente que ali não havia tijolos de pedra azul como na cripta, mas apenas um solo comum de vala.

Sob a luz das chamas, o pequeno espaço ao redor ficou imediatamente visível. Qian San’r arfou.
— Meu Mestre disse… que eles viram muitos tesouros quando desceram aqui!

Mas que tesouros havia ali, afinal? Além das paredes de terra dos dois lados, não havia nada.

Não… ao prestar mais atenção ao chão, era possível ver poça após poça de manchas de sangue vermelho-escuro, solidificadas e infiltradas profundamente nas paredes, formando blocos de profundidades variadas, estranhamente perturbadores. O rosto de Yin Yuanhua escureceu.
— Eu já sabia que um ladrão estúpido não seria confiável!

Qian San’r já sofrera bastante desde que fora levado à capital do condado pelos Guardas Brocado. Ao ouvir isso, apressou-se em se defender:
— Meu Mestre realmente disse isso! Senhor, este humilde já está aqui com todos vocês — como eu ousaria mentir?!

— S-será… será que o monstro os comeu? — perguntou Chefe Liu, nervoso.

Um monstro que devorava pessoas sem cuspir sequer os ossos já era ruim o bastante. Se também comesse tesouros, o que fariam? Chamá-lo de pixiu?

O comentário era ridículo, mas ninguém conseguiu rir.

O ambiente estreito e sinistro, os tesouros misteriosamente desaparecidos, os perigos imprevisíveis à frente e o monstro de paradeiro desconhecido faziam o coração de todos permanecer suspenso.

Ao menos essa câmara lateral não estava selada: havia um portão de pedra erguido à frente. Pang Qi se aproximou e testou-o; aparentemente, havia roldanas embutidas embaixo, permitindo que fosse aberto com um empurrão forte.

A porta se abriu lentamente até a metade, revelando além dela um corredor longo e estreito. A escuridão parecia infinita; sem luz, era impossível ver quão profundo ele se estendia.

— Irmão? — Pang Qi perguntou em voz baixa. Todos olharam para Sui Zhou.

Naquele momento, ele era o pilar de sustentação do grupo.

— Pang Qi, leve dois com você para explorar à frente. Não precisam ir longe. Confirmem se, por ora, não há perigo, e retornem. Yan Li, fique aqui vigiando e dando suporte. Se algo fora do comum acontecer, corra para a superfície e não se preocupe conosco — ordenou Sui Zhou, com voz pesada.

Pang Qi confirmou, acenou para dois subordinados, empurrou a porta de pedra e seguiu adiante.

Se não fosse obstruída, a porta se fecharia sozinha. Sui Zhou ordenou que a bloqueassem e também que deixassem uma marca do lado de fora.

Não demorou muito para Pang Qi e os outros retornarem.
— Irmão, há uma bifurcação no fim do corredor, para a esquerda e para a direita. Não avançamos mais.

Sui Zhou murmurou em concordância.
— Então, vamos continuar.

Deixando Yan Li ali, levou o restante adiante. Tang Fan e Yin Yuanhua caminhavam por último quando, de repente, um Guarda à frente gritou:
— Tem algo à frente!

Logo depois, outra voz se elevou:
— Parece uma pessoa!

Todos se alarmaram.
— Não persigam! — ordenou Sui Zhou.

Em um ambiente completamente desconhecido, perseguir apressadamente só colocaria o próprio grupo em perigo. Embora todos quisessem instintivamente avançar para ver, a calma de Sui Zhou foi como um balde de água fria jogado sobre eles.

Ainda assim, o ritmo de todos acelerou um pouco.

Nesse momento, Yin Yuanhua soltou um grito abafado, como se tivesse pisado em algo, tropeçando e caindo para frente. Tang Fan estendeu a mão para segurá-lo, mas acabou se desequilibrando um pouco também, apoiando-se rapidamente na parede para se firmar.

— Filho da puta! — Yin Yuanhua segurava o bastão de fogo enquanto baixava a cabeça para olhar. O que o fizera tropeçar era um crânio humano.

Tomado por um mau pressentimento, chutou o crânio para o lado e então percebeu que Tang Fan não reagira. Ergueu a cabeça e exclamou:
— Onde estão os outros?! Por que foram tão longe assim?!

Tang Fan franziu o cenho. Sua atenção fora atraída pela queda de Yin Yuanhua, mas em menos de um minuto, as pessoas à frente haviam desaparecido sem deixar vestígios. Até o som de seus passos havia sumido.

Ele avançou alguns passos. Uma luz fraca iluminava o corredor à frente; o final não parecia longe, mas não havia bifurcação alguma como Pang Qi descrevera — apenas um corredor que virava à esquerda.

Yin Yuanhua evidentemente notara o mesmo. Seu rosto estava pálido, a voz tremendo:
— Onde… onde está todo mundo?

Tang Fan não respondeu. Ergueu o bastão de fogo, preparando-se para avançar. Sem se importar com a própria dignidade, Yin Yuanhua agarrou apressadamente a barra das roupas dele.
— Não me deixe!

O Senhor Tang ficou um pouco sem palavras, mas não era hora de zombar. Em vez de virar à esquerda, permaneceu parado, apalpando em silêncio o trecho da parede de terra à frente.

— O que está acontecendo afinal? — Yin Yuanhua imitava o gesto, mas não conseguia perceber nada de errado. Já começava a se arrepender de ter vindo. — E se… formos nos encontrar com Yan Li e esperarmos o grupo do Enviado Sui voltar?

— Receio que não possamos voltar.

— O que você quer dizer?

— Vá até lá e tente.

Com certa hesitação, Yin Yuanhua ergueu a luz, recuou alguns passos e, de repente, gritou:
— Onde está a porta da câmara? Por que não tem nada aqui?!

Com a mão livre, tateou a parede de terra, tentando encontrar a marca que haviam feito antes.
— Yan Li! Yan Li! — gritou, batendo na parede.

— Não grite — suspirou Tang Fan. — Devemos ter encontrado uma parede fantasma.

— F-fantasma… — o rosto de Yin Yuanhua empalideceu ainda mais.

— Não é um fantasma de verdade, apenas um mecanismo usado em câmaras funerárias para impedir que ladrões entrem livremente. Eu só tinha lido sobre isso em textos antigos, nunca visto pessoalmente. Quando você tropeçou, provavelmente entramos sem perceber em um desvio que nos separou deles; caso contrário, não teriam avançado tão rápido sem nos esperar. O fato de você não conseguir encontrar a câmara atrás de nós é a prova.

— E agora? — perguntou Yin Yuanhua, com a voz trêmula.

— Como eu vou saber? Não sou o dono da tumba. Vamos observar com calma; sempre há uma saída. Não se agite.

Mesmo preso ali com ele, o Senhor Tang quase quis rir da expressão apavorada do outro. Era preciso admitir: sua mente já alcançara certo nível — se Yin Yuanhua soubesse no que ele estava pensando, provavelmente morreria de raiva.

Tang Fan ainda não tivera tempo de responder quando uma voz distante ecoou pelo corredor à esquerda:
— Senhor Tang! Senhor Tang! Onde vocês estão…?

Yin Yuanhua ficou radiante.
— É o Chefe Liu! Estamos aqui!

Uma pequena luz se aproximou rapidamente. Pouco depois, Chefe Liu surgiu diante deles, ofegante, com uma expressão ao mesmo tempo chocada e aliviada.
— Então foi para cá que os senhores vieram, Senhor Tang!

— E os outros? Onde estão?! — perguntou Yin Yuanhua, ansioso.

Chefe Liu respirava com dificuldade, a testa coberta de suor.
— Estávamos andando quando percebemos que vocês dois não estavam mais conosco, então o Senhor Sui me mandou voltar para procurar. Eles encontraram o local onde os tesouros estão escondidos! Sigam-me depressa, senhores!

Yin Yuanhua não suspeitou de nada e estava prestes a segui-lo quando Tang Fan o deteve.
— Espere!

No intervalo de uma única palavra, Yin Yuanhua se virou para Tang Fan — e o Chefe Liu, que caminhava à frente, ergueu de repente o machado e o lançou contra eles!

Por causa do ângulo, Yin Yuanhua não percebeu, mas Tang Fan sim. Ele puxou Yin Yuanhua para trás e, no instante em que o impulso os fez cair, o machado passou a um fio de distância da cabeça dele!

Além disso, por ter usado força demais, Chefe Liu cravou violentamente o machado na parede, ficando incapaz de puxá-lo por um momento. Aproveitando-se disso, Tang Fan arrastou Yin Yuanhua e saiu correndo. A voz furiosa de Chefe Liu ecoou pelo túnel — mas não pedindo que parassem, e sim:
— Peguem-nos!

Duas pessoas surgiram do nada e bloquearam a rota de fuga, agarrando-os pelos ombros. Sem pensar, Tang Fan tentou acertar o homem à sua frente com uma joelhada na virilha.

Esse golpe poderia funcionar contra gente comum, mas era totalmente inútil contra alguém com o corpo fortalecido por artes marciais. A outra parte deu um tapa direto em seu joelho; uma dor aguda explodiu, retardando seus movimentos. Em um instante, ele já estava imobilizado, com os braços torcidos para trás enquanto o outro xingava:
— Desgraçado! Tentou chutar minhas joias?!

Yin Yuanhua já estava completamente desnorteado com a sequência de eventos, debatendo-se até também ser dominado.
— Quem são vocês?! Como ousam?! Não sabem que somos enviados imperiais?! Isso é traição! Soltem-me! Soltem-me— mmph!

Um pano sujo, fedendo terrivelmente, foi enfiado em sua boca, fazendo-o engasgar até os olhos quase revirarem.

Chefe Liu se aproximou como uma tempestade. Ignorando completamente o barulhento Yin Yuanhua, ergueu a mão e deu um tapa violento em Tang Fan, sem dizer uma palavra!

A força foi tamanha que a cabeça de Tang Fan virou de lado. Seus ouvidos zuniram, e um gosto metálico de sangue lentamente subiu à sua boca. Com dificuldade, conteve a tontura e olhou para Chefe Liu, que sorria de forma malévola.
— Deve ter sido difícil para você manter a encenação por tanto tempo. Eu estava me perguntando quando estaria disposto a revelar suas verdadeiras cores.

Chefe Liu estava prestes a sacar uma adaga para “apresentá-la” a Tang Fan, mas ao ouvir isso, seu interesse foi despertado.
— Você sabia desde o começo que eu era falso?

O outro não respondeu diretamente.
— Um camponês nascido e criado na Vila Luohe teria contato com todo tipo de trabalho agrícola desde pequeno. Seria impossível não saber usar um machado. Os movimentos que você usou agora eram estranhos; você nem conseguia controlar bem a força. Seria difícil convencer alguém de que você é o verdadeiro Chefe Liu!

Ao ouvir isso, Chefe Liu sorriu de verdade. À luz do bastão de fogo, o sorriso parecia distorcido. Yin Yuanhua não pôde deixar de estremecer, mas o outro sequer lhe deu atenção, mantendo os olhos em Tang Fan.
— Saber disso não adianta nada. Já que vocês dois desceram até aqui, preparem-se para morrer aqui mesmo.

Ele puxou uma adaga da manga, pronto para cravá-la no coração de Tang Fan.

Mas, de repente, um choro espectral ecoou à distância.

Woooo… woooooooo…

O som era áspero e ressentido, como se carregasse uma dor infinita. A expressão de todos mudou no instante em que o ouviram.

— V-Vigário… aquela coisa não estava trancada lá fora? C-como ela entrou aqui? — gaguejou o homem que segurava Yin Yuanhua.

— Vamos! — o chefe Liu cerrou os dentes, incapaz de perder mais tempo pensando em matar Tang Fan. Ordenou aos subordinados que agarrassem os dois e corressem.

O grupo foi tropeçando enquanto fugia. O chefe Liu parecia conhecer bem aquele caminho, dobrando curva após curva até que, por fim, entraram numa câmara de pedra, onde ele empurrou a porta e a fechou. Só quando o som dos lamentos deixou de ser ouvido, ao menos por enquanto, ele suspirou aliviado.

Aquela câmara era claramente o ponto central da tumba. O espaço era muito maior do que a câmara lateral por onde haviam passado antes e estava mal iluminado; apenas o caixão no centro tinha uma única vela acesa sobre ele, lançando um brilho fraco. Não se sabia se o corpo ainda estava lá dentro.

— Eu aconselharia você a não nos matar agora — disse Tang Fan. — Se não estou enganado, o monstro se move atraído pelo cheiro de sangue. Se morrermos aqui, isso vai atraí-lo para cá. Quando você não conseguir mais sair, tudo isso não terá sido em vão?

O chefe Liu estava ofegante. Apesar da identidade que assumia, sua verdadeira pessoa ainda era um inútil mimado, claramente não acostumado a uma corrida tão intensa. Caso contrário, não teria errado aquele golpe de machado.

— O senhor Tang sempre foi bastante inteligente — zombou ele. — Já que sabe que sou um impostor, por que não tenta adivinhar quem eu sou?

Tang Fan o observava, e ele observava Tang Fan. Aquele rosto antes honesto agora era inegavelmente sinistro.

— Na verdade, você interpretou bem o papel, até imitou o sotaque local. Mas, por mais convincente que seja, uma falsificação sempre acaba revelando falhas nos gestos e na fala — explicou Tang Fan com calma. Antes que o chefe Liu pudesse se irritar, ele continuou: — Quando entramos, a partir do andar superior da cripta, encontramos ondas sucessivas de jade, contas de ouro e outros objetos de valor. Você se lembra, não?

— Claro. Aquilo tudo foi deixado espalhado depois que aquele bando de idiotas morreu aqui da última vez. Eu disse especificamente para ninguém limpar. E daí?

— Esse era o problema. Depois que entramos, nem mesmo Yin Yuanhua conseguiu resistir a pegar uma conta de ouro, para não falar de Qian San’er e os outros. Mas você? Você liderou o caminho o tempo todo e não se abalou nem um pouco ao ver aqueles tesouros. Se fosse um comerciante rico, cercado de fortuna, ou algum senhor acostumado à riqueza, isso não me surpreenderia.

Tang Fan sorriu para o chefe Liu.

— Mas você é apenas um camponês que sustenta sozinho toda a família. Seu irmão mais novo disse que sua esposa morreu cedo, que você ainda não se casou novamente por causa das circunstâncias familiares e que não tem filhos. Uma pessoa assim realmente não se comoveria com bugigangas espalhadas pelo chão? Evidentemente, você estava ansioso demais para nos arrastar até uma zona de tiro, e por isso não prestou atenção a esse detalhe, certo?

— Além disso, eu me lembro do que o velho chefe disse na noite anterior à morte dele. No fim, ele ficava repetindo que havia fantasmas por toda parte. No início, pensei que fosse apenas histeria causada pelo medo, mas depois de refletir melhor, aquela frase talvez se referisse a outra coisa… porque naquele momento, além de Sui Zhou e eu, só você estava por perto.

— Deixe-me levantar uma hipótese. Ele sabia que você não era o filho dele? Você temeu que nossa chegada fizesse sua identidade ser exposta cedo demais, então o ameaçou com a segurança da família dele para forçá-lo ao suicídio? Mas por que ele ficou com medo demais para nos contar a verdade? Você tinha algum ponto fraco dele em suas mãos?

O chefe Liu abriu um sorriso arrepiante.

— Correto. Eles ainda acreditam que o neto dele — o filho do “meu” irmão — está estudando no distrito, quando na verdade eu já o capturei há muito tempo. Só o velho chefe sabia desse segredo. Eu disse a ele que, se ousasse revelar minha identidade, o garoto certamente sofreria um infortúnio antes de mim. Pela vida do único neto, ele me obedeceu perfeitamente.

— Isso faz sentido, mas o que eu não entendo é o seguinte — disse Tang Fan. — O velho chefe era o pai de Liu Daniu, então não é estranho que ele tenha percebido seu disfarce. Mas por que a mãe e o irmão mais novo dele não desconfiaram?

O chefe Liu bufou.

— Como você mesmo disse, meu disfarce é impecável. A velha mãe dele é idosa, frágil e enxerga mal. Quanto ao irmão, é só um idiota que pode ser enganado com algumas palavras. Ninguém naquela família sabia que eu não era o verdadeiro Liu Daniu, exceto o velho, hahaha! E, além disso, pela vida do neto, ele ainda teve que me ajudar a esconder tudo por vontade própria!

Tang Fan assentiu.

— Exato. Faz muito tempo, Li Man. Presumo que você esteja se divertindo bastante neste período?

Ter sua identidade exposta de forma tão direta foi inesperado. A outra parte ficou atônita por um bom tempo, então estendeu a mão e agarrou Tang Fan pela gola.

— Você ainda se lembra de mim? — perguntou, feroz.

Sendo um pouco estrangulado e, além disso, tendo as mãos amarradas novamente atrás das costas, Tang Fan estava em um estado lastimável, incapaz de manter a compostura. Não pôde evitar tossir algumas vezes.

— Como eu poderia não me lembrar de você? Você trocou de identidade com Li Lin na prisão, condenando seu próprio filho à morte…

Li Man zombou.

— Se não fosse por você, por que ele teria morrido?! Se não fosse por você, por que eu não poderia ainda estar confortavelmente atuando como o senhor da família Li, em vez de ser forçado a vagar pelos confins do mundo por causa da sua intromissão?!

Não se sabia que método ele estava usando, mas não apenas sua aparência era completamente diferente de antes, como até sua voz havia mudado por completo.

Sempre existe um certo tipo de pessoa no mundo que é um fracasso total. Em vez de refletir sobre os próprios erros, jogam toda a culpa nos outros, acreditando eternamente que todas as suas desgraças foram causadas por terceiros.

— Se você não tivesse assassinado sua própria esposa de forma tão cruel, não estaria na situação em que se encontra agora! — rugiu Tang Fan.

— Ela foi prometida a mim quando atingimos a idade — respondeu o homem friamente. — Havia coisas que jamais escapariam aos olhos dela. Ela sabia demais, e apenas os mortos são realmente silenciosos.

— Então você planejou matá-la desde o começo! — Tang Fan explodiu de raiva. — Tudo o que disse antes sobre ela se recusar a se divorciar não passava de uma desculpa!

— E daí se era uma desculpa? Você está tão irritado, senhor Tang. Se ela não tivesse mais de cinquenta anos, eu até pensaria que você teve um caso com ela!

— E quanto a Li Lin?! Ele era seu filho de sangue! Nem mesmo tigres devoram seus próprios filhotes, como você pôde ter coragem de fazer isso com ele?!

— Se eu não tivesse usado ele para trocar de lugar comigo, eu não estaria aqui conversando com você agora — disse Li Man com calma. — Ainda bem que a mãe dele o educou desde pequeno de maneira excessivamente tradicional, a ponto de ele se tornar um tolo erudito. Isso o tornou fácil de manipular. Além disso, Lady Chen já me deu um filho, então a família Li tem alguém para acender o incenso ancestral. Aquele filho era um pedaço de madeira podre, impossível de ser talhado. Não há com o que se preocupar.

Tang Fan sentiu que discutir moralidade com um canalha como esse era praticamente um luxo. Se antes ele ainda achava que o homem sentia algum remorso pela morte de Lady Zhang na residência da família Li, após esse reencontro Tang Fan só via maldade nele, a completa aniquilação de qualquer traço de humanidade.

Ou seja, na mente daquele homem, agora apenas Lady Chen e o filho dela tinham valor. Quanto a Lady Zhang e seu filho, ele os havia descartado há muito tempo.

Antes que Tang Fan pudesse falar, Li Man perguntou:

— Você ainda não explicou. Como descobriu quem eu era?

— É simples. Antes de partirmos, você disse algo ao Segundo Liu. Lembra?

Vendo o outro inclinar a cabeça, pensativo, Tang Fan o lembrou gentilmente:

— Você disse para ele adicionar bok choy branqueado ao ensopado quando você voltasse.

Li Man franziu a testa.

— Qual é o problema nisso?

Tang Fan sorriu.

— Não há problema nenhum em si, mas o termo “branqueado” claramente não faz parte do dialeto local nesse contexto. Pelo que sei, porém, a região de Suzhou, em Jiangnan, gosta muito dessa expressão. Você tomou tantas precauções, mas não esperava que sua forma de falar fosse denunciá-lo, não é? A família Li viveu por muito tempo na capital, mas seus ancestrais eram de Jiangnan. Por azar, minha cidade natal também fica em Jiangnan, então já ouvi esse termo antes.

Li Man havia pensado que, como o outro lado estava prendendo o grupo de Sui Zhou, ele teria tempo de vir até ali para matar Tang Fan e Yin Yuanhua. Com tempo de sobra e aproveitando uma dúvida que tinha em mente, acabou conversando, mas ao ouvir isso, finalmente percebeu que algo estava errado.

— Já que vocês desconfiavam, por que ainda assim me seguiram até aqui?!

A expressão de Tang Fan era estranha.

— De que adiantaria capturá-lo sozinho? Você nunca ouviu aquele ditado: se não entrar na toca do tigre, como capturar o tigre?

Assim que Tang Fan fez aquela expressão esquisita, Li Man entrou em alerta.

No instante seguinte, os dois subordinados que seguravam Tang Fan e Yin Yuanhua gritaram surpresos:

— Vigário!

Ao ouvir o som agudo do vento, carregado de intenção assassina, vindo por trás, Li Man não hesitou: agarrou o ombro de Tang Fan, girou os dois e o usou como escudo!

–

Mini-teatro do autor:

Autor: Se vocês levassem um tapa, como reagiriam?
Tang Fan: Suportaria no começo e depois procuraria uma oportunidade de revidar.
Sui Zhou: Cortaria essa pessoa em pedaços.
Wang Zhi: Cortaria o autor em pedaços.
Autor: …

CAPÍTULO 65 - Levando um Tapa
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The Fourteenth Year of Chenghua

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No décimo quarto ano de Chenghua, o harém imperial tinha uma Consorte Wan, assim como o Depósito Ocidental tinha um Eunuco Chefe chamado Wang Zhi. O Príncipe Herdeiro Zhu Youcheng tinha apenas...

Chapters

  • CAPÍTULO 72 - Velho Amigo
  • CAPÍTULO 71 - Outro é Enfurecido Até a Morte
  • CAPÍTULO 70 - O Conde Hegemônico
  • CAPÍTULO 69 - Retribuir Um ao Outro por Toda Uma Vida
  • CAPÍTULO 68 - Tigela Virada
  • CAPÍTULO 67 - Cabeça de Porco
  • CAPÍTULO 66 - Altamente Valorizado
  • CAPÍTULO 65 - Levando um Tapa
  • CAPÍTULO 64 - Bom Trabalho, Chefe
  • CAPÍTULO 63 - Compreensão Implícita
  • CAPÍTULO 62 - Falta de Juízo
  • CAPÍTULO 61 - Um Tamanho Nada Mau
  • CAPÍTULO 60 - Esta Viagem Foi uma Decisão Errada
  • CAPÍTULO 59 - Querendo Fugir de Casa
  • CAPÍTULO 58 - Com Outros Olhos
  • CAPÍTULO 57 - Ele ficou louco?
  • CAPÍTULO 56 - Irritar Alguém Até a Morte, Outra Vez
  • CAPÍTULO 55 - Visto a olho nu
  • CAPÍTULO 54 - Negócios de Outrem
  • CAPÍTULO 53 - Trabalhado até os Ossos
  • CAPÍTULO 52 -Um Novo Apelido
  • CAPÍTULO 51 - Covil de Ladrões
  • CAPÍTULO 50 - Desmaiados
  • CAPÍTULO 49 - Dor
  • CAPÍTULO 48 -Informações Internas
  • CAPÍTULO 47 - Vendo um Fantasma
  • CAPÍTULO 46 -Au! Au! Au!
  • CAPÍTULO 45 - Um Tanto Impotente
  • CAPÍTULO 44 - Popular
  • CAPÍTULO 43 - Sendo Provocado
  • CAPÍTULO 42 - Um Gênio Difícil
  • CAPÍTULO 41 - Um Glutão de Verdade
  • CAPÍTULO 40 - Ao Pequeno Príncipe
  • CAPÍTULO 39 - A Sorte Sorri aos Traidores
  • CAPÍTULO 38 - Não Coma Nuomici Com o Estômago Vazio
  • CAPÍTULO 37 - Cada Um por Si
  • CAPÍTULO 36 - A Família Han
  • CAPÍTULO 35 - O Tirano Louco, Eunuco Wang
  • CAPÍTULO 34 - Estão Perdidos
  • CAPÍTULO 33 - Senhor Tang Faz o Mal e Não Escapa Dele
  • CAPÍTULO 32 - O Sol Nasce no Oeste
  • CAPÍTULO 31 - Irritado com Tang Fan
  • CAPÍTULO 30 Casar é Terrível
  • CAPÍTULO 29 A Partir de Agora
  • CAPÍTULO 28 Sem Vergonha
  • CAPÍTULO 27 Encontrou-se com Duas Mães
  • CAPÍTULO 26 Um Pouco Empolgado
  • CAPÍTULO 25 Como um Porco
  • CAPÍTULO 24 Incapaz de Deixar Ir
  • CAPÍTULO 23 Você ainda é humano?!
  • CAPÍTULO 22 Como Ele Elogiaria Alguém
  • CAPÍTULO 21 Um Evento Chocante na Família Li
  • CAPÍTULO 20 Que história interna!
  • CAPÍTULO 19 Sorte Florescendo com as Flores de Pêssego
  • CAPÍTULO 18 Considere as Ações, Não o Núcleo
  • CAPÍTULO 17 O Culpado
  • CAPÍTULO 16 Uma Noite Inteira
  • CAPÍTULO 15 Feng
  • CAPÍTULO 14 Você Está Interessada Nele?
  • CAPÍTULO 13 O Último Pedaço de Bolo
  • CAPÍTULO 12 Um Medo Terrível
  • CAPÍTULO 11 Homem Respeitável
  • CAPÍTULO 10 Pego em Flagrante
  • CAPÍTULO 9 Um Amor por Ler Melodrama
  • CAPÍTULO 8 Minando o Território de Pan Bin
  • CAPÍTULO 7 A habilidade do herói salvador da beleza na zombaria
  • CAPÍTULO 6 Disparidade no tratamento
  • CAPÍTULO 5 Senhor Tang ficou chocado e sem palavras
  • CAPÍTULO 4 Um oficial menor de sexta patente
  • CAPÍTULO 3 Conhecido em Todo o Reino
  • CAPÍTULO 2 Reviravoltas, Surpresas e uma Morte Estranha
  • CAPÍTULO 1 Flutuando como uma nuvem errante

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