CAPÍTULO 72 - Velho Amigo
Depois daquele dia, Tang Fan estava de ótimo humor ao pensar que Sui Zhou acabara de receber um título de nobreza e decidiu esperar alguns dias antes de lhe contar sobre a própria destituição. Não seria bom prolongar isso por muito tempo, pois, se ele deixasse de ir diariamente ao Ministério, até Ah-Dong começaria a estranhar — quanto mais Sui Zhou.
Assim, no dia seguinte, quando Sui Zhou voltou do trabalho, Tang Fan chamou ele e Ah-Dong juntos e resumiu o assunto em poucas palavras.
A jovem Ah-Dong, já bastante influenciada por ouvir repetidamente sobre as manhas do mundo oficial, entendia um pouco dessas coisas. Num instante, saltou três chi no ar e começou a amaldiçoar todos os superiores de Tang Fan, chamando-os de vilões. Quando estava prestes a estender a reprimenda até o próprio Imperador, levou um tapa na parte de trás da cabeça e congelou na hora.
Tang Fan ficou ao mesmo tempo divertido e irritado.
— Muitas palavras devem ficar só na sua cabeça! Nem pense em falar desse jeito só porque está em casa! E se você se acostuma e acaba deixando escapar isso lá fora? Seu irmão aqui agora é apenas um cidadão comum — não teria como te proteger! Anda, anda! Vá fazer o chá!
Depois de despachar Ah-Dong, ele percebeu que a reação de Sui Zhou estava anormalmente calma.
— Você não tem nada a me dizer? — perguntou, intrigado.
Sui Zhou balançou a cabeça.
— No dia em que você me mandou levar os tesouros ao palácio, eu já devia ter esperado isso. Só que estávamos em viagem, e não pensei muito em quem acabaria levando a culpa. Foi negligência minha. Agora que o navio já partiu, falar mais não adianta.
Tang Fan quase começou a suar frio.
— De jeito nenhum você pode se culpar por isso! Você é um Guarda Bordado e deve priorizar Sua Majestade acima de tudo. Se você não tivesse entregado os tesouros, mas o Gabinete tivesse, sua falha jamais seria encoberta — e ainda criaria uma barreira entre você e o Imperador. Por isso, o mérito precisava ser seu. Quanto a mim, tivesse eu bajulado Liang Wenhua ou não, esse fim era inevitável. No máximo, seria a diferença entre morrer agora ou morrer depois. Já que eu seria apunhalado de qualquer forma, melhor uma dor curta do que uma longa.
Vendo que Tang Fan estava, na verdade, consolando-o, a expressão de Sui Zhou suavizou-se.
— Eu sei por que isso aconteceu. Você não precisa explicar. Para falar a verdade, mesmo continuando no Ministério da Justiça, as coisas não seriam fáceis para você. É melhor descansar um pouco. Não é como se você nunca mais tivesse outra chance no futuro.
Tang Fan assentiu com um sorriso.
— Você me entende. É exatamente isso. Faz anos que não visito minha irmã e meu sobrinho, então, já que estou livre, vou a Xianghe em alguns dias. Se nada der errado, pretendo ficar lá por um tempo.
— Eu vou com você.
Tang Fan caiu na risada.
— Não há nenhum caso para investigar lá. Por que o digno Enviado da Fortaleza iria? É melhor você se apressar para reformar a casa. Já devia pendurar a placa da sua “Residência de Conde”! A Corte não lhe concedeu uma mansão, mas também não podemos parecer pobres demais. Isso não prejudicaria sua reputação, Conde Ding’an?
O “nós” que escapou de seus lábios fez os olhos de Sui Zhou brilharem ainda mais — era prova de que Tang Fan já não se via como um estranho ali.
Sui Zhou não tentou esconder o bom humor, e aquela alegria atingiu Tang Fan em cheio, pegando-o desprevenido.
No pátio, os galhos estavam carregados de frutos, as folhas balançando suavemente com a brisa. O início do verão era ameno. Sentados ociosamente com roupas leves, comendo amoras cristalizadas, apreciando o verde diante dos olhos e na companhia de um amigo íntimo… fosse como fosse, aquilo era uma grande felicidade mundana.
Mesmo sendo um homem de poucas palavras, Sui Zhou sentiu que era hora de dizer algo.
…Desde que ninguém os interrompesse.
Uma batida soou do lado de fora do portão.
— Esta é a casa do senhor Tang?
Sui Zhou: “…”
Tang Fan engasgou levemente.
— Não é o Qian San’r? O que ele veio fazer aqui?
— Provavelmente pedir clemência — respondeu Sui Zhou.
— Clemência por quê?
Enquanto falavam, Tang Fan foi abrir a porta.
Qian San’r vestia o uniforme mais básico dos Guardas Bordados, um posto sem patente chamado “Corredor”, usado para recados e serviços diversos — mal contando como membro oficial, ainda que já acima dos meirinhos comuns.
Depois de voltar do distrito de Gong, Tang Fan não havia esquecido sua promessa. Ele e Sui Zhou tinham discutido colocar Qian San’r na Fortaleza do Norte, começando como simples faz-tudo.
Entrar nos Guardas Bordados não era fácil. Fora famílias de oficiais meritórios ou parentes de consortes, havia apenas três caminhos: substituição, avaliação de desempenho ou recomendação de um superior. Qian San’r entrara pelo último. Mesmo para um cargo como Corredor, muitos lutavam com unhas e dentes.
Com o status atual de Sui Zhou, mesmo não sendo o chefe supremo, estar logo abaixo disso já bastava. Colocar Qian San’r lá dentro foi questão de uma única frase.
Como se diz, o futuro de uma pessoa pode ser visto desde a infância. Qian San’r nunca cometera grandes crimes, mas seguira o mestre em pequenos furtos desde pequeno. Agora, mesmo vestindo o uniforme dos Guardas, não tinha nenhuma aura imponente.
Em outras palavras: Tang Fan, em roupas comuns, ainda parecia um oficial. Qian San’r, de uniforme, parecia um ladrão.
Segurando o riso diante da discrepância, Tang Fan o deixou entrar.
Ao vê-lo, Qian San’r ficou feliz; ao notar Sui Zhou atrás dele, a felicidade virou pânico.
— O-o Conde também está aqui…?
O rosto frio de Sui Zhou, capaz de fazer crianças pararem de chorar à noite, fez Qian San’r congelar no lugar.
— E-eu não esperava encontrar o senhor aqui hoje, Conde… q-que tal eu voltar outro dia…?
Quando tentou escapar, Tang Fan o puxou pela gola, entre divertido e irritado.
— Você sabe que Guangchuan recebeu um título, mas nunca perguntou onde ele mora? Seus colegas não te disseram que esta é a casa dele?
— Hã? — Qian San’r ficou completamente perdido.
— Esta é a casa da família Sui. Eu só moro aqui como inquilino. Você não viu o que estava escrito na placa do portão?
Qian San’r parecia prestes a chorar.
— E-este humilde… não sabia ler alguns dos caracteres…
Vendo-o assim, Tang Fan teve vontade de afagar sua cabeça, como fazia com Ah-Dong.
— Está bem, pare de atuar. Por que veio me procurar?
Infelizmente, Qian San’r não conseguiu responder em voz alta. Ele lançou um olhar furtivo a Sui Zhou e sorriu de modo submisso.
— Não é nada, não é nada! Vim apenas visitar o senhor. O senhor é o grande benfeitor deste humilde!
Colocou o presente que trazia sobre a mesa de pedra.
— Isto é só uma pequena amostra da minha gratidão, nem chega perto do respeito que tenho por você. Por favor, aceite!
Tang Fan riu.
— Eu não sou mais “senhor”. Não pode continuar me chamando assim.
O outro coçou a cabeça.
— Então… Don? Lorde?
Tang Fan endireitou o rosto.
— Chega de conversa. Ninguém visita o Templo dos Três Tesouros sem motivo. Diga logo: o que veio fazer aqui?
Antes que Qian San’r respondesse, Sui Zhou falou:
— Ele provavelmente não consegue mais continuar nos Guardas Bordados e veio pedir indulgência a você.
— Não consegue continuar? Você sabe que há gente que implora por esse posto!
Desmascarado sem rodeios, Qian San’r ficou vermelho até as orelhas.
— O Conde tem olhos perspicazes… — disse, constrangido, antes de se ajoelhar com um baque. — Para ser sincero, é exatamente como o Conde disse. Tudo o que tenho hoje devo à sua graça, senhor, e sou imensamente grato, mas… os Guardas Bordados realmente não são para mim. Só desejo ser seu acompanhante! Por favor, realize este meu pedido!
Ele não estava fingindo. Tinha um físico magro como bambu, era esperto, mas não tinha a força visível de um Guarda — sempre parecia figurante no meio deles.
A disciplina rígida de Sui Zhou não permitia favoritismos. Embora Qian San’r tivesse entrado por recomendação, não recebera tratamento especial. Treinava arduamente todos os dias, quase desmaiando ao final, mas suas notas eram sempre as piores — ficando muito atrás até do penúltimo. Era absolutamente incapaz de progredir.
Felizmente, era sociável e inteligente, então os colegas cuidavam dele, mas o treino obrigatório continuava. Ele próprio acreditava que isso se devia a uma limitação física inata — nunca fora adequado para aquele lugar.
Assim, por mais prestigioso que fosse, ele não tinha afinidade com os Guardas.
Após ouvir tudo isso, Tang Fan olhou para Sui Zhou. Este assentiu e deu sua avaliação:
— Esforço louvável, talento insuficiente.
Ou seja, Qian San’r se esforçara ao máximo, mas simplesmente não tinha o dom necessário. Como corpo imperial, o critério principal dos Guardas era ser alto, imponente e forte como um cavalo. Alguém que não pareceria um Príncipe Herdeiro nem mesmo com vestes de dragão não teria muito futuro ali.
Tang Fan então perguntou:
— O que pretende fazer, então? Se pensa em voltar à antiga profissão, não me cumprimente nunca mais quando me vir. Eu não o conheço.
— Desde que jurei mudar, jamais voltarei ao caminho errado! — respondeu Qian San’r às pressas. — Sou grato por não ter sido descartado! Estou disposto a segui-lo, senhor! Por favor, aceite!
Tang Fan franziu o cenho.
— Por que pensou nisso?
— Senhor, quando estávamos no cofre, eu realmente o admirei — respondeu com sinceridade. — Queria servi-lo e aprender algo com o senhor, mas sabia que meu status não permitia, então não ousei dizer nada…
— Então por que ousa agora? — provocou Tang Fan.
Qian San’r riu.
— Agora cheguei à capital, ganhei experiência e ouvi dizer que o senhor não tem criados. Vim me candidatar!
Tang Fan balançou a cabeça.
— Não tenho cargo oficial e não preciso de alguém para cuidar de mim. Você quer me seguir, mas não posso aceitá-lo.
— Senhor… — Qian San’r entrou em pânico.
Ele realmente queria depender de Tang Fan — por gratidão e também porque sentia que não havia futuro nos Guardas. Tang Fan era culto e íntegro; talvez pudesse aprender algo ao seu lado.
Quando Tang Fan estava prestes a recusar de novo, Sui Zhou interveio:
— Volte por hoje e venha amanhã. Ele precisa pensar melhor.
Com Sui Zhou ali, Qian San’r estivera tenso o tempo todo. Nunca esperara que aquele “deus de aura esmagadora” o ajudasse. Ficou radiante, prostrando-se várias vezes em agradecimento antes de partir.
— Você me impediu de falar. Está mesmo pensando que eu o aceite? — perguntou Tang Fan.
— Isso é com você. Só acho que vale a pena considerar. Ele não serve para Guarda, mas é esperto, leal e confiável, e tem bom coração. Você pode levá-lo consigo.
Tang Fan pensou um pouco.
— Vou a Xianghe visitar minha irmã. Não levarei Ah-Dong comigo, então posso levá-lo como companhia.
— Por que não vai levar Ah-Dong? — estranhou Sui Zhou.
— A família para a qual minha irmã se casou é uma das maiores do condado. Com tanta gente falando, sempre há problemas. Não seria bom ela sofrer injustiças por causa disso, então Ah-Dong ficará na capital.
— Como quiser.
Depois daquele dia, Tang Fan estava de ótimo humor ao pensar que Sui Zhou acabara de receber um título de nobreza e decidiu esperar alguns dias antes de lhe contar sobre a própria destituição. Não seria bom prolongar isso por muito tempo, pois, se ele deixasse de ir diariamente ao Ministério, até Ah-Dong começaria a estranhar — quanto mais Sui Zhou.
Assim, no dia seguinte, quando Sui Zhou voltou do trabalho, Tang Fan chamou ele e Ah-Dong juntos e resumiu o assunto em poucas palavras.
A jovem Ah-Dong, já bastante influenciada por ouvir repetidamente sobre as manhas do mundo oficial, entendia um pouco dessas coisas. Num instante, saltou três chi no ar e começou a amaldiçoar todos os superiores de Tang Fan, chamando-os de vilões. Quando estava prestes a estender a reprimenda até o próprio Imperador, levou um tapa na parte de trás da cabeça e congelou na hora.
Tang Fan ficou ao mesmo tempo divertido e irritado.
— Muitas palavras devem ficar só na sua cabeça! Nem pense em falar desse jeito só porque está em casa! E se você se acostuma e acaba deixando escapar isso lá fora? Seu irmão aqui agora é apenas um cidadão comum — não teria como te proteger! Anda, anda! Vá fazer o chá!
Depois de despachar Ah-Dong, ele percebeu que a reação de Sui Zhou estava anormalmente calma.
— Você não tem nada a me dizer? — perguntou, intrigado.
Sui Zhou balançou a cabeça.
— No dia em que você me mandou levar os tesouros ao palácio, eu já devia ter esperado isso. Só que estávamos em viagem, e não pensei muito em quem acabaria levando a culpa. Foi negligência minha. Agora que o navio já partiu, falar mais não adianta.
Tang Fan quase começou a suar frio.
— De jeito nenhum você pode se culpar por isso! Você é um Guarda Bordado e deve priorizar Sua Majestade acima de tudo. Se você não tivesse entregado os tesouros, mas o Gabinete tivesse, sua falha jamais seria encoberta — e ainda criaria uma barreira entre você e o Imperador. Por isso, o mérito precisava ser seu. Quanto a mim, tivesse eu bajulado Liang Wenhua ou não, esse fim era inevitável. No máximo, seria a diferença entre morrer agora ou morrer depois. Já que eu seria apunhalado de qualquer forma, melhor uma dor curta do que uma longa.
Vendo que Tang Fan estava, na verdade, consolando-o, a expressão de Sui Zhou suavizou-se.
— Eu sei por que isso aconteceu. Você não precisa explicar. Para falar a verdade, mesmo continuando no Ministério da Justiça, as coisas não seriam fáceis para você. É melhor descansar um pouco. Não é como se você nunca mais tivesse outra chance no futuro.
Tang Fan assentiu com um sorriso.
— Você me entende. É exatamente isso. Faz anos que não visito minha irmã e meu sobrinho, então, já que estou livre, vou a Xianghe em alguns dias. Se nada der errado, pretendo ficar lá por um tempo.
— Eu vou com você.
Tang Fan caiu na risada.
— Não há nenhum caso para investigar lá. Por que o digno Enviado da Fortaleza iria? É melhor você se apressar para reformar a casa. Já devia pendurar a placa da sua “Residência de Conde”! A Corte não lhe concedeu uma mansão, mas também não podemos parecer pobres demais. Isso não prejudicaria sua reputação, Conde Ding’an?
O “nós” que escapou de seus lábios fez os olhos de Sui Zhou brilharem ainda mais — era prova de que Tang Fan já não se via como um estranho ali.
Sui Zhou não tentou esconder o bom humor, e aquela alegria atingiu Tang Fan em cheio, pegando-o desprevenido.
No pátio, os galhos estavam carregados de frutos, as folhas balançando suavemente com a brisa. O início do verão era ameno. Sentados ociosamente com roupas leves, comendo amoras cristalizadas, apreciando o verde diante dos olhos e na companhia de um amigo íntimo… fosse como fosse, aquilo era uma grande felicidade mundana.
Mesmo sendo um homem de poucas palavras, Sui Zhou sentiu que era hora de dizer algo.
…Desde que ninguém os interrompesse.
Uma batida soou do lado de fora do portão.
— Esta é a casa do senhor Tang?
Sui Zhou: “…”
Tang Fan engasgou levemente.
— Não é o Qian San’r? O que ele veio fazer aqui?
— Provavelmente pedir clemência — respondeu Sui Zhou.
— Clemência por quê?
Enquanto falavam, Tang Fan foi abrir a porta.
Qian San’r vestia o uniforme mais básico dos Guardas Bordados, um posto sem patente chamado “Corredor”, usado para recados e serviços diversos — mal contando como membro oficial, ainda que já acima dos meirinhos comuns.
Depois de voltar do distrito de Gong, Tang Fan não havia esquecido sua promessa. Ele e Sui Zhou tinham discutido colocar Qian San’r na Fortaleza do Norte, começando como simples faz-tudo.
Entrar nos Guardas Bordados não era fácil. Fora famílias de oficiais meritórios ou parentes de consortes, havia apenas três caminhos: substituição, avaliação de desempenho ou recomendação de um superior. Qian San’r entrara pelo último. Mesmo para um cargo como Corredor, muitos lutavam com unhas e dentes.
Com o status atual de Sui Zhou, mesmo não sendo o chefe supremo, estar logo abaixo disso já bastava. Colocar Qian San’r lá dentro foi questão de uma única frase.
Como se diz, o futuro de uma pessoa pode ser visto desde a infância. Qian San’r nunca cometera grandes crimes, mas seguira o mestre em pequenos furtos desde pequeno. Agora, mesmo vestindo o uniforme dos Guardas, não tinha nenhuma aura imponente.
Em outras palavras: Tang Fan, em roupas comuns, ainda parecia um oficial. Qian San’r, de uniforme, parecia um ladrão.
Segurando o riso diante da discrepância, Tang Fan o deixou entrar.
Ao vê-lo, Qian San’r ficou feliz; ao notar Sui Zhou atrás dele, a felicidade virou pânico.
— O-o Conde também está aqui…?
O rosto frio de Sui Zhou, capaz de fazer crianças pararem de chorar à noite, fez Qian San’r congelar no lugar.
— E-eu não esperava encontrar o senhor aqui hoje, Conde… q-que tal eu voltar outro dia…?
Quando tentou escapar, Tang Fan o puxou pela gola, entre divertido e irritado.
— Você sabe que Guangchuan recebeu um título, mas nunca perguntou onde ele mora? Seus colegas não te disseram que esta é a casa dele?
— Hã? — Qian San’r ficou completamente perdido.
— Esta é a casa da família Sui. Eu só moro aqui como inquilino. Você não viu o que estava escrito na placa do portão?
Qian San’r parecia prestes a chorar.
— E-este humilde… não sabia ler alguns dos caracteres…
Vendo-o assim, Tang Fan teve vontade de afagar sua cabeça, como fazia com Ah-Dong.
— Está bem, pare de atuar. Por que veio me procurar?
Infelizmente, Qian San’r não conseguiu responder em voz alta. Ele lançou um olhar furtivo a Sui Zhou e sorriu de modo submisso.
— Não é nada, não é nada! Vim apenas visitar o senhor. O senhor é o grande benfeitor deste humilde!
Colocou o presente que trazia sobre a mesa de pedra.
— Isto é só uma pequena amostra da minha gratidão, nem chega perto do respeito que tenho por você. Por favor, aceite!
Tang Fan riu.
— Eu não sou mais “senhor”. Não pode continuar me chamando assim.
O outro coçou a cabeça.
— Então… Don? Lorde?
Tang Fan endireitou o rosto.
— Chega de conversa. Ninguém visita o Templo dos Três Tesouros sem motivo. Diga logo: o que veio fazer aqui?
Antes que Qian San’r respondesse, Sui Zhou falou:
— Ele provavelmente não consegue mais continuar nos Guardas Bordados e veio pedir indulgência a você.
— Não consegue continuar? Você sabe que há gente que implora por esse posto!
Desmascarado sem rodeios, Qian San’r ficou vermelho até as orelhas.
— O Conde tem olhos perspicazes… — disse, constrangido, antes de se ajoelhar com um baque. — Para ser sincero, é exatamente como o Conde disse. Tudo o que tenho hoje devo à sua graça, senhor, e sou imensamente grato, mas… os Guardas Bordados realmente não são para mim. Só desejo ser seu acompanhante! Por favor, realize este meu pedido!
Ele não estava fingindo. Tinha um físico magro como bambu, era esperto, mas não tinha a força visível de um Guarda — sempre parecia figurante no meio deles.
A disciplina rígida de Sui Zhou não permitia favoritismos. Embora Qian San’r tivesse entrado por recomendação, não recebera tratamento especial. Treinava arduamente todos os dias, quase desmaiando ao final, mas suas notas eram sempre as piores — ficando muito atrás até do penúltimo. Era absolutamente incapaz de progredir.
Felizmente, era sociável e inteligente, então os colegas cuidavam dele, mas o treino obrigatório continuava. Ele próprio acreditava que isso se devia a uma limitação física inata — nunca fora adequado para aquele lugar.
Assim, por mais prestigioso que fosse, ele não tinha afinidade com os Guardas.
Após ouvir tudo isso, Tang Fan olhou para Sui Zhou. Este assentiu e deu sua avaliação:
— Esforço louvável, talento insuficiente.
Ou seja, Qian San’r se esforçara ao máximo, mas simplesmente não tinha o dom necessário. Como corpo imperial, o critério principal dos Guardas era ser alto, imponente e forte como um cavalo. Alguém que não pareceria um Príncipe Herdeiro nem mesmo com vestes de dragão não teria muito futuro ali.
Tang Fan então perguntou:
— O que pretende fazer, então? Se pensa em voltar à antiga profissão, não me cumprimente nunca mais quando me vir. Eu não o conheço.
— Desde que jurei mudar, jamais voltarei ao caminho errado! — respondeu Qian San’r às pressas. — Sou grato por não ter sido descartado! Estou disposto a segui-lo, senhor! Por favor, aceite!
Tang Fan franziu o cenho.
— Por que pensou nisso?
— Senhor, quando estávamos no cofre, eu realmente o admirei — respondeu com sinceridade. — Queria servi-lo e aprender algo com o senhor, mas sabia que meu status não permitia, então não ousei dizer nada…
— Então por que ousa agora? — provocou Tang Fan.
Qian San’r riu.
— Agora cheguei à capital, ganhei experiência e ouvi dizer que o senhor não tem criados. Vim me candidatar!
Tang Fan balançou a cabeça.
— Não tenho cargo oficial e não preciso de alguém para cuidar de mim. Você quer me seguir, mas não posso aceitá-lo.
— Senhor… — Qian San’r entrou em pânico.
Ele realmente queria depender de Tang Fan — por gratidão e também porque sentia que não havia futuro nos Guardas. Tang Fan era culto e íntegro; talvez pudesse aprender algo ao seu lado.
Quando Tang Fan estava prestes a recusar de novo, Sui Zhou interveio:
— Volte por hoje e venha amanhã. Ele precisa pensar melhor.
Com Sui Zhou ali, Qian San’r estivera tenso o tempo todo. Nunca esperara que aquele “deus de aura esmagadora” o ajudasse. Ficou radiante, prostrando-se várias vezes em agradecimento antes de partir.
— Você me impediu de falar. Está mesmo pensando que eu o aceite? — perguntou Tang Fan.
— Isso é com você. Só acho que vale a pena considerar. Ele não serve para Guarda, mas é esperto, leal e confiável, e tem bom coração. Você pode levá-lo consigo.
Tang Fan pensou um pouco.
— Vou a Xianghe visitar minha irmã. Não levarei Ah-Dong comigo, então posso levá-lo como companhia.
— Por que não vai levar Ah-Dong? — estranhou Sui Zhou.
— A família para a qual minha irmã se casou é uma das maiores do condado. Com tanta gente falando, sempre há problemas. Não seria bom ela sofrer injustiças por causa disso, então Ah-Dong ficará na capital.
— Como quiser.
Para ser direto, embora o Eunuco Wang tivesse alcançado feitos e prestígio ainda jovem, ele já era um veterano em navegar no mar dos eunucos. Tendo começado a perceber sinais de que estava à beira de perder o favor imperial, não teve outra escolha senão pedir conselhos estratégicos a Tang Fan.
Como Eunuco-Chefe do Depósito Ocidental, apesar de haver muitas pessoas ao seu redor, pouquíssimas realmente estavam em alta consideração por ele, e dentre essas, menos ainda estavam dispostas a se associar com ele. Depois de ponderar, Tang Fan era o único que podia ser considerado uma figura excepcional entre eles.
— Então eu te pergunto: Sua Majestade prefere o tipo prudente de Huai En, ou o tipo bajulador de Shang Ming?
— O atual… provavelmente gosta mais de Shang Ming — Wang Zhi refletiu.
— E quanto ao Príncipe Herdeiro?
— Como eu vou saber? Não tenho tanta proximidade com ele!
— Vou colocar da seguinte forma. O Imperador pode gostar de Shang Ming, mas não desgosta de Huai En. Caso contrário, Huai En jamais poderia ter permanecido tantos anos diante dele e conquistado tamanha confiança.
Wang Zhi assentiu, compreendendo o que ele queria dizer.
— Você está dizendo que, mesmo que Shang Ming esteja vivendo um momento de glória, isso não será para sempre.
— Isso é evidente. Muitas ações geram muitos erros. Shang Ming já revirou a mente inteira em busca de maneiras de agradar, fazendo aliados aqui, criando laços ali. Mesmo que Sua Majestade consiga tolerá-lo, será que o próximo soberano fará o mesmo? Ele inevitavelmente encontrará alguém que acertará as contas com ele — e quando isso acontecer, seus problemas virão juntos.
Wang Zhi bufou.
— Os problemas dele ainda não chegaram, mas os meus estão prestes a explodir!
— Não há necessidade de desânimo, Eunuco Wang. Como eu disse antes, entre aqueles dentro do palácio, você pode imitar Huai En ou Shang Ming.
— Não quero imitar nenhum dos dois! O tipo de Shang Ming me repugna, claro, mas virar como Huai En, engolindo tudo todos os dias e se rebaixando para agradar oficiais da corte… isso eu também não consigo!
Tang Fan sorriu, exasperado.
— É exatamente por isso que, desde muito tempo atrás, venho sugerindo que você siga um terceiro caminho.
Wang Zhi lançou-lhe um olhar feroz.
— Quando foi que você falou de um terceiro caminho?!
— Lá atrás, por intermédio do meu veterano Pan Bin, eu lhe apresentei duas propostas: uma era mérito militar, e a outra era o Palácio Oriental.
— E que tipo de propostas eram essas?
— Não as subestime. Muitas coisas precisam ser planejadas com antecedência, com preparações iniciadas há muito tempo.
— Você pode parar com esse monte de rodeios?
Tang Fan suspirou.
— Você pode ser um pouco mais paciente? Agora você já tem méritos militares estabelecidos fora da capital. Mesmo sendo apenas um Supervisor Militar, ninguém pode negar sua contribuição. Desde a Crise de Tumu, a Grande Ming raramente conseguiu vitórias contra as tribos do norte. Nessas batalhas, você lutou de forma que satisfez a todos, elevando a moral. E nisso tudo, como o iniciador, seus créditos não podem ser ignorados — são suficientes até para entrar nos livros de história.
Foi por isso que Wang Zhi se dispôs a expor alguns de seus pensamentos mais íntimos. Não havia mais ninguém por perto; ele podia, por ora, deixar de lado a pose e a imponência de um Eunuco-Chefe.
Após ouvir isso, Tang Fan lhe fez uma pergunta.
— Que tipo de caminho você quer seguir?
Wang Zhi ficou confuso.
— O que quer dizer com “que tipo de caminho”?
— Nós que estamos misturados na oficialidade só temos dois finais: bons ou ruins. Entre os bons finais, há três tipos. Um é se aposentar com honra e retornar à terra natal vestindo sedas — este é o que os oficiais desejam. Outro é um fim simples, silencioso e anônimo. O último é desaparecer aos poucos, morrendo depois na pobreza e na doença. Já que isso ainda conta como um bom fim, o que seria um mau fim, não preciso dizer. Você já sabe.
Wang Zhi refletiu. Para ministros ao longo das eras, fossem eunucos ou homens comuns, não havia como escapar desses desfechos.
Claro, rebelião era outra história — mas isso estava fora do escopo da conversa.
— Não estamos falando de oficiais nomeados, então vamos falar de eunucos. Se você quer um bom fim, não será fácil. Como diz o ditado, acompanhar um soberano é como acompanhar um tigre. Quantos de seus predecessores apostaram nisso, acreditando terem conquistado o favor imperial, apenas para despencarem das nuvens e caírem na lama quando a situação mudou? No melhor dos casos, tiveram fins medianos; no pior, perderam até a vida. O que descrevi certamente não é o que você deseja.
Wang Zhi assentiu, com um traço de orgulho.
— A vida deve ser vivida com vigor; só assim não se caminha pelo mundo em vão! Se eu tiver de escolher, claro que escolho me aposentar com honra!
Tang Fan sorriu.
— Muitos pensam assim — não apenas você, mas Shang Ming também. No entanto, aqueles que estão dentro da situação não conseguem enxergar o quadro completo. Às vezes, o que uma pessoa faz nada mais é do que cavar a própria cova, sem sequer perceber.
Wang Zhi franziu o cenho.
— Não fique cada vez mais enigmático!
Esse tipo de lisonja podia ser chamado de “regar sem fazer barulho”, extraído do mais alto nível da arte. De fato, o rosto de Wang Zhi relaxou à medida que Tang Fan falava, exibindo uma expressão que dizia: “Então você chegou ao ponto principal, seu maldito.”
— Porém — Tang Fan mudou o tom — você já reparou que, sempre que lidera tropas para fora, as vozes contrárias na Corte nunca diminuem?
— Como eu não repararia?! — assim que disse isso, o rosto de Wang Zhi escureceu. — São apenas cabeças-duras inflexíveis que se fazem de mais santos que os outros! Vivem falando de “ambição excessiva”! Se fosse na época de Yongle, quando até Zheng He podia liderar tropas, eles ousariam dizer isso?!
— Há opiniões dos puristas aí, sim, mas existe uma opinião que você não pode ignorar.
— De quem?
— De Sua Majestade.
Tang Fan viu a expressão de espanto em seu rosto.
— Não se deixe enganar pelo fato de que ele concorda toda vez que você pede para liderar uma expedição. A verdade é que a proximidade dele com você vem diminuindo ano após ano. Isso não precisa nem ser dito — você mesmo já deve ter percebido que não é só ele, mas até a Consorte Wan que se recusa a vê-lo. Isso ocorre justamente porque você passou tempo demais liderando tropas fora e negligenciou o cultivo de sua relação com o palácio.
— Mas eu nunca deixei de enviar presentes no Ano Novo e nos feriados — Wang Zhi disse sombriamente.
— Objetos se comparam a pessoas? Shang Ming dança diante do Imperador e da Consorte o dia inteiro, e ainda tem uma boca — isso não é muito melhor do que seus presentes? Embora você ainda tenha pessoas suas no palácio, nenhuma delas possui características comparáveis às suas. O Imperador e a Consorte o veem de forma diferente porque você cresceu diante dos olhos deles — ninguém mais tem essa familiaridade. Mas, se você passa o ano inteiro fora e se recusa a retornar, eles inevitavelmente pensarão que você é ganancioso por poder, ou até que deseja monopolizar a autoridade militar. Some isso às palavras ruins que Shang Ming, Wan Tong e outros sussurram a eles dia e noite, e imagine a próxima pergunta: quão distante você está de perder o favor?
Wang Zhi sentou-se ereto automaticamente. A análise de Tang Fan havia ido direto ao fundo de seu coração.
— Então… o que eu devo fazer?
— Você tem méritos militares em mãos, o que o distingue de Shang Ming e dos demais eunucos. Mesmo que você não fosse um eunuco, ainda assim não poderia deter o poder militar para sempre. Embora seja apenas um Supervisor, você não mantém boas relações com o Comandante-Chefe Wang Yue e o Vice-Comandante Zhu Yong? Isso, por si só, já é um grande tabu para um súdito. Foi por isso que eu lhe aconselhei, dois anos atrás, a retornar à capital após conquistar seus méritos…
— E eu não te ouvi — Wang Zhi teve de admitir, abatido.
Viciado em acumular méritos militares, ele se sentira extremamente revigorado fora da capital, tão distante dela. Sem ninguém acima para vigiá-lo, pôde fazer o que bem quis.
— Ainda não é tarde demais — disse Tang Fan, com voz grave. — Assim que a batalha do Grande Cotovelo terminar, você pode enviar um memorial a Sua Majestade pedindo para retornar à capital. Quanto à forma de escrever o memorial e como fazê-lo sentir-se próximo de você novamente, isso você conhece melhor do que eu, então não direi mais nada.
— Depois que eu voltar, e então?
— Então você deve se dedicar à administração do Depósito Ocidental e à sua reputação. Os Depósitos são os olhos e ouvidos de Sua Majestade, sempre odiados pelos oficiais, mas se usados corretamente, não deixam de trazer benefícios. Wan An, Shang Ming e os outros bajulam o Imperador, mas, para aqueles abaixo dele, adotaram a postura de “obedeça-me e prospere; desafie-me e morra”. Se você conseguir salvar um ou dois oficiais importantes e altamente respeitados das mãos deles, sua reputação subirá imediatamente.
Os olhos de Wang Zhi se iluminaram — de fato, era um bom caminho a seguir.
A relação dele com os oficiais da Corte nunca fora boa; eles o desprezavam, e ele também não suportava nenhum deles. Anos atrás, sentia-se extraordinariamente impressionante, mas agora, ao perceber a crise, finalmente começara a pensar em como reparar essas relações.
Ele não conseguiria imitar Huai En sendo benevolente com todos em todos os aspectos; simplesmente não tinha esse tipo de personalidade, e tentar pareceria artificial. Fazer o que Tang Fan sugerira, contudo, não seria difícil para ele.
— Além disso — continuou Tang Fan — para os grandes oficiais que ainda prezam pela retidão, o Príncipe Herdeiro é a esperança em seus corações. Se você for bondoso com ele, isso também beneficiará sua reputação e perspectivas futuras. Isso, no entanto, é um pouco mais complicado, porque a Consorte não gosta dele. Se você se preocupa com ela, não aja de forma muito ostensiva.
Com isso, o peso no coração de Wang Zhi praticamente desapareceu, e ele relaxou bastante. Seu dilema ainda existia, mas ao menos não sentia mais como se o fogo estivesse queimando suas sobrancelhas.
— Vou encontrar uma forma de lidar com a sua destituição. Se surgir a oportunidade, pedirei por você a Sua Majestade.
Tang Fan não se preocupou com isso. Ele não havia ajudado Wang Zhi esperando algo em troca. Balançou a cabeça.
— Peça por mim um pouco mais tarde, tudo bem? Vou deixar a capital em breve. Mesmo que o Imperador me restabeleça, não quero voltar ao trabalho tão cedo.
Wang Zhi zombou.
— Você é do tipo que começa a ofegar só porque alguém te chama de gordo! Seu “trabalho” agora é colher à vontade o bok choy que você planta em casa?
Tang Fan tirou uma almôndega de carne de caranguejo da tigela, rindo.
— Eu não planto bok choy.
— Falando nisso… eu estava querendo encontrar uma chance de fazer esse Liang Wenhua tropeçar, mas alguém acabou sendo mais rápido do que eu em abocanhar isso.
— Hã?
Wang Zhi lançou-lhe um olhar de lado.
— Você não sabe?
Tang Fan piscou várias vezes, completamente perdido. Com as bochechas cheias de comida, falar seria deselegante, então só pôde responder com expressões faciais. Parecia incrivelmente estúpido — uma pessoa completamente diferente do homem talentoso e imperturbável de momentos atrás.
— O Censor Supervisor Shangguan Yong apresentou um memorial denunciando Liang Wenhua, dizendo que seu filho mais novo foi concebido com uma concubina durante o período em que ele deveria estar de luto pela morte da mãe.
Pego de surpresa, Tang Fan engasgou e tossiu algumas vezes — além dos dois Depósitos e da Guarda Bordada, quem mais, em toda a Grande Dinastia Ming, seria capaz de desenterrar um segredo antigo como esse?
[Fim do Arco 5: O Caso do Caixão Antigo no Rio Luo]
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O mini-teatro do autor:
Wang Zhi: Com um estrondo que atravessa o céu, eu apareci no palco! Ahahaha! Não estavam todos dizendo que sentiam minha falta? Isso deve ser o charme de um protagonista!
Tang Fan: …Guangchuan, quero escrever o Comentário sobre Eunucos de Dinastias Passadas. O que acha?
Sui Zhou: Parece bom.
Tang Fan: Então vamos começar por esta Dinastia, que dizem ter muitos eunucos famosos, como Huai En, Liang Fang, Shang Ming e Yuan Liang.
Sui Zhou: Só quatro?
Tang Fan: Mhm, apenas quatro. O resto é mediano e nem vale a pena mencionar.
Wang Zhi: …
CAPÍTULO 72 - Velho Amigo
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The Fourteenth Year of Chenghua
No décimo quarto ano de Chenghua, o harém imperial tinha uma Consorte Wan, assim como o Depósito Ocidental tinha um Eunuco Chefe chamado Wang Zhi. O Príncipe Herdeiro Zhu Youcheng tinha apenas...