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The Fourteenth Year of Chenghua

CAPÍTULO 50 - Desmaiados

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🟡 Em breve

Sui Zhou, que caminhava na frente, interrompeu a discussão dos dois para perguntar:
— Os homens que trouxe hoje à noite são poucos, e todos estão aqui comigo agora. Posso saber se o Departamento do Oeste está vigiando o lado de fora do Relaxation?

Dentro daquele túnel onde era preciso se curvar para andar, a voz de Wang Zhi soou calma como sempre:
— Precisa mesmo perguntar? Os outros lacraram o bordel assim que desci. Não vão causar nenhum problema.

O outro relaxou um pouco e não disse mais nada, concentrando-se em explorar o caminho à frente. Tirando a respiração e os passos abafados no corredor sufocante, não se ouvia mais nada.

O grupo avançou às pressas, caminhando por mais da metade de uma shichen (cerca de 50 minutos). O ar ali era rarefeito, completamente isolado da superfície e conectado a ela apenas pelas extremidades. À medida que o caminho se estendia, respirar tornava-se cada vez mais difícil, e até as chamas das velas tremeluziam fracamente, quase se apagando.

Tang Fan, por ter menos resistência física e habilidade marcial que os outros, sentia isso com mais intensidade. Para não ficar para trás nem se tornar um fardo, apenas cerrou os dentes e seguiu em silêncio.
De repente, seu pé chutou uma pedra e ele tropeçou para frente — mas, antes que caísse de cara no chão, alguém o agarrou pela roupa nas costas e o puxou de volta, segurando-lhe o ombro para estabilizá-lo.

Ele nem precisou olhar para saber que fora Wang Zhi quem o ajudara. Embora relutante, sua boa educação falou mais alto.
— Valeu… — murmurou entre dentes.

Uma risada zombeteira veio de trás, seguida pelas palavras frias do eunuco Wang:
— Se não quer me agradecer, não precisa se forçar. Vocês, oficiais civis, passam a vida sofrendo só para salvar as aparências na morte. Se eu soubesse, teria te dado um chute para cair em cima do sujeito à sua frente. Que bela cena seria essa!

Veja só — que boca venenosa a de Wang Zhi. As pessoas não conseguiam agradecê-lo, mas também não podiam deixar de fazê-lo. Tang Fan, furioso, prometeu a si mesmo que não discutiria, e apenas seguiu adiante, com a cabeça fervendo.

Sem poder saborear sua vitória, Wang Zhi achou aquilo entediante e apenas fez uma careta, ordenando que continuassem.

O Relaxation ficava no nordeste da capital, não muito longe dos portões da cidade, mas o caminho subterrâneo era longo. Enquanto caminhavam, todos pensavam, alarmados, em como o responsável por cavar aquele túnel havia sido meticuloso. Se continuassem assim, provavelmente estariam nos arredores quando saíssem. Os sequestradores tinham deixado o local mais de meia shichen antes deles; se alguém os esperava na saída, seria difícil alcançá-los.

As pernas e as costas de todos doíam, especialmente as de Tang Fan, mas o ar frio que começou a soprar em seus rostos renovou seus ânimos. Sabendo que a saída não devia estar longe, aceleraram o passo.
E, de fato, após mais um quarto de hora, Xue Ling sussurrou:
— Chegamos!

Ele passou sua vela para Sui Zhou e saltou agilmente para fora da boca do túnel. Os outros o seguiram, saindo um por um.

Embora o vento lá fora cortasse como lâmina, todos haviam ficado tanto tempo sufocados que o acharam revigorante.

A lua estava brilhante naquela noite. Tang Fan observou ao redor e viu que estavam dentro de uma floresta. O buraco por onde saíram ficava sob uma encosta, escondido por pedras e árvores à frente. Se não tivessem acabado de atravessar o túnel, seria difícil acreditar que ele ligava diretamente ao depósito de um bordel na capital.

Não só ele — todos sentiram uma estranha sensação de absurdo.

Depois de um tempo, Sui Zhou falou:
— Se voltarmos, daremos de cara com a capital outra vez. Eles devem ter saído da floresta e seguido adiante. Como acreditavam que tinham feito um caminho secreto, devem ter deixado a cidade com as crianças e depois parado para descansar. Nosso ritmo é mais rápido; talvez ainda possamos alcançá-los.

Ninguém se opôs, e eles deixaram a floresta para seguir pelas estradas do governo.

O problema era que não tinham cavalos — só podiam contar com as próprias pernas. Mesmo andando rápido, não avançariam muito. A sorte é que caminharam apenas uns quinze minutos antes de fazer uma descoberta.

À frente deles havia uma encruzilhada: duas estradas oficiais e uma trilha lateral, todas indo em direções diferentes.

Wang Zhi conhecia a capital como a palma da mão, mas fora dela era praticamente cego. Ao ver aquilo, franziu a testa.
— Três caminhos… qual deles tomaram?

Xue Ling respondeu:
— Uma das estradas leva à região de Shunyi–Huairou, e a outra vai de Changping até o distrito de Xuanhua. A trilha lateral faz um grande desvio e termina no Forte Tianjin. Mas, por esse desvio, é preciso passar por uma vila fantasma logo à frente. Uma praga varreu o lugar há muitos anos; quase todos morreram, e os poucos sobreviventes se mudaram. Hoje, está deserta. Poucos ousam seguir por lá.

Wang Zhi ficou de cara fechada.
— Droga. Três caminhos… como escolher?

Xue Ling também parecia aflito. Mesmo que se dividissem em três grupos para perseguir, sem cavalos não poderiam ir rápido — seria como tentar apagar um incêndio com um copo d’água.
— Irmão, devemos voltar, arranjar alguns cavalos e então dividir a busca? — perguntou a Sui Zhou. — Nossos guardas estão espalhados por toda parte; posso mandar que fiquem em alerta máximo.

Era uma solução improvisada diante da falta de opções, mas o homem não respondeu. Ele olhava para Tang Fan, que estava agachado a certa distância, examinando as pegadas no chão.

Entre todos, o mais ansioso era ele, pois Ah-Dong era uma das crianças desaparecidas. Sui Zhou, normalmente contido, também estava preocupado; não queria que a menina fosse levada para longe, por mãos de traficantes.

Wang Zhi, na verdade, estava ainda mais tenso — muito mais do que ambos.

O imperador lhe havia dado uma ordem secreta: investigar pessoas suspeitas no Monte da Longevidade e recuperar a filha do Grão-Tutor do Príncipe Herdeiro, Zhu Yong.

O Monte da Longevidade fora erguido durante as reformas do palácio imperial, no reinado de Yongle. Localizado ao norte da cidade, também era chamado de “Monte da Contemplação”, porque, de seu topo, podia-se ver toda a Cidade Imperial. Por isso, as gerações seguintes de imperadores o consideravam um lugar tabu, mantendo-o sempre fortemente vigiado.

Ainda assim, nem todos estavam proibidos de subir, como o feiticeiro Li Zilong, que certa vez enfeitiçou alguns oficiais internos e os convenceu a levá-lo ao topo. Desde então, o imperador vivia desconfiado e inseguro, achando que alguém o observava lá de cima.

Dias atrás, ele sonhara que alguém estava no Monte, e ficou perturbado. Mandou o Departamento do Leste e os Guardas de Brocado investigarem, mas eles nada encontraram. Desconfiando do relatório, ordenou o retorno de Wang Zhi da frente de batalha para verificar pessoalmente.

Wang Zhi voltou às pressas, mandou vigiar o local por vários dias e o inspecionou ele mesmo — não encontrou nada suspeito. Parecia apenas paranoia imperial. Mesmo assim, precisava encontrar uma desculpa plausível para justificar sua mobilização, e foi então que coincidiu com o caso do sequestro das crianças.

Para evitar que o imperador ficasse descontente — e, portanto, pensasse que o Depósito Ocidental era incompetente e inútil — Wang Zhi precisava fazer de tudo para resolver o caso e recuperar a filha de Zhu Yong. Por um lado, isso mostraria sua habilidade e faria o imperador sentir que o seu departamento ainda era útil. Por outro, ele também precisava tranquilizar Zhu Yong, que estava na linha de frente.

Ele havia retornado disfarçado. Poucos sabiam disso, então sair anunciando abertamente não seria apropriado. Seu retorno de Datong precisava ocorrer em poucos dias, pois, se o Depósito Oriental descobrisse, Shang Ming certamente faria algo sujo — como enviar um memorial ao imperador pedindo para substituir Wang Zhi como Enviado Supervisor do Exército, sob o pretexto de “deixá-lo focar na investigação”. Isso seria um verdadeiro desastre.

Por isso, o tempo de Eunuco Wang era extremamente precioso. O caso precisava ser resolvido em no máximo dois dias, e quanto mais se arrastasse, pior seria para ele. Seu coração, naquele momento, podia ser descrito como “em chamas de ansiedade”.

— Vão até a estalagem mais próxima e encontrem alguns cavalos! — ele ordenou a seus subordinados, em tom ríspido.

— Espere! — chamou Tang Fan, endireitando-se antes de se aproximar de Xue Ling. — Você disse que a estrada secundária leva a uma aldeia abandonada, certo?

— Sim.

— A que distância fica daqui? Qual o tempo mínimo para chegar lá?

— Não é longe, cerca de quinze minutos de caminhada.

— Há outras aldeias adiante, onde alguém poderia descansar?

Xue Ling balançou a cabeça.
— Não. Por causa da peste que devastou o lugar, viajantes afirmaram depois ter visto fantasmas por lá. Após sair da aldeia, o caminho é só mato até um grande desvio que leva ao Forte de Tianjin. Muita gente prefere ir por Tongzhou, em vez de sofrer desnecessariamente por aquele caminho.

Tang Fan assentiu.
— Tudo bem. Vamos apenas até a aldeia. Não há necessidade de buscar cavalos.

O outro ficou surpreso.
— Você está dizendo que eles foram pra lá? Nem os cães pegariam essa estrada!
A implicação era clara: ele não acreditava muito em Tang Fan.

Tang Fan então apontou para o chão.
— Veja: há marcas de rodas de carroça recentes. Como quase ninguém passa por aqui, e as marcas são novas, isso significa que o grupo saiu há pouco tempo. Fora aqueles traficantes, quem mais escolheria essa rota no meio da noite?

— Mas essas marcas são rasas, e há outras, mais fundas, nas estradas principais. Como podemos ter certeza de que seguiram para a aldeia? Talvez estejam tentando nos enganar, levando-nos por outro caminho pra atrasar nossa perseguição.

— Não. Como estão cometendo um crime, com certeza têm medo de serem descobertos, ainda mais transportando tantas crianças. O som da carroça é alto, então eles devem ter enrolado as rodas em tecido pra abafar o barulho. Veja: as marcas das estradas oficiais têm lascas de madeira, mas essas daqui não. Além disso, são ligeiramente irregulares, o que indica que as rodas estavam mesmo envoltas em pano. Só a carroça que levava as crianças exigiria esse cuidado. As marcas nas outras estradas devem ser apenas distrações.

Todos pensaram sobre isso — e realmente fazia sentido.

Mesmo assim, Wang Zhi não se atreveu a apostar tudo na dedução de Tang Fan.
— Vocês sigam por esse caminho. Eu vou buscar cavalos e investigar as outras rotas. Depois nos reunimos.

O tempo era curto, então o grupo de Tang Fan não discutiu mais. Apenas se separaram, combinando verbalmente onde se reencontrariam.

Como Xue Ling havia dito, quinze minutos depois eles avistaram o que parecia ser uma aldeia. A luz do luar refletia nos telhados de palha seca.

Por lógica, uma aldeia habitada teria algum sinal de vida — mesmo que todos estivessem dormindo. Um cachorro latiria, um porco grunhiria, uma criança choraria…
Mas dali, nada se ouvia. Apenas o silêncio.

Pelas janelas quebradas e as casas sem telhado, tudo indicava que o lugar estava realmente abandonado.

Porém, o que deixou o grupo inquieto não foi o fato de não haver ninguém — e sim o contrário: várias casas estavam iluminadas.

Luzes fracas de velas tremeluziam nas janelas destruídas, oscilando como se alguém estivesse costurando ou lendo dentro delas.
No meio da noite, num vilarejo fantasma, com diversas casas acesas — que tipo de cena era essa?

Mesmo Xue Ling, acostumado a lidar com situações perigosas, ficou arrepiado ao ver aquilo.
— Essa aldeia não tinha nome, — ele sussurrou. — Todos a chamavam de Aldeia Xu, porque a maioria dos moradores tinha esse sobrenome. Quando a peste matou quase todos e os poucos sobreviventes fugiram, as autoridades mandaram gente pra cremar os corpos. Levou dois dias e duas noites pra queimar tudo. Queriam depois incendiar toda a aldeia, mas começou a chover assim que acenderam o fogo. Isso aconteceu três vezes seguidas. Dizem que as almas dos mortos não aceitaram o destino e impediram que a aldeia queimasse. Desde então, ninguém mais ousou voltar aqui. É um lugar amaldiçoado.

— Será que há mesmo fantasmas? — perguntou, nervoso, um dos guardas de Sui Zhou.

— Ninguém mora aqui há muito tempo, o que dá chance pra certas pessoas fingirem ser fantasmas, — respondeu Sui Zhou com voz firme. — Se eles realmente vieram pra cá, pode ser uma armadilha, feita pra nos assustar e nos pegar desprevenidos. Fiquem atentos. Não caiam em emboscadas.

— Olhem, — disse Tang Fan. — Nem todas as casas estão iluminadas.

Sui Zhou assentiu.
— Vamos verificar primeiro as que estão escuras. Não se separem. Sigam-me.

Numa situação dessas, ele demonstrava o que era ser um verdadeiro líder. Outro no lugar dele provavelmente mandaria os subordinados irem na frente, mas Sui Zhou foi quem se colocou à frente do grupo.

Essa coragem e senso de responsabilidade explicavam por que ele era tão respeitado no Escritório da Fortaleza do Norte.

Havia cerca de cinco casas sem luz. Todos desembainharam suas armas e começaram a verificá-las uma a uma.

A tensão era enorme; seguravam com força seus sabres ornamentados, músculos retesados, prontos para reagir.
Cada vez que uma porta era arrombada, seus olhos se fixavam nela, esperando que algo saltasse de dentro.

Tang Fan, como de costume, seguia por último, um tanto deslocado entre os guerreiros experientes.

Seus olhos já haviam se adaptado à escuridão, permitindo ver bem o interior das casas. Todas estavam vazias, com móveis deteriorados, camas cobertas de trapos que se desfaziam ao toque das lâminas. As cadeiras, podres, desabavam ao menor empurrão.

Quando chegaram à quinta casa, o grupo já estava um pouco mais tranquilo — ainda alerta, mas menos tenso.

De repente, um dos guardas gritou:
— Irmão! Há uma carroça estacionada atrás!

Ao ouvir isso, o grupo contornou a casa e viu uma carroça parada entre o quintal e a parede da montanha.
Ao se aproximarem, perceberam que as quatro rodas estavam envoltas em tecido grosso — exatamente como Tang Fan havia dito antes.

Não restavam mais dúvidas: os sequestradores realmente haviam fugido para ali.

Tang Fan rapidamente se aproximou da carroça, observando atentamente cada detalhe. O tecido que cobria as rodas estava preso de forma firme, mas dava para notar pequenas falhas onde as bordas se levantavam levemente. Isso indicava que alguém havia preparado a fuga às pressas, sem se preocupar em ocultar tudo perfeitamente.

— Parece que eles vieram correndo, — murmurou Tang Fan. — E só a carroça que levava as crianças precisaria de tanto cuidado.

Sui Zhou assentiu, mantendo os olhos fixos na estrada à frente.
— Vamos nos aproximar com cautela. Não sabemos se alguém ainda está por perto, — alertou, mantendo o tom firme e calmo.

O grupo se moveu silenciosamente, contornando a carroça e verificando se havia rastros recentes de passagem. O chão estava levemente amassado, confirmando que o veículo realmente havia parado ali há pouco tempo. Pequenas marcas de pés também indicavam que as crianças ou os sequestradores poderiam ter descido rapidamente para descansar ou se esconder.

— Devemos nos dividir? — perguntou Xue Ling baixinho. — Um grupo investiga a estrada principal, outro observa a carroça?

Tang Fan balançou a cabeça.
— Não. O mais importante agora é seguir os rastros dos sequestradores. Eles levaram as crianças pela estrada secundária até a aldeia abandonada. O resto é distração.

Sui Zhou fez um gesto para que todos se aproximassem ainda mais da carroça, e Tang Fan começou a examinar o veículo em busca de pistas. No fundo da carroça, sob o tecido, ele percebeu pequenos objetos deixados para trás: uma peça de roupa infantil, um saco de corda parcialmente rasgado e algumas migalhas de comida. Tudo isso confirmava que crianças haviam passado por ali recentemente.

— É aqui que eles descansaram, — disse Tang Fan. — Devemos seguir em frente, rapidamente.

O grupo então retomou a marcha, agora seguindo cuidadosamente os rastros deixados pelos sequestradores. As casas iluminadas da aldeia fantasma ainda se erguiam diante deles, com suas velas tremeluzindo como se o lugar estivesse habitado, mas Tang Fan e os outros mantiveram a concentração total.

— Lembrem-se, — advertiu Sui Zhou, — qualquer ruído ou movimento errado pode alertar os sequestradores. Devemos permanecer silenciosos e atentos.

Com isso, avançaram pelas ruas desertas da aldeia. Cada passo era dado com cuidado, observando o terreno, as janelas e os telhados. Não havia som algum além do ranger das botas sobre o chão de terra e o sussurro do vento entre as casas abandonadas.

Tang Fan sentiu um frio percorrer sua espinha, mas a determinação de resgatar Ah-Dong o mantinha firme. Ele sabia que qualquer distração poderia custar às crianças a segurança que ele tanto desejava garantir.

Ao dobrar a última esquina da aldeia, Tang Fan finalmente viu algo que fez seu coração disparar: à frente, na estrada secundária que levava para a floresta, havia sinais de movimento — sombras que se mexiam rapidamente entre os troncos.

— Eles estão à frente! — sussurrou Tang Fan. — Precisamos nos apressar antes que desapareçam na escuridão.

Sui Zhou fez um gesto silencioso para que todos se preparassem, e o grupo começou a avançar com cautela, mantendo distância segura, mas acelerando o passo para alcançar os sequestradores e, finalmente, salvar as crianças.

A carroça estava ali, mas as pessoas não eram vistas. Teria sido fácil para aqueles poucos adultos da Gangue do Southside fugirem se soubessem artes marciais, mas o problema era que também tinham um grupo de crianças com eles, que não eram fáceis de manobrar. Onde poderiam realmente se esconder?

Nesse momento, ouviram Tang Fan soltar uma exclamação breve e sussurrada:
— Alguém está ali!

Ele não tinha ido ver a carroça com os outros, permanecendo na entrada da casa para inspecionar detalhadamente o local. Isso o tornava o mais provável a detectar movimentos do lado de fora.

Sui Zhou reagiu rapidamente. Seguindo as palavras de Tang Fan, ele se virou, viu claramente o ponto que ele estava apontando e travou o olhar na posição do outro lado — tudo isso em apenas alguns segundos.

À luz do luar, uma sombra negra saiu correndo de uma casa sem luz não muito distante, movendo-se em velocidade impressionante, quase arriscando a vida para fugir. Se Tang Fan fosse perseguir, certamente não conseguiria alcançá-la.

Ele não conseguia, mas outra pessoa certamente podia — e essa pessoa era rápida, mas Sui Zhou era ainda mais.

O evento aconteceu mais rápido do que se poderia narrar; Sui Zhou avançou velozmente, pulando como um coelho e mergulhando como um falcão. A espada que ele segurava não ficou parada, sendo lançada diretamente contra o homem. Só se ouviu um grito ecoando na mata enquanto ele era atingido no ombro, caindo pesadamente no chão.

Nesse momento, Xue Ling e os outros também alcançaram o homem, pressionando-o aproximadamente para baixo e retirando a espada da sua carne. O homem gritou como um porco sendo abatido, e então parou completamente.

Xue Ling o segurou pelas golas da roupa.
— Fale! Onde estão seus comparsas e as crianças?!

O homem gemeu.
— Eu… eu não sei…

Vendo que ele ainda se mantinha calado, Xue Ling aplicou força e quebrou o dedo mindinho direito do homem.

— Aaaa!!! — Seu rosto se contorceu de dor, os olhos cheios de medo.

— Vai falar? — Xue Ling não tinha paciência para esperar, então quebrou um dos dedos anelares dele.

— Eu vou falar! Eu vou falar! — o homem soluçou. — Eles levaram as crianças para a montanha!

— Mentiroso! Por que abandonariam a carroça e subiriam a montanha, então?!

— Não estou mentindo! Não estou! — Um golpe de espada acertou seu ombro, fazendo-o sangrar, e dois de seus dedos já estavam quebrados. Ele gritava de dor, quase como a cafetina que teve as unhas arrancadas antes. Não importava quão resistente fosse, só podia se render diante da Guarda de Brocado.
— A carroça quebrou porque estava carregando muitas pessoas! As rodas da frente se partiram e teriam caído se continuassem, então tiveram que parar aqui e fugir para a montanha! Levaram as crianças com eles! Não estão longe, podem alcançá-los se forem agora!

— Então por que você está sozinho aqui?!

— Eles me fizeram ficar e acender velas nessas casas, para assustar e atrasar vocês um pouco…

Basicamente, não havia mais perguntas a fazer. Sui Zhou lançou um olhar para Xue Ling, e ele entendeu imediatamente. O punho da espada atingiu a parte de trás da cabeça do homem com força, e ele caiu inconsciente no chão.

— Ele ainda não pode morrer — disse Sui Zhou a Tang Fan. — Você fica aqui para cuidar dele e estancar o sangue, enquanto subimos a montanha para persegui-los.

Tang Fan assentiu, sem questionar.
— Certo, deixem comigo. Vão, rápido!

Ele não sabia artes marciais, nem tinha velocidade suficiente. Seria apenas um peso durante a subida, e se houvesse conflito, não ajudaria em nada. Era melhor vigiar ali, para que, se Wang Zhi trouxesse reforços, ele pudesse recebê-los.

O grupo de Sui Zhou partiu apressadamente. Enquanto isso, Tang Fan retirou o manto do homem, rasgou uma tira e a enrolou algumas vezes em volta da axila dele, amarrando com firmeza para conter o sangramento.

A aldeia abandonada estava solitária sob o luar. O vento frio passava pelas portas e janelas deterioradas, produzindo um som como de um fantasma lamentando. Realmente condizia com os rumores de ser assombrada. Mesmo com o homem gravemente ferido e inconsciente ao lado, permanecer ali sozinho na brisa gelada dava a sensação de estar totalmente isolado do mundo.

As sombras dançantes e as chamas trêmulas dentro das casas completavam a atmosfera, tornando-a extremamente assustadora. Se alguém dissesse que o lugar não era assombrado, ninguém acreditaria.

Enquanto pensava nisso, Tang Fan percebeu algo estranho. Com o vento forte lá fora e as janelas quebradas, as velas já deveriam ter se apagado, mas mais da metade ainda estava acesa. Evidentemente, o membro da Gangue do Southside havia sido cuidadoso ao preparar tudo para assustar quem chegasse.

Eles tinham pressa, temendo que quanto mais demorassem, mais longe os traficantes ficariam. Uma vez fora dos limites da capital, seria muito mais difícil localizá-los novamente. Tang Fan e Sui Zhou precisavam tomar decisões rapidamente.

Como ele não tinha nada a fazer no momento, Tang Fan observava os detalhes calmamente. Escolheu a casa mais próxima e empurrou a porta.

Após um rangido, ela se abriu. Ele notou que o candelabro colocado ao lado da janela estava bloqueado por uma parede, protegendo a chama da corrente de ar. Havia também uma cobertura de vidro branca sobre a vela, com uma pequena tábua pressionando-a para que o vento não apagasse a chama. Assim, a vela permanecia acesa.

Ele se aproximou e levantou a tábua. Dentro, estava óleo de lâmpada, com o pavio mais grosso que o normal. Não era de se admirar que não tivesse se apagado.

Seu coração disparou ao perceber que algo estava errado — a aldeia havia sido abandonada há anos, então como poderia haver óleo novo e pavios tão grossos?

Eles tinham o desejo de escapar, por isso escolheram esse caminho, mas mesmo planejando com antecedência, como poderiam ter levado óleo e pavios?

Nesse instante, um barulho repentino veio de fora. Por impulso, ele se virou e saiu, mas lá fora estava vazio — o membro da gangue que havia acabado de ser nocauteado havia sumido!

Eles haviam preparado uma armadilha!

Seu coração afundou. Antes que pudesse pensar mais, foi atingido violentamente na parte de trás da cabeça e caiu, perdendo a consciência.

O feng shui realmente havia se invertido. O homem que Xue Ling nocauteou agora era ele mesmo.

Esse foi seu último pensamento antes que tudo ficasse escuro.

CAPÍTULO 50 - Desmaiados
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The Fourteenth Year of Chenghua

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No décimo quarto ano de Chenghua, o harém imperial tinha uma Consorte Wan, assim como o Depósito Ocidental tinha um Eunuco Chefe chamado Wang Zhi. O Príncipe Herdeiro Zhu Youcheng tinha apenas...

Chapters

  • CAPÍTULO 72 - Velho Amigo
  • CAPÍTULO 71 - Outro é Enfurecido Até a Morte
  • CAPÍTULO 70 - O Conde Hegemônico
  • CAPÍTULO 69 - Retribuir Um ao Outro por Toda Uma Vida
  • CAPÍTULO 68 - Tigela Virada
  • CAPÍTULO 67 - Cabeça de Porco
  • CAPÍTULO 66 - Altamente Valorizado
  • CAPÍTULO 65 - Levando um Tapa
  • CAPÍTULO 64 - Bom Trabalho, Chefe
  • CAPÍTULO 63 - Compreensão Implícita
  • CAPÍTULO 62 - Falta de Juízo
  • CAPÍTULO 61 - Um Tamanho Nada Mau
  • CAPÍTULO 60 - Esta Viagem Foi uma Decisão Errada
  • CAPÍTULO 59 - Querendo Fugir de Casa
  • CAPÍTULO 58 - Com Outros Olhos
  • CAPÍTULO 57 - Ele ficou louco?
  • CAPÍTULO 56 - Irritar Alguém Até a Morte, Outra Vez
  • CAPÍTULO 55 - Visto a olho nu
  • CAPÍTULO 54 - Negócios de Outrem
  • CAPÍTULO 53 - Trabalhado até os Ossos
  • CAPÍTULO 52 -Um Novo Apelido
  • CAPÍTULO 51 - Covil de Ladrões
  • CAPÍTULO 50 - Desmaiados
  • CAPÍTULO 49 - Dor
  • CAPÍTULO 48 -Informações Internas
  • CAPÍTULO 47 - Vendo um Fantasma
  • CAPÍTULO 46 -Au! Au! Au!
  • CAPÍTULO 45 - Um Tanto Impotente
  • CAPÍTULO 44 - Popular
  • CAPÍTULO 43 - Sendo Provocado
  • CAPÍTULO 42 - Um Gênio Difícil
  • CAPÍTULO 41 - Um Glutão de Verdade
  • CAPÍTULO 40 - Ao Pequeno Príncipe
  • CAPÍTULO 39 - A Sorte Sorri aos Traidores
  • CAPÍTULO 38 - Não Coma Nuomici Com o Estômago Vazio
  • CAPÍTULO 37 - Cada Um por Si
  • CAPÍTULO 36 - A Família Han
  • CAPÍTULO 35 - O Tirano Louco, Eunuco Wang
  • CAPÍTULO 34 - Estão Perdidos
  • CAPÍTULO 33 - Senhor Tang Faz o Mal e Não Escapa Dele
  • CAPÍTULO 32 - O Sol Nasce no Oeste
  • CAPÍTULO 31 - Irritado com Tang Fan
  • CAPÍTULO 30 Casar é Terrível
  • CAPÍTULO 29 A Partir de Agora
  • CAPÍTULO 28 Sem Vergonha
  • CAPÍTULO 27 Encontrou-se com Duas Mães
  • CAPÍTULO 26 Um Pouco Empolgado
  • CAPÍTULO 25 Como um Porco
  • CAPÍTULO 24 Incapaz de Deixar Ir
  • CAPÍTULO 23 Você ainda é humano?!
  • CAPÍTULO 22 Como Ele Elogiaria Alguém
  • CAPÍTULO 21 Um Evento Chocante na Família Li
  • CAPÍTULO 20 Que história interna!
  • CAPÍTULO 19 Sorte Florescendo com as Flores de Pêssego
  • CAPÍTULO 18 Considere as Ações, Não o Núcleo
  • CAPÍTULO 17 O Culpado
  • CAPÍTULO 16 Uma Noite Inteira
  • CAPÍTULO 15 Feng
  • CAPÍTULO 14 Você Está Interessada Nele?
  • CAPÍTULO 13 O Último Pedaço de Bolo
  • CAPÍTULO 12 Um Medo Terrível
  • CAPÍTULO 11 Homem Respeitável
  • CAPÍTULO 10 Pego em Flagrante
  • CAPÍTULO 9 Um Amor por Ler Melodrama
  • CAPÍTULO 8 Minando o Território de Pan Bin
  • CAPÍTULO 7 A habilidade do herói salvador da beleza na zombaria
  • CAPÍTULO 6 Disparidade no tratamento
  • CAPÍTULO 5 Senhor Tang ficou chocado e sem palavras
  • CAPÍTULO 4 Um oficial menor de sexta patente
  • CAPÍTULO 3 Conhecido em Todo o Reino
  • CAPÍTULO 2 Reviravoltas, Surpresas e uma Morte Estranha
  • CAPÍTULO 1 Flutuando como uma nuvem errante

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