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The Fourteenth Year of Chenghua

CAPÍTULO 73 - Caminho Sombrio

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[Arco 6: O Caso do Condado de Xianghe]

Conceber um filho durante o período de luto filial não podia ser descrito como algo grave demais, mas tampouco podia ser tratado como uma questão pequena. Com um pouco de cautela, a data de nascimento da criança podia ser adulterada, e então tudo ficaria resolvido. Com um pouco de descuido, sem qualquer falsificação, desde que ninguém denunciasse, aquilo jamais se tornaria um problema de fato.

Liang Wenhua fora cauteloso. Após o nascimento de seu filho, ele manipulou o registro familiar de modo que, mesmo que alguém fizesse os cálculos retroativos, não encontraria nenhuma mancha. Esse tipo de manobra, porém, só servia para enganar o povo comum; se a Guarda do Brocado ou os Dois Depósitos resolvessem investigar a fundo, seriam capazes de descobrir até a idade em que a própria mãe dele começara a falar — quanto mais esse tipo de informação interna.

Qualquer pessoa que ocupasse um cargo oficial na Dinastia precisava prestar atenção especial à própria reputação. Não importava se ela era verdadeira ou falsa — desde que ninguém a denunciasse, tudo estaria bem. Mas, no instante em que alguém o fizesse, o oficial em questão precisava assumir a responsabilidade e permanecer em casa, aguardando a decisão. Essas eram as regras.

Tang Fan mal conseguiu estabilizar a respiração.
— Foi você quem fez isso?

— Eu queria, mas, infelizmente, alguém passou na frente — respondeu Wang Zhi, emburrado. — Aquele sujeito, Sui Zhou, mandou gente investigar antes.

Desde a ocasião em que Tang Fan lhe dera ideias por intermédio de Pan Bin, Wang Zhi lhe devia muitos favores. Embora o outro fosse apenas um oficial de quinto escalão, ajudara-o repetidas vezes em seu trabalho. Wang Zhi não era alguém de bom coração, mas tinha orgulho próprio e não gostava de ficar em dívida com ninguém sem retribuir.

Como se dizia, dívidas de dinheiro eram fáceis de pagar, mas dívidas de favor eram difíceis. Contra suas expectativas, ele nunca conseguira encontrar uma oportunidade para retribuir Tang Fan. Não havia como restaurá-lo ao cargo original naquele momento, mas as capacidades de Wang Zhi eram mais do que suficientes para se vingar de Liang Wenhua.

E, ainda assim, outra pessoa fora um passo mais rápida do que ele. Como não reclamar?

Tang Fan soltou um “ah” de confirmação, sentindo o coração aquecer. Ele sabia que Sui Zhou certamente se vingara de Liang Wenhua por causa de sua destituição. Como os dois tinham uma boa amizade, Sui Zhou precisava evitar conflito de interesses e não podia denunciá-lo diretamente; por isso, recorrera a Shangguan Yong para fazê-lo.

Como não estava mais no gabinete, as informações de Tang Fan não eram tão completas.
— Pelo que sei, Shangguan Yong não se dá bem com a Guarda do Brocado. Por que ele estaria disposto a fazer isso?

— Ele é da Prefeitura de Songjiang, em Huating — respondeu Wang Zhi, de forma simples.

Tang Fan imediatamente entendeu. A razão não era outra senão o fato de que o Ministro Zhang, enviado a Nanquim pelo Grande Chanceler, também era de Songjiang! Shangguan Yong estava vingando Zhang Ying!

— Shangguan Yong é da terra natal de Zhang Ying e também é seu júnior — continuou Wang Zhi. — Eles mantinham contato frequente. Ele não ousa atacar Wan An, mas ainda teve coragem de denunciar Liang Wenhua. Nunca imaginei que Sui Guangchuan tivesse aprendido até a usar a mão de outra pessoa para matar!

— E Liang Wenhua? — perguntou Tang Fan. — Está refletindo sobre seus erros em casa, imagino.

Wang Zhi riu.
— Como se fosse! Esses últimos dias foram realmente animados! Aquele sujeito não tem vergonha nenhuma — em vez de ficar em casa, insistiu em ir ao gabinete todos os dias. Mas quanto mais fazia isso, mais duras eram as críticas. Os censores vivem entediados, farejando qualquer rachadura na casca dos ovos, como um bando de moscas. Como deixariam algo assim passar? Todos se juntaram para denunciá-lo, a ponto de alarmar até Sua Majestade. Wan An não teve escolha senão transferi-lo temporariamente para um posto fora da capital.

Vendo a expressão cheia de prazer malicioso no rosto dele, Tang Fan arriscou um palpite:
— Em Nanquim?

Wang Zhi esfregou as mãos, gargalhando.
— Claro! Foi fazer companhia ao Velho Zhang! Inimigos se encontrando cara a cara, olhos ardendo de vermelho… quem sabe que tipo de confronto vai sair disso!

Tang Fan balançou a cabeça, pensando que aquilo realmente era “animado”.

Ainda assim, por mais interessante que fosse, ele não poderia ver com os próprios olhos. No mínimo, com isso, o sonho de Liang Wenhua de se tornar ministro estava definitivamente acabado.

A diferença entre Wang Zhi e Shang Ming era que este último agora se apoiava em Wan An, enquanto o primeiro achava a facção de Wan An um incômodo. Liang Wenhua era um dos grandes auxiliares de Wan An; agora que fora derrubado, Wang Zhi se sentia plenamente satisfeito em assistir ao espetáculo.

— Eunuco Wang, sua própria situação agora está um pouco delicada — advertiu Tang Fan.

Wang Zhi franziu a testa.
— Delicada? Como assim?

— Você não percebe? — provocou Tang Fan. — Aos olhos dos outros, você pertence à Consorte Wan, e Wan An se agarra a ela. Agora que Liang Wenhua foi rebaixado, seria natural que você se solidarizasse, mas, em vez disso, está feliz em ver o fogo pegar. Isso não é problemático?

Wang Zhi revirou os olhos, sem dizer nada. Mas as palavras seguintes de Tang Fan não eram brincadeira alguma.
— Como Wan An compartilha o sobrenome da Consorte, ele se diz parente dela. Para falar claramente, já que ele está firmemente sentado no cargo de Grande Chanceler, não é raro que as pessoas tentem se agarrar a ele. Agora que Shang Ming se aliou a Wan An, isso significa que estão na mesma facção. E você? Você odeia Shang Ming e não vê Wan An com bons olhos, mas também não está do lado de Huai En. Além disso, a Consorte não o trata mais com a mesma proximidade de antes. Sua situação pode ser resumida em duas palavras.

Completamente sozinho.

Tang Fan nem precisava dizê-las em voz alta; elas já haviam surgido no coração de Wang Zhi. Um arrepio de terror percorreu seu corpo, e sua expressão arrogante e fria vacilou ligeiramente.

Quanto ao plano anterior de Tang Fan, ele o considerara razoável e pretendia executá-lo. Em contraste, essa conversa sobre Liang Wenhua apenas fez seu senso de crise aumentar cem vezes. Ele se sentia como se estivesse sentado sobre agulhas, com vontade de correr imediatamente para o palácio — mas como poderia? A Consorte Wan encontraria uma desculpa para não recebê-lo, o que já era um presságio claro.

Com as sobrancelhas profundamente franzidas, ele apertou os braços da cadeira, o rosto sombrio como água parada. Pouco depois, levantou-se e fez uma reverência solene a Tang Fan.
— Por favor, instrua-me, Senhor Tang.

Ora. Ele passara de chamá-lo diretamente pelo nome a promovê-lo a “Senhor”, como um mestre. Um tratamento impecável! Isso também mostrava que Wang Zhi não era alguém incapaz de deixar de lado sua pose; ele apenas precisava ver se a outra pessoa era digna disso.

Um verdadeiro pragmático.

Tang Fan também se levantou e o ajudou a erguer-se.
— Não precisa disso, Eunuco Wang — disse calorosamente. — Só de eu ter vindo a este encontro, minha posição já está clara. Além disso, as coisas ainda não chegaram a um ponto sem retorno.

Wang Zhi, tendo feito todo aquele gesto apenas para ser interrompido, aceitou prontamente a deixa.
— Então explique isso para mim o quanto antes.

Por causa da diferença de status entre os dois, Wang Zhi sempre mantivera certa afetação em suas palavras e atitudes diante de Tang Fan. Só naquele momento ele realmente passou a encará-lo como alguém em pé de igualdade.

Isso vinha do fato de que a realidade provara que Tang Fan não precisava dele para ascender. Mesmo sem cargo para se vingar no momento, ele tinha Sui Zhou como aliado; com as capacidades deste e o grande apreço que o Imperador tinha por ele, assumir o comando da Guarda do Brocado era apenas uma questão de tempo. Em comparação, Wang Zhi procurara Tang Fan em busca de ajuda várias vezes e lhe devia muitos favores. Não apenas o outro jamais cobrara nada em troca, como praticamente sempre comparecia quando era chamado. Só essa confiabilidade já estava além de qualquer outra pessoa.

Wang Zhi não era alguém sem discernimento para reconhecer o que era bom ou ruim, mas, como sempre tivera uma trajetória de ascensão rápida desde jovem, acabara se deixando levar um pouco. Somando-se a isso os méritos acumulados nos últimos dois anos, ele passara a se achar supremo.

Agora, essa presunção fora despedaçada por Tang Fan, restando apenas um peso no coração.

— Já analisei o que você deve fazer, Eunuco Wang, mas precisa ter um objetivo principal em mente.

— Estou disposto a ouvir os detalhes.

— Sei que você não se dá bem com o grupo de Wan An e Shang Ming, mas, como eles são apoiados pela Consorte, não há como você não ficar do lado dela. Isso porque, aos olhos dos oficiais da Corte, você é um membro do Palácio da Virtude Manifesta.

Esse palácio fora concedido à Consorte Wan; era assim que os oficiais o chamavam.

Wang Zhi não rodeou o assunto.
— É verdade. Para ser sincero, minha posição hoje é bem difícil. Ninguém confia em mim nem se apoia em mim.

— Independentemente de ser a Consorte Wan ou Wan An, todos eles dependem, no fundo, de Sua Majestade — esclareceu Tang Fan. — Você só precisa ser leal o suficiente a ele. Além disso, como eu disse, o Depósito Ocidental é uma espada de dois gumes. Se você souber usá-la bem, ela lhe trará grandes retornos.

— Tenho outra coisa a lhe perguntar.

— Diga.

— Depois do caso do Palácio Oriental, o Príncipe Herdeiro soube que eu intermediei por ele e se lembrou do bem que fiz. Uma vez, expressou seus agradecimentos por meio de Huai En, e até a atitude daquele velho comigo melhorou um pouco.

Sabendo que ele não pararia por aí, Tang Fan não interrompeu.

— Mas o Príncipe ainda é apenas um príncipe. Enquanto não ascender, continuará sendo apenas o herdeiro. A Consorte Wan nunca o achou agradável aos olhos, mas ele sempre fez tudo com extremo cuidado, de modo que ela nunca teve uma chance de agir contra ele.

Tang Fan assentiu levemente.
— Aquele caso mostrou que as contradições entre eles certamente explodirão um dia.

A Consorte Wan havia matado a mãe do Príncipe Herdeiro; como não teria culpa no coração? Julgando os outros por sua própria mentalidade, ela acreditaria mesmo que ele não nutria desejo de vingança? Não importava quão gentil e correto ele se mostrasse, ela sempre teria um espinho cravado no peito — e, se pudesse substituí-lo, ao menos dormiria um pouco mais tranquila.

Aquele caso fora o estopim que expôs, sem disfarces, o abismo entre eles diante de todos.

— Quando esse dia chegar, a decisão de Sua Majestade não será favorável ao Príncipe — disse Wang Zhi, com clareza. — Você acha que devo ficar do lado de Sua Majestade ou do Príncipe?

Essa pergunta era uma enorme exposição do coração. Presumivelmente, ele a cultivara por muito tempo antes de revelar essa incerteza profunda.

Era também a raiz exata de sua hesitação.

Mesmo estando apenas os dois na sala, após dizer aquilo ele sentiu ondas de arrependimento. Se Tang Fan fosse alguém indigno de confiança e repassasse aquelas palavras a terceiros, sua carreira política estaria acabada.

— Não vamos falar de consciência ou das leis do Céu, Eunuco Wang — disse Tang Fan. — Pense apenas no seguinte: se a ideia da Consorte Wan se concretizar, estabelecendo outro Príncipe Herdeiro que se tornará o novo governante, isso lhe traria algum benefício? Esse novo governante se lembraria do bem que você fez? Hoje, há muitas pessoas ao redor da Consorte Wan, não apenas você. Já o herdeiro atual é bondoso e íntegro. Quem lhe estender a mão quando ele estiver em dificuldade será alguém de quem ele certamente se lembrará. Para você, quem é melhor e quem é pior não deveria ser difícil de escolher.

Wang Zhi ponderou por um momento. Ele ouvira claramente, mas precisava de mais tempo para refletir sobre algo tão importante. Não havia como dar uma conclusão imediata a Tang Fan.
— Fácil falar. Você não está no meu lugar; nunca experimentou o que é andar sobre gelo fino.

Tang Fan sorriu.
— Como dizem, quem é capaz trabalha mais. De outro modo, como seu poder seria maior que o meu, e seu cargo mais alto? Quanto maior a autoridade, maior a responsabilidade.

— Está bem, chega de conversa fiada. Já que você vai deixar a capital, considere este jantar como sua despedida.

— Vou lhe contar um segredo.

— …?

— Depois que recebi o cargo na Academia Hanlin, fui secretamente com alguns colegas a uma casa de prazer para beber e assistir a um espetáculo.

Wang Zhi não entendeu nada.
— Por que me contou isso?

Tang Fan riu baixinho.
— Estou trocando um segredo por outro, para que você não fique desconfiado de mim e preocupado que eu conte a alguém o que foi dito hoje.

— …

Para dizer a verdade, depois de tanto tempo interagindo com ele, Wang Zhi confiava bastante no caráter de Tang Fan — caso contrário, jamais teria discutido assuntos tão profundos com ele.

…Mas a estranheza daquele sujeito realmente lhe causava uma profunda sensação de impotência. Ainda assim, a atmosfera pesada que preenchia a sala se dissipou rapidamente.

Quando Tang Fan saiu do Nuvem Imortal, já estava quase na segunda vigília da noite (entre nove e onze horas).

Ao caminhar pela rua onde o Nuvem Imortal se localizava, todo o burburinho ficou imediatamente para trás. Casas silenciosas se alinhavam dos dois lados. Algumas ainda tinham pontos de luz escapando pelas janelas — provavelmente estudiosos lendo à luz de lanternas, ou mulheres apressadas fazendo sapatos de inverno para os parentes.

Ele não tinha mais um cargo oficial, mas ainda mantinha o status de oficial, o que significava que o toque de recolher noturno não se aplicava a ele.

Tendo bebido demais, acabara um pouco tonto, embora a mente permanecesse lúcida. Caminhou de volta devagar, contemplando a lua no céu, e não pôde deixar de recordar aquela noite de alguns anos atrás: por ter voltado tarde para casa após beber, acabara encontrando um demônio da Seita do Lótus Branco fingindo ser um fantasma, até que Sui Zhou surgira a tempo.

Com os pensamentos vagando, ele acabou avistando aquela viela familiar. Assim como o caminho por onde viera, a área ao redor estava mergulhada na escuridão; a diferença era que havia alguém parado na entrada da viela, segurando uma lanterna.

Aquela silhueta conhecida o fez pausar levemente; em seguida, apressou o passo.

Era Sui Zhou.

Ele obviamente não estivera ali a noite inteira para alimentar mosquitos.

— Fiquei com medo de você voltar tarde e não conseguir enxergar o caminho.

Tang Fan também saíra com uma lanterna, mas, depois de andar tanto, a vela já havia se apagado quase por completo. Não era tão brilhante quanto a de Sui Zhou, cuja chama parecia aquecer o coração.

Tang Fan riu.
— Obrigado.

Esse agradecimento não era apenas por ele ter vindo encontrá-lo. Quanto ao outro motivo, ambos sabiam no fundo do coração que havia muitas coisas que não precisavam ser explicadas.

Explicá-las seria perder o sentido.

Uma rajada de vento passou, fazendo a chama na mão de Tang Fan vacilar em seus últimos suspiros, até se apagar por completo.

A luz de Sui Zhou foi a única que restou. Seu brilho suave e enevoado deslizou pelo contorno do queixo de Tang Fan; sua beleza era indescritível.

Era exatamente essa a sensação de contemplar alguém belo sob a luz de uma lanterna.

— Vamos. Vamos para casa.

Quando se queria visitar uma irmã mais velha, não bastava simplesmente aparecer. A família He era grande, com três gerações sob o mesmo teto e uma infinidade de parentes; a visita de Tang Fan representava o prestígio da família natal de Tang Yu, portanto os presentes precisavam estar à altura.

Felizmente, a capital ficava aos pés do Imperador, e ali havia de tudo. Depois de vários dias de compras, ele finalmente conseguiu adquirir tudo o que precisava.

E, após essa verdadeira pilhagem, as economias do Senhor Tang retrocederam pelo menos alguns anos.

Ele vinha planejando comprar uma casa. Com Ah-Dong crescendo daquele jeito, já não era apropriado que ela continuasse morando sob o mesmo teto que Sui Zhou. Isso não significava que Sui Zhou tivesse quaisquer pensamentos impróprios em relação a ela, mas, aos olhos dos outros, homens e mulheres deviam manter distância, e a reputação da menina precisava ser considerada. Além disso, por mais cara de pau que Tang Fan fosse, não havia como ele se hospedar na casa de outra pessoa por toda a vida.

O dinheiro que Sui Zhou o ajudara a economizar ao longo dos últimos anos deveria ser suficiente para comprar um imóvel mais simples na capital. No entanto, Sui Zhou esperava que pudessem morar perto um do outro — de preferência, tão próximos quanto possível, para que pudessem cuidar um do outro. Tang Fan pensava o mesmo, mas, infelizmente, as casas vizinhas à de Sui Zhou eram caras demais e, no momento, inalcançáveis.

Por coincidência, o vizinho ao lado de Sui Zhou era um oficial transferido para outra região, que não teria sequer como pensar em voltar por muitos anos. Assim, o proprietário pretendia vender sua residência na capital. Embora o preço fosse um pouco elevado, se Tang Fan tirasse todo o dinheiro que tinha guardado, ainda seria suficiente para fechar o negócio.

No entanto, por causa da compra dos presentes para a família He, surgiu um buraco em suas economias.

Quando aquela prata criou asas e voou para longe, o coração do Senhor Tang sangrou…

Sangue à parte, os presentes precisavam ser comprados — e foram. Ele se despediu de Sui Zhou e de Ah-Dong, e então deixou a capital levando Qian San’r consigo.

Antes de partir, confiou a Sui Zhou a tarefa de comprar uma casa em seu nome, pedindo que tomasse a decisão como achasse melhor. Quanto ao dinheiro, precisaria pegá-lo emprestado de Sui Zhou. Como a relação entre eles era tão próxima — do tipo “o que é seu é meu, o que é meu é seu” — e como ele já devia tantas quantias aqui e ali, Tang Fan estava bastante acostumado a isso.

Dois Guardas do Brocado também seguiam na comitiva, sendo um deles o porta-estandarte Yan Li, que estivera no grupo do Condado de Gong.

Tang Fan não tinha cargo no momento, mas Yan Li era oficialmente de sétima classe verdadeira. Fazer um imponente Guarda do Brocado atuar como guarda-costas de alguém sem posto era uma afronta para ele, mas não havia nada que pudesse fazer, pois Sui Zhou fora categórico, oferecendo apenas duas opções:

Ou levava os homens consigo, ou não ia a lugar nenhum.

Sem alternativa, o Senhor Tang só pôde se submeter a esse abuso descarado de autoridade.

Claro que ele não achava que Sui Zhou estivesse tentando vigiá-lo. Aquela era apenas a maneira peculiar que o Enviado da Fortaleza tinha de expressar sua preocupação.

Ao longo do caminho, a carruagem avançava aos solavancos, as rodas girando enquanto Qian San’r a conduzia. Dentro dela não iam pessoas, apenas os presentes. Os outros três viajavam a cavalo. Depois de ter passado pela correria no Condado de Gong, Tang Fan já se acostumara a esse tipo de viagem. O ritmo agora era lento, bem diferente da pressa anterior; quando se cansavam, paravam para descansar, e quando tinham vontade, seguiam adiante. Com esse clima despreocupado e ocioso, o cansaço sequer era assunto.

— Sinto muito por ter lhe dado trabalho, fazendo-o viajar comigo, Velho Yan — desculpou-se Tang Fan.

Yan Li riu com entusiasmo.
— De onde saiu isso, Senhor Tang? Consegui uma rara oportunidade de relaxar — sou eu quem deveria agradecer!

— Já não sou mais “senhor”. Se não se importar, pode me chamar pelo meu nome de cortesia, Runqing.

Embora fosse um homem das artes marciais, Yan Li tinha refinamento em meio à rudeza.
— Isso não dá. Você é o melhor amigo do nosso comandante! Vou chamá-lo apenas de Dono.

Tang Fan não conseguiu rebater.
— Se preferir assim.

Yan Li olhou para a carruagem cheia de presentes.
— A família He tem tanta gente assim? — perguntou, curioso. — Você não trouxe presentes demais, Dono?

Tang Fan balançou a cabeça.
— Isso não é quase nada. Provavelmente nem será suficiente. O Condado de Xianghe é pequeno, mas os He são uma família local de oficiais. O patriarca atual, He Ying, foi Assistente Esquerdo do Escritório de Administração Contínua de Zhejiang e está aposentado. O filho mais velho, He Yi, é Doutor do Palácio e atualmente atua como oficial fora da capital.

Naquela época, tornar-se Doutor do Palácio já não era fácil; ter pai e filho ambos como oficiais era ainda mais raro. Famílias como a dos He tinham potencial para se tornarem clãs oficiais por gerações. Além disso, o pai de He Ying também fora oficial, mas já falecera havia muito tempo, sendo um passado antigo demais para ser mencionado.

Yan Li pareceu compreender.
— Acho que lembro desse nome, He Ying. Já que você falou nele… será que o marido da sua irmã é He Yi?

— Não — respondeu Tang Fan. — É He Lin, o segundo filho.

— Ah. E onde ele atua como oficial agora?

— Ele não atua.

— Então ele é Licenciado Provincial?

Tang Fan tossiu de leve.
— Ele não passou nos exames provinciais…

— …

Yan Li não ousou continuar perguntando. Aquela linha de perguntas era ofensiva demais.

O próprio Tang Fan, porém, resolveu esclarecer.
— Meu cunhado tem inteligência inata e era conhecido como criança prodígio. Talvez tenha sido falta de sorte; após repetir os exames e falhar repetidamente, agora ele é apenas… um Licenciado do Condado.

A expressão de Yan Li ficou um pouco estranha.

O título de Licenciado do Condado era o mais baixo entre os graus acadêmicos; quem não o possuía era apenas um estudante comum. A competição nos exames imperiais era feroz, e muitos estudiosos jamais conseguiam sequer esse título ao longo da vida. Ainda assim, aqueles que o obtinham, mesmo sem avançar para o grau provincial, ao menos podiam se tornar professores em suas terras natais. Por isso, olhando para toda a Grande Ming, o título ainda era relativamente raro.

Mas isso só valia para pessoas comuns.

O problema era que os He tinham três gerações de oficiais. O pai fora oficial de terceiro escalão, o irmão mais velho era Doutor do Palácio, mas He Lin sequer conseguira se tornar Licenciado Provincial — era apenas um Licenciado do Condado, algo praticamente sem valor.

Yan Li, especialmente por vir da capital, pensava assim. Ele lidava diariamente com todos os tipos de oficiais e já encontrara inúmeras vezes os Grandes Conselheiros. Um Licenciado do Condado, aos seus olhos, mal merecia atenção.

Mesmo assim, para evitar constranger demais Tang Fan, tentou consolá-lo:
— Seu cunhado ainda é jovem. Provavelmente está passando por uma fase de azar. Quando a sorte virar, ninguém vai segurá-lo!

Tang Fan riu.
— Além do irmão mais velho que está em outra região, ele ainda tem um irmão mais novo. Ouvi dizer que, alguns anos atrás, esse também se tornou Licenciado do Condado, mas não sei se já passou nos exames provinciais. Fora eles, a família He tem muitas mulheres, além dos irmãos do Patriarca He e seus descendentes. A maior parte do clã vive em Xianghe e se visita com frequência, então esses presentes que preparei realmente não são muito.

Esperando mudar de assunto, Yan Li assentiu repetidamente.
— Entendo, entendo!

Conversaram assim pela estrada, parando e seguindo conforme o ritmo. Por causa da lentidão da viagem e por saber que sua irmã, como mulher casada, não podia se movimentar livremente, Tang Fan não enviou aviso prévio de sua chegada, achando que não haveria problema em simplesmente aparecer.

No Condado de Xianghe, uma família estava no meio de um grande banquete.

Como a lista dos aprovados nos exames provinciais do outono acabara de ser divulgada e um descendente da família passara, o patriarca estava radiante e ordenara uma festa para comemorar.

Os convidados não eram pessoas comuns. Assim que os convites foram enviados, todos os figurões do condado compareceram, incluindo o próprio magistrado local, que veio oferecer parabéns. Até mesmo aqueles que não haviam sido convidados tentaram todos os meios possíveis para entrar e conseguir uma refeição — afinal, se pudessem se aproximar da família anfitriã ou dos oficiais locais, isso lhes renderia grandes vantagens.

Não é preciso dizer que essa família tinha o sobrenome He — exatamente aquela na qual Tang Yu havia se casado.

Quanto a quem passara nos exames provinciais, não fora He Lin, mas sim o irmão mais novo dele, o caçula da família, He Xuan.

Os filhos mais velhos mantêm a fachada; os mais novos recebem carinho. O caçula alcançar o título de Licenciado Provincial deixou os anciãos da família He em êxtase. A casa estava repleta de lanternas e enfeites festivos. Muitos convidados vieram tecer elogios, a ponto de as mãos ficarem dormentes de tanto receber envelopes vermelhos. Cada vez mais pessoas chegavam, enquanto os penetras que tentavam se aproveitar da confusão eram rapidamente barrados.

Do salão principal ao pátio, havia mais de dez mesas dispostas. No salão sentavam-se, naturalmente, as figuras mais importantes do condado: o magistrado, o vice-magistrado, o escrivão e outros, além de respeitáveis membros da elite local, amigos da família He, parentes por afinidade e assim por diante. Tudo era organizado conforme o status; os menos importantes ficavam nas mesas do pátio.

Na cozinha, o fogo ardia alto, e os pratos saíam como água corrente. Diziam que os cozinheiros haviam sido convidados da capital; a comida tinha ótima aparência, aroma e sabor.

O portão estava cheio de convidados, as mesas lotadas de bons amigos. Não vieram apenas homens, é claro; suas esposas os acompanharam. Nos fundos ficava o espaço das mulheres, onde também haviam sido montadas mais de dez mesas. As mulheres da família He se distribuíam entre elas para recepcionar os convidados e garantir que ninguém se sentisse negligenciado.

— O Terceiro Senhor He tornou-se Licenciado Provincial com grande brilho! Nos exames da primavera do próximo ano, certamente avançará sem obstáculos e conquistará o título de Doutor do Palácio de primeira! Então, sim, ele trará verdadeira honra aos ancestrais!

Como a Senhora Wei, esposa do protagonista do dia, estava sentada naquela mesa, os convidados naturalmente escolheram palavras agradáveis. Ela sorriu de orelha a orelha, embora ainda fingisse modéstia.
— Que exagero. O talento é abundante neste mundo. Meu marido passou nos provinciais por sorte; não dá para afirmar algo assim. Se isso se espalhar, vão dizer que nossa família é presunçosa demais!

Uma convidada próxima sorriu.
— Não precisa ser tão modesta. Ele tem apenas vinte e cinco anos e já é Licenciado Provincial. Em toda a Grande Ming, isso conta como sucesso precoce! Há por aí pessoas de setenta ou oitenta anos que ainda são Licenciados do Condado — e não faltam!

Quem falou não teve intenção, mas quem ouviu entendeu. Ao escutar isso, vários olhares deslizaram involuntariamente para a mesa ao lado.

Ali estava Tang Yu, esposa do Segundo Senhor He, entretendo os convidados. Segundo os costumes da época, os de fora deveriam chamá-la de Senhora Tang da família He.

A Senhora Wei lançou-lhe um olhar. Tang Yu mantinha a mesma expressão de sempre, um sorriso suave e adequado no rosto enquanto apresentava os pratos às mulheres ao lado. Não dava para saber se ouvira algo.

— Também não é bem assim — disse a Senhora Wei, sorrindo. — Veja o nosso Segundo, por exemplo. Ele tem talento e conhecimento, mas falta-lhe sorte. Falhou nos exames repetidas vezes.

Uma mulher ao lado franziu os lábios.
— Já passou dos trinta e ainda não conseguiu. Acho que não há muita esperança.

— E mesmo assim insiste em se fazer de altivo e distante — cochichou outra. — Ouvi dizer que passa o dia inteiro trancado estudando até se acabar. Só mesmo graças à grande riqueza da família He para sustentar alguém assim. Do contrário, já teria levado a casa à ruína há muito tempo.

A Senhora Wei não respondeu. Baixou a cabeça, comeu tranquilamente e ouviu com um sorriso, sem conseguir esconder o prazer que sentia.

He Yi, o primogênito, tornara-se Doutor do Palácio aos vinte e sete anos. Se He Xuan conseguisse o mesmo no ano seguinte, teria apenas vinte e seis, e a família He se orgulharia mais uma vez. Não era de se estranhar que a Senhora Wei se banhasse nessa glória — afinal, marido e esposa são um só corpo, e o mérito do marido é o apoio da esposa.

Uma criada se aproximou apressada, foi direto à mesa de Tang Yu e se inclinou para sussurrar algo em seu ouvido. A expressão de Tang Yu mudou ligeiramente. Ela se levantou de imediato, chamou a Senhora Wei para um canto e falou em voz baixa:
— Irmã, o Segundo Senhor não está se sentindo bem e voltou para o quarto para descansar. Vou até lá vê-lo e deixo os assuntos daqui sob seus cuidados.

A Senhora Wei mostrou surpresa.
— Ele está doente? Por que não chamar o médico?

— Não é necessário envolver tanta gente. Acho que ele bebeu demais e só precisa descansar. Vou incomodá-la um pouco aqui.

— Vá, então, cunhada.

Tang Yu agradeceu e seguiu a criada para fora.

Ao vê-la deixar o banquete às pressas, muitos ficaram confusos. Quando a Senhora Wei voltou a se sentar, todos perguntaram, e ela respondeu sorrindo:
— Ela disse que o Segundo Senhor bebeu demais e está passando mal.

Ninguém ali era tolo, e todos entenderam o subtexto. Alguém riu.
— Aposto que não foi vinho demais, mas vinagre, não é?

Vinagre em excesso deixa o coração azedo. Com Tang Yu fora, os comentários ficaram ainda mais desenfreados.

— Na minha opinião, o Segundo He é realmente sem vergonha. Não tem talento nenhum e ainda passa vergonha na comemoração do próprio irmão mais novo. Ele não sabe quem está olhando?

— A Segunda Senhora também é digna de pena. Tem beleza e talento, mas se casou com alguém assim.

— Bem, não digam isso. Os pais dela morreram cedo e a família dela já caiu há muito tempo. Felizmente, o Patriarca cumpriu a promessa e permitiu que ela se casasse com a família He. Ela já deveria se dar por satisfeita.

Totalmente focada no marido, Tang Yu não ouviu ninguém falando dela. Atravessou todo o salão barulhento, chegou à porta de seu quarto e bateu duas vezes. Como não houve resposta, empurrou a porta para entrar.

— Fique fora! — veio uma voz lá de dentro, não muito alta, mas carregada de irritação.

CAPÍTULO 73 - Caminho Sombrio
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The Fourteenth Year of Chenghua

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No décimo quarto ano de Chenghua, o harém imperial tinha uma Consorte Wan, assim como o Depósito Ocidental tinha um Eunuco Chefe chamado Wang Zhi. O Príncipe Herdeiro Zhu Youcheng tinha apenas...

Chapters

  • CAPÍTULO 74 - Fofinho
  • CAPÍTULO 73 - Caminho Sombrio
  • CAPÍTULO 72 - Velho Amigo
  • CAPÍTULO 71 - Outro é Enfurecido Até a Morte
  • CAPÍTULO 70 - O Conde Hegemônico
  • CAPÍTULO 69 - Retribuir Um ao Outro por Toda Uma Vida
  • CAPÍTULO 68 - Tigela Virada
  • CAPÍTULO 67 - Cabeça de Porco
  • CAPÍTULO 66 - Altamente Valorizado
  • CAPÍTULO 65 - Levando um Tapa
  • CAPÍTULO 64 - Bom Trabalho, Chefe
  • CAPÍTULO 63 - Compreensão Implícita
  • CAPÍTULO 62 - Falta de Juízo
  • CAPÍTULO 61 - Um Tamanho Nada Mau
  • CAPÍTULO 60 - Esta Viagem Foi uma Decisão Errada
  • CAPÍTULO 59 - Querendo Fugir de Casa
  • CAPÍTULO 58 - Com Outros Olhos
  • CAPÍTULO 57 - Ele ficou louco?
  • CAPÍTULO 56 - Irritar Alguém Até a Morte, Outra Vez
  • CAPÍTULO 55 - Visto a olho nu
  • CAPÍTULO 54 - Negócios de Outrem
  • CAPÍTULO 53 - Trabalhado até os Ossos
  • CAPÍTULO 52 -Um Novo Apelido
  • CAPÍTULO 51 - Covil de Ladrões
  • CAPÍTULO 50 - Desmaiados
  • CAPÍTULO 49 - Dor
  • CAPÍTULO 48 -Informações Internas
  • CAPÍTULO 47 - Vendo um Fantasma
  • CAPÍTULO 46 -Au! Au! Au!
  • CAPÍTULO 45 - Um Tanto Impotente
  • CAPÍTULO 44 - Popular
  • CAPÍTULO 43 - Sendo Provocado
  • CAPÍTULO 42 - Um Gênio Difícil
  • CAPÍTULO 41 - Um Glutão de Verdade
  • CAPÍTULO 40 - Ao Pequeno Príncipe
  • CAPÍTULO 39 - A Sorte Sorri aos Traidores
  • CAPÍTULO 38 - Não Coma Nuomici Com o Estômago Vazio
  • CAPÍTULO 37 - Cada Um por Si
  • CAPÍTULO 36 - A Família Han
  • CAPÍTULO 35 - O Tirano Louco, Eunuco Wang
  • CAPÍTULO 34 - Estão Perdidos
  • CAPÍTULO 33 - Senhor Tang Faz o Mal e Não Escapa Dele
  • CAPÍTULO 32 - O Sol Nasce no Oeste
  • CAPÍTULO 31 - Irritado com Tang Fan
  • CAPÍTULO 30 Casar é Terrível
  • CAPÍTULO 29 A Partir de Agora
  • CAPÍTULO 28 Sem Vergonha
  • CAPÍTULO 27 Encontrou-se com Duas Mães
  • CAPÍTULO 26 Um Pouco Empolgado
  • CAPÍTULO 25 Como um Porco
  • CAPÍTULO 24 Incapaz de Deixar Ir
  • CAPÍTULO 23 Você ainda é humano?!
  • CAPÍTULO 22 Como Ele Elogiaria Alguém
  • CAPÍTULO 21 Um Evento Chocante na Família Li
  • CAPÍTULO 20 Que história interna!
  • CAPÍTULO 19 Sorte Florescendo com as Flores de Pêssego
  • CAPÍTULO 18 Considere as Ações, Não o Núcleo
  • CAPÍTULO 17 O Culpado
  • CAPÍTULO 16 Uma Noite Inteira
  • CAPÍTULO 15 Feng
  • CAPÍTULO 14 Você Está Interessada Nele?
  • CAPÍTULO 13 O Último Pedaço de Bolo
  • CAPÍTULO 12 Um Medo Terrível
  • CAPÍTULO 11 Homem Respeitável
  • CAPÍTULO 10 Pego em Flagrante
  • CAPÍTULO 9 Um Amor por Ler Melodrama
  • CAPÍTULO 8 Minando o Território de Pan Bin
  • CAPÍTULO 7 A habilidade do herói salvador da beleza na zombaria
  • CAPÍTULO 6 Disparidade no tratamento
  • CAPÍTULO 5 Senhor Tang ficou chocado e sem palavras
  • CAPÍTULO 4 Um oficial menor de sexta patente
  • CAPÍTULO 3 Conhecido em Todo o Reino
  • CAPÍTULO 2 Reviravoltas, Surpresas e uma Morte Estranha
  • CAPÍTULO 1 Flutuando como uma nuvem errante

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