004.
Ao falar com uma expressão séria, Ashley mudou de tática e perguntou asperamente: “Você não faz nenhuma atividade física ou algo do tipo?”
“Faço.” Koi preferiu não detalhar que era da equipe de maratona.
Ele treinava duro na pista de atletismo quase todos os dias, mas ver alguém que não sabia absolutamente nada sobre sua vida perguntar aquilo com desdém feriu profundamente o seu orgulho.
Mesmo assim, ele tentou não demonstrar sua irritação, embora Ashley não parecesse se importar nem um pouco. Soltando outro suspiro profundo, Ashley finalmente se deu por vencido e abriu a boca.
“Certo, então como vamos fazer?”
Ashley estendeu as duas palmas das mãos em frente a Koi, como quem se rende. Connor respirou fundo e expôs o plano que havia preparado. Ele sugeriu começar pela pesquisa de dados, definindo como conduziriam o trabalho, e tentou marcar o primeiro encontro.
“Eu tenho treino a semana toda.” Ashley cruzou os braços e olhou para Koi de cima, como se perguntasse o que ele faria a respeito. Mas Koi já tinha uma resposta pronta.
“O treino termina às 18h. Se tomar banho e a gente se encontrar às 19h, não é tempo suficiente?”
Por um instante, Ashley fez uma careta de tédio.
Enquanto Koi pensava consigo mesmo se sua determinação estava deixando o outro tão horrorizado assim, Ashley perguntou com desconfiança: “Você… não é meu stalker, é?”
“O quê?… Claro que não!”
Diante do susto de Koi, Ashley desdenhou com uma risada leve.
“É brincadeira.”
Esse narcisista!
O sangue de Koi subiu de raiva e ele arregalou os olhos.
“Sério, não sou. Eu só sei disso porque também faço atividades físicas.”
É por isso que eu odeio gente mimada. Koi pensou com o rosto emburrado, acrescentando logo em seguida: “Se você acha que todo mundo no mundo é apaixonado por você, está muito enganado.”
“Sim, que bom, né?”
Ao ver Ashley levar a mão ao peito e soltar um suspiro de alívio fingido, Koi ficou completamente sem paciência. Encarando o rosto do convencido Ashley Miller, ele disparou rapidamente: “Se às 19h funciona para você, vamos começar logo hoje. Vai ser melhor para você também se terminarmos isso rápido.”
“Entendido.” Ashley aceitou a realidade e concordou prontamente.
Koi já ia sugerir que se encontrassem na cafeteria da escola quando o outro o interrompeu.
“Então a gente se vê às 19h no Greenbrier.”
“O quê?” Koi tomou um susto e sua mente despertou no ato.
Greenbrier? Aquele lugar caro? Não pode ser!
“Espera, Ashley, não, Ash, espera aí!”
Ashley já estava se virando para ir embora, mas olhou para trás com irritação ao ser segurado por Koi mais uma vez. Só que Koi não estava em condições de se importar com o mau humor dele.
“Ei, precisa mesmo ser em um restaurante? A gente não pode só conversar na cafeteria da escola…?”
“Às sete da noite?” Ashley perguntou como se aquela objeção fosse um absurdo.
Koi, que o segurava sem pensar, de repente se deu conta do erro. Era óbvio. A cafeteria da escola fechava às 15h.
Enquanto Koi hesitava, sem saber o que dizer, um amigo de Ashley o chamou de longe. Ashley afastou a mão de Koi com naturalidade e perguntou uma última vez, como se quisesse apenas confirmar: “Hoje, às 19h no Greenbrier. Fechado?”
Não havia outra alternativa. Os lugares que Koi conhecia e podia pagar estavam fechados àquela hora ou ficavam longe demais.
Quando Koi soltou a mão sem forças, Ashley se afastou e foi ao encontro dos amigos. Deixado sozinho no corredor, Koi soltou um longo suspiro e levou as mãos à cabeça.
***
Ashley chegou ao Greenbrier exatamente às 19h.
Como a equipe de maratona terminava os treinos cerca de uma hora mais cedo do que o time de hóquei no gelo, Koi conseguiu chegar ao local do encontro antes dele — embora a diferença tenha sido de meros 10 minutos.
Mas é claro. Eu vim de bicicleta, e aquele riquinho veio dirigindo seu Cayenne de luxo.
Enquanto Koi exibia um bico de insatisfação, seus olhos se cruzaram com os de Ashley, que estava de pé na entrada olhando ao redor. Ashley caminhou em sua direção e, assim que se sentou na cadeira em frente a Koi, soltou um suspiro cansado.
“Você chegou cedo.”
Ao falar isso, Ashley notou que não havia nada sobre a mesa à frente de Koi, e Koi respondeu: “Ainda não fiz o pedido.”
“Ah, é?”
Assim que Ashley olhou para os lados, um funcionário que estava atento àquela direção aproximou-se prontamente. Ao pegar o menu colocado diante de si, Koi prendeu a respiração sem perceber, mas conseguiu se recompor a tempo.
Ele fechou o menu discretamente, mas Ashley começou a folhear as páginas de maneira descontraída, cantarolando baixo.
Enquanto ele decidia o que pedir, Koi mexia no celular para disfarçar o clima tenso e fazer o tempo passar.
Finalmente, parecendo ter tomado uma decisão, Ashley ergueu a cabeça e levantou a mão. O funcionário se aproximou e puxou um bloco de notas e uma caneta do bolso. Assim que viu que ele estava pronto para anotar, Ashley começou a ditar o pedido.
“Um sanduíche de salada de atum, um hambúrguer com duas carnes. Tire toda a cebola e coloque duas fatias de queijo. Também quero panquecas acompanhadas de banana, o bacon bem tostado e dois ovos cozidos inteiros. Ah, e adicione xarope de bordo… e mais dois hambúrgueres com duas carnes. E também…”
“Ei, espera, espera um minuto.” Assustado com a quantidade de comida que ele pretendia continuar pedindo, Koi interrompeu o rapaz abruptamente. Diante do olhar confuso de Ashley, Koi gaguejou: “Isso… não é comida demais? Mesmo que seja para nós dois.”
“Nós dois?”
Ao ouvir a observação feita com cuidado, Ashley piscou os olhos, surpreso. Vendo a hesitação de Koi, que se perguntava se tinha entendido algo errado, Ashley esclareceu: “Tudo isso é só para mim.”
“O quê?”
Diante de um Koi de olhos arregalados, Ashley continuou a fazer o pedido com naturalidade. Ele ainda acrescentou o prato principal da casa — um bife gigante — e, por fim, pediu uma água com gás antes de fechar o menu.
“Sua vez.”
Koi, que estava hipnotizado olhando para aquele rosto radiante e sorridente, recuperou os sentidos tardiamente. Ele pegou o menu às pressas, mas a única coisa que pediu foi: “……Uma Coca-Cola. Sem gelo.”
“Só isso?”
Ashley perguntou antes mesmo do funcionário.
Diante daquela pergunta em tom de incredulidade, Koi sentiu o estômago revirar de nervoso, mas fingiu que estava tudo bem e respondeu: “Eu já jantei antes de vir.”
“Ah, entendi.”
Para a sua sorte, Ashley não insistiu mais no assunto e mudou de foco. Não havia a menor necessidade de confessar que o dinheiro que ele tinha guardado dava mal e mal para pagar um único copo de refrigerante.
Assim que o funcionário se virou e se afastou, Koi trouxe à tona o assunto que havia preparado: “Sobre o trabalho atual, eu estive pensando em algumas ideias gerais.”
Depois de respirar fundo, ele abriu seu caderno sobre a mesa.
“O nosso tema exige escolher um país da América Latina e pesquisar sobre a sua cultura. Você tem algum país específico que queira fazer?”
“Não.” A resposta veio de forma tão rápida e simplória que quebrou totalmente o ritmo de Koi.
Já era de se esperar, mas a falta de entusiasmo do outro era evidente. Vendo a expressão decepcionada de Koi, Ashley disse, parecendo um pouco sem graça.
“Quando estou com fome, não consigo pensar em absolutamente nada.”
Ah.
A frase soava tanto como uma desculpa esfarrapada quanto como um pedido de compreensão, fazendo Koi piscar os olhos confuso. Nesse momento, Ashley soltou um longo bocejo e acrescentou com a voz pesada de cansaço: “De qualquer forma, pode continuar falando, estou escutando.”
Ele deve estar realmente exausto.
Sentindo uma pontada de compaixão, Koi mudou de postura e deu continuidade ao assunto: “Bem, eu selecionei algumas opções preliminares, quer dar uma olhada? Ou prefere que eu escolha uma de vez entre elas?”
“Prefiro que você decida.”
“Certo.” Koi assentiu prontamente com a cabeça.
A atitude desinteressada de Ashley provavelmente se devia ao fato de que aquele trabalho não significava nada para ele.
Como já havia se preparado mentalmente para assumir a maior parte do dever sozinho, Koi prosseguiu sem demora.
“Então vamos escolher a Argentina. E como o foco mais acessível seria a culinária, o que acha de falarmos sobre café e sanduíches? Podemos abordar tanto o contexto histórico quanto o modo de preparo de cada um…….”
“Acho bom.” Ashley respondeu de forma curta e direta mais uma vez e, como já era a reação esperada, Koi apenas aceitou e seguiu em frente.
“Então, agora vamos fazer o levantamento dos dados e, com base nisso, decidir como dividiremos o sumário e os capítulos.”
“Em vez disso, não seria melhor dividirmos os tópicos diretamente, tipo, você fica com o café e eu com os sanduíches? Se houver alguma parte que se sobreponha durante a pesquisa, a gente junta e compara depois.”
“Ah, perfeito. Vamos fazer assim.” Koi concordou entusiasmado com a sugestão inesperada feita por Ashley.
Ele teve um bom pressentimento.
A partir daquele ponto, os dois finalmente engajaram em uma conversa de verdade sobre o projeto. Ashley manteve-se focado principalmente em escutar, mas de vez em quando expressava suas opiniões ou fazia contrapropostas, e Koi ouvia atentamente tudo o que ele dizia.
Para a sua surpresa, Ashley demonstrou ser alguém com quem era fácil conversar. Ou talvez fosse apenas o próprio Koi que estava empolgado demais com a situação. Uma coisa era certa: a enorme popularidade de Ashley não se devia unicamente à sua aparência física.
Mesmo tendo conversado por pouco mais de 30 minutos, Koi já se sentia completamente cativado por ele. Ter o poder de fascinar alguém com apenas poucas palavras fazia parecer inacreditável o fato de que os dois eram colegas da mesma idade.
Especialmente quando aqueles olhos azuis acinzentados se fixavam nele acompanhados de um sorriso leve, Koi esquecia por um instante que ambos eram homens e sentia seu coração palpitar mais forte.
Não é à toa que todo mundo é louco por ele.
Concordando internamente com o restante da escola, Koi fazia anotações concentradas em seu caderno.
Enquanto eles organizavam os detalhes finais dando uma olhada rápida pelos dados no celular, a comida que haviam pedido finalmente foi servida à mesa.
004.
Fonts
Text size
Background
Lick Me Up If You Can
Connor Niles sempre esteve sozinho. Corredores silenciosos e intervalos vazios para o almoço são seus companheiros habituais. As notas importam para ele; são sua saída.
Ashley Miller...
- Side Stories There is no chapters
- Volume 2 There is no chapters
-
Volume 1
-