010.
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Foi quando soltou um suspiro e deixou os ombros caírem.
“Vou te ajudar.”
Hã?
A princípio, ele achou que tinha ouvido errado. Piscando os olhos, Koi olhou para cima e Ashley falou com seu habitual sorriso no rosto.
“Disse que vou te ajudar. Por onde começamos? Pela limpeza?”
“O-o que? Por quê?” Desta vez, ele ouviu claramente.
No entanto, Koi ainda não conseguia acreditar no som que seus próprios ouvidos tinham acabado de captar. Ashley Miller ajudando-o a limpar? Por que de repente? Por qual motivo?
Com certeza ele tem algum plano por trás disso.
Embora a desconfiança tenha surgido primeiro, aquilo também não fazia sentido. Essa era uma suposição que só seria válida se Ashley tivesse algo a ganhar com ele.
Mas Ashley Miller não conseguiria arrancar sequer um grão de poeira de Connor Niles.
Provavelmente se fosse depender da limpeza dele, teria mais poeira na casa desse cara do que aqui.
Adicionando um pouco de humor autodepreciativo, Koi recuperou a seriedade antes de acabar rindo sem querer, virando-se para Ashley em seguida.
Mesmo após o pensamento ácido, ainda assim ele não conseguia relaxar. Era difícil acreditar que ele estava agindo daquela forma sem nenhuma intenção oculta, mesmo não tendo nada a ganhar.
“Eu não acredito em gentileza sem motivo.” Ele disse, totalmente em guarda.
O sorriso desapareceu lentamente do rosto de Ashley. Os dois se encararam em silêncio por um longo tempo.
Ah. Quem suspirou primeiro foi Ashley.
“Na verdade, eu vim porque queria te perguntar uma coisa.”
Eu sabia.
“O que é?”
Sem tentar adivinhar o que era, Koi perguntou, e Ashley, parecendo hesitar por um momento, finalmente abriu a boca.
“É sobre o trabalho escolar.”
“O trabalho?”
Diante do assunto repentino, Koi piscou os olhos e repetiu o que ele havia dito. Ashley, parecendo um pouco sem graça, coçando a cabeça e falando em seguida: “Aquele trabalho em grupo do professor Martinez. Nós dois tiramos nota A+.”
“Ah, aquilo.” Só então Koi percebeu do que se tratava e soltou uma leve exclamação.
Agora ele parecia entender o que Ashley queria perguntar. Ashley continuou a falar com um tom de voz arrastado, parecendo bastante pensativo.
“Por que você colocou meu nome?”
Ele tinha uma expressão de quem não conseguia entender de jeito nenhum. Ao ver aquele rosto, Koi sentiu o peito um pouco mais aliviado. Além disso, uma pontinha de teimosia surgiu, fazendo com que ele respondesse de forma deliberadamente ríspida.
“O que tem de errado? Tem alguma reclamação?”
“É que é estranho.” Ashley franziu a testa.
Koi sentiu uma sensação de estranheza, como se estivesse vendo o rosto genuíno dele pela primeira vez.
“Você mesmo disse que não acredita em gentileza sem motivo. Por que fez isso? Não consigo entender, por mais que eu pense a respeito.” De braços cruzados, Ashley olhou para baixo em direção a Koi, como se estivesse ordenando que ele falasse logo.
Para não se deixar intimidar, o moreno esticou o corpo o máximo que pôde. Mas, mesmo assim, ele precisava erguer bastante a cabeça para conseguir olhar para o rosto de Ashley.
“Não é nada de mais. Só coloquei seu nome porque éramos do mesmo grupo.”
“Só por isso?” Ashley ainda não conseguia acreditar nas palavras dele.
Koi hesitou por um breve momento e respondeu honestamente: “Era um trabalho em grupo, então achei que, se dissesse que fiz sozinho, talvez não ganhasse a nota.”
“Os outros caras entregaram o trabalho tirando os nomes dos outros, e conseguiram a nota mesmo assim.”
“Isso são os outros.” Koi respondeu obstinadamente. “De qualquer forma, era um trabalho em grupo. E se o professor Martinez tirasse pontos alegando que os membros da equipe não participaram direito?”
Era um trabalho muito importante para mim, mas você simplesmente me deixou na mão.
Relembrando o ressentimento tardio, Koi o encarou feio, e Ashley perguntou novamente.
“Mesmo assim, você não ficou bravo?”
“Fiquei. Por isso escrevi meu nome acima do seu.”
Diante da resposta de Koi, os olhos de Ashley se arregalaram e, logo em seguida, ele começou a rir alto. Achando aquilo incrivelmente engraçado, ele ria de forma alegre, curvando o corpo, enquanto Koi o observava, confuso.
“Fiquei te devendo essa.” Depois de um bom tempo, Ashley falou, com o rosto ainda cheio de riso.
“Tudo bem, já que você fez isso por mim.” Koi respondeu prontamente.
No fundo de sua mente, ele pensou que Ashley já o estava ajudando agora, então estavam quites, mas preferiu não externalizar isso. No entanto, o que ele acabou de dizer tinha a intenção de indicar que o outro já podia ir embora, mas Ashley, longe de sair, permaneceu parado ali e olhou em volta da loja.
“Você vai limpar a partir de agora, certo? Vamos fazer juntos.”
“O que?”
Ele estava falando sério?
Surpreso, Koi perguntou, e Ashley, sem perder mais tempo, virou-se e começou a andar enquanto perguntava:
“O que fazemos com o teto? É melhor eu limpar lá em cima, não é?”
Ao ouvir aquelas palavras, Koi olhou para cima, pensou por um momento na altura vertiginosa do outro e, finalmente, respondeu: “Sim”.
“Espere um pouco, vou lavar o pano para você.”
Koi correu imediatamente para pegar os utensílios de limpeza e voltou.
Ashley, que o esperava no mesmo lugar, pegou o pano das mãos de Koi e começou a limpar o teto. Vendo-o esticar os braços e limpar as manchas sem precisar de nenhuma escada ou apoio, Koi sentiu uma leve pontada de inferioridade por um instante, mas logo voltou à realidade.
Havia muito trabalho a se fazer.
Ele se apressou em limpar e organizar as prateleiras que estavam uma bagunça.
***
Com a ajuda de Ashley, a limpeza terminou bem mais rápido do que o esperado.
Num piscar de olhos, o interior da loja voltou a ficar limpo como antes, mas o problema eram as prateleiras vazias aqui e ali. Até as cervejas da geladeira tinham sumido, restando apenas cinco.
Quanto será que tudo isso custou?
Ufa. Foi quando ele soltou um profundo suspiro.
“Acabou agora?” Ao ouvir a voz de Ashley, Koi ergueu a cabeça.
Ashley o olhava de cima, sem parecer nem um pouco diferente de quando começaram a limpar. Vendo Ashley Miller perfeito mesmo em uma situação daquelas, Koi apenas concordou com a cabeça, sem forças.
“Já pode ir. Obrigado por ajudar.”
“Não foi nada. ……As coisas vazias, vai ficar tudo bem? Parecia ter bastante coisa que não dava pra usar mais.”
“Bem, não há muito o que fazer.”
Assim que terminou de falar, outro longo suspiro escapou. Ashley, que estava quieto em silêncio, abriu a boca.
“……Vou dar uma festa na sexta-feira.”
Sem entender o que era aquilo de repente, Koi olhou para cima, e Ashley continuou a falar.
“Preciso de salgadinhos e várias outras coisas. Quero comprar aqui, você pode registrar para mim?”
“……Sim, claro, então.”
Koi acenou com a mão indicando para ele fazer como quisesse e foi se sentar atrás do balcão. Vendo-o praticamente desabar sobre o balcão daquele jeito, Ashley se virou e começou a recolher as mercadorias.
Quando ele voltou para o balcão, Koi já tinha pegado no sono naquele meio tempo. Ashley ficou pensativo por um instante, então pegou o bloco de notas e a caneta esferográfica que estavam ao lado do caixa, deixou uma mensagem e colocou cinco notas de 100 dólares ao lado.
Quando Koi acordou assustado com o som de um tilintar, ele era o único que restava ali. Ao sair apressado de trás do balcão, sua visão captou o vislumbre de um Cayenne saindo do estacionamento. Parado ali por um momento, Koi voltou para o balcão e só então notou o dinheiro e o bilhete.
O que é isso? 500 dólares?
De olhos bem abertos pela surpresa, ele verificou apressadamente o bilhete que claramente havia sido deixado por Ashley.
Havia vários itens escritos ali, mas os tipos de mercadorias e as quantidades estavam uma completa bagunça.
Koi inclinou a cabeça confuso, mas só entendeu o motivo quando fechou as portas da loja e fez o levantamento do estoque restante para checar o prejuízo das mercadorias danificadas.
***
No dia seguinte, Koi foi para a escola no horário habitual, com o coração batendo forte enquanto observava os arredores.
Como Ashley e seu grupo sempre chamavam a atenção por onde quer que passavam, costumavam se esbarrar mesmo sem querer, mas por algum motivo, hoje ele não conseguia ver nem sinal deles.
Que estranho.
Checando o horário, ele começou a abrir e fechar o armário sentindo uma ansiedade crescente no peito, olhando ao redor.
Será que ele vai faltar de novo hoje……?
Enquanto pensava nisso, de repente sentiu a atmosfera ao redor mudar. Obviamente, aquela era uma sensação familiar.
Era Ashley Miller que havia chegado.
Virando a cabeça com uma ponta de contentamento, Koi confirmou que sua previsão estava correta. No entanto, logo em seguida, deparou-se com uma presença desagradável. Isso porque a gangue de Nelson estava rondando a uma curta distância do grupo de Ashley.
Por agora, é melhor recuar.
Koi começou a dar passos para trás de mansinho e logo se virou, correndo como um louco. Com o que aconteceu ontem, Nelson com certeza estaria espumando de raiva. Se fosse pego agora, com certeza sofreria um bullying severo que nem se compararia ao de ontem.
Ele precisava dar um jeito de não ser visto por Nelson. Falta pouco para o fim do semestre, então só precisa aguentar mais um pouco.
Mas e se… se ele for na loja de novo?
Um pressentimento sombrio passou por sua mente, mas aquilo era assunto para outra hora. O mais importante era superar a crise imediata.
Ofegante, Koi correu e correu em direção ao prédio onde seria sua aula.
***
“Ah.”
Diante da exclamação repentina de Ashley, os garotos que estavam com ele perguntaram confusos:
“O que foi? Aconteceu alguma coisa?”
“O que é? O que foi?”
Deixando para trás os amigos que perguntavam olhando ao redor, Ashley observou a mesma direção por um longo tempo. Ele próprio estava confuso, então não tinha muito o que dizer.
Ele só entendeu o que estava acontecendo quando virou a cabeça para o lado oposto. Ao ver Nelson recuar assustado no instante em que seus olhos se cruzaram e sumir apressadamente levando os outros caras junto, Ashley compreendeu porque Koi tinha corrido com tanto empenho.
“……Hum.”
Enquanto ele acariciava o queixo, imerso em pensamentos, seus amigos continuavam confusos olhando uns para os outros, mas ninguém sabia o motivo.
010.
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Lick Me Up If You Can
Connor Niles sempre esteve sozinho. Corredores silenciosos e intervalos vazios para o almoço são seus companheiros habituais. As notas importam para ele; são sua saída.
Ashley Miller...
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