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Lick Me Up If You Can

006.

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🟡 Em breve

“Ah, oh, claro.”

Tirando apressadamente o dinheiro da bebida do bolso, Koi o colocou sobre a mesa. Após verificar a conta trazida pela funcionária, Ashley pegou seu cartão e o entregou de volta a ela. 

Ao ver Ashley marcar sem hesitação um círculo na opção de 20% para a gorjeta indicada na conta, Koi sentiu seu coração palpitar.

A gorjeta é mais cara do que o meu almoço.

Como as lembranças de ter comido em restaurantes que exigiam gorjeta podiam ser contadas nos dedos de uma só mão, o coração de Koi batia feito louco de tanto espanto. Será que Ashley não achava um desperdício dar uma gorjeta tão alta assim?

“Ei, onde fica a sua casa?” Incapaz de se conter, Koi finalmente perguntou ao saírem do restaurante. Ashley, que caminhava em direção ao carro que havia estacionado, respondeu.

“Ali.” Ao seguir a direção apontada pelo dedo dele, Koi ficou completamente sem reação. 

Era um bairro nobre de proporções absurdas, cuja entrada era protegida por um guarda e que levava mais de três horas para ser percorrido de carro de uma ponta a outra. E o lugar onde Ashley Miller morava era a maior e mais luxuosa mansão de todas, bem no topo da colina.

Por isso ele dá gorjetas tão altas sem nem se importar.

Para Koi, que continuava perplexo, Ashley disse.

“Se você fosse uma garota, eu te levaria em casa, mas……”

Diante da frase que ele deixou morrer no ar de propósito, Koi balançou a cabeça rapidamente.

“Não, tudo bem. Vamos nos despedir por aqui.”

“Certo, então.”

Quando ele fez menção de se virar, como se estivesse apenas esperando por aquilo, Koi o segurou apressadamente.

“Ei, você precisa me passar o seu e-mail.”

“Ah…… claro.” Ashley hesitou por um breve instante, assentiu com a cabeça e estendeu a mão. “Me dá o seu telefone.”

“Hã? Ah.” Ao receber o celular meio de surpresa, ele digitou habilmente no teclado e o entregou de volta a Koi.

“Você usa o celular sem nem colocar uma senha?”

“Não tem ninguém para ficar olhando mesmo.” Koi ergueu a cabeça após verificar o número de telefone e o endereço de e-mail que Ashley havia inserido. 

Naturalmente, achou que agora seria a sua vez de passar os dados, mas Ashley parecia não ter a menor intenção de entregar o próprio aparelho.

“Mande o e-mail primeiro. Depois eu te respondo. Pode ser?”

“Ah……” Koi sentiu uma sensação estranha, mas não havia nada de errado que pudesse apontar. Em vez disso, hesitou um pouco e apenas assentiu.

“Tudo bem.”

Antes que um novo silêncio constrangedor se instalasse, Koi tomou a iniciativa de falar.

“Então tchau, Ash. Te mando o e-mail depois.”

Ashley, que estava prestes a se virar após uma despedida simples, parou. Olhando ao redor, ele voltou a encarar Koi de cima abaixo.

“Onde está o seu carro?”

“Ah.” Só então Koi compreendeu o significado daquela atitude e, engolindo o constrangimento, respondeu: “Vim com aquilo ali, a que eu vim usando.”

Seguindo o gesto de Koi, o olhar de Ashley pousou sobre uma bicicleta velha e desgastada que estava ali, solitária. O silêncio que se seguiu durou apenas alguns segundos, mas Koi sentiu como se pudesse ver o que se passava na mente de Ashley.

“Não precisa se dar ao trabalho de me levar, até porque fica na direção oposta da sua casa.” Ao se adiantar para falar, Koi se surpreendeu internamente ao ver Ashley cruzar os braços com uma expressão séria e pensativa. 

Era evidente que, antes desse trabalho escolar, ele sequer sabia da existência de Koi. Para um colega de classe com quem ele havia conversado por pouco mais de duas horas apenas por obrigação, ele se mostrar tão preocupado com a volta para casa revelava o quão gentil ele era.

O que é que esse cara não tem, afinal?

Foi justamente quando Koi se sentiu um tanto frustrado com a disparidade entre eles que Ashley, de repente, teve uma ideia.

“Então vamos fazer o seguinte.”

“O quê?”

Antes que ele pudesse sequer pensar no que fazer, Ashley tirou a jaqueta que estava usando e a colocou sobre os ombros de Koi. Talvez o rosto de Koi — olhando para cima com os olhos arregalados de surpresa — parecesse engraçado, pois Ashley soltou uma risada curta e acrescentou de forma leve.

“Vai ser problemático se o meu parceiro de trabalho pegar um resfriado.”

Com certeza seria. O mesmo vale para mim. Se eu pegar um resfriado, vou ficar em apuros. Mas se você pegar um resfriado, eu também não ficaria em apuros? Claro, a probabilidade de eu ficar doente é infinitamente maior do que a sua. 

Olha só para você, é tão grande e tem o peito largo, enquanto eu sou tão pequeno e frágil. 

Lembra daquela aula de mitologia grega do semestre passado? Se você fosse um deus, com certeza seria Apolo. E eu provavelmente seria a grama pisoteada sob os seus pés, ou melhor, o pulgão grudado nessa grama. 

Caramba, um deus tirou a própria jaqueta para dar a um pulgão. 

Não é inacreditável? Connor Niles, parece que você gastou toda a sorte da sua vida hoje!

Embora tantos pensamentos tivessem passado por sua cabeça, nem uma única palavra saiu de sua boca. 

Quando a noite caía, o ar quente do meio-dia desaparecia, não se sabe para onde, e um vento gelado que roçava o corpo costumava fazê-lo tremer por inteiro. Bem no momento em que seus braços expostos sob as mangas curtas da camiseta começavam a encolher de frio com a brisa tardia, a jaqueta oferecida por Ashley transmitiu um calor suave.

Sentindo o aconchego que a jaqueta jogada sobre seus ombros espalhava por todo o corpo, Koi olhou para Ashley com um olhar vago. 

Até hoje, ninguém jamais havia tirado o próprio casaco para lhe dar. Por mais frio que fizesse, por mais solitário que se sentisse, sempre teve que suportar tudo sozinho. E não foi só isso. Ashley exibiu um sorriso tão caloroso quanto a jaqueta e disse:

“Ficou bem melhor.” Bem nessa hora, uma rajada de vento bagunçou os cabelos loiros de Ashley. 

Os fios platinados, que ele afastou com um gesto que demonstrava certo incômodo, escorreram entre seus dedos longos. Por algum motivo, Koi sentiu que poderia chorar a qualquer momento.

“……Obrigado.” Agradeceu contendo a respiração, temendo que sua voz saísse falha. 

Sob a iluminação de um poste que ainda permanecia aceso em frente ao restaurante àquela hora da noite, os dois ficaram ali, parados em silêncio, olhando um para o outro sem que se pudesse ouvir sequer o som de suas respirações. 

Parecia que, de algum lugar, vinha o eco de batidas cardíacas aceleradas. Completamente hipnotizado, Koi olhava para cima, encarando Ashley.

Ah, então é assim que a gente se apaixona.

A ficha caiu de repente. Se Ashley ou ele fosse uma garota, com certeza Koi teria se apaixonado por ele naquele instante. 

No entanto, logo em seguida, caiu na real. Nenhum dos dois era mulher e, por causa disso, aquilo devia ser apenas uma afeição passageira, e não algo como o amor.

“……Agora eu entendo por que você é tão popular.” Ao ouvi-lo resmungar baixinho, Ashley soltou uma risada bem-humorada. 

Até o som daquela risada parecia fazer o coração dele flutuar. Diante de Koi, que continuava a encará-lo com um olhar vago, Ashley disse.

“Obrigado pelo elogio. Então, até mais, Conan.”

Naquele exato momento, toda a ilusão se desfez. Sentindo-se irritado por algum motivo, Koi retrucou.

“É Koi. Connor Niles.”

“Certo, Koi.”

Depois de chamá-lo do jeito que bem quis até o fim, Ashley subiu em seu Cayenne. O SUV, que era tão grande e imponente quanto o próprio dono, emitindo o som suave do motor e logo se afastou dali.

Koi permaneceu parado no mesmo lugar por um tempo, observando o carro se distanciar, até que finalmente se virou. Subindo em sua bicicleta velha e desgastada para ir para casa, ele pensou, com o coração bem mais leve do que quando havia chegado ao restaurante.

Ashley era um cara muito mais divertido e legal do que eu imaginava. 

O trabalho escolar não deve ser um problema, e uma sensação agradável de que todas as minhas preocupações seriam resolvidas de uma vez me fez sorrir. 

O único defeito dele era errar o meu nome toda hora, mas isso era algo que dava para deixar passar facilmente.

Koi decidiu pensar mais tarde em como devolveria a jaqueta. Por ora, queria apenas aproveitar aquela sensação boa. Afinal, não era sempre que se sentia animado daquele jeito.

Enquanto pedalava empolgadamente em direção a casa, repassando a conversa que teve com Ashley na mente, Koi de repente se pegou pensando:

Será que eu devia virar advogado também?

***

Aquele estado de espírito otimista não durou nem três dias. 

Koi olhava para a tela do computador com uma expressão ansiosa, vendo que o e-mail enviado para Ashley continuava sem confirmação de leitura.

O que diabos aconteceu?

Com a cabeça apoiada entre as mãos, Koi apenas encarava o monitor fixamente. Por mais que ficasse olhando, a situação não mudava. O problema era que, desde aquele dia, Ashley sequer havia aparecido na escola. Se ao menos o visse pessoalmente, poderia cobrá-lo, mas não tinha nem como ficar frente a frente com ele.

Incapaz de continuar esperando, Koi finalmente pegou o celular. Vinha adiando e postergando isso, mas agora havia chegado ao limite. Se adiasse mais, não conseguiria entregar o trabalho dentro do prazo.

Além deste, eu ainda tenho tantos outros trabalhos para fazer.

Depois de respirar fundo, ele escreveu e enviou uma mensagem para Ashley, uma atrás da outra:

“[Ashley, aqui é o Connor Niles. Você se lembra, né? Combinamos de fazer o trabalho de espanhol juntos. Já faz três dias que te mandei o e-mail, o que aconteceu? Se estiver revisando, me mande uma mensagem. Preciso saber quando você vai me dar um retorno e também temos que definir a data do nosso próximo encontro. Como você sabe, o tempo está curto. Por favor, ande logo com isso.]”

Logo após enviar aquele texto consideravelmente longo de uma só vez, ele soltou um suspiro profundo. Por um breve instante, sentiu como se tivesse resolvido parte do problema, mas assim que esse momento passou, uma nova tortura teve início. Agora, ele teria que se preocupar até com o momento em que Ashley leria a mensagem.

Eu devia ter mandado só uma coisa ou outra.

O arrependimento veio com força, mas já era tarde demais. No fim das contas, Koi passou mais um dia inteiro com o estômago revirado de tanta ansiedade.

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Connor Niles sempre esteve sozinho. Corredores silenciosos e intervalos vazios para o almoço são seus companheiros habituais. As notas importam para ele; são sua saída.

Ashley Miller...

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