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Lick Me Up If You Can

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Era a primeira vez. 

Extremamente tenso com o pensamento de que Ashley realmente havia ligado para ele, Koi perguntou novamente.

“O que aconteceu? Você ainda não foi dormir?” Seu rosto esquentou ao notar o tom de voz artificialmente agudo que ele mesmo usou. 

Enquanto Koi abaixava a cabeça, cheio de vergonha, Ashley falou do outro lado da linha.

“— Vou dormir…… Só liguei para saber se você chegou bem.” A frase seguinte veio após uma breve pausa. 

Koi, sem notar aquela sutil hesitação, respondeu com uma voz animada.

“Sim, cheguei bem. Estou na frente de casa agora.”

“— Na frente de casa?”

“Sim.” Diante da nova pergunta de Ashley, Koi falou a verdade. “Meu pai bebeu, então não posso entrar agora. Mas está tudo bem, ele vai dormir logo. E nem está tão frio aqui fora.”

Era mentira. Seus ombros tremeram involuntariamente com o vento frio da noite. O calor gerado por ter pedalado a bicicleta já havia desaparecido há muito tempo, restando apenas o ar gélido da noite.

“— O que você disse?”

Ai, caramba.

Koi levou um susto quando Ashley rebateu a pergunta. Era um problema; Ashley estava desconfiado. Ele tentou remediar a situação às pressas.

“Não, é que quando meu pai bebe, ele costuma me segurar para conversar e fica resmungando, sabe? Ele não para de falar. É um saco ter que ficar ouvindo, por isso prefiro evitar.”

“— E mesmo assim você vai ficar na rua?”

“Está tudo bem, tudo bem. Eu já vou entrar. Não se preocupe.”

Ele não queria, de jeito nenhum, ser descoberto sobre o fato de apanhar do próprio pai. Koi fez um esforço tremendo para sustentar a mentira.

Preciso mudar de assunto.

Koi mudou de assunto rapidamente.

“Muito obrigado por hoje, Ash. Acho que nunca mais vou ter um jantar tão incrível quanto esse. O pôr do sol estava lindo e a comida maravilhosa.”

E você também estava lá.

Seu rosto esquentou instantaneamente. Koi massageou as bochechas que ardiam de vergonha.

“— Isso está errado, Koi.” Ashley rebateu com seriedade as palavras ditas com sinceridade. Diante do silêncio de Koi, ele continuou a falar. “— Você ainda vai ter muitos dias incríveis pela frente. No ano que vem, no outro, e no próximo também.”

Mas você não vai estar lá.

O coração de Koi se apertou. As palavras de Ashley eram extremamente calorosas e consoladoras, mas a constatação de que ele não faria parte daquele futuro o deixou triste novamente.

“……Obrigado, Ash.” Após o sussurro tímido de Koi, Ashley permaneceu em silêncio por um instante. 

Enquanto Koi hesitava procurando algo para dizer, Ashley, que estava calado, abriu a boca.

“— Quando aquela edição limitada daquele boneco vai chegar de novo?”

“Ah? O boneco?” Confuso com a pergunta, Koi demorou um pouco para se situar. “O daquela coleção…?”

Koi piscou os olhos rapidamente enquanto vasculhava a memória.

“Ah, bem, acho que na próxima semana……? Não sei ao certo. Desculpe.”

Ao ouvir a resposta honesta, Ashley disse prontamente: “— Me avise quando chegar. Eu vou lá comprar.”

Naquele instante, os olhos de Koi brilharam.

“Sério? Você vai? Na loja onde eu trabalho?”

À sequência de perguntas, Ashley respondeu com um tom de voz que misturava um leve riso.

“— Sim.”

Naquele momento, Koi sentiu como se fogos de artifício estivessem explodindo de repente em seus ouvidos. Ao perceber que aquele som era, na verdade, o seu próprio coração batendo descontroladamente, ele fechou os olhos com força.

“……Que bom!” As palavras saltaram para fora como se ele estivesse liberando o fôlego acumulado.

Ah!

Em pânico, ele cobriu a boca com a mão. O que eu acabei de falar? Koi piscou os olhos freneticamente, mas sua mente havia ficado completamente em branco.

“Ah, veja bem, é q-que…”

Ele abriu a boca tentando consertar a situação de qualquer jeito, mas as palavras não se conectavam e ele apenas gaguejava. Sem saber o que fazer, acrescentou às pressas.

“É porque nós somos amigos. Certo?”

Após um momento de silêncio, Ashley respondeu.

“— Sim.”

Ufa. Koi soltou um breve suspiro de alívio. Ashley continuou a falar com naturalidade.

“— Então, Koi, até a próxima.”

“Sim, até. Muito obrigado por hoje.”

Ao ouvir o agradecimento mais uma vez, Ashley respondeu.

“— Eu também agradeço. Obrigado por me trazer o remédio.”

“Sim.” Sentindo um orgulho bobo, Koi sorriu timidamente com as bochechas coradas. 

Ele não queria desligar. Queria conversar um pouco mais com Ashley, mas sabia que não era possível. Com o coração cheio de lamentação, Koi disse: “— Bem, então……”

Quando ele hesitou no final da frase, Ashley tomou a iniciativa de encerrar.

“— Hum.., durma bem.”

“Boa noite.” Koi segurou o fôlego e aguçou os ouvidos. 

Ashley não desligou o telefone imediatamente. Ambos ficaram apenas ouvindo a respiração um do outro do lado oposto da linha, como se esperassem que o outro desligasse primeiro. 

Então, Ashley encerrou a chamada. 

Koi permaneceu imóvel por alguns segundos e, finalmente, afastou o aparelho do ouvido. Suas bochechas continuavam queimando.

Arf.

Ele respirou fundo na tentativa de acalmar o coração que insistia em saltar no peito. No momento em que puxava o ar pela segunda vez, o telefone tocou novamente. Assustado, ele atendeu e uma voz inesperada ecoou do outro lado da linha.

“— Koi?”

“Ah, Ash?” Surpreso, ele falou sem pensar e checou a tela do celular rapidamente. 

O identificador de chamadas realmente mostrava o nome de Ashley. Ao levar o aparelho de volta ao ouvido, ouviu-se um pigarro do outro lado da linha, seguido pela voz dele.

“— Você quer vir aqui em casa amanhã se não tiver planos?”

“Na sua casa?” Perguntando por puro reflexo, Koi arregalou os olhos. “Ir aí? Na sua casa? De novo?”

“— Sim.” Ashley respondeu prontamente e logo emendou uma pergunta. “— Você tem trabalho amanhã?”

“Ah, bem……” Koi hesitou, confuso. 

Claro que tinha. Mas perder a chance de ser convidado por Ashley por um motivo tão banal estava totalmente fora de questão.

Não importa como, eu vou dar um jeito de ir!

Pensando rápido em como conseguiria ir à casa de Ashley, ele respondeu: “Tenho, mas posso ir assim que terminar.”

Ao ouvi-lo responder às pressas, Ashley falou com um tom de voz que carregava um leve riso.

“— Que bom, então nos vemos amanhã. No fim da tarde está bom para você?”

“Ah? Sim.”

Amanhã seria um dia cheio no trabalho de meio período. Mesmo assim, Koi assentiu com a cabeça rapidamente.

“Vou aí antes do anoitecer.”

“— Combinado. Durma bem, tchau.” Depois de se despedir com suavidade, Ashley soltou uma risada curta e acrescentou. “— Agora é tchau de verdade.”

“Sim.” Koi respondeu, mas no fundo queria gritar: Pode ligar de novo se quiser, dez ou vinte vezes mais! 

Ashley riu mais uma vez e desligou.

Com a chamada encerrada, Koi ficou encarando a tela por um bom tempo. Ele esperou com o coração acelerado, mas o telefone não tocou novamente.

“Ufa.” Dando um suspiro carregado de uma leve frustração, ele ergueu a cabeça. 

O motorhome voltou a entrar em seu campo de visão. Ele se aproximou devagar e tentou escutar o que acontecia lá dentro, mas nenhum som era emitido. 

Koi respirou fundo e abriu a porta com cuidado. A porta velha rangeu, produzindo um ruído sinistro que o fez encolher os ombros de susto.

Ele tentou não fazer o menor barulho possível, lá não tinha som de lugar nenhum. 

Como esperado, seu pai estava jogado no chão, roncando alto e completamente apagado. Passando por cima das garrafas vazias espalhadas pelo chão, Koi andou na ponta dos pés e seguiu direto para sua cama. 

Ele nem cogitou a possibilidade de tomar um banho; em vez disso, apenas escovou os dentes, lavou o rosto rapidamente e se deitou.

Preciso tomar banho assim que meu pai sair.

Koi pensou ao fechar os olhos. Ele não podia se dar ao luxo de encontrar Ashley com aquela aparência desleixada e sem ter tomado banho no dia anterior. 

Como ele mesmo não conseguia sentir o próprio cheiro, a probabilidade de estar com um odor desagradável sem perceber ao ir encontrá-lo era algo que não dava para ignorar.

De jeito nenhum.

Koi repetiu a promessa para si mesmo. Segurando o celular com firmeza enquanto tentava pegar no sono, ele esperou ansiosamente pela chegada do dia seguinte.

***

Arf, arf.

Koi pedalava sem parar, recuperando o fôlego com dificuldade. 

Hoje ele havia conseguido passar legitimamente pelo portão principal, mas a tarefa de subir a montanha continuava exatamente a mesma de antes.

Ao avistar um carro esportivo passando por ele como um relâmpago, Koi continuou a pedalar com determinação. Embora o trajeto fosse cansativo, ele não sentia o peso do cansaço. 

A única coisa que preenchia sua mente era o desejo ardente de ver Ashley o quanto antes.

Finalmente, a silhueta daquela mansão tão desejada começou a surgir ao longe. Koi não conseguiu conter a forte emoção que subiu por seu peito. 

Só mais um pouco, só mais um pouco.

No momento em que finalmente alcançou a entrada principal, ele foi tomado por uma sensação de exaustão tão grande que sentiu que cairia ali mesmo de tão ofegante.

Arf, arf.

Enquanto pressionava as mãos contra o peito na tentativa de recuperar o fôlego, a porta da frente se abriu de repente e alguém saiu lá de dentro.

“Koi.”

Ao erguer a cabeça com os ombros ainda trêmulos, o rosto que ele tanto desejava ver surgiu em sua visão embaçada. Num instante, a dor no peito desapareceu, dando lugar a uma alegria imensa.

“Ash.” Transbordando felicidade, Koi abriu um sorriso radiante. Ashley também sorriu ao olhar para ele.

“Bem-vindo.”

“Sim.” Koi assentiu com a cabeça. “Eu estava com saudades.” Havia se passado apenas um dia, mas parecia que seu peito estava pegando fogo. 

Sentindo uma pontada de frustração por não encontrar palavras melhores para expressar o tamanho daquela saudade, ele ouviu Ashley falar: “Eu também.”

No momento em que ouviu aquelas palavras, qualquer resquício de frustração no coração de Koi desapareceu completamente no ar.

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Connor Niles sempre esteve sozinho. Corredores silenciosos e intervalos vazios para o almoço são seus companheiros habituais. As notas importam para ele; são sua saída.

Ashley Miller...

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