027.
* * *
“O quê? Está dizendo que meus créditos não são suficientes?” A voz de Koi se elevou involuntariamente diante daquela notícia que parecia um balde de água fria.
Ao ver o rosto dele perder completamente a cor, a professora responsável disse com uma expressão séria.
“Pois é, faltam muitos pontos de atividades extracurriculares e de trabalho voluntário. A sua nota no exame de admissão da faculdade também não foi tão alta quanto o esperado… Mas, para falar a verdade, Koi, há muitos casos em que os estudantes não conseguem entrar nas melhores universidades estaduais mesmo tirando nota máxima.”
“Faltam pontos de atividades extracurriculares?”
Diante da pergunta de um Koi nitidamente ansioso, a professora assentiu.
“Isso, e também de trabalho voluntário.”
“Ah…” Um gemido desanimado escapou de seus lábios.
Entre se desdobrar com o trabalho de meio período e as tarefas escolares, ele realmente não teve tempo para acumular pontos fora da grade comum.
Além disso, por conta de sua personalidade introvertida que o fazia sofrer nas relações interpessoais, tomar a iniciativa para participar dessas atividades era um fardo enorme.
Por outro lado, a situação não permitia que ele simplesmente desistisse de tudo de braços cruzados.
Mesmo que decidisse tentar o exame de admissão mais uma vez, se não preenchesse esses pontos de trabalho voluntário e atividades extracurriculares agora, acabaria em sérios lençóis mais tarde.
O que eu faço agora?
Extremamente angustiado, Koi perguntou às pressas: “Sabe, professora… por acaso a senhora não teria alguma coisa para me indicar?”
Ir a um hospital ou a uma igreja por conta própria para se informar eram opções válidas, mas Koi não tinha a menor desenvoltura para esse tipo de iniciativa.
Sem outra alternativa a não ser implorar à professora, ele a viu soltar um suspiro com uma expressão de evidente embaraço.
“Koi, ir atrás e descobrir as coisas por conta própria também faz parte do que chamamos de ‘atividade’.”
“Eu sei.” Koi respondeu de cabeça baixa.
Contudo, se a realidade funcionasse de acordo com o que se sabe na teoria, ele não estaria com essa dor de cabeça agora.
A professora, que observou por um momento a figura de Koi sofrendo com a cabeça entre as mãos, abriu a boca para falar.
“Participar ativamente dos eventos da escola também contaria pontos, mas acho que já é tarde demais para entrar em um clube de esportes…”
Além do mais, ele não tinha o menor talento para esportes.
Embora estivesse assistindo às aulas de maratona por obrigação por estarem no currículo, aquilo já era o limite do que conseguia fazer a duras penas.
Pensando em seu próprio corpo físico que claramente estragaria o desempenho de qualquer equipe, ele sentia que entrar em um time profissional daquele nível só serviria para fazê-lo perder pontos.
“Então quem sabe o coral, ou também…”
A professora sugeriu diversas atividades de competição, mas não havia nada que Koi pudesse fazer.
As que tinham alguma possibilidade já estavam com as vagas totalmente preenchidas, e aquelas que ainda tinham vagas eram atividades impossíveis para ele.
“Ah…” Após soltar um longo suspiro, a professora finalmente apresentou uma última alternativa. “Eu realmente não queria sugerir isso, Koi, mas acho que não restou outra opção a não ser esta.”
“Claro, professora.” Koi aguçou os ouvidos, tomado pelo nervosismo.
Estava pronto para aceitar qualquer desafio. Desde que houvesse uma chance, faria o que fosse preciso. Os lábios da professora se abriram lentamente. Sem sequer piscar, Koi observava fixamente a boca dela.
“…É a equipe.”
Quando ela finalmente revelou, Koi achou que tinha ouvido errado.
“O quê?”
Diante da pergunta feita com um sorriso amarelo e sem graça, a professora falou com total seriedade: “É a equipe de líderes de torcida, Koi.”
Ao ver a expressão de Koi congelar completamente, ela acrescentou: “E você vai ter que usar saia.”
Agora, não era apenas o rosto de Koi que estava paralisado; seus pensamentos também travaram por completo.
“Espere um pouco, saia? Por que saia?”
Somente após alguns segundos de silêncio absoluto foi que os pensamentos de Koi voltaram a girar. Ele externalizou às pressas a primeira dúvida que surgiu em sua mente. A professora respondeu com o semblante sério.
“É que a equipe de líderes de torcida da nossa escola tradicionalmente só aceita alunas. Para falar a verdade, mesmo que você se candidate, as chances de dar certo são de cinquenta por cento. Você também teria que passar por um teste prático…”
A professora soltou um suspiro e continuou: “Originalmente, a equipe de líderes de torcida é extremamente popular, então é raro precisarem buscar novos membros de forma tão urgente. Mas, como surgiram desfalques em sequência este ano, começaram a correr boatos ruins e todo mundo está evitando entrar.”
“Boatos ruins?”
“Sim, algo como uma superstição.” A professora deixou a frase no ar, mas Koi entendeu o que ela quis dizer.
No fundo, deviam ser apenas fofocas bobas dizendo que a equipe estava sob alguma maldição ou assombrada por fantasmas.
Era um pensamento bem infantil para estudantes de ensino médio, mas, de qualquer forma, a falta de candidatos interessados acabou se tornando uma verdadeira sorte para Koi.
Mas usar saia…
Sem conseguir responder de imediato, Koi hesitou por um instante e perguntou: “Mas, mesmo que eu use saia, eu sou um homem. Tudo bem eu entrar para a equipe de líderes de torcida?”
“Bem, é aí que está o detalhe.”
A professora soltou um risinho irônico, como se ela própria achasse a situação absurda.
“Eles dizem que se um rapaz se vestir de mulher e participar por uma temporada completa, isso serve como uma espécie de amuleto para afastar a má sorte. É por isso que eles estão aceitando rapazes agora.”
Após concluir a explicação, a professora balançou a cabeça negativamente mais uma vez, esboçando um sorriso.
Parecia que os estudantes se expressavam de forma boba, mas os membros da equipe de líderes de torcida estavam falando absolutamente a sério.
E não havia dúvidas de que aquela era uma oportunidade de ouro batendo à porta de Koi.
Isso se ele estivesse disposto a aceitar o risco de virar piada diante de toda a escola por se vestir de mulher.
Obviamente, para Koi, que já era tímido por natureza, aquilo parecia uma tortura. Se ele pudesse simplesmente recusar e ir embora, teria sido perfeito, mas era impossível. A falta de créditos em atividades extracurriculares o prendia pelos calcanhares e não o deixava escapar.
“Será que… eu posso pensar um pouco?” No fim das contas, Koi não teve escolha a não ser murmurar isso com uma voz totalmente desanimada.
“Não fique tão desapontado, Koi.”
A professora tentou confortá-lo, pousando a mão em seu ombro visivelmente cansado.
“Vou tentar dar uma olhada se encontro algum trabalho voluntário que seja um pouco mais fácil, tudo bem?” Ela conhecia bem a situação familiar delicada de Koi.
Embora Koi nunca tivesse dito a ninguém que ela estava certa, a professora percebeu a situação desde cedo e, de forma sutil, tentava sondá-lo.
Obviamente ele negava, mas, a partir dali, ela passou a ajudá-lo em tudo o que podia dentro de suas capacidades como educadora.
“Você ainda continua fazendo aquele trabalho de meio período?”
Perguntou a professora, que costumava ir ao local de vez em quando para comprar algumas coisas. Koi respondeu com um simples sim.
“Entendi, você é um bom garoto.” A professora o encarou com um sorriso caloroso.
Diante daquele olhar afetuoso, Koi sentiu seu coração se acalmar um pouco. Ela deu um tapinha de leve no braço dele como forma de encorajamento e, de repente, piscou os olhos, como se tivesse se lembrado de algo.
“Ah, é mesmo. Isso não vai te render muitos créditos, mas o que acha de cobrir o turno no guichê de vendas da escola?”
“O quê?”
Diante da proposta inesperada, Koi ficou completamente confuso. Antes que ele pudesse perguntar algo, a professora adiantou-se em dizer: “Claro que não há remuneração.”
“Ah, não. Eu já imaginava isso…” Koi respondeu, ainda meio atordoado. “Mas isso pode contar como crédito para mim?”
“Bem, originalmente é apenas um trabalho voluntário comum.”
Ela fez uma breve pausa, mantendo o sorriso no rosto antes de continuar: “Mas se você cobrir o posto no lugar de uma professora que está com uma dor nas costas terrível, com certeza dá para conseguir alguns pontinhos extras de bônus.”
A professora deu uma piscadela sutil. Seu rosto enrugado inclinou-se de forma brincalhona. Ao ver aquela expressão, Koi finalmente conseguiu deixar escapar um sorriso.
“Si… sim, muito obrigado!”
“De nada, Koi.” A professora continuou a falar com um semblante sorridente: “O horário que vai cobrir será este aqui. Já vou deixar avisado para os outros professores.”
Ela anotou a data e o horário em um bloco de notas e entregou o papel a ele.
“Se fosse em outro momento eu não saberia dizer, mas como você já deve imaginar, o início do ano letivo é sempre muito corrido e tem muita gente querendo comprar ingressos.”
“Ingressos para a festa de Homecoming?”
“Isso.”
A professora assentiu e abriu a gaveta da mesa, como se tivesse se lembrado de algo importante.
“Se você tiver interesse, pode levar um para ir com a sua namorada.”
“O quê? Não, imagina.”
Koi recusou apressadamente balançando a cabeça diante dos dois ingressos que a professora estendeu. No entanto, ela insistiu, empurrando os bilhetes em sua direção como se não aceitasse um não como resposta.
“Minhas costas estão doendo tanto que não vou conseguir ir este ano. Seria um desperdício simplesmente jogá-los fora, não acha?”
“Ah, bem. Pensando por esse lado, sim.” Sem saber bem como reagir, Koi assentiu e olhou para os ingressos nas mãos da professora.
Ele nunca tinha ido a uma festa de Homecoming antes. E provavelmente nunca iria.
Talvez aquela fosse mais uma oportunidade surgindo em seu caminho.
Após hesitar por um instante, Koi estendeu a mão com cuidado. A professora esperou pacientemente, sem pressa. No momento em que os dedos hesitantes de Koi tocaram a ponta dos ingressos, ela finalmente soltou os bilhetes.
“Pronto, agora eles são seus.”
“Mui… muito obrigado.” Koi agradeceu, ainda meio sem jeito.
Aquela era a primeira vez que ele tinha ingressos para a festa de Homecoming em mãos. Embora fossem impressos em um papel simples e barato com letras de design bem comum, para Koi, aqueles bilhetes pareciam muito mais valiosos do que entradas para o show de uma grande estrela pop do momento.
A professora o observava com um olhar de satisfação e acrescentou em um tom leve: “Dê o seu melhor na equipe de líderes de torcida também.”
“Ah…” Diante do lamento que escapou involuntariamente de Koi, a professora soltou uma risada bem-humorada.
027.
Fonts
Text size
Background
Lick Me Up If You Can
Connor Niles sempre esteve sozinho. Corredores silenciosos e intervalos vazios para o almoço são seus companheiros habituais. As notas importam para ele; são sua saída.
Ashley Miller...
- Side Stories There is no chapters
- Volume 2 There is no chapters
-
Volume 1
-