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Lick Me Up If You Can

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🟡 Em breve

Diante do apontamento tão direto dela, Koi tomou um susto e negou o fato apressadamente.

“Ah, jalapeño não, não é para tanto.” Para Koi, aquela era a maior contestação que ele conseguia esboçar, mas, logicamente, não surtiu o menor efeito com Ariel. 

Ela soltou um “puff” pelo nariz e jogou o cabelo preso para trás com um leve toque de ombros.

“Agradeça por ser pelo menos isso. Para início de conversa, no nosso departamento, até mesmo peperoncino é proibido de entrar.”

O que ela queria dizer era que a situação atual simplesmente não dava margem para escolhas. Todo mundo havia zombado deles, mas para o grupo, a necessidade era urgente. Ariel continuou a falar.

“Até decidirmos aceitar homens também, houve muita oposição e dilemas internamente. Mas fazer o quê? Cinco pessoas pediram para sair de uma vez só, então o que tinha que ser feito, foi feito.”

“Cinco? Não foram duas?”

Diante da surpresa de Koi, Ariel soltou um “opa” e cobriu a boca com uma das mãos. Um silêncio estranho pairou por um instante, como se ela tivesse cometido um deslize, mas logo em seguida ela soltou um suspiro como se estivesse desistindo e disse.

“São cinco. Isso é segredo. Agora que você também faz parte do nosso grupo, trate de bico calado”, disse ela, chamando a atenção dele antes de continuar.

“Atualmente, ninguém mais quer entrar para a equipe de líderes de torcida e, se o número de integrantes continuar caindo desse jeito a ponto do grupo fechar, o que a gente faz? Nem pensar, nós somos o rosto e o próprio símbolo de Buffalo. Além disso, eu sou a capitã, como a equipe de líderes de torcida poderia acabar? Isso jamais vai acontecer.”

Com uma expressão mais séria do que em qualquer outro momento, Ariel acrescentou cheia de si: “Por isso, você tem que dar o sangue, entendeu?”

Pressionando o peito de Koi firmemente com o dedo indicador, ela o encarou com um olhar intimidador.

“Se não fizer direito, eu acabo com você.”

“Ah, entendi.”

Koi, que havia recuado cambaleante, respondeu sem perceber, completamente acuado pela postura dela. Ariel soltou um “ótimo“, assentiu com a cabeça e saiu de perto dele em direção à rua. Ela tirou a chave do carro do bolso, apertou o botão e o porta-malas do carro estacionado na calçada se abriu. Ariel olhou para trás e ordenou: “Coloque a bicicleta aí dentro.”

“Hã?” Atônito, ele fez a pergunta, e ela respondeu dirigindo-se ao banco do motorista.

“Eu vou te levar em casa, então coloque a bicicleta aí dentro. Rápido.”

“Ah……”

Sem dar tempo para que ele dissesse mais nada, Ariel entrou no carro. Koi, ainda meio atordoado, apressou-se em colocar a bicicleta no porta-malas e abriu a porta do carona do carro que o aguardava.

“O-obrigado.”

“Ponha o cinto.” Ariel pegou um chiclete, começou a mascar enquanto dava a partida e tirou o carro. 

Segurando o volante com uma das mãos e apertando o controle remoto no quebra-sol para fechar o portão da garagem, ela saiu habilidosamente do bairro residencial. Koi, sentindo-se meio aéreo, piscava os olhos enquanto se acomodava no banco ao lado, e o carro seguia em direção à sua casa. 

Sem que ele percebesse, suas lágrimas já haviam secado por completo.

***

O carro de Ariel chegou em um instante à rua onde Koi morava. 

Connor pediu para ela parar o carro em um canto da rua, tirou com todo o cuidado a bicicleta que ela havia lhe dado de dentro do porta-malas, deixou-a de pé e agradeceu a Ariel, que continuava sentada no banco do motorista.

“Obrigado, El… Sabe, posso te chamar de El?”

Quando Koi perguntou timidamente, Ariel apenas deu de ombros e respondeu:

“Você não é meu amigo, mas eu deixo. Vai ser por pouco tempo de qualquer forma, mas já que estamos no mesmo departamento.”

“Ah…… sim.” Koi ficou subitamente curioso. 

Enquanto estivesse na equipe, ele também seria considerado um amigo de Ariel?

Claro que ele não pôde perguntar isso, e Ariel logo deu a partida no carro fazendo uma bola de chiclete. Koi ficou parado no mesmo lugar, observando o carro dela se distanciar antes de se virar. O peso daquela bicicleta nem se comparava com o da anterior de tão leve, mas os passos de Koi em direção a casa eram extremamente pesados.

O local onde Ariel havia estacionado o carro era exatamente o mesmo ponto onde Ashley costumava parar quando o trazia de volta para casa. Ao trazer essa lembrança à tona, a tristeza que ele havia esquecido por um breve momento voltou a inundar completamente o seu peito.

De repente, surgiu uma dúvida se tudo o que tinha ouvido era real. Mas, no fundo, ele sabia muito bem. Sabia que não tinha sido um sonho e que também não tinha ouvido errado.

Segurando o choro que voltava a incomodar o seu nariz, ele continuou a caminhar. 

O familiar motorhome estava, como esperado, com as luzes totalmente apagadas. Ele entrou naquele veículo estreito e vazio, tomou um banho e deitou-se na cama de forma melancólica.

Ao encolher seu corpo pequeno e fechar os olhos, para sua surpresa, ele pegou no sono rapidamente. 

Koi adormeceu profundamente, sem sequer ter um único sonho.

***

Quando abriu os olhos pela manhã, Ashley estava se sentindo no seu pior humor. 

Na verdade, esse seu humor já vinha desabando desde antes de dormir. Ele havia rodado por quase duas horas na noite anterior, mas acabou voltando para casa sem conseguir encontrar Koi.

Se eu soubesse que seria assim, teria descoberto onde ele mora mesmo que tivesse que forçar.

O arrependimento veio tarde, e agora já não adiantava nada. A única coisa que ele podia fazer era ir para a escola assim que amanhecesse e perguntar a Koi o que havia acontecido.

Depois de passar um tempo angustiante, ele acordou muito mais cedo do que o habitual e se preparou para ir à escola. Aquela era a única forma de encontrar Koi. 

Isto é, contanto que ele não faltasse à aula.

“Ele não seria capaz de faltar logo à escola.” Ele pensava enquanto se sentava no banco do motorista. 

Se Koi chegasse ao ponto de faltar à escola, a situação seria realmente grave. Significaria que algo muito sério havia acontecido com ele.

Não aconteceu nada, né, Koi?

Com o coração ansioso, ele segurava o volante com uma das mãos enquanto passava a outra de forma ríspida pelos cabelos. O caminho até a escola parecia especialmente longo naquele dia.

***

“Ash!” Como de costume, Bill o avistou primeiro e o cumprimentou. 

Ashley, tentando conter os nervos que estavam à flor da pele pela falta de sono, apenas retribuiu o cumprimento com um toque de mãos rápido.

“O que você fez ontem? Parece acabado.”

Diante da pergunta confusa de Bill, Ashley respondeu com total indiferença: “Não fiz nada demais.”

“Ah…… é mesmo?” Percebendo que o clima não parecia muito bom, Bill mudou de assunto rapidamente. 

Como sempre fazia, começou a falar sobre o cachorro que criava, trabalhos escolares e outras bobagens, enquanto Ashley apenas respondia de forma protocolar e continuava a andar. Sua mente estava completamente voltada para Koi.

“Ah……” Quando ele soltou um gemido involuntário e massageou os olhos, Bill logo se direcionou a si e perguntou.

“O que foi? Está se sentindo mal?”

“Não, nada.” Ashley respondeu com a voz sumindo, sentindo uma queimação no canto interno dos olhos. “Não é nada demais.”

A dor que havia começado há alguns dias tinha piorado recentemente. Ele pensou que pudesse ser por não ter dormido direito na noite anterior, mas hoje o canto interno de seus olhos latejava de um jeito que incomodava muito. 

Chegou a cogitar faltar ao treino para ir ao oftalmologista, mas, sabendo que com certeza ouviria que não era nada demais, acabou desistindo da ideia.

Vou ter que usar mais colírio. Pensando no remédio que o hospital havia receitado, ele continuou caminhando. 

Perto dos armários, o grupo com quem ele sempre andava já estava reunido e conversando alto. Bill foi o primeiro a cumprimentá-los, e os rapazes que se viraram acenaram de volta. 

Ashley, que acabou olhando na mesma direção um pouco depois, estacou no lugar.

No meio daquela multidão de alunos barulhentos, ele avistou de relance o garoto que tanto procurava. Foi questão de um instante, mas Ashley não o perdeu de vista. 

Mesmo se houvesse um milhão de pessoas reunidas ali, ele teria reconhecido Koi de primeira. Tinha que ser assim, afinal, em meio àquela multidão, apenas Koi surgia com total nitidez em seu campo de visão.

“Só um minuto.” Ele falou de forma ríspida para os amigos e avançou apressadamente, abrindo caminho entre os alunos. 

O grupo que o observava pelas costas viu Ashley segurar Koi e começar a falar com ele; os rapazes se entreolharam e logo mudaram de assunto, mas uma dúvida incômoda permaneceu plantada na mente de todos.

***

Tendo ido para a escola montado na bicicleta que Ariel lhe dera no dia anterior, Koi chegou mais cedo do que o habitual. 

Diferente da antiga lata velha — cujos pedais eram pesados e o pneu murchava direto, impedindo-o de correr o quanto queria —, a bicicleta de agora era extremamente leve e tinha rodas firmes. Com aquela ali, parecia que ele conseguiria andar por mais de 10 anos.

Sentindo-se grato a Ariel, ele prendeu a bicicleta e se dirigiu aos armários, mas acabou parando abruptamente. Os rapazes do time de hóquei no gelo estavam reunidos logo ao lado.

Ele encolheu o corpo apressadamente, tentando ao máximo não chamar atenção. Felizmente, parecia que Ashley ainda não havia chegado. 

Koi começou a arrumar suas coisas às pressas para sair dali o quanto antes. Ele abriu a porta do armário e, mantendo a cabeça escondida ali dentro, pegou os livros didáticos rápido. 

No momento em que colocou o material necessário na mochila de forma apressada e fechou a porta, uma sombra surgiu de repente sobre ele.

“Koi.”

“Ah!” Soltando um som alto que quase pareceu um grito involuntário, Koi tomou um susto e ergueu a cabeça. Ao constatar que o rosto da pessoa que ele mais queria evitar no momento estava bem ali na sua frente, sua mente simplesmente ficou em branco.

“Koi.” Chamando o nome dele mais uma vez, Ashley abriu a boca. Ele exibia uma expressão séria. “Quero conversar um pouco com você, tudo bem?”

O corredor estava barulhento com o falatório dos alunos, mas, por alguma razão, parecia haver um silêncio mortal apenas ao redor deles dois. 

Koi engoliu em seco e olhou para ele. Por mais que pensasse, não havia como fugir de Ashley. No final, Koi apenas assentiu levemente com a cabeça.

“Sim.” Assim que a resposta foi dada, Ashley passou o braço pelo ombro de Koi e começou a caminhar a passos largos. 

Koi, totalmente rendido, não teve escolha a não ser ser arrastado por ele, quase correndo para conseguir acompanhar o ritmo.

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Connor Niles sempre esteve sozinho. Corredores silenciosos e intervalos vazios para o almoço são seus companheiros habituais. As notas importam para ele; são sua saída.

Ashley Miller...

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